quinta-feira, novembro 20, 2008

NY

Notícias da grande maçã. Rapidinho que estou meio cansado - e também porque foi rapidinho.
Eu tinha um certo preconceito com NY. Por ser muito manjada, eu acho. Eu tinha curiosidade de um dia conhecer, mas esse dia podia demorar que por mim tudo bem...
Mas aproveitando que estava por lá, fui dar uma conferida. E não é que é tudibãomes?! E as coisas, mesmo manjadas, são muito bonitas!
Fiz NY express, em termos de conhecer as coisas. Bem, fiquei só meio por Manhattan mesmo, mas é onde as coisas mais bacanas estão. Andei muito, fiz bolha no pé, dormi pouco, passei frio (-3 mais ou menos - mais frio que Chicago!), mas gostei muito.
E ela é tão ou mais multicultural que Londres! Se ouve inglês, mas nem sei se é a língua predominante. Bom, deve ser, mas não por muito.
O passatempo preferido era tentar lembrar que filme havia sido filmado naquele lugar. E naquele. E naquele outro...

domingo, novembro 16, 2008

News from the small town

Foi em um frio e chuvoso dia, no intervalo das minhas pesquisas, que o arquivista mencionou o fato.
Em uma cidade de pouco mais de 60 mil pessoas, metade das quais estudantes da universidade da região, e também bastante pacata - onde até 20 anos atrás era proibida a venda de bebidas alcólicas - qualquer incidente maior do que uma batida de carro ganha as páginas dos jornais.
A grande notícia dos últimos dias foi o desaparecimento de um calouro da universidade. O último desdobramento do caso foi terem descoberto o casaco do rapaz, nas margens do lago Michigan, com todos seus objetos pessoais. Há suspeita de suicídio. No entanto, as evidências parecem muito óbvias para ser descartada uma possível encenação.
Entretanto, outro acontecimento acabou dividindo as manchetes com o caso do desaparecimento do estudante. Talvez típico do bizarro que invariavelmente acaba rondando pequenas comunidades um pouco afastadas dos grandes centro urbanos. Foram encontrados 3 corpos de uma mesma família em uma casa, apenas 3 quarteirões de minha atual morada. Uma quarta pessoa, sobrevivente e irmã dos defuntos, não soube explicar porque não notificou as autoridades dos falecimentos (aparentemente não houve ação criminosa).
Uma das falecidas foi vista pelos vizinhos pela última vez em maio. Um segundo em abril de 2003. E a terceira no começo dos anos 1980.
Os corpos estavam deitados em seus respectivos quartos, em suas camas, envoltos por um cobertor.

terça-feira, novembro 11, 2008

Northwestern

Agora começou mesmo minha pesquisa. Estou trabalhando nos arquivos de Northwestern, maravilhado com as preciosidades que eu estou achando!
Por enquanto não tive tempo de apreciar direito, estou na fase de ver tudo primeiro. Mas é emocionante escavar documentos! É um trabalho de arqueólogo mesmo, e quando vem aquela pérola... é muito gratificante.
O campus da universidade é fabuloso. Fica numa cidadezinha muito bonita, na margem do lago, bem ao norte de Chicago. Fiquei completamente apaixonado por aqui (e isso porque nem é parte da Ivy League)! Estava falando disso com minha amiga Dani hoje, as condições de trabalho aqui são de outro mundo. Não tem como não ter prazer em pesquisar. Tudo super organizado, acessível e com uma estrutura impecável. 
Desde o café que você pode tomar no intervalo, passando pelo cenário disney, passando pelo atendimento dos funcionários, até onde comer (já descobri uns restaurantes maravilhosos aqui! Ontem comi cozinha nepalesa, hoje italiana básica) e beber (é uma universidade americana, não é? Achei um pub irlandês aqui e já matei minha saudade de umas draughts boas).
Eis a vista do meu quarto... não só dá vontade de estudar, como dá vontade de escrever um romance...

segunda-feira, novembro 10, 2008

O abismo entre dois mundos

Já não estou mais no reino encantado da Universidade de Chicago. Agora estou na terra da fantasia da Universidade de Northwestern. Similaridades, por hora, são os inúmeros esquilos cinzas que cruzam o caminho, além da exibição de recursos inimagináveis para qualquer outro padrão.
E o hotelzinho que encontrei... que maravilha! E é do lado do lago e do campus.

Agora, lá no centro... o glamour e a grandiosidade contrastam com a confirmação da inexistência de um programa de seguro social e de que a crise realmente foi braba por aqui. A quantidade de gente pedindo dinheiro porque não tem como cuidar da família, dizendo que estão falidos e sem um puto...

(Ia esquecendo de contar: que divertido que é ver um jogo aqui! Espetáculo puro, do momento que a pessoa entra no estádio até sair!)

sexta-feira, novembro 07, 2008

Mais Chicago

Hoje eu bati pé. Fui no Art Institute, babar nos troços deles lá e fazer parte da minha pesquisa. Consegui fazer metade do que queria, mas já tá bom.
Fui também na Sears Tower, olhar tudo lá de cima! Putz negócio bizarro, ficar tão alto. Pensei que fosse ficar com medo, mas acho que por ser tão alto e ver as coisas tão pequenininhas, deu efeito contrário. Quer dizer, subir no elevador deu aflição. Ver marcando 70, depois 80, 90... 103! Mas lá em cima é tudo de bom.
Hoje também vou realizar um sonho de infância: ver um jogo dos Bulls! Eu comecei a gostar de basquete vendo Jordan e Pippen jogando, há quase 20 anos, então foi um presente que me dei. Daqui a pouco vou pra lá.

Mais etnografia das relações sociais chicagoans: hoje conheci uma simpática senhora (de nome Katherine), que foi simpática ao ponto de me acompanhar no ônibus, me explicar como funcionava tudo, ficar mostrando os pontos de interesse pelos quais passávamos e dar alguns bons conselhos de como me virar na cidade. Achei tudo bem interessante e fiquei pensando que o tipo de sociabilidade entre brancos e negros aqui tem uns detalhes bem particulares. Ela, uma senhora branca, de mente aberta, me falava dos lugares que eu precisava evitar, por serem perigosos (lembrei de minha "ida à Compton"). Me alertou para o tipo de transporte público que eu podia ou não pegar. Mas, não deixou de ressaltar, os chicagoans são muito amigáveis e liberais (diferentemente, segundo ela, dos nova-iorquinos, esses sim uns trastes e individualistas; e tudo é "comunidade" aqui): brancos e negros convivem muito bem aqui. Se dão bom-dia, se cumprimentam. E, atentem para a prova de civilidade maluca matizada com uma sutil e declarada discriminação (aqui eles fazem ao contrário - admitem a existência de racismo e partem daí para encontrar uma maneira o mais simpática possível de experienciá-la):
"They are really nice around here. They even whistle when walking behind me so I don't get scared".
Nada como deixar a experiência do racismo a mais agradável possível.

quinta-feira, novembro 06, 2008

Novas impressões de Chicago

Ainda não fui para o centro, já que tive que ficar resolvendo umas coisinhas por aqui. Mas já dei uma boa volta pela área da Universidade de Chicago. E achei um tanto esquisito para falar a verdade... o miolo consiste de umas ruas bonitinhas, cheias de jardins bem cuidados e bonitas árvores. Com esquilinhos correndo pela calçada e os carros parando pra vc atravessar - é só ameaçar colocar o pé na rua que eles param! Já andando umas ruas pra lá ou pra cá... parece que estou em outra cidade, tipo Comton em LA, onde as pessoas andam com jaquetões de beisebol, calça larga, cueca aparecendo e andam gingando com cara de bravas. Uma hora sinto como se estivesse num episódio de Gilmore Girls, no outro como se estivesse numa cena de Boyz in the Hood...
Mas há algo em comum, que todo americano gosta não importa de onde seja ou onde more: os SUVs. Metade dos carros - ou mais - são esses monstros bebedores de gasolina. É impressionante.

Para os interessados em arquitetura: duas quadras daqui fica a Robie House, do Frank Lloyde Wright!

Ah sim, ainda não encontrei a Oprah, mas estou vendo umas discussões sobre a importância dela para os resultados das eleições! Os partidos agora vão ter que se preocupar com a questão econômica, com a questão do Iraque e Afeganistão e com apresentadores de tv!!

quarta-feira, novembro 05, 2008

Windy City

Well, I've made it. Actually it was much easier than I thought it would be, but I guess I was lucky in a way... maybe I can tell more later...

Querida Meme, não deu pra aparecer na comemoração... o resultado foi anunciado quando estava descendo em Miami. Ainda se passaram algumas boas horas até fazer alfândega, conexão e chegar na Windy City. Mas já começo a ver os efeitos das eleições. Eles realmente consideram que é algo histórico por aqui. Um presidente afro-descendente eleito é um much bigger deal do que seria na terrinha! Mas tudo está bastante tranquilo. Tanto o Obama não promete revolucionar o coreto, como McCain e Bush já fizeram pronunciamentos conciliatórios.
Agora, não há como não perceber que a larga vantagem apontada nas prévias realmente se converteu em uma lavada (ainda mais pensando no bi-partidarismo 50-50 daqui). E o interessante é que parece que estão culpando menos a economia do que a base republicana, cada vez mais alienante...
Mas vamos ver, quem sabe eu não encontro o cara passeando por aqui antes de ir para Washington?

Sobre Chicago: por enquanto estou na International House, que fica na Universidade de Chicago, que é um Luxo! Os prédios são lindos e as pessoas realmente ficam no gramado forrado de maple leaves amareladas lendo! A área dos estudantes tem tvs gigantescas, mesas de sinuca e de outros jogos, salão de ginástica, internet e por aí vai...
Fico pertinho do Museu da Ciência e Indústria, da Frank Lloyde Wright Robie House, da Rockefeller Chapel, do Oriental Institute... e muito perto do lago Michigan! Aliás, fiquei até com uma certa impressão de cidade praiana aqui. O lago é gigantesco! Não dá pra ver a outra margem, então parece um mar mesmo...
Enfim, vou aproveitar que o tempo está ótimo: sol, céu azul e dá pra andar de camiseta!

Prometo depois umas fotos e novas impressões.

segunda-feira, novembro 03, 2008

Interlúdio

Tantas coisas aconteceram nessas últimas semanas, mas o tempo para relatar...
Amanhã embarco para a terra do - a menos que uma nova virada de mesa aconteça - próximo cacique do mundo. Vamos ver se rola uma etnografia da apuração e comemoração.
Novas informações seguem de lá.