sexta-feira, outubro 14, 2005

Ossos do ofício

Taí, problema de pesquisa: seu "projeto" não quer ser pesquisado.
Estava esperando para começar a defesa da Cris, ontem (queria ser como vc quando crescer, Cris!! Muito chique sua defesa, mesmo que talvez vc não acredite muito nisso), e a primeira coisa que meu "intermediador", que estava na banca dela, disse foi: "estive com sua ex-futura objeto de pesquisa".
Um balde de água fria seria até bom nesse calor, mas na hora eu não gostei não. Perguntei o porquê. Ele me disse que ela achava que não era relevante. Sei. Não sei realmente porque ela não quer, mas não consigo acreditar que ela ache isso... Eu falei "mas ela é relevante pra mim"! Um sorriso meio desconcertado e uma cara "pois é, mas o que eu posso fazer?"
Bom, a maioria dos conselhos que recebi são: vai lá assim mesmo.
Tudo bem, acho mesmo que vou fazer isso. E também acho que posso fazer o trabalho mesmo sem falar com ela, se realmente não der certo. Mas ao mesmo tempo deu uma desanimada... bom, na pior das hipóteses eu exprimento hagis, kidney pie e vejo se finalmente consigo assistir ao Fantasma da Ópera. Aliás, depois podia contar essa história aqui. É divertida.

quinta-feira, outubro 13, 2005

A magia da carona

Fernando conheceu Michael na terceira série do ginásio. Michael era filho de americanos que vieram ao Brasil durante a ditadura. Seu pai trabalhava em uma multinacional automobilística e ocupava um alto cargo na filial tupiniquim. Sua mãe não trabalhava. Mesmo antes do pai morrer de um ataque fulminante do coração e deixar a família em condições precárias, Michael já tinha problemas de sociabilidade. Só não era um nerd porque era maior do que todos seus colegas e tinha um temperamento quase maníaco. Brigava quase toda a semana, pelos motivos mais risíveis. Apenas evitou de ser expulso porque seu pai, enquanto estava vivo, doou rios de dinheiro para a escola. Seu único amigo era Fernando.
Por ser amigo de Michael, Fernando evitava possíveis surras. Entretanto, a relação entre ambos não era equilibrada. Fernando tinha outros amigos, algumas amigas também, ainda que morresse de vergonha de conversar com a maioria das meninas. Andava bastante com Michael, e nestes momentos gozava de um poder embriagante. Gostava de olhar as expressões de medo endereçadas para ambos, mesmo que não compatilhasse o espírito espartano de seu amigo e se metesse em confusões. Mas tinha a opção de levar uma vida mais tranquila também. Às vezes passava dias evitando Michael, que, sem ter com quem conversar sobre alguma coisa amena, como os resultados dos jogos de futebol, ou um novo desenho animado, mergulhava em um humor quase assassino, recheado de inveja azeda quando via Fernando com outras pessoas. Piorava o fato de Michael ter uma consciência bastante clara sobre as razões cruéis para o comportamento de Fernando. No entanto, não conseguia deixar de ansiar para que voltassem a se falar quando aconteciam estes períodos de abandono. Era Fernando que não conhecia de fato seu amigo gringo. Para os demais, era um demente estranho. Para ele, Mike no fundo era quase isso mesmo. Apenas vangloriava-se de saber de algumas coisas mais íntimas do menino, como a paixão de Mike por Clara, uma menina um ano mais velha.
Por um ano depois da morte do pai, a mãe de Mike conseguiu manter o filho na cara escola. Mas depois teve de mandá-lo para um colégio público. Ele e Fernando ficaram 7 anos sem se ver.
Quando se encontraram, por acaso, no cursinho preparatório para o vestibular, cumprimentaram-se timidamente, mas no decorrer das semanas seguintes, voltaram a andar juntos. Michael ainda tinha fama de maluco, e as pessoas ainda sentiam medo quando o viam.
Fernando não sabia porque, mas no pouco tempo que passou junto com seu antigo colega, percebeu o quanto passou a conhecer sua personalidade fascinante, e o quanto dela desconhecia no período da infância. Viu que Mike não era apenas uma bomba relógio, pronto para assassinar um colega no intervalo, quando o infeliz gozasse de seu andar de pato ou de seus óculos vermelhos de aros grossos. Na verdade, achava exatamente isso, mas agora também outras coisas. O glamour da demência de seu amigo ganhava matizes complexas, de alguém sensível. Mais sensível do que ele, concluiu. Mais do que isso, percebeu também que não gostava de fato de Mike. E nunca tinha gostado.
Quando se deu conta disto, ficou horrorizado. Consigo mesmo. Percebeu que pulava de uma pedra para outra como um sapo que fugia de um perigo maior que nunca vinha de fato, sem ligar verdadeiramente se a pedra afundasse depois que saísse de cima dela. Não conseguia assumir uma posição sua. Tinha amizades que não passavam de rotas de escape para o caso de aparecer um obstáculo em seu caminho. Era bom ter boas relações com o maníaco local. Pensou que não passava de uma rêmora, um peixe-piolho. Aquele que nada na barriga dos grandes tubarões. Intocável. Mas sempre pegando sobras.
Mudou-se de cursinho no dia seguinte. Depois de arranjar desculpas para não atender os telefonemas de Mike, este sumiu novamente de sua vida. Imaginava que da próxima vez que o visse seria nas páginas de um jornal. Isso fez com que visse definitivamente que não era diferente de nenhum outro fofoqueiro que acreditava na inevitabilidade de um assassinato em massa proporcionado pelo garoto. Entretanto, nunca mais viu ou ouviu falar de Mike.

quarta-feira, outubro 12, 2005

A Sicília é aqui

A Paula que foi para a terra dos gângsters, mas o que acontece aqui é um verdadeiro pulp fiction de máfia da mais típica e assustadora qualidade. Não fica devendo pra nenhuma Cosa Nostra por aí. Já tinha ouvido falar, por fontes seguras, da coerção que outro famoso legista sofreu. Ele ficou desgraçado e desmoralizado depois da investigação de outro famoso crime ocorrido na última grande crise que aconteceu neste velho oeste que chamamos de Brasil (nesse sentido demorou pra ter uma novela chamada Bang Bang), a anterior desta palhaçada atual. Agora outro foi morto depois que disse que o prefeito foi torturado antes de ser assassinado.
Teve também outro moço que foi morto esses dias por sua opção sexual. A outra foi dopada, estuprada e teve o vídeo do crime, feito pelos dementes, baixado na internet. Aqui mesmo nesta gloriosa cidade. Toda hora. Não no Afeganistão ou nos EUA. E existem, infelizmente, as aves de rapina, os peixes-piolho, que dizem que a culpa foi deles. Eles que provocaram. Quem mandou ser gay, quem mandou ser gostosa e extrovertida (a famosa "fácil")? A falácia de um país que se pretende democrático, em que você pode ser quem quiser, se revela como uma bofetada quente na cara nessas horas.
Político que renuncia porque sabe que vai ter neguinho que vai votar nele de novo nas próximas eleições, imbecil que acha que está sendo original e contra-corrente ao defender o tadinho do Maluf (procure comunidades disso no orkut, você vai achar). É, assim é a democracia. Ou assim é o mundo. Não sei, acho que a quantidade das pessoas que perderam feio o rumo na vida está aumentando exponencialmente.

Apenas para não ser muito down (eu que não quero ficar deprimido): mais uma amiga vai ser mãe!!! Parabéns Lu! E para a Cris: Ráááááááááááááá!

terça-feira, outubro 11, 2005

Crônica existencial?

Ivich corria ofegante. Tropeçava em galhos velhos espalhados no chão, em pedras, em pequenos montinhos de terra, sempre olhando por sobre o ombro esquerdo. Seu pescoço inexplicavelmente doía quando tentava virar a cabeça para o outro lado.

Sentia que algo estava cada vez mais perto. Mas o pouco que lhe restava de raciocínio fazia com que percebesse que se esse algo ou esse alguém quisesse realmente alcançá-la, certamente o faria. Apenas a provocava, caçoava sadicamente de sua inútil tentativa de fugir. Como se fosse um jogo cujo resultado não poderia ser outro que não o já estabelecido por seu perseguidor - o que, evidentemente, não impediria qualquer um na sua posição de tentar evitar.

Ou talvez não fosse assim. Talvez já estivesse alucinada e pensasse que raciocinava, mas na verdade era apenas um recurso desesperado de buscar esperança. Ele podia de fato não estar brincando com "sua comida", mas avançando inexoravelmente, devorando lentamente a distância que os separava para apanhá-la e então fazer não se sabe que horrores.

Este último pensamento fez com que se desse conta que de fato raciocinava. Mesmo com a possibilidade de estar equivocada.

"Pelo menos isso", disse para si mesma baixinho. O que não melhorava muito as coisas. Talvez fosse até melhor estar completamente anestesiada pelo pavor, reavaliou um instante depois.

Este mesmo fiapo de raciocínio, o que não era usado para mexer as pernas, desviar das árvores no caminho e tentar resistir à tentação de se encolher e chorar, teimava em evocar as memórias mais disparatadas. Ficou horrorizada quando se viu pensando em sorvete de macadamia da Häagen-Dazs e de uma viagem que fez a Barcelona há alguns anos. Estupidamente bizarro, nas atuais circunstâncias. Dentre as imagens estapafúrdias que desfilaram em sua mente naquele momento, lembrou de quando tudo começou. Ou pelo menos de quando percebeu que algo de ruim havia começado.

No que acreditava ter acontecido dois dias atrás, recebeu uma carta no seu apartamento. No remetente, estava escrito apenas "Boris". Seu próprio nome aparecia como a única informação no verso. Dentro do envelope havia apenas uma folha amarela com uma marca d'água de um sobrenome que não conhecia. Eslavo, pensou.

Antes mesmo de ler a mensagem, já havia evocado o romance de Sartre na sua cabeça. Afinal, nunca conheceu outra Ivich antes, nem mesmo um Boris. A reunião de ambos os nomes no misterioso envelope era por demais significativo para que deixasse de evocar o livro, que evidentemente conhecia bem. Afinal, era quase uma obrigação conhecê-lo.

Seus pais moraram na França durante a década de 1960 e Jean-Paul Sartre era um verdadeiro herói para ambos. Seu nome, Ivich, era uma referência à um dos mais conhecidos romances do francês, o primeiro da trilogia dos caminhos da liberdade.

Não poderia ser apenas coincidência receber uma carta de um Boris, desconhecido, também nome de outro protagonista do livro. Parou por um instante antes de começar a ler e se pôs a divagar sobre o estranho fato. Sentia-se ela mesma num romance, mas um do Umberto Eco. Será que o remetente se chamava mesmo Boris? Acaso seria alguma brincadeira? Duvidava que se tratasse de algo fortuito. As pessoas não associavam seu nome com um personagem literário. Apenas o achavam diferente. Nunca encontrou alguém que, ao saber como se chamava, perguntasse "como a do livro?"

As únicas linhas no papel eram apenas uma citação do romance: "o perfume de Ivich ainda flutuava. Respirou-o e reviu aquele dia tumultuoso. Pensou: 'Muito barulho à toa, por nada'. Por nada. Essa vida era-lhe dada à toa, ele não era nada e no entanto não mudaria mais. Estava formado".


Abaixo uns rabiscos incompreensíveis e outro nome: Daniel. Por algum motivo sua nuca arrepiou completamente ao terminar de ler a carta. Amassou-a e jogou no lixo da cozinha.

O dia seguinte passou lento. Não fez nada que fugisse de sua rotina programada de trabalho, mas uma sensação de incômodo a acompanhou por quase todo o tempo.

Depois dessa noite, quando cumpriu seu ritual de checar e-mails, tomar uma ducha rápida, despir-se e deitar, não se lembrou mais de nada. Acordou numa clareira, não mais nua como foi dormir. Vestia roupas que não conhecia. Logo sentiu que alguém ou alguma coisa a espreitava. Um senso de perigo iminente aflorou na mesma hora, na forma de uma descarga de adrenalina e um suor acre, frio e abundante. Sentiu-se como melecada com algo viscoso, ainda que estivesse limpa. A consciência de seu próprio cheiro seria curiosíssima se não fosse também apavorante. Foi quando começou a correr.

Mal terminou de relembrar das coisas que antecederam sua corrida sem direção, encontrou uma casa. Perdida e solitária entre árvores enormes, escuras e ameaçadoras. Na soleira da porta, um tapete personalizado: "Mathieu".

Decidiu que não queria ter razão. Não entrou na casa. Há muito que aprendeu a desconfiar do existencialismo.


domingo, outubro 09, 2005

Boas novas

Ingresso comprado, passagem reservada, esse final/começo de ano promete!!! Pregos de 9 polegadas (como vi uma vez numa tradução de um livro gringo! Conhece essa banda? Não sei o que é pior: tradutor que parece que põe tudo em um programa de tradução, ou revisor que não manja nada da cultura de onde saiu o livro), Iggy Pop, Sonic Youth!! Ardeu e estou sem olhos, mas vale a pena! E vamos Dani e eu pro velho continente depois! Visitar pessoas queridas que há muito não vemos.
Agora tenho que deixar tudo nos trinques, certinho e arrumado. Gosto de viajar sem nenhuma preocupação. Ou seja, acho que terei que sumir por um tempo. Quer dizer, sumir de lá de fora = ficar mais tempo no computador. Então devo aparecer mais por aqui na forma de ermitão. Sorte (ou azar, vai saber) de você...

quinta-feira, outubro 06, 2005

Cruz, espada e nada in between

Bom, greve de fome bem sucedida, que pôde trazer de volta uma discussão que desde quando eu estava no colégio lembro de existir, mas que parecia meio morta fora da região nordeste: a transposição do Velho Chico.
Quando surgem essas questões polêmicas, fico em parafuso, porque tenho receio de tomar posição partidária e procuro "ir pela lógica" ou pelo razoável. Aí me ferro, porque fazendo uma limpeza dos argumentos imbecis que existem de ambos os lados, fico com uma série de questões que em princípio são legítimas. Às vezes parece que tudo se resume em pesar tudo na balança. Claro, para mim é mais fácil ver as coisas assim. Não passo sede e, apesar de pagar uma nota todo mês, não me falta energia elétrica. Tudo bem, passar sede é pior que não ter luz. Mas há de fato garantia de que desviando o rio acabará a sede? Desviando, o suprimento de eletricidade pode ser conseguido por outros meios? A Escolha de Sofia ganha carne aqui em terras brazucas nos termos de "se correr o bicho pega, se ficar o bicho come", ou então a metáfora da panela e do fogo e por aí vai. E nem sei se as equações ter luz = ter sede; não ter sede = não ter luz, são reais.
O que me dá medo é que algumas dessas reinvidicações legítimas não encontram respaldo na possibilidade ou na intenção e no comprometimento sérios em realizá-las. Ou são tomadas sem nem sequer levar em consideração o que dizem seus adversários. Ah, eles eles ouvem sim, mas não escutam.
Isso fica claro na campanha do desarmamento. Ontem mesmo assisti o Jô Soares e lá falaram sobre isso (foi quarta, então era dia da mesa redonda com as 4 mulheres). Havia 3 a favor do desarmamento, 1 em dúvida e ele era contra. O que me intrigava era que eu tinha a impressão que o debate entre o sim e o não parecia operar em níveis diferentes de argumentação. Não sei se havia uma comunicação de fato entre eles. Sei de cor os argumentos a favor e os contra. Cada um elencava-os usque ad nauseam, bem como utilizava os contra-argumentos, também já canonizados e repetidos à exaustão, para se contrapor ao outro (o Jô Soares ainda tinha um forte trunfo: os macaquinhos de auditório que aplaudiam tudo o que ele falava, como se fosse muito corajoso em falar o que ninguém fala, mas pensa, e ser a princípio contra qualquer proibição - o que num país ainda cicatrizando as feridas de uma ditadura que estava aí até ontem, ganha um peso enorme; é chique até. O que para mim é equivalente ao mecanismo de dar um murro na mesa. Você vence o outro por não deixá-lo falar, ou deixá-lo constrangido ou coagido). De maneira geral, correndo o risco de simplificar algo que não é de maneira nenhuma simples, o argumento a favor do desarmamento parece basear-se em questões de princípio pacifistas ou em estatísticas do tipo "morre muito mais gente e há muito mais acidentes com a posse de arma por pessoas não capacitadas e você não pode competir com o bandido treinado"; o argumento contra parece vir no sentido do princípio do direito individual, respaldado pelo argumento de que a proibição não coibe o comércio ilegal de quem quer ter uma arma de qualquer jeito (e a perigosa analogia com a revolução russa e o nazismo, que desarmaram a população antes de criar gulags ou auschwitz por lá, com o governo Lula - como se fosse um partido aspirante ao totalitarismo que quer o poder por 1000 anos. Ainda que todo partido queira a reeleição, não vejo qualquer cabimento nessa comparação. Mesmo porque não acho que o PT tenha qualquer força para tanto).
Por um lado o seu direito de ter uma arma e exercer sua condição de indivíduo soberano e responsável. Por outro a "realidade" do "não é bem assim, seu direito alimenta o arsenal do bandido e você pode matar sem querer seu filho que chegou em casa bêbado de madrugada". Ambos lados têm dois argumentos: o teórico e o prático. Porque se é a favor ou contra de acordo com algum princípio e como justificá-los com exemplos concretos. Repertório para tal não falta. Só que tais argumentos são contrapostos em uma salada maluca. Além disso, o que se espera ao votar sim ao desarmamento? Que seja menos pior que haja proibição do comercio legal do que o contrário, ou porque idealmente se espera uma sociedade desarmada, ou porque quer dormir de consciência tranquila com o discurso do "fiz minha parte"? Vota por princípio ou porque se tem convicção de que as coisas melhorarão? Você vota porque a outra opção representa pouco em mudança real? Às vezes sou um tanto pessimista. Por vezes acho que não muda muita coisa na prática, mesmo querendo acreditar no contrário. Talvez na sua consciência mude, sei lá. Outra coisa é que também se constrói uma dicotomia tão irreconciliável, mas que curiosamente se expressa em níveis diferentes (me pergunto até se eles podem de fato ser contrapostos), que você não pode ficar no meio termo. No mínimo parece um diálogo de surdos (bom, diálogo é eufemismo).
No caso do São Francisco, porque a reivindicação de ter água para beber deve passar necessariamente por cima de talvez (porque nem isso é muito debatido) matar o rio? Não se pode discutir outras opções? Afinal, apenas para citar uma alternativa, se não tivesse tanta roubalheira na sudene com o lance das águas subterrâneas (ou na manipulação de outras fontes hidrográficas), talvez houvesse mais água pra galera. Se alguém diz que é contra a transposição já é reacionário ou então cruel. Se alguém é a favor, é iludido ou um latifundiário wanna be. O que não pode é ter que haver um bispo passando fome para somente então parar e discutir algo que se não for feito com cuidado pode criar mais um gigantesco elefante branco - sedento e no escuro.

domingo, outubro 02, 2005

A vida imita a arte, vice versa e outras

Assisti hoje o Madame Lee, o programa da Rita Lee com o Roberto de Carvalho. O que a fama não é capaz de fazer, não? Duvido que dessem um talk show pra outra pessoa que não ela nas mesmas CNTP. Estava completamente estriquinada! Andando de um lado pro outro, mexendo e fungando o nariz toda hora, falando coisas non sense... o marido só olhando e tentando disfarçar, como se não houvesse nada de mais, de vez em quando soltando um "Madame Lee está agitadinha hoje, não?". A Fernanda Torres (a convidada) só ficou dando risada, meio sem jeito. Tudo bem, não é só a Rita Lee que apresenta programa assim na tv. Lembro dos Contos de Thunder que o cara não dizia nada com nada. Engraçadíssimo! "No drugs, no money"! Só que hoje estava muito na cara! Até achei que era onda dela, tirando sarro disso. Mas não era.
E o Roberto de Carvalho parecia um cara que morou na república com a Dani, o Israel. Idêntico até mesmo na aparência! Meio patolinha, baby look outfit, falando devagar e calmo, papos esotéricos...
Mas o engraçado mesmo era a Rita Lee. E ela também parecia com alguém. Estava igualzinha ao Ozzy naquele programa dele com a família!

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Deixo também uma dica de um blog interessante. Sobre vários assuntos. Há um artigo sobre precauções contra possíveis processos judiciais na net que é legal. Em um primeiro momento fiquei meio receoso com o assunto. Se há discussão sobre isso, logicamente é porque há precedentes para tanto. Isso parece óbvio, mas quando se trata da net, as pessoas facilmente esquecem dessas coisas e às vezes parece que vale tudo por aqui: terra de ninguém.
Entretanto, depois pensei melhor e vi que não adianta fingir que isso não te diz respeito e acontece só com os outros ou é lenda (pouco provável que aconteça algo, ainda mais se o site é gringo; em todo caso...). Além disso, nada mais razoável do que você ser tão responsável por seus atos e opiniões no mundo virtual quanto em qualquer outro veículo de comunicação. O que não é exatamente ser a favor de censura. Há que se ter em mente que há uma legislação a respeito de casos de injúria, calúnia, difamação e direitos autorais que vale também pra net. De qualquer maneira, vale uma olhada.

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Ah, finalmente descobri como acabar com spam de comentário! Na verdade é muito simples. É só modificar uma opção. Agora quero descobrir como apagar os spams já existentes...

Clarim Diário

Algo muito estranho aconteceu.
Tenho essas neuras de fazer backup de tudo de vez em quando (neuras saudáveis, como já tive oportunidade de perceber diversas vezes). Só que eu faço backup (antes naqueles disquetes quadradinhos que agora só juntam poeira e agora em cd e daqui a pouco em dvd) e nunca mais vejo o que salvei. Bom, umas 2 ou 3 vezes eu precisei procurar uns textos meio antigos pra pegar umas citações ou alguma bibliografia. Mas via de regra tudo vai se acumulando em um cantinho de reminiscências praticamente apenas ornamentais.
Na verdade eu sempre fiz esse tipo de coisa. Mesmo antes de ter computador em casa. Guardava trocentos papeizinhos com anotações as mais variadas, minhas e dos outros, sem ter coragem de jogar nada fora. A grande maioria desse material ainda está guardado. "Quem sabe um dia posso reaproveitar alguma coisa?" Era o que pensava.
Bom, mas estava olhando uns disquetes do período musteriano e achei uns textos escritos há muito tempo atrás. Acho que ainda da época em que derivadas e integrais ainda não tinham me vencido completamente e teimava em pensar que seria um economista rico. Achei uma idéia para um livro (?!) e também uns ensaios. "Porcaria", foi o primeiro pensamento. Afinal, normalmente eu mal termino de escrever um trabalho e já acho tudo um lixo! Minha dissertação está lá fechadinha. Não tenho nem coragem de ver as barbaridades que tenho certeza que escrevi. Acho que é um dos motivos porque meu currículo não deveria ter o "rrículo" nele. Acho que um artigo nunca está bom o suficiente e não o mando pra lugar nenhum. Nesse sentido, algo decenário deveria ser pior ainda...
Até me arrepiei quando vi os títulos de alguns dos ensaios (não feitos para a faculdade): "Deus e a racionalização do divino", "A ironia do destino e a problemática do fundamentalismo ético", um sobre pensamento científico e RPG. E por aí vai. Naquela época eu gostava de títulos imponentes. Hoje prefiro os bem humorados ou de duplo sentido. Ou então algum metafórico. Por isso já fiquei com medo até de dar uma olhada nos tais ensaios.
Mas eu li. E não é que tem coisas legais? O interessante é que não me lembro deles!! Quer dizer, sei que os escrevi, mas parecem que nem são meus, são de outro/outros. Na medida que ia lendo, não lembrava do texto, mas reconhecia minha linha de pensamento. Claro que tem muita besteira. Mas tem também algumas coisas que eu escreveria novamente se já não o tivesse feito.
Quem sabe um dia não os posto aqui? Me sentiria como um editor que estivesse publicando textos de outra pessoa. Um outro eu que colhe os frutos de um eu mais antigo; nenhum dos dois sendo este eu. Tipo Spider/Parker.
O que me faz pensar: será que gostei dos textos porque são legais mesmo, porque são testemunho da existência de uma inteligência de um eu imobilizado em sépia, ou porque eu apenas consigo apreciar algo que escrevi com muito, mas muito distanciamento? Se for o caso, talvez outros fósseis ainda tenham salvação. Daqui a um tempo.

terça-feira, setembro 27, 2005

Lévi-Strauss ou o secador de cabelo

Hoje acho que caiu de vez uma ficha que devia estar perigando cair há algum tempo já: o estruturalismo está moribundo. No mínimo macambúzio (ô palavra legal essa!).
De manhã, na aula, a Suely disse que estava de ressaca de duas coisas, o que a fazia poder parar para pensar melhor sobre elas. Uma era o tal do pós-estruturalismo. A outra era o estruturalismo propriamente dito. Agora, dizia ela, é mais fácil fazer um balanço e perguntar se há tanta estrutura assim, ou, pelo contrário, se há tanta ação. Estávamos falando sobre identidade e a constituição de direitos em sua relação com o social, sobre o papel do antropólogo nisso tudo, etc e tal. No fundo, tratava-se de pensar sobre a etnogênese e os problemas do antropólogo em campo. Quando ele consegue e quando não consegue fazer pesquisa, bem como questões relaciondas. Uma coisa que desde a matéria com o Robin (o mais novo prof. titular da casa, em uma defesa lindíssima) ficava martelando na minha cabeça, é o limite da instrumentalização dos sinais diacríticos de uma identidade. Criticar o estruturalismo virou moda. Vamos criticar os críticos agora. O que é viver e experienciar de fato uma identidade e o que é manipulado? Que acontecem as duas coisas, não tenho dúvida. O lance é saber percebê-las (e nesse sentido temos uma responsabilidade gigantesca, aos dizermos para o Estado, para os sujeitos ou para nossos colegas e futuros pesquisadores, quem são e o que fazem as pessoas que ficamos anos estudando). Basta saber dançar toré para ser índio?
Eram essas coisas meio cabeludas que discutíamos. Mas o que eu realmente fiquei matutando foi sobre a ressaca da Suely com o estruturalismo. Talvez tenhamos chegado a um patamar de distanciamento em que o coloquemos de fato na balança. Ou, como na metáfora cênica, no palco.
Fiquei agora o começo da tarde na casa da minha mãe para dar almoçar e depois dar uma carona para o meu irmão para o centro. Como não sabia direito que iria fazer isso, não trouxe nada para estudar, e amanhã tem aula com a Nádia sobre uns textos do Lévi-Strauss.
Aí a Dani disse que se soubesse que iríamos ficar um tempo aqui ela traria... "o texto do Lévi-Strauss?", completei. "Isso ou o secador de cabelo". Se ela gostasse de palavras cruzadas, seria isso. Ter alguma coisa para fazer, enfim.
Interessante pensar que o estruturalismo, diferente do mito, agora já não serve só para pensar, mas para passar o tempo.

segunda-feira, setembro 26, 2005

Novas miudezas

Depois de vários dias de suor e lágrimas na confecção de um novo layout, finalmente posso estreiar a nova carinha do blog!!!
É tão bom quando as coisas, pouco a pouco, experimentalmente quase, dão certo... me sinto como se tivesse construído algo que funcionasse. Como os caras do american chopper devem se sentir quando fazem uma moto do nada, do jeito que querem.
Acho que ficou bonitinho, não?!

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Não vou comentar muito, mas deixo registrada minha revolta: esse juiz maldito tem que ir pra cadeia mesmo! E ficar lá por muito tempo, junto com toda sua laia. Não porque eu goste tanto assim de futebol. Mas é que estão matando as poucas coisas que restam de alegria por aqui! Há, claro, os que achem que é até bom que terminem com essas ilusões. São os que não se conformam que o Brasil pare durante o carnaval e durante a copa do mundo. Panis et circensis. Seriam como sintomas de problemas profundos de um país que ainda precisa se desenvolver muito. Agora, pergunto: desenvolver no quê? Porque por trás dessa idéia há uma utopia meio estranha do que deveria ser um bom país. Ditadura do esclarecimento? Acho que os excessos do Período do Terror serviram para mostrar algumas falácias... Não advogo uma nação de avestruzes, apenas torço para a existência de um espaço de uma certa ingenuidade saudável. Diriam esses críticos da farsa que não é só de religião que o povo se intoxica. Entretanto, acho sinceramente que para uma vida interessante deve haver uma certa dose de ópio. Marx nem era um santo, afinal de contas. Que o diga sua empregada.

Interlúdio

Não sabia ao certo se queria escrever este post. Minha intenção não é fazer um blog melancólico, mas de qualquer forma vão aí uns desabafos...
Há algum tempo eu pensava em escrever sobre a separação tardia dos meus pais. É uma coisa meio estranha. Mais estranha ainda porque eu não sei explicar direito meu problema em relação a isso.
Afinal de contas, depois que você viveu o seu primeiro quarto de século de existência, não espera que seus pais vão mais se separar. Digo, de todo o stress e brigas que certamente ocorrem em um relacionamento, entre mortos e feridos, é de se esperar que a gota d'água deveria ter transbordado muito antes, não? Mas depois de 30 anos?! Aí eu penso "antes tarde do que nunca. Vão ser felizes agora". Só que não sei se é tão simples, ao menos para mim...
Quando terminei minha adolescência intocado por esse problema que afetava boa parte dos meus conhecidos e amigos, realmente achei que teria apenas uma casa para voltar nos domingos para comer macarronada. Tudo bem, como não experimentei isso antes, não posso dizer que meus sentimentos em relação a isso são muito diferentes dos de um adolescente ou uma criança. Por um lado, alguém mais novo pode ter muito mais problemas com uma separação. Mas por outro, exatamente porque eu achava que poderia lidar melhor com isso, acabei penando pra caramba.
Explico: Quando o negócio ficou realmente feio, tentei argumentar com ambos e intermediar as brigas, resolver tudo, ser o salvador. Grande equívoco. As coisas só pioraram. E no final, acabei nem sequer sabendo porque tudo aconteceu ou como começou. Tenho teorias. Que doem mais do que certezas.
Me estraçalhava o coração ver que depois de 3 décadas de trabalho duro, quando meus progenitores finalmente conseguiram construir a casa em que eles queriam envelhecer juntos e receber os netos, esta ficou vazia. Quer dizer, não vazia de gente, mas vazia do que poderia ter sido e quase foi. Arrisco dizer - talvez meio levado pelo envolvimento pessoal - do que deveria ter sido. Depois de décadas de construção, planos e sonhos de como seria a casa nova (desde que me lembro por gente isso era a meta principal da família. Meio como o anseio pelo incondicionado de Kant) acho que moramos todos juntos apenas 1 ano lá.
Hoje já não sofro tanto com isso, ainda que não possa dizer que seja algo totalmente resolvido. Se agora percebo que poderia ter me desgastado menos com o processo, na época me recusava a acreditar no que no fundo realmente deveria ter percebido e aceitado: "em briga de marido e mulher..." você sabe como é o ditado.
O mais trash veio justo quando me mudei (talvez um analista me dissesse que eu me sinto culpado de alguma maneira porque foi exatamente quando saí de casa que eles perceberam que poderiam se separar). Acho que mesmo se fosse muito jovem uma cena me marcaria (afinal, tenho nítidas lembranças de uma vez que meu pai ficou 1 semana fora de casa e minha avó veio pedir para minha mãe para aceitá-lo de volta. Meu irmão ainda era um bebê e eu fingia estar brincando num triciclo, quando na verdade ouvia tudo o que elas falavam): meu pai chorando ao se despedir de mim e do meu irmão, levando apenas o carro dele e uma muda de roupa.
Apenas para não deixar o post completamente down... Há um motivo porque seria melhor que isso tivesse acontecido quando fosse criança: teria ganho presentes em dobro.

quarta-feira, setembro 21, 2005

Poder da maioria

Estava hoje eu na cantina, numa daquelas gloriosas cadeiras de plástico vermelhas, lendo um texto do Lévi-Strauss sobre a vaca louca, quando passa um indivíduo correndo e gritando "porra, invadiram a assembléia! Porra!" Aí ele foi pro CA, gritou a mesma coisa lá. Foi pro pessoal que fica atrás do Nilsão e gritou também sua indignação. Passou correndo pela Priscila e voltou pra cantina. Não sei se ele queria angariar simpatizantes pra sair gritando. O fato é que foi tão estranho e súbito que todo mundo ficou olhando disfarçadamente com uma cara de quem pensa: "mais um pirado" (ou assim interpretei as coisas). Ou então as pessoas fingiram que não viram e ignoraram. Às vezes pode ser um raivoso, vai saber...
Lembrei na hora daquele programa da GNT, "Zoológico humano" (ou algo assim). Segundo o tal documentário, as pessoas são todas umas Marias-vai-com-as-outras. Todo mundo vai pela maioria: ignorar se todos ignoram. Se ninguém dá bola pro alarme de incêndio, quem é você pra querer se salvar? Mas eu fico pensando... será que é isso mesmo? Se for, o que explica todos ignorarem o coitado?
Bom, só um pouco depois que eu me liguei do que ele estava falando. Fiquei o dia todo no instituto e estava muito cansado. Demorou pra cair a ficha. É que hoje teve a renúncia do Mr. Magoo, que devia estar falando na tv naquela hora. Acho que ele (o exaltado) se referiu aos estudantes que foram retirados da Câmara pelos seguranças.
Mas o mais interessante é que, a despeito do surto que o rapaz teve, e a cena meio Monty Phytoniana que encenou, ele acabou doutrinado pela indiferença dos presentes. Ninguém gritou, ninguém se revoltou junto e ninguém propôs ir para Brasília numa horda destruidora e demolir tudo. Desapontado com o resultado ridículo e a apatia geral, ele voltou para o seu canto, já mais calmo e pediu um café.

domingo, setembro 18, 2005

Um gato

Ele era quase todo branquinho. No meio daquele pêlo todo, apenas uma manchinha alaranjada no pescoço.
Andava pelas paragens próximas ao laguinho do lado da Unicamp. Tinha olhos verdes e corria mais rápido que a maioria dos seus colegas felinos. Não era muito de espreitar, estava sempre se mostrando. Só fugia se alguém chegava muito perto. E mesmo assim dava apenas alguns pulos de precaução. Mas não era de maneira alguma desafiador.
Seu nome: Feliciano.

Não tem vezes que você gostaria de conhecer melhor aquela pessoa? Sem motivo consciente? Pois é, resolvi escrever um post sobre esse gato bem simpático, que anda sumido. Ele é uma metonímia, uma metáfora para outras coisas ou apenas um bichinho bacana?

Ah, hoje assisti O feitiço de Áquila! Que filme maravilhoso...

sábado, setembro 17, 2005

Falta de fósforo

Estava lendo o blog da Indigo, que conheci através da Cris, e fiquei pensando sobre essa coisa da memória... Por que a minha é tão ruim pra algumas coisas? Hoje mesmo 3 pessoas foram me cumprimentar. Duas eu lembrava da cara. Um não queria nem arriscar chamar pelo nome. O outro achei que se chamava Danilo (acho que ele tinha cara de Danilo). Ele: "Tudo bem Slash (a.k.a. Chris)?" "E aí... Danilo" (mas disse meio enrolado, meio pra dentro, pra se não for Danilo ele não ter certeza que eu disse o nome errado). Aí vi que ele me olhou com uma cara estranha e pensei "xi, não era isso". Depois decobri que era Alexandre. Tudo a ver.
O problema foi o terceiro. Não lembrava nem da cara. Fiquei pensando "será que ele tá curtindo com a minha cara ou será que estou tão esclerosado assim?"

quarta-feira, setembro 14, 2005

Hey Ho! Let's Go!



Um post apenas para comemorar um pequeno alento proporcionado hoje na nossa capital.
Já é alguma coisa. Falta cadeia. Agora, ainda receber aposentadoria depois disso... não dá! Bom, pelo menos algo de bom - finalmente!
Aliás, o dia hoje foi realmente muito legal! Comemos sushis deliciosos com a Nashi, Bertrand e Sofia no almoço. Depois achei duas preciosidades no Iluminações: 'Estrutura e função social na sociedade primitiva' e 'Um outro olhar', que é o livro com fotos e documentos da expedição do Lévi-Strauss com o Luiz de Castro Faria Brasil afora (adentro, sei lá). Lindíssimo!! Achei uma pechincha!

terça-feira, setembro 13, 2005

Miudezas

Hoje foi a apresentação do meu projeto. Acho que foi tudo bem! Até fiquei entusiasmado para continuar e trocar idéias com projetos afins (como o do André, Gustavo, Dani...)!! Ou seja, meu temor de que era melhor largar tudo e procurar outro tema não se confirmou (ou ir vender miçanga na praia)! Acho que as pessoas até que gostaram!
Estou tentando também (na verdade é mais a Dani) mudar a carinha do meu blog... mas tá difícil, o template novo tem problemas pessoais com os acentos. Vamos ver se fica legal, o novo fundo é bem bacana!
Ah, também dou o link pra um blog bem bacana! Não sei se é muito manjado, mas descobri esses dias. É do vizinho do Jefferson (o deputado)! Dê uma olhada... o cara deve ser meio neurótico... mas bem engraçado, como só uns neuróticos podem ser.

segunda-feira, setembro 12, 2005

Mea culpa

ou "celebridade" versus "não atrapalhe meu dia"

Eu vi o Manu Chao duas vezes. Uma delas foi num desses festivais de cigarro que teve uns anos atrás no Jockey Club. Free ou Carlton, não lembro mais. Acho que foi Free mesmo... O show foi demais, um dos melhores que eu assisti. Mas essa foi a segunda vez que o vi.
A primeira foi em Barcelona, e na hora eu não sabia que era ele. Só descobri depois, quando cheguei na casa da Paula e vi na TV que um protesto contra uma nova lei de restrição de imigração tinha causado certa confusão perto da praça Catalunha. Aí a reportagem focalizou num carinha magrinho, bem comum, parecia um desses caras que estão ficando mais velhos e ainda querem andar com os estudantes paneleiros (aliás, que aconteceu com a panelada do dia 7? Fiquei com a minha panela em mãos, mas não queria ser eu a começar a batucar sozinho...).
A voz da repórter dizia que era o Manu Chao. Eu tinha visto o carinha naquela manhã. Não porque ele chamasse atenção. Como eu disse, ele era bem comum. Era o casaco dele, meio laranja, que o destacava. E também por estar em cima de um latão, gritando algumas palavras de ordem, acho. Eu já gostava da música e achava que ele era um cara bacana, que fazia boas letras, com críticas venenosas aos governos conservadores, neo-liberais, xenófobos, etc. Mas nunca tinha visto a cara dele antes desse dia.
Legal, vc diria, não é? Só que na hora eu fiquei irritado com a tal passeata. Tive que desviar um tanto (algumas centenas de metros, se tanto) pra entrar no metrô. Se me perguntarem, digo que sou completamente simpático ao protesto e adoro o Manu Chao, mas na hora só pensei "malditos baderneiros" e apressei meu passo.

sábado, setembro 10, 2005

Momento vanglória

Hoje assisti uma defesa muito legal (pena que tinha mais gente na banca que assistindo). Também troquei figurinhas com o João Pacheco e o Antônio Carlos de Souza Lima sobre indigenismo e depois fomos tomar chopp com pastel!! Acho isso que só perde pra tomar café na cantina com a Mary Louise Pratt, conversando sobre Stanley!!!
Tietagens...

quarta-feira, setembro 07, 2005

Sobre algumas coisas que vi na tv

Agora há noite, babando maionese e catchup na camiseta do pijama (que não tirei o dia todo), estava assistindo um pouco de tv e vi algumas coisas interessantes. Primeiro o tal do Fat Actress. Que coisa é esse programa! Ainda não sei ao certo se gostei ou não... mas tem umas situações muito engraçadas! Isso de fazerem seriados mais malvados é legal, mas também dá uma certa aflição ao assistir: Nip Tuck, Desperate Housewives... e a forma meio sem noção de tirar sarro de si mesmo é uma das coisas que eu mais gosto nos americanos.
A outra coisa interessante que eu vi na tv foi um comercial. Da Volkswagen. Um que eles fazem o gol que o Pelé não fez... aquele da copa de 70, que ele dribla o goleiro do Uruguai, que fica parado que nem besta, com a bola passando por um lado e o Pelé pelo outro. Isso sem nem encostar na bola. Na vida real o Pelé chuta a bola para fora. Mas fizeram uns efeitos mágicos lá e no comercial a bola bateu na trave e entrou! Bom, você vai me dizer que esse efeito especial é até chinfrim comparado com o que tem no Senhor dos Anéis, no Star Wars e tal. Mas o lance é que eles tão mexendo agora com a memória da nossa "realidade"!! Do que considerávamos pronto e acabado! "Aquilo foi daquele jeito"! Que mais eles podem mudar? Como saber o que aconteceu, ou ter certeza mais de algo? Isso para alguém mais neurótico e inseguro, ou que acredita em teorias da conspiração (eu, eu e eu!), pode ter efeitos psicológicos devastadores!! Agora levo mais a sério quem não acredita que o homem pisou na lua e diz que foi tudo armação...

Um certo alívio

Hoje terminei meu projeto! Já mandei pra todo mundo que tinha que mandar. A sensação é tão boa...
Terça-feira, quando irei apresentá-lo, provavelmente vou ver o quanto ainda tem pra fazer e mudar. Mas por enquanto fico feliz em poder guardar a tonelada de livros, textos e anotações que estavam se amontoando e se transformando em uma espécie de monstro bibliofráfico aqui na frente do computador! Agora estou esperando um lanche do Gordão e posso assistir Warner e Sony de novo!

sábado, setembro 03, 2005

Tot la intuició amb una mica de passió

Jo intentaré escriure en català.
Una mezcla de posibilitats,
per entrenar somniar.

Dolç i fantàstic Barça,
el jo de anys passats
li agradaria ser recordat,
anar i reveure
mis amores ibèrics.

sexta-feira, setembro 02, 2005

Sono guasto o estoy hecho polvo...

Dagadã...
Tilt completo depois de um dia de discussão sobre culturas (plurais, ambíguas, imbricadas, correlacionadas, transversas, de c minúsculo...)! Identidade, linguagens, línguas, sinais diacríticos x disputas, relações, multilocalidades.
Primeiro pra chegar na Unicamp... completamente tomada por hordas de adolescentes espaçosos que não saem do meio da rua a menos que vc ameace passar por cima! E aí olham feio. Era universidade aberta...
Depois teve maratona! Das nove e meia até 1 da tarde, pausa pra almoço (na sala) e depois aula até as 5!! Pra discutir e apresentar 5 (cinco, five, cinq, fünf, cinque!!) livros!! Kuper mete pau em Sahlins, Sahlins mete pau nos histéricos pós-modernos, e os Ilongot cortam cabeças! Igual a cigarro: foi ótimo, mas também prejudicial à saúde! Já no final não entendia mais nada. O último era pra discutir a Eunice: cultura, hemegonia, ideologia, resistência, conformismo, Gramsci, Althusser! Quê? Como? Onde? Eu quero mais daquele salgadinho gostoso de pimenta, como esses adolescentes fazem barulho, um, preciso pagar a conta de luz, uma cerveja ia bem agora, que engraçado o cabelo dela, qual era a pior bruxa, a do leste ou do oeste?

terça-feira, agosto 30, 2005

New realms of Horror

Essa é nova:
Ontem recebi uma ligação a cobrar no meu celular. Como ele tem identificador de chamadas, achei estranho o fato de não aparecer o número de origem da ligação. Melhor atender, de repente é alguém precisando de algo.
Não! Tele-marketing!!! É isso mesmo! Só pode ser bricandeira! Por princípio não compro nada por telefone, ainda mais se me ligam depois das 9 da noite, o que eu acho que excede o que eu entendo por absurdo, mas que foi o caso ontem. Agora, vir me dizer que ganhei não sei que promoção pro celular, mas a cobrar?? tenha Santa paciência! Pior que a minha hipótese de que fosse trote encontra um problema: quem teria a pretensão de enganar alguém numa ligação a cobrar? Mas aí, da mesma maneira, quem quer vender algo assim?
Chinguei e desliguei na cara. Teve a desfaçatez de tentar ligar de novo. Desliguei o telefone. Não tem mais pra onde correr??!?!

segunda-feira, agosto 29, 2005

O pior de tudo

Uma das coisas que me dá mais tristeza nessa crise toda, além das razões elencadas por todos, é de outra ordem, ainda que relacionda a estas.
Estava ouvindo o Mainardi falando que o PT iria acabar, ninguém sentiria falta nem teria sentimentos nostálgicos, que seria lembrado como o PRN do Lula e acabaria como uma nota da história mais ou menos como aconteceu com a ARENA. Dizia ainda que ia tarde, por que tudo o que o PT tocou apodreceu, construindo uma rede institucional de corrupção a que nenhum orgão de fiscalização da sociedade civil teve coragem de se contrapor. Pior que a tese de que esse controle do poder pela sociedade civil tenha sido nulo por que o PT na situação era a esperança dessas mesmas camadas (imprensa, universidade, sindicatos, povão), é até plausível. Algo como preferir tapar olhos, bocas e ouvidos e se entregar à pilula azul. Um ato de fé. Ainda que isso não seja exclusividade petista.
Agora, o pior de tudo é que, quando ele fala isso, tenho um lampejo, quase um reflexo condicionado de levantar o dedinho e protestar "Ei!"... mas não consigo. Espero que esse desânimo seja apenas temporário.

domingo, agosto 28, 2005

Alguns sonhos


Às vezes sonho que estou voando.
Na verdade, não exatamente voando... planando. Aproveitando as correntes de ar. Não sei se tecnicamente é a mesma coisa. Mas do jeito que eu penso a coisa, é o seguinte: planar envolve um esforço e uma arte da manutenção no ar muito diferentes do vôo, algo um tanto mais fácil e que pode ser feito por um período quase indefinido de tempo. Você consegue planar enquanto está concentrado e se tem sorte de pegar umas correntes bacanas. Aí uma hora volta pro chão e tem que sair correndo e planar de novo.
Vira e mexe eu plano. E nem sempre quando estou dormindo. Nunca muito alto, já que tenho acrofobia. Assim, da altura de um poste de luz, mais ou menos. É só dar umas pernadas, tipo um peixe mesmo, e pronto! Uma delícia!
Agora, outro sonho também bem frequente é um em que estou cavando. Mas cavando no barro. Então é uma tarefa, digamos, complicada. Sempre que eu tiro um pouco de barro, escorrega outro tanto de volta pro buraco. E é sempre no mesmo lugar, no barranco daquele laguinho perto do Centro Médico. Que catzo Freud poderia dizer sobre isso? Algo como uma advertência sobre a inutilidade de alguma coisa que estou fazendo na vida? Considero esse sonho uma versão modificada daquele que você está correndo e não sai do lugar. Como naquele livro do Michael Ende, Manu, a menina que sabia ouvir. Que medo eu tinha dessa história! Pra você fugir não podia correr, era tudo ao contrário!! Mas uma vez tive esse tipo de sonho. O pior é que tinha um maníaco, que eu não conseguia ver, mas sabia que estava lá, com uma faca, me perseguindo.
Tem outro lugar também bem manjado quando vou pro reino do Sandman. Na minha cabeça é Búzios, mas eu não sei porque. É um rochedo perto do mar que eu vou e encontro pessoas conhecidas (cada vez uma diferente). Sempre que vou lá é a primeira vez, mas sempre fico com a sensação de que já fui lá alguma outra vez. Alguma outra vez que não no sonho anterior, que na hora que estou sonhando não é, digamos assim, uma lembrança.
Já tive outros sonhos mais e outros menos bizarros também. Sonhos de morte e de outras vidas (ou assim parecem). Mas eu tenho inveja mesmo de dois sonhos não sonhados por mim. Um do Emiliano, que ele cai num buraco e começa a fumar um cigarro por que demora muito pra chegar no fundo(repetido algumas vezes seguidas e depois nunca mais). E outro do André, que ele se via numa janela de um prédio na frente dele mesmo (nem consigo passar toda a maluquice dos vais-e-vens do perspectivismo estranho que ele me contou). Isso é o que ficou deles pra mim. Até já tentei sonhá-los, depois que eu vi no Mundo de Beakman que se você dormir pensando em algo pode acabar sonhando com isso.
Mas essa técnica nunca deu certo. Nem mesmo com mulher pelada.

quinta-feira, agosto 25, 2005

Algo sobre representação

Ah, em tempo.
Finalmente pude ver uns pedaços da tal novela do Falabella e a nambiquara doméstica. Já tinha ouvido falar bastante disso, e lido notas de repúdio apaixonadas (bem próprias do meio), mas sempre me esquecia de assistir, porque no mesmo horário passa Friends e outros seriados viciantes!
Acho sim que o movimento indígena tem que botar a boca no trombone e reclamar da representação humilhante reservada à personagem índia (soma-se assim mais um grupo ao hall dos depreciados nas novelas. Quer dizer, na verdade, isso de índio burro, selvagem, preguiçoso, serviçal, promíscuo, não é de hoje). E os próprios índios devem protestar também, claro! O interessante nisso tudo é que a tal Bumba não está nem aí com isso! Deve ganhar um salário razoável e se satisfaz pessoalmente com a bizarra fama. Os outros que reclamam.
Hoje mesmo terminei meu trabalhinho que toca nesse delicado ponto da produção teórica/ postura política de defesa das populações indígenas. Existe um hiato enorme (mas não irreconciliável, aliás muito bem resolvido por muitos "pesquisadores-militantes", como chama a Eunice) entre os discursos dos dois campos - na verdade bem conectados. Enquanto os antropólogos gastam saliva e tinta para dizer que as culturas não são estáticas e novas formas de organização e práticas não equivalem a constatar que uma sociedade aculturou-se ou morreu, o índio (que índio?) muitas vezes tem que ocupar o lugar que lhe reservam na busca de direitos, e vestir a roupa de índio, fazer e dizer exatamente o que lhe dá capital para conseguir um lugar ao sol. Nada contra. Mas às vezes parece um tanto estranho isso tudo, isto sim um pouco esquizofrênico...
Por favor, não digam que sou contra a produção acadêmica, contra a etnogênese ou contra as políticas de venda de cultura pra ong estrangeira que dá dinheiro pra projeto pra floresta. Eu sei o quanto isso pode queimar carinha no meio. É apenas minha impressão sobre a questão. Todo cuidado é pouco, afinal, não quero afugentar os poucos leitores deste blog...

Procuram-se novas costas!

Hoje terminei e entreguei um dos trabalhos!! Que trabalho...
Nem vai dar pra comemorar muito porque tenho outro pra semana que vem, mas pelo menos dá pra relaxar um pouquinho... hoje pude voltar a fuçar nuns blogs aí e aproveito para deixar aqui o link para o blogue (como ele diz) do Marcelo Leite, recém-doutor lá pela casa de tantos colegas. Tem posts bem interessantes! O do biólogo punk achei o máximo!

sábado, agosto 20, 2005

Sexta à noite no Shopping

Está comprovado! Tenho pânico de packs of teens (não gosto de ser daqueles que usam expressões em inglês pra qquer coisa, mas neste caso a idéia que passa é melhor que em português. Apesar que matilha de adolescentes pode ser também)!
Ontem fui jantar no Almanara (que merece um post à parte qquer dia desses) com a Dani, minha mãe, Lelê e Vanessa. Shopping sexta à noite normalmente é lotado. Normalmente tem bastante gente jovem. Normalmente não é uma experiência agradável. Só que ontem, 80% das pessoas que vc tinha que desviar nos corredores, nas lojas, na praça de alimentação e mesmo no estacionamento, variavam da idade de 12 a 15 anos!
Uns falavam alto e grosso pra impressionar os amigos ou as meninas, que andavam de mãos dadas falando entre si. Outros não estavam nem aí e desafinavam mesmo - o diferencial de gênero nesse caso era a indumentária.
Achei que era uma excursão de algum colégio de uma cidade mais interior que Campinas. Isso porque quando tinha a idade deles, tinha excursão do colégio uma vez a cada semestre, mais ou menos, pra gente assistir a alguma peça de teatro em SP, ou uma exposição, ou algo cultural e prafrentex. Daí, como adolescente não pode viver só de ver peça Ornitorrinco do Rosset, no final do dia íamos a um shopping - lembro de termos ido ao Iguatemi e também ao Shopping Paulista uma vez (atravessávamos a Paulista em hordas, do McDonalds ao Shopping e vice-versa, deixando motoristas e monitores do colégio em pânico). Mas o preferido era o Morumbi mesmo. Pra quem só tinha Iguatemi Campinas, naquela época bem menor que hoje, o Morumbi era um monstro! Havia muitas lojas legais, restaurantes de fast food que só existiam em SP (como Pizza Hut, por exemplo), um espaço de fliperama muito bacana e tinha até mesmo uma loja de instrumentos musicais e outra de modelismo!
Enfim, quando vi tanto adolescente junto, comecei a achar que era uma excursão do mesmo tipo das que eu participava quando moleque, só mais meia-boca (porque sempre tem alguém mais jeca que você, tirando foto da grande árvore morta na entrada do D. Pedro. É toda uma cadeia alimentar). Mas o mais estranho é que ficava apreensivo quando via chegando no sentido contrário um bando de adolescentes com roupas bizarras, todos de boné, celular a tira-colo e com máquina digital na mão! Começava a apressar o passo e tentar chegar logo no Almanara, comer e ir embora! Nunca aquele lugar pareceu tanto um oásis quanto os designers que projetaram o restaurante queriam que parecesse.
Aliás, isso me faz lembrar outro trauma. Nesso caso, mais um medo de algo que pode vir a acontecer: quando for pai. Queria muito um dia ter um filho, ou filha. Mas me causa ainda mais pânico pensar que terei que lidar nessa fase com a sociabilidade dos meus filhos com os amiguinhos deles. E o pior, o mais apavorante e aterrador de toda a história: lidar com os pais deles!! Pais que quando estão com outros pais se fazem de machões, mães que quando estão com outras mães se esmeram na arte da competição feminina (roupas, posses, capital cultural e, o mais cruel, a própria prole)! Os mesmos pais dos outros que quando vc combina de fazer rodízio pra buscar os filhos no colégio, uma vez, no dia deles, esquecem o seu na entrada!

sexta-feira, agosto 19, 2005

Os neurônios que se vão

Momento neuras:
Às vezes, quando bebo destilados, me vem à cabeça uma cena daquele filme Curso de Verão. Quando o professor Shoop está ensinado a aluna a dirigir e ele descobre que o Chainsaw e o amigo dele, o Dave, beberam vodka e estavam bêbados. Aí ele diz ao Chainsaw que se continuasse a beber vodka iria matar os neurônios restantes e voltaria a ser macaco! Aquilo ficou marcado na minha cabeça! Aí, quando eu bebo os destilados, às vezes eu páro e faço um balanço: será que tenho menos neurônios agora, será que estou ficando burro?
Ainda bem que não aconteceu coisa semelhante com cerveja. O poder dos traumas de infância são poderosos!

Mulheres e carros

Hoje assisti na sessão da tarde (finalmente voltam os filmes bons!) Sem Licença para dirigir!! Tudo bem, talvez só agrade aos nascidos no final da década de 70, e hoje seja apenas um filminho chinfrim pros adolescentes atuais. Mas eu acho que Licence to drive tinha algumas das melhores coisas dos filmes anos 80!
É a travessia de um dia, ou uma noite, com confusões e final feliz básicos (exceção: O último americano virgem. Esse tem um dos finais mais tristes e mais realistas da safra sessão da tarde) que eu adorava assistir quando moleque! Trama que se desenrola em um período curto de tempo e que passa alguma coisa sobre um evento significativo. Muita coisa pode mudar numa noite! Seja em uma despedida de solteiro, em uma caça a um tesouro pirata, em uma noitada com os amigos no carro roubado da garagem de casa. As crianças ou adolescentes sobrevivem e terminam a história de alguma forma diferentes. Pode assistir todos esses filmes e ver se eu não tenho razão. É uma espécie de inocência no enfrentamento do mundo (toda hora a pessoa quase morre, ou quase se ferra. E quando você pensa que está tudo perdido, dá certo! Como muitas vezes aconteceu na minhas farras de adolescente em que responsabilidade tinha um aspecto totalmente diferente de hoje. Não pensava em nem a metade dos fatores envolvidos na equação). Mas é engraçado como os Coreys, já citados nesse blog, estão em vários desses filmes. Juntos ou não.
Outra coisa legal é que não sabia que a Mercedes é a Heather Graham, que eu gosto muito e está ótima em Scrubs! E ela está com a mesma cara!! Interessante isso. A Molly Ringwald envelheceu, os Coreys também, mas ela está igual! Adorei perder a tarde assistindo o filme! Tinha que trabalhar, mas valeu a pena! A neurose automobilística / paixão quando você tem 16 anos, que o filme mostra, toca fundo no coração. Me identifico totalmente! Só faltava assistir tendo pipoca e suco pra acompanhar!

quinta-feira, agosto 18, 2005

Raios

Putz grila esses spams!! Não tem bulk comment por aqui não?!

quarta-feira, agosto 17, 2005

Uma mulher

Nunca saiu do Chile. Apenas duas vezes, nos seus 32 anos de vida meio vivida, chegou a sair de Santiago. Em uma delas foi a Valparaíso visitar La Sebastiana e fazer sua peregrinação. Já existia há alguns dias no dia em que morria de desgosto o grande poeta, razão pela qual seu pai muito se decepcionou com o fato de não ganhar um herdeiro varão e nomeá-lo Neftalí em homenagem ao ídolo. O que acabou sendo, evidentemente, uma grande sorte para Béa.

Ninguém poderia culpá-la se ficasse ressentida com o início de relacionamento pouco promissor que teve com seu progenitor, devido apenas a ausência de um pequeno Y na sua herança genética. O fato é que ele passou a amá-la do seu jeito demasiado discreto, e ela adquiriu verdadeira veneração por ele e por Pablo, o herói de seu pai.

Sentia que sua ligação com o poeta ia além do vínculo que todos os apaixonados sentem ter com ele. De fato quase morreu no bombardeio do La Moneda, quando estava com sua mãe e seu pai no caminho de volta para casa, depois da alta recebida. Sua mãe voltou ao hospital com uma concussão que a deixou desacordada três dias, e ela mesma ganhou uma cicatriz no ombro que a impedia de esquecer O Golpe. Cicatriz que possuíam tantos compatriotas seus, sempre a considerou o símbolo da ferida que atingiu todo o Chile e esmagou a alma de Pablo. A vida mutilada que sempre soube estar fadada a viver e a continuar vivendo, por algum motivo a fazia se sentir conectada visceralmente ao poeta. Ele morreu, ela passaria a existência com a sensação que sucumbira ainda respirando, apenas para suspirar e sonhar com sonetos de amor.

Béa não teve namorado. Era apaixonadíssima pela esperança de ter um amor, mas nunca se interessou por alguém da mesma maneira suave e ao mesmo tempo arrebatadora, como encontrava nos poemas que tanto admirava. Era lindíssima, olhos de corsa de um negro absoluto, cabelo castanho mantido sempre curto, a boca de um intenso rubro natural. Mas tinha uma capacidade inigualável de passar despercebida.

Há um ano escreveu seu testemunho ao mundo. Ao pensar no que diria aos que viriam depois dela, escreveu: "nasceu moribunda e à espera ficou, até que expirou". Parou por um instante, leu a linha solitária, riscou tudo e resolveu deixar: "fazia um Pollo Arvejado delicioso".

terça-feira, agosto 16, 2005

Parênteses

Momento piegas:
Muito legal o Pelé-Maradona de ontem! Realmente fiquei emocionado quando os dois começaram a bater bola! Agora, como doía ouvir o portunhol do Pelé...

Sempre me ligando

Lembrei hoje daquela festa. Vergonha? Saudades? Saudades de ter vergonha?
Naquela época eu gostava do Robert Smith e do Cure, gostava de usar o cabelo espetado em pé, usar preto e ser um menino esquisito - gótico quando podia ser gótico. Só não usava maquiagem porque isso era pedir demais - apanharia, sem dúvida, na escola. A mesma escola em que marchava a esmo junto com alguns outros misfits. E na hora do recreio (intervalo só entrou no meu vocabulário anos depois) procurava não chamar muita atenção e trocava fitas cassetes do Violator do Depeche Mode ou jogava bafo com os garotos menos intimidadores. Figurinhas do Thundercats.
Nessa festa fui de bicão. O pessoal todo da minha turma estava lá, mas eu não fui convidado. Estou aí? Acho que no fundo gosto de ser excluído, gosto de me sentir perseguido, encher a cara e causar revolta. Pena? Espero que nunca tenha inspirado pena. Mas então as pessoas não precisavam levar 1 caixa de cerveja barata - a bebida rolava a noite toda e um pé rapado podia beber a vontade. Você podia se dar ao luxo de não conseguir pensar em mais nada ainda na primeira metade da madrugada.
Lá estava ela na pista. Deuses, como aquele vestidinho era horrível. E o cabelo então? Não interessa, estou apaixonado e estou bêbado o suficiente. Posso investir. Mas isso não foi em outra festa? Confudo tudo, não sei o que era de um dia, o que era de outro e o que eu inventei porque queria que acontecesse. Nós realmente dançamos quando tocou there's a light that never go out? Pensando bem... ela era realmente bonita?

domingo, agosto 14, 2005

Para... nóia

Ah, paellada no dia dos pais... muito chopp, cerveja, comida pra um batalhão e pra completar, um merengue de morango maravilhoso regado à leite condensado e creme de leite! Tudo com a italianada reunida! Tô completamente cheio e totalmente improdutivo pelo resto do dia! Porque minha família é tão exagerada?
Ah sim, por falar em família e por falar em Itália, descobri esses dias a maravilha do Google Earth! Achei a cidadezinha dos meus antepassados na Campania! Uma porcariazinha de 1800 habitantes com uma rua principal e algumas casinhas espalhadas... Fico imaginando a dinâmica e o cotidiano da cidade... deve ser uma mistura de Tolkien com uma peça de Shakespeare. Afinal de contas, tem apenas quatro famílias no lugar! Devem ser os Montequio, os Capuleto, a minha e os Bolseiros né?!
Mas que é esse programa?! Fiquei impressionado e também preocupado... se um programinha que você pode pegar de graça na internet te permite ver sua própria casa numa foto de satélite, imagina o que a CIA não tem funcionando lá com eles?!!! O que será que algumas pessoas sabem sobre suas intimidades mais recônditas?!! Afinal, já dizia Raul:

"Vacilava sempre a ficar nu lá no chuveiro, com vergonha
Com vergonha de saber que tinha alguém ali comigo
Vendo fazer tudo que se faz dentro dum banheiro"

Finalmente Deus arrumou um substituto...

sábado, agosto 13, 2005

Uma ou duas coisinhas...

Estou meio sem atualizar o blog porque provavelmente vou terminar agosto como um verdadeiro ermitão! Estou até pensando em deixar a barba crescer e fingir que não tive tempo de cuidar da toilet! Não, sem brincadeira, tô fu... pra começar, não terminei os trabalhos do semestre passado. Vou apresentar seminário ainda esse mês, tenho leituras que ocupariam uma pessoa por um ano para essas semanas, e o pior de tudo é que acho que vou mudar o meu projeto. De novo! Isso porque preciso mandar logo pra fapesp... em compensação, em setembro não tem nada programado!

Hoje pouco antes do almoço (pô, muito chato, morreu o chefinho... Francisco Milani, e o Miguel Arraes tb. Justo no dia que eu acordo cedo aparece o famigerado e diabólico "plantão da globo"!) eu estava zapeando na tv e parei pra assistir a Nigela fazendo bolo de chocolate! Que é aquilo?! Ela faz de propósito! Segundo a Dani, a Messalina da cozinha. Há algum tempo, também espertamente, no final do programa, ela entra de camisola, à noite, pra roubar 1 pedacinho de comida na cozinha iluminada apenas pela luz da geladeira aberta! Chega a ser cruel! Tudo bem, ela não é nenhuma Calista Flockhart, mas as coisas que ela faz não são recomendáveis para os neuróticos da comida! Ou então ela é bulímica. Nada lá é diet! Aliás, por isso mesmo que é maravilhoso! Agora, ver isso justamente quando eu pensava em esquentar as sobras de ontem, fazer um miojo com molho de tomate ou um hamburger... sacanagem!

Ontem a Sofia veio aqui em casa (do jeito que falo parece que veio sozinha)! E ficou soltando uns barulhinhos fofos quando viu os gatos, que mais do que prontamente fugiram da pessoinha. Mas ela está um barato, quase andando, cada vez mais comunicativa! Vou lembrar de uma citação do Piaget que foi reproduzida num texto do Bourdieu (faço aqui um horrível deputado Apud Neto do Mario Prata): "Não é que os bebês não saibam falar: experimentam muitas linguagens até que acertam aquela que os pais podem entender". Isso me faz ver que, isso de ser chique e dizer que os que normalmente são relegados a um nível abaixo do macho humano adulto caucasiano têm uma sabedoria ou uma inteligência subestimada, não é de maneira alguma exclusividade dos descolados de hoje. Com a ressalva que o risco disso virar pedante é cada vez maior (bom, eu fiz a minha crítica, então posso usar o Apud descolado! hehe).

domingo, agosto 07, 2005

Sobre a mútua ignorada na rua

Putz, e ontem que eu dei uma porrada com o nariz na porta do quarto!! Raios, ficou um calombo que dói pra caramba! Ultimamente tô muito desastrado, dando topada no dedão, joelhada na mesa, cabeçada na cama... outro dia não sei como acertei meu bíceps numa quina! Ficou doendo por 3 dias... minha coordenação tá indo pro saco!

Para Cris: li seu último post sobre esses encontros desconfortáveis e tenho algo a relatar a respeito! Hoje fui lá na Casa da Sobremesa, na norte-sul (que aliás é uma perdição!) e aconteceu algo parecido comigo. Lembrei do seu post na hora... Vi uma colega minha da época de ginásio e ambos fingimos que não nos reconhecemos e continuamos nosso dia felizes e contentes. Ela fingiu que estava concentrada pagando e eu sentei numa cadeira de costas para o caixa. Resolvido. Até ai, nenhuma grande novidade. Isso acontece toda hora; e com pessoas que não necessariamente não vemos há mais de uma década. Bom, nem fomos tão amigos assim, mas não é essa a questão principal. O lance é que tínhamos nos encontrado no maldito orkut umas poucas semanas atrás!
Afinal de contas, colecionamos amiguinhos no orkut, mas só se forem virtuais! Muito estranho isso. Aliás, não sei o que é mais estranho: não conhecer direito a pessoa e ficar amigo no orkut e depois vc a encontrar e se ver na obrigação de dizer "e aí fulano, como vai? Precisamos combinar aquela cervejinha, heim", sendo que em CNTP (condições normais de temperatura e pressão) ambos estariam satisfeitos com uma ignorada recíproca básica. Ou então vc fazer o que fiz hoje. Poderia até pensar "ah, mas isso do orkut estimula uma possível amizade ou então reata antigas" ou algo assim. Mas acho que sou cínico o suficiente pra não ver essas coisas tão simples ou cor de rosa. Alguém poderia me perguntar "mas porque aceitou o convite de amizade no orkut em primeiro lugar?" (ou porque está nesse orkut afinal?), ou então "porque combina de sair se ambos sabem que isso é apenas gargantagem?". Pois aí acho que não sou cínico o suficiente. Ou simplesmente não tenho coragem de fazer isso. O que é bizarro, porque conscientemente não vejo necessidade de ter 200 amigos virtuais que nunca vou encontrar, mas mesmo assim vira e mexe eu procuro conhecidos naquela desgraça. Bom, talvez não seja tão bizarro assim; uma estranheza natural das pessoas... vai saber?!

sábado, agosto 06, 2005

Tunes for the drunk


Eu e a Dani estamos colecionando músicas de bar. Ah sim, existem muitas delas por aí! Algumas com várias versões.
Ontem eu ganhei um chopp potter que ficou desncansando num barril de carvalho de whiskey 6 anos! Tem coisa mais chique?! Pobre Emijo que teve que morrer com a exorbitância da brincadeira, porque eu não tinha dinheiro...

Ah, os bailinhos e a meleca de passar no cabelo...

Já entendi o que acontece comigo! Estou regredindo à adolescência! Que outra explicação pra ficar ouvindo Pulp e Bon Jovi (dos anos 80, é claro) com tanto gosto?! Hoje fiquei procurando musiquinhas de adolescente da minha época de adolescente.
Tá certo que essa que está aí embaixo é bem mais recente, mas é só trocar uns nomes e dá tudo certo... ela é meio 80s em espírito mesmo...
E eu que comprei o novo Harry Potter mas fiquei com medo de ler... segundo a Dani e o Emiliano, o Harry Potter chegou nessa época das primeiras (e piores) desgraças do amor sem consequência da juventude. Segundo eles, as idas, vindas e confusões desses dramas no livro dão até aflição! Bom, e isso porque ainda não cedi à tentação de ficar assistindo coisas do tipo "O último americano virgem" ou "O clube dos 5" de tarde...
Ah! E outro dia eu vi a Molly Ringwald na tv!!!! Está está uma tia! Com o Stoltz o choque não é tão grande porque ele não tinha desaparecido por completo. Se até ela (e os Coreys então?!) estão ficando velhos, as coisas ficam realmente preocupantes! Meu projeto de voltar a jogar basquete tem que ser acelerado! Até subir escadas me cansa ultimamente...
Mas outro medo: fazer as coisas de antes sem ser igual a antes pode ser assustador! A molecada que estava engatinhando quando eu comecei a jogar olham meio desconfiados pra mim quando eu entro na quadra... ainda bem que tem uns comparsas contemporâneos que vão lá também... mas imagina se eu fosse dançar bailinho então?! Bom, passar gel no cabelo não rola mais...

sexta-feira, agosto 05, 2005

Disco 2000

Well we were born within one hour of each other
Our mothers said we could be sister and brother
Your name is Deborah -
Deborah
It never suited ya
And they said that when we grew up,
We’d get married, and never split up
We never did it, although often I thought of it

Oh Deborah, do you recall?
Your house was very small,
With wood chip on the wall.
When I came around to call,
You didn’t notice me at all

I said let’s all meet up in the year 2000
Won’t it be strange when we’re all fully grown
Be there at 2 o’clock by the fountain down the road.
I never knew that you’d get married;
I would be living down here on my own on -
That damp and lonely thursday years ago

You were the first girl at school to get breasts.
Martyn said that yours were the best.
The boys all loved you but I was a mess.
I had to watch them trying to get you undressed.
We were friends but that was as far as it went.
I used to walk you home sometimes but it meant,
Oh it meant nothing to you,
Cos you were so popular

Deborah, do you recall?
Your house was very small,
With woodchip on the wall.
When I came around to call,
You didn’t notice me at all

I said let’s all meet up in the year 2000
Won’t it be strange when we’re all fully grown
Be there at 2 o’clock by the fountain down the road.
I never knew that you’d get married;
I would be living down here on my own -
On that damp and lonely thursday years ago

Ah do you recall?
Your house was very small,
With wood chip on the wall.
When I came around to call,
You didn’t notice me at all

I said let’s all meet up in the year 2000
Won’t it be strange when we’re all fully grown
Be there at 2 o’clock by the fountain down the road.
I never knew that you’d get married;
I would be living down here on my own -
On that damp and lonely thursday years ago.

Oh what are you doing sunday baby?
Would you like to come and meet me maybe?
You can even bring your baby

Pulp

quarta-feira, agosto 03, 2005

Sin City - parte 2


Bom, na verdade não tenho muitas condições de falar sobre o Sin City agora, depois de uma tarde de cevada... depois eu digo mais o que eu achei. De qualquer jeito, não posso deixar de dizer umas palavrinhas...
Filmão realmente! Os atores estão muito bem, a fotografia, maquiagem e adaptação são excelentes! E o melhor, não decepcionou! Confesso que estava com um pouco de medo. Desde quando eu ouvi falar bem do filme, achei que poderia não corresponder às expectativas. Depois que o Constatine deixou de fumar e passou a mascar chiclete, eu fico extremamente desconfiado de filmes desse tipo. Mas o Robert Rodriguez teve a moral de bancar o sangue! Não dá pra fazer uma adaptação do Marv sem sangue, de F Miller sem canalhice! Como um Wolverine que não corta e retalha. Nao existe isso!! Melhor nem filmar se for ter que fazer essas adaptações politicamente corretas!

terça-feira, agosto 02, 2005

Cariocas e caipiras

Muito divertido assistir o pau comer solto em Brasília!

quinta-feira, julho 28, 2005

Academia para quê?

Tinha ontem mesmo ouvido a crítica da Lúcia Hippólito sobre a imprecisão do nosso presidente quanto à separação entre o público e o privado no Brasil. Segundo ela, tudo bem para ele se a Benedita ir pra Buenos Aires com verba pública, político usar o avião da FAB para passear por aí com a família e a Marisa mandar colocar estrela do PT no jardim da Alvorada. Enfim, se não for nada muito escandaloso, pode. Tinha dito também que se preocupava com o uso cada vez mais frequente do discurso do "não tive instrução e cheguei lá". E hoje, vendo a entrevista do Lula numa refinaria do Sul, tava lá: "porque a economia precisa de acertos práticos, não a ilusão que a mágica que se faz na academia proporciona" e por aí foi! Não eram estas as palavras exatas, mas era basicamente isso mesmo. Hidrofobia contra os que tiveram acesso à educação? Não estou defendendo o FHC aqui não. Nada disso. Mas vamos parar por um segundinho e raciocinar um pouco, não?!
O que me irrita profundamente é o desdém com a academia, a instrução que vira sinônimo de masturbação mental de meia dúzia de Ludovicos perdidos no mundo da lua e que só "brincam" de vida. Quando pisam no calo é foda. Pô, estudo que nem um condenado, todo semestre tenho que medir o grau dos óculos porque aumenta sempre, não ganho nem sequer bolsa e ainda tenho que aturar isso?! Tenha dó. O "vencer as dificuldades" pode, realmente e infelizmente, virar muleta. Quando não vira simplesmente crueldade com os que não têm, tentam e não conseguem.

Vislumbre

Pensou inicialmente em comprar um revólver. Mas logo lembrou que não tinha dinheiro suficiente para tanto. Na verdade, mesmo que pudesse comprar armas desse tipo, não saberia onde e nem como encontrar uma. Pensou um pouco e concluiu que, de qualquer maneira, não teria a paciência para procurar um modelo que o agradasse. Era muito meticuloso para essas coisas, e para o que tinha em mente, dada a magnitude do que queria fazer, demoraria tempo demais para se decidir por um dos inúmeros tipos que por certo deveriam existir. Se de fato conseguisse escolher qualquer coisa, no final das contas. Ou assim pensava que agiria na hora da eventual compra.
Tinha dinheiro para comprar um pouco de arsênico, mas resolveu que economizaria e chegou à conclusão que bastaria um simples estilete, um daqueles perdidos nas gavetas do armário, da época em que era estudante de arquitetura no Rio. Dessa maneira poderia ir no barbeiro, comer um croquete com coca-cola e comprar aquele cd da Maria Betânia que sempre namorava na lojinha de discos da esquina de casa.

Augusta, Angélica e Consolação

Augusta, graças a Deus,
graças a Deus,
entre você e a Angélica
eu encontrei a Consolação
que veio olhar por mim
e me deu a mão.

Augusta, que saudade,
você era vaidosa,
que saudade,
e gastava o meu dinheiro,
que saudade,
com roupas importadas
e outras bobagens.

Angélica, que maldade,
você sempre me deu bolo,
que maldade,
e até andava com a roupa,
que maldade,
cheirando a consultório médico,
Angélica.

Quando eu vi
que o Largo dos Aflitos
não era bastante largo
ora caber minha aflição,
eu fui morar na Estação da Luz,
porque estava tudo escuro
dentro do meu coração.

Musiquinha do Tom Zé

Essas madrugadas...

Essa história de blog tá tirando o meu sono... já tenho problemas sérios de insônia, agora fico fuçando blogs dos amigos e dos amigos deles, que vão levando pra outros blogs e por aí vai. E tem uns muito legais, que eu entro todo dia pra ver o que mais a pessoa escreveu! Engraçado ficar identificando padrões de escrita e pensamento. Por um lado as pessoas são muito parecidas, mas são tão diferentes também...

E vou ficando especialista em Free Cell, Campo minado e Paciência Spider

quarta-feira, julho 27, 2005

Apenas um filme de terror?

Assisti o filme do Romero hoje. É, o filme mesmo não é grande coisa, mas isso não me impediu de gostar bastante!
Ele desistiu completamente das metáforas e escrachou de vez, enfiou o pé na jaca, chutou o pau da barraca, enfim, soltou a franga!
E agora todos os detalhes têm duplo sentido, desde os fogos de artifício até as mortes dos pobres coitados. O legal que tem a filha do Dario Argento, muito bonita - uma beleza estranha. Já a tinha visto no xxx, que é um cocô, mas também na Rainha Margot e num filme meio estranho (mas muito bom) que se chama Ginostra, em que ela faz o papel de uma freira satanista (na verdade ela se esconde no convento satanista). Lembra um pouco o cinema italiano do final do neo-realismo, muito maluco, com várias cenas oníricas (mais pra pesadelo, na verdade) e com direito a uma criança para a qual toda a narrativa converge.
Mas voltando pro Romero, o filme deve agradar os fãs de splatter e gore também, não é só manifesto político o tempo todo, espirra sangue pra caramba! Ainda que a melhor parte seja quando os zumbis invadem a Daslu do filme! Um barato! O legal que muito direitoso por aí (e por lá) nem vai perceber nada, meio como as receitas de bolo na época da ditadura ou as músicas do Chico. É só um filme de terror, certo?

Raiva e confusão mental

Porca miséria! Não me conformo com o que fiz hoje! Abri um e-mail que se parecia ser do Superior Tribunal Eleitoral, advertindo sobre um problema com meu título e com meu CPF. Cliquei num link que abriu um programa que instalou alguma coisa! Burro! Se eu fosse o Homer teria soltado um "dou" (não o verbo, mas o som)!
Claro que tirei rapidinho a internet do comp, mas fiquei morrendo de medo de ter dado informação pra alguma quadrilha (que está de fato dando golpes falsificando e-mails da Justiça eleitoral ou da Receita. Cuidado! Não sei se sou a única besta que cai nessas)! Vírus tenho certeza que entrou, aquele do tipo Cavalo de Tróia... dois segundos depois da besteira pensei comigo mesmo "como eles têm meu e-mail?"! Mas isso é mais fácil de resolver.
É pra aprender... mas também, como disse a Dani, o Windows é feito de janelinhas que consertam problemas que vc não entende! O tal do link era espertamente sedutor nesse sentido! Vamos clicando no embalo e de repende... "que foi que eu cliquei?" Claro, ver o que tem de errado no CPF - vai consertar com um simples "ok"... que raiva!
Bom, a solução foi ler Nimuendajú o resto da noite, depois Agatha Christie e então fritar umas linguiças com limão cravo e comer chokito! Daí baixou o poeta pessimista... quer dizer, não pessimista exatamente, mas que eventualmente vislumbra uma ínfima parte da mesquinha conspiração cósmica no funcionamento da memória: que ao invés de recordar e aprender com episódios bons, troca o bem pelo mau e confunde tudo pelo inverso do que deveria.
Confuso? Pois é, eu também.

Em negativas

Percorri toda a extensão, não

piso rapidamente, não sei se quero continuar

molhando os pés nas poças adiante, nunca

ouvindo meu próprio coração, esqueci porém

as peripécias do passado - tão doces, não

as invejo, acho impossível levar adiante

buscando compreender o que teima em me surpreender dividindo-me contrariamente em metades.

sábado, julho 23, 2005

Ah! Mais uma coisa...

Em tempo! Acabei de ver aqui na net que o filme novo do Romero estreiou!! Nem sabia que ele filmava ainda! Preciso ver o quanto antes!!!
Hahahahaha e no joguinho de computador que tô viciado tem uma hora que o meu personagem (uma mina ninfomaníaca que por acaso é uma vampira também) encontra um administrador de um cemitério, que se chama Romero, cuja ocupação é matar zumbis fujões!!! Eu tenho que:
a) ajudá-lo,
b) arrumar uma prostituta para o rapaz, ou
c) dar pra ele
Deve ser muito bom fazer jogo de computador... porque não me contratam? Eu não entendo nada de programação, mas se ter idéias esquisitas ajudar...

sexta-feira, julho 22, 2005

Sobre as mães

Porquê "santa mãe" parece se referir mais a nossas avós que a nossas mães? Nada contra as mães atuais, amo a minha. Mas acho que são tantas pessoas que têm problemas existenciais com as respectivas, gastam 2 salários mínimos por mês de análise falando da mãe (tenho a impressão que as mulheres são as mais suscetíveis a esse mal), que a expressão "a minha santa mãezinha adorava fazer pão" ou "o que a minha santa mãezinha diria disto" e por aí vai, está cada vez mais relegada aos filmes de época... ou para nossas avós. Nossas avós são realmente santas. Fazem lasanha no final de semana, nos enchem de doces quando as visitamos, e a única reclamação que fazem é porque demoramos tanto pra casar na igreja! Talvez não seja então questão de parentesco, mas de época. Explico-me: ao invés de "santa mãe", proponho "santa mulher dos anos 40 e 50". Não que as mulheres da geração subsequente não sejam santas em muitas medidas. O quanto as mulheres da idade da minha mãe sofreram com discriminação mas ainda sim ralaram pra trabalhar em um mercado misógino (por menores salários, ainda hoje), não tá na conta. Mas a sensação de beatitude que um papel harmonioso e sem imprevistos passa, quase não existe mais. Bom, isto é legal... não é?!
Mas eu nem sei direito por que pensei nessas coisas... na verdade eu comecei a pensar isso ontem à noite, do nada, ao lavar o rosto na pia do banheiro do bar que estávamos, já com umas tantas cervejas da "boa" na cachola. Parece coisa de romance de Sartre, não?!
Mas por falar em romance, tô virando fã número 1 do Vila-Matas! Bem que eu queria ter ido pra Parati ouví-lo, mas devia ter sido muito concorrido... De qualquer maneira o cara é muito bom! Pagando um pau como há muito não fazia por 1 escritor!! Preciso conhecer os outros livros, por enquanto só li o da Carta Esférica. Aliás, tá na moda escritor catalão! Somente nas últimas semanas li mais 2. Totalmente a favor! Barcelona tem mesmo que estar em bons livros!! Não lembro se puz isso aqui já, mas além das trocentas línguas que eu queria aprender, somei também o català! Meu pai disse que a Natália dá bronca se você não fala em català com ela! Nacionalista mirim!! Muito fofinha!
Ah, e fui assistir A Fantástica Fábrica de Chocolate!! Que filme bacana! Bem diferente do que eu lembrava do original. A história é a mesma, mas completamente diferente! Dois poréns maiores: ao que parece só veio para o Brasil a versão dublada! E não tem a bendita música dos Oompa Loompa que eu lembro!

quarta-feira, julho 20, 2005

Frio e vício

Que frio! Tinha vontade de ficar o dia todo debaixo do cobertor usando 2 meias e ceroulas... mas um infeliz tinha que começar a martelar de manhãzinha logo em cima da minha cabeça!!!

Estou oficialmente viciado em um joguinho de computador! Fiz a besteira de começar a jogar 1 e agora, quando fico com a consciência pesada por não estar fazendo os trabalhos, é só clicar no íconezinho lá... não tenho força de vontade... bom, deixa clicar lá, tá numa fase emocionante!!

sexta-feira, julho 15, 2005

Da vergonha alheia e do flashback do ridículo

Hoje acabamos por sair nos barzinhos super-faturados aqui por perto. Nada contra, se o ambiente vale a pena e o atendimento é bacana, mas não sei se foi por causa da tal final do futebol, estava tudo meio estranho. No primeiro bar, não tinha chopp (como assim, por exemplo?!?!), não tinha o rango que queríamos, o som tava muito alto, e pra não dizer que tinha uma tv passando o jogo, tinha um telão de 4 metros quadrados no meio dos acontecimentos!!
Bom, vamos para outro lugar!
No segundo bar, as coisas pareciam mais tranquilas, não fossem os "um carro a cada 10 segundos" que passavam buzinando e gritando para as pessoas que estavam na varanda do bar (basicamente eu, a Dani e o Emiliano). E um carinha com o cabelo muito feio (daqueles de quem parece que está deixando crescer, mas que aumentam o tamanho da sua cabeça em diâmetro em vários centímetros) que saía da sua cadeira confortável no interior do estabelecimento, onde também assistia o dito jogo, que a cada gol ia até a calçada, exatamente do nosso lado, e gritava. Estranha maneira de mostrar euforia, em que você não extravasa na hora em que seu time marca o gol do título e tem a pachorra de levantar, sair do bar e então gritar...
Na primeira vez os amiguinhos acharam engraçado e riram, nas outras vezes (porque teve que ter tanto gol?!) ninguém mais riu (só o Damon... hahahahahahaha... ahhhhh... piada infame que me ocorreu agora). Não que tivesse sido extremamente original da primeira vez, mas realmente é fogo quando a pessoa repete a fórmula do "ser cool"! Triste e patético... se você tiver o azar de ter um mínimo de auto-crítica, fodeu...
O filminho em que você aparece para você mesmo em terceira pessoa protagonizando o evento ridículo, vai voltar como flashbacks (u-hú! Finalmente usei a palavrinha!!) pelo resto da sua existência. Mais vívido mesmo do que o seu aniversário de 18 anos, a tragédia (ou comédia, depende do ponto de vista) vai te assombrar por muitos e muitos anos! Eu às vezes estremeço de vergonha (literalmente estremeço, com calafrio de golada de pinga ruim e tudo!) de algumas coisas que já aconteceram há mais de 15 anos! E sem motivo aparente! No meio de uma janta, vendo tv... Como, por exemplo, quando eu ia dar um presente para a menininha que eu estava apaixonado na quarta série, um amigo meu (mui amigo, aliás...) tomou o presente das minhas mãos e o deu pra ela, no recreio da escola, frente a minha hesitação. Eu estava distante uns 20 metros na hora, fiquei com vergonha e fingi ouvir alguém me chamar e saí correndo! O problema é que todo mundo viu que eu vi que ela estava lá e tinha ganho meu presente e percebeu que eu tinha fingido... e depois pra voltar lá? E o embaraço dela em fingir que não tinha me visto agir como o Zé Buscapé? Tudo bem, nada tão constrangedor quanto ficar pelado no meio da classe ou algo do tipo, mas de tempos em tempos a vergonha que eu senti na hora me assalta com a mesma intensidade que eu senti no dia!!
Um dia será que o carinha vai se lembrar disso e tentar censurar a si mesmo na própria cabeça? "Sai pensamento, sai!" E será que quando ver uma foto dessa época vai pensar "como um dia eu pude ter o cabelo assim"?

quarta-feira, julho 13, 2005

Efeitos colaterais

uhahahahaha!!
Sonhos malucos, bizarros e psicodélicos! Também, depois de ontem...
E chegando em casa, Fear and Loathing in Las Vegas!! Muito bom!!

"We had two bags of grass, seventy-five pellets of mescaline, five sheets of high-powered blotter acid, a salt shaker half full of cocaine, a whole galaxy of multicolored uppers, downers, screamers, laughers. Also a quart of tequila, a quart of rum, a case of beer, a pint of raw ether, two dozen amyls"

Perdição gastronômica...

Não gosto muito de fazer propaganda de graça para os outros, mas tenho que falar do chocolate mais gostoso que eu comi em muito tempo! Pois é, depois de um dia inteirinho corrigindo uma tese, com os neurônios em estado crítico, já quase se dissolvendo em uma grande papa, uma enchillada muuuuito gostosa e apimentada, uns nachos muito saborosos e também apimentados, uma barra do cookies 'n chocolate da Hershey's foi o céu! Que é aquilo, meu Deus?! Ultimamente não estou conseguindo comer muito chocolate por causa de uma dor de dente dos infernos (na verdade ainda como muito, só que dói pra caramba agora), mas esse foi pro estômago que é uma beleza!!
Já sei qual será minha nova companhia nas noitadas virtuais...

sexta-feira, julho 08, 2005

A República e a Civilização dantescas


Duas palavrinhas que se infiltraram no repertório oratório dos desavisados de plantão (engraçado pensar num desavisado que faça plantão) me irritam profundamente toda vez que as ouço. Nenhuma das duas logicamente é nova, mas o sentido com que são utilizadas no jargão direitoso (às vezes nem tão à direita...) penso ser relativamente recente. Quer dizer, uma delas, "civilização", não é recente - mas esse é exatamente o problema! É espantoso como pessoas como o Huntington e seus comparsas atualizaram um conceito evolucionista, que deveria ter sido superado desde que Morgan e patota sairam de moda no começo do século passado, de maneira tão eficiente de modo que todo líder político o utilize na dicotomização entre "ocidentais" e "os outros". E "outros" na verdade é eufemismo. São "bárbaros" mesmo! Engraçado que enquanto o primeiro estágio da escadinha evolucionária virou efetivamente um termo politicamente incorreto (anos de crítica conseguiram que o "selvagem" perdesse a conotação pseudo-séria científica e fosse relegado apenas à esfera da pura difamação), o segundo estágio é utilizado como se realmente descrevesse uma diferença ontológica existente na metade da população do globo! Claro que o "bárbaro" é pejorativo, mas é uma categoria que de fato faz sentido para muita gente por aí.
Hoje mesmo eu vi a civilização contra a barbárie (que está assumindo conotação religiosa já há algum tempo no discurso do Bush: são "demônios" e têm "maldade no coração") em mais de uma dezena de declarações. Esses outros tornaram-se rotulados e totalmente fora do alcance da compreensão e da comunicabilidade.
A outra palavrinha irritante é "república". Ô saco, as pessoas têm noção do que estão querendo dizer quando dizem que o republicanismo não perecerá, não será cerceado por corrupção, conspiradores da liberdade, etc, etc, etc? Essa re-atualização semântica eu já não sei atribuir à um maldito específico que poderia ser mandado pro quinto círculo do inferno (dos iracundos e intolerantes), ou então ao oitavo (nona vala) - reservada aos "promotores de cismas religiosos e os semeadores de ódios, divisões e discórdas entre pessoas e povos". Aliás, é interessante tentar imaginar onde se encaixam umas figurinhas da cena política por aí... os castigos são demais! Depois eu podia lembrar de alguns. Interessante também que, se para Dante Maomé figura exatamente na nona vala, hoje em dia o Bush poderia estar em pelo menos uns cinco círculos diferentes!
Poderosa a palavra que transforma coisas e pessoas em pessoas e coisas.

(Dante e Virgílio no Inferno - William Bouguereau)

quinta-feira, julho 07, 2005

Hagis, whiskey e os peixinhos moribundos

Interrompendo a crônica dos habitantes do campanário.
Hoje eu tive mais uma overdose de CPI. Teria tanta coisa pra fazer, mas não consigo deixar de assistir. Mesmo que tenha deputado e senador que entra no meio do inquérito e faz a mesma pergunta pela enésima vez, ou simplesmente não tem o trabalho de modificar ao longo do questionamento o roteirinho de perguntas que foi preparado. Engraçado que tem vários que já pensavam que sabiam que resposta o tal do Marcos Valério iria dar pra uma pergunta, e quando a resposta saiu diferente (acho que o depoimento do cara não era o que a maioria esperava, pra mim não foi com certeza), ficavam meio desconcertados.
Mas apesar da grande farsa que é essa CPI, sem quase ninguém com experiência de como interrogar (me lembro de um deputado na CPI do narcotráfico que não sabia onde enfiar a cara depois que tomou 1 fora realmente humilhante. O cara tinha certeza que o tal do Negrão tinha mentido sobre uma data de depósito bancário no exterior, mas não sabia que nos EUA mês vem antes do dia), até acho que algo de bom pode sair disso tudo. Não é possível que as pessoas ainda achem-se tão impunes e nada seja feito. Tá chegando no patamar do intolerável já.
No mais preciso preparar o rechaud pra fazer um fondue e cultivar o frio que veio de repente e finalmente! Eu lembro que na minha infância tirava o casaco e o cobertor do armário ainda em maio! Conversei outro dia com uma professora canadense e ela disse que na cidade dela já não existem mais vários tipos de peixes que moravam na agüinha fria - isso em questão de apenas uma década. Faz um tempinho que ouvimos falar em aquecimento global, mas eu não imaginava que seria tão rápido assim! Que acontece lá na Escócia além de tricotagem regada à whiskey e hagis?

terça-feira, julho 05, 2005

À guisa de recordação - os outros

Havia já algumas semanas o casarão foi reformado e foi tranformado em uma casa de shows. Uma ou duas vezes por semana, geralmente aos sábados e aos domingos, era alugado para a realização de festas e buffets - gente muito rica.

Logo começaram a circular rumores e boatos de que o campanário do casarão era mal-assombrado. Alguns incidentes estranhos e barulhos inexplicáveis ocorriam ocasionalmente. No início os donos do lugar ficaram preocupados, achando que poderiam perder clientela. No entanto, as histórias de pessoas que viram ou conhecem alguém que viu um vampiro e um fantasma conversando, seguidos por um cão gigantesco, logo se transformaram nos tópicos preferidos dos frequentadores, atraindo inclusive muitas pessoas que de outra maneira não iriam ao casarão.

Não é de estranhar que entre os que apenas encaravam as histórias com bom humor e os que genuinamente acreditavam, mas que gostavam da sensação de mistério e medo, não demoraram a aparecer os que buscavam tirar algo em proveito próprio dos já folclóricos habitantes do campanário.

Um dia um grupo de caça-vampiros - parecia que os fantasmas não estavam muito em moda e nenhum veterinário se mostrou muito interessado em subir no campanário para procurar o cão - preparou uma incursão ao campanário. Todos armados com estacas e cruzes, aproveitaram a realização de um buffet infantil que trouxe muitos palhaços e animais fantasiados, e se fizeram passar por uma trupe mais gótica.

À guisa de recordação - os personagens

Habitavam, no campanário de um casarão muito antigo e luxuoso, não tão afastado do centro da cidade, um velho fantasma, um vampiro e um enorme cão. O cão não era propriamente de nenhum dos outros dois, mas chegou ao campanário mais ou menos na mesma época que o vampiro. O fantasma já morava na casa desde quando ela ainda era relativamente nova. E isso faz muito tempo.

Eles não moravam exatamente na campanela, lá só entravam para descansar durante o dia. Ficavam a noite inteira no telhado conversando e filosofando. Quando digo filosofando, é exatamente o que faziam lá em cima. Não que discutissem sobre os desdobramentos neo-platônicos da literatura filosófica, mas conversavam sobre o significado das coisas que conheciam - da época em que eram mortais e sobretudo sobre as coisas que aconteciam durante suas pós-vidas. Na verdade tratava-se de uma filosofia muito especial, pois a maioria dos tópicos girava exatamente nas reflexões sobre-naturais, não da vida em si. Seja lá quais são exatamente as preocupações de quem não está mais vivo, os dois pensavam muito a respeito.

De qualquer maneira, era o que faziam lá em cima. O fantasma não saía quase nunca, o vampiro apenas o tempo necessário para se alimentar eventualmente, e o cão ficava a maior parte do tempo deitado com a cabeça por cima das patas dianteiras apenas movendo os olhos na diração em que estavam seus companheiros.

O campanário era exageradamente alto. O cume ficava a dezenas de metros de altura, emergindo do coração da casa como uma enorme lança que a trespassou e que parecia também desafiar o bom-senso da engenharia. O curioso é que, a despeito do lugar que os três passavam a maior parte de suas noites, o vampiro sofria de vertigens fortíssimas. Tinha que ficar se concentrando todo o momento para não olhar para baixo nas noites em que subia ao telhado. Essa era a principal razão porque o fantasma parecia ser melhor sucedido nas elocubrações que faziam e ganhava a maioria dos debates que constantemente empreendiam.

domingo, julho 03, 2005

Nimuendajú e as coisas simples da vida

Ouvindo: Cramps
Comendo: arroz, feijão, bife, ovo frito
Vestindo: mesma coisa de ontem
Saudades: de tudo que aconteceu antes dos 15 e umas pessoas aí
Preciso: dormir, fazer a barba e cortar o cabelo

...ainda bem que ler Nimuendajú é um barato!

sexta-feira, julho 01, 2005

Luso desperdício

Bom, eu vi agora há pouco o Agualusa no cara das pseudo-piadas... que coisa triste, tanta coisa pra perguntar pro rapaz e o outro lá ficava pescando num dos livros as palavras que eram diferentes no português do Brasil (e que obviamente foi fruto do esforço de algum acessor que se deu ao trabalho de achar as palavras e procurá-las no dicionário) e fazendo piada machista. Não é porque às vezes ele se faz de tolerante com gays e oprimidos que deixa de se mostrar um baita dum autoritário...

Aproveitando as férias

Que maravilha ter 1 dia completamente inútil!! Hoje acordei 10 da manhã, fiquei fuçando na net até a hora do almoço, saí com a Dani pra pegar uns filmes na locadora e almoçamos no Dunkin Donuts! É isso aí! Donuts de 2 reais e Ice Capuccino de 5! Mas como é bom meu...
Na volta começamos com o "Ocean's 12", que não é lá grande coisa, mas dá pra entreter. Uma risadinha aqui, outra ali, nada demais... Depois assisti umas 4, 5 horas do depoimento do Roberto Jefferson. Eu acho toda essa CPI muito engraçada, principalmente quando deputado não consegue achar nada melhor pra fazer do que ficar interrompendo depoimento com questão de ordem. Pior que reunião de condomínio, que pelo menos não tem essa bardena criada com a procura pela ordem! Quando as pessoas não querem ouvir, os artifícios de espizinhamento (acho que nunca de fato escrevi essa palavra!) são extremamente infantis e engraçados... só faltava alguém levar as mãos aos ouvidos e começar a ladainha: "lá, lá, lá, não estou ouvindo, lá, lá, lá"! rs
Agora, todo o negócio já começa errado, não é? Como é que podem realmente conseguir averiguar qualquer esquema criminoso (supondo que seja essa a intenção realmente) se o depoente, que por acaso também é testemunha, fique do lado do presidente da sessão? Não dá, o cara tinha que ficar separado num lugarzinho só dele, ele está sendo investigado tb, não é informante que presta um serviço à sociedade - o que as pessoas parecem esquecer (menos os deputados do PT, obviamente). E essa tal de imunidade parlamentar ou direito à "exceção da verdade" tinha que ser revista. Já é difícil que tenhamos julgamentos em que os réus realmente cumpram seu juramento com a verdade. Se nem isso for requisitado, fica difícil...
Mas enfim, depois disso tudo, já bem cansado de ver CPI, assisti "Sideways" com a Dani. Muito legal! Estou ficando fã número 1 do Paul Giamatti! O cara tá ótimo no "American Splendour" e muito bom neste filme de hoje tb! Me identifico com tantas coisas dos personagens dele que imagino que o ator não deva ser muito diferente disso. O Emijo tinha me dito que dá vontade de tomar 1 vinho vendo o filme, o que é verdade! Muito inteligente e bem filmado também! E bem sutil... estou errado em ver várias referências homossexuais com os dois protagonistas no começo do filme?
E depois do filme... ainda Roberto Jefferson na tv?! ô loco!
O dia foi legal não fosse por 2 tele-marketings tb... que chato. O último começou a falar praticamente sem me dar tempo nem de dizer alô:
_o senhor foi selecionado porque consta que é um excelente cliente, blá blá blá, o cartão de desconto chegará em 1 semana, é só o senhor assinar no verso e...
_Pera aí, como assim cartão? Não pedi nada...
_Mas é um cartão apenas para clientes especialmente selecionados e que gozam de bom relacionamento blá blá...
_Não, sinto muito. Não estou interessado.
_Mas porque? Qual o motivo? (Com um tom realmente inconformado, como se eu fosse um ET por não querer o seletíssimo cartão de desconto deles)
(pensamento rápido)_Estou me mudando do país e fico fora vários meses, estou suspendendo todas minhas contas e atividades financeiras... (depois fiquei pensando se não era melhor apenas dizer ao cara alguns "termos não-regimentais", ou algo parecido, como o Roberto Jefferson falou hoje. Alías, que eufemismo brilhante, não? De qualquer maneira, achei que isso apenas ia tornar o telefonema mais longo)
_Mas... o senhor vai voltar, não?
_Eventualmente...
_O cartão vale por 1 ano...
Dio Mio... cada uma... hehehe