Fora Lost e American Idol, estou ficando viciado em FX! É, quase o suco do lixo da TV... há tempos que não consigo ver mais coisas cabeças!!
Bom, para não dizer que daqui a pouco estarei assistindo Raul Gil e Pânico na TV, lembro que estou fã também do Telecine Cult (mas dos filmes da safra denominada "Novos Cults". Alías, é quando percebo que estou ficando velho. Os filmes de minha infância se tornam clássicos!)!
Hoje passou um que eu devo ter assistido umas 10 vezes (há anos não via, mas lembrava várias partes do diálogo!): Os Sete Supeitos (Clue). Baseado naquele maravilhoso jogo, Detetive.
Adoro o filme! E, apesar de não ser do Altman, é interacionista pra caramba!
Explico. Desde que assisti Prêt-à-Porter com a Helô que sou muito fã do Altman (seu primo, Cris?! hehehe). Na verdade, já era, desde que vi MASH e Short Cuts, mas com a Helô descobri porque.
Esqueça Pulp Fiction (que é bom por outros motivos), e esse que ganhou o Oscar agora (se não fosse a época por que passa os EUA, não teria ganho), Crash. Filme interacionista, original, com entrecruzamanto de pequenas histórias, é com o Altman. Por exemplo, aquele maravilhoso Assassinato em Gosford Park. O que liga toda a história são, não os lords, sires and ladies, mas o mordomo, as cozinheiras, as empregadas, os criados. Pensando a posteriori, depois de feito, é óbvio, não? Mas precisou alguém fazer.
E o Altman sabe disso, claro. As pequenas pistas, como o cocô de cachorro, dão dicas de como a história deve se desenrolar e desenvolver. É um pouco subliminar, mas também é inteligente, na medida que não é explícito. Quem assiste tem que procurar. E pensar.
No Sete Supeitos, também ambientado em um casarão antigo, com os convidados e os criados presos em uma trama misteriosa, também não se sabe quem é o assassino. Tudo bem, talvez não seja tão bom como Gosford Park, mas tem alguns detalhes interessantes. O final: tem um "verdadeiro", mas também o "como poderia ter sido" e o "e se fosse assim". Isso tudo com a estrutura narrativa à la Agatha Christie, somado com uns leves toques de comédia pastelão e outras ironias mais finas: Mr. Boddy, o chantagista (e, é claro, o morto), é o maior americano: ferra todo mundo e ainda ganha uns trocos com isso! E é o Tim Curry, de mordomo, que serve de ligação entre os personagens e a explicação dos acontecimentos (e que, no final, encena a famosa máxima do mordomo).
O legal é que o encadeamento dos fatos não leva necessariamente à uma conclusão finda, como nas histórias doyleanas. O filme brinca exatamente com a não determinação das evidências e com o poder do modelo explicativo elaborado. Tudo depende da história. Existe afinal o acontecimento em si fora da narrativa?
Não parece com uma lição que os interacionistas simbólicos deveriam aprovar?
quinta-feira, março 23, 2006
segunda-feira, março 20, 2006
Mexedor e latildo
Hoje rolou algo muito legal!! O Lelê e a Vanessa foram para a Bienal em SP. Nem fui porque não queria passar vontade, sem poder comprar nada. Mas na volta eles passaram aqui. Ganhei 1 livrinho do Fante e tive uma surpresa! O Lelê levou o livrinho do Menino Maluquinho e o Ziraldo autografou! Parece que ele ficou muito contente quando viu que era a primeira edição (é, estou ficando velho), mostrando para todo mundo: "olha, primeira edição, primeira edição"!
Eu li e reli tantas vezes aquele livro... e sempre fui fã do Ziraldo! Isso foi tão legal quanto quando o Antônio Cândido me casou com a Dani com uma dedicatória no Parceiros!
Eu li e reli tantas vezes aquele livro... e sempre fui fã do Ziraldo! Isso foi tão legal quanto quando o Antônio Cândido me casou com a Dani com uma dedicatória no Parceiros!
domingo, março 19, 2006
Pérola
Hoje, fumando um narguile e zapeando canais aleatoriamente, encontrei no telecine cult (vários filmes bons estão passando por lá) A Volta ao Mundo em 80 Dias. Adoro aquele filme! Havia uma época que era completamente fã do Verne, e assistia todas as adaptações para o cinema (normalmente na sessão da tarde, ou no sbt). E, descobri, que em vários deles está o Peter Lorre.
O homem é muito bom! Ninguém costuma lembrar do nome dele, mas todo mundo lembra da sua cara. Ele é expressionismo puro!
Fez papel de japonês, de turco, de assassino psicopata, de bandido... tudo que é exótico ou estranho, lá está ele! Eu adorava o Gato Preto e o Corvo do Poe, Falcão Maltês, Casablanca, Volta ao Mundo, 20000 Léguas Submarinas, O Homem que Sabia Demais... todos com o Lorre. Que chegou a fazer também algumas daquelas historinhas curtas do Hitchcock (além, claro, do Homem que Sabia Demais) e virou desenho Looney.
Descobri que ele nasceu no então império austro-húngaro, em uma região hoje pertencente à Eslováquia (são interessantes essas informações... Yul Brynner nasceu na Rússia czarista; Anthony Quinn era índio chihuahua...). Trabalhou com Brecht em Berlin em algumas peças e fez vários filmes ainda no período final do expressionismo alemão (fez, por exemplo, M - AKA O Vampiro de Dusseldorf - do Fritz Lang) antes de fugir do nazismo e fazer filme noir nos EUA.
Trabalhou com Boris Karloff e Marlene Dietrich. Tal como o Bela Lugosi, também nascido no império dos Habsburg, era viciado em morfina. E reza a lenda que no enterro de Lugosi, que estava vestido de drácula no caixão, Lorre chegou para o Vincent Price, também presente, e perguntou se não era melhor enfiar uma estaca no coração do cara por via das dúvidas...
Enfim, ele entra na minha lista de atores da minha
comunidade do orkut (que obviamente não fez muito sucesso). Atores excelentes, agraciados (ou almaldiçoados) com um semblante por demais singular para ser galã de cinema (tá, exceção é o Bogart): Telly Savalas, Yul Brynner, Lee Van Cleef... desses mais recentes, Willem Dafoe (não por coincidência, nosferaturizado).
Adoro os underdogs!
O homem é muito bom! Ninguém costuma lembrar do nome dele, mas todo mundo lembra da sua cara. Ele é expressionismo puro!
Fez papel de japonês, de turco, de assassino psicopata, de bandido... tudo que é exótico ou estranho, lá está ele! Eu adorava o Gato Preto e o Corvo do Poe, Falcão Maltês, Casablanca, Volta ao Mundo, 20000 Léguas Submarinas, O Homem que Sabia Demais... todos com o Lorre. Que chegou a fazer também algumas daquelas historinhas curtas do Hitchcock (além, claro, do Homem que Sabia Demais) e virou desenho Looney.
Descobri que ele nasceu no então império austro-húngaro, em uma região hoje pertencente à Eslováquia (são interessantes essas informações... Yul Brynner nasceu na Rússia czarista; Anthony Quinn era índio chihuahua...). Trabalhou com Brecht em Berlin em algumas peças e fez vários filmes ainda no período final do expressionismo alemão (fez, por exemplo, M - AKA O Vampiro de Dusseldorf - do Fritz Lang) antes de fugir do nazismo e fazer filme noir nos EUA.
Trabalhou com Boris Karloff e Marlene Dietrich. Tal como o Bela Lugosi, também nascido no império dos Habsburg, era viciado em morfina. E reza a lenda que no enterro de Lugosi, que estava vestido de drácula no caixão, Lorre chegou para o Vincent Price, também presente, e perguntou se não era melhor enfiar uma estaca no coração do cara por via das dúvidas...
Enfim, ele entra na minha lista de atores da minha
comunidade do orkut (que obviamente não fez muito sucesso). Atores excelentes, agraciados (ou almaldiçoados) com um semblante por demais singular para ser galã de cinema (tá, exceção é o Bogart): Telly Savalas, Yul Brynner, Lee Van Cleef... desses mais recentes, Willem Dafoe (não por coincidência, nosferaturizado).Adoro os underdogs!
sábado, março 18, 2006
Naked Josh
E essa agora?!?! Um sitcom de antropólogo? Especialista em sexo? Quero ver o que vai sair disso...
terça-feira, março 14, 2006
Onde está Dani?

Então, agora sim la Pedrera!
O lugar é demais! Não sei se fiquei mais impressionado com a Pedrera ou com a casa Battló... ambas pertinho uma da outra.
As soluções que o cara tem para a luz, a disposição dos cômodos, a inspiração orgânica, os móveis... tudo magnífico. E para você ver como é: pessoas moram lá! E existem exposições temporárias maravilhosas por lá! Eu e Dani tivemos êxtases com a arquitetura do lugar, com as explicações da técnica do Gaudi e, quando saímos, vimos de lambuja uma exposição de gravuras e retrados de Rembrandt!
De graça. O lugar é foda. Não tem como morar lá e não querer, ao menos por algum momento, virar artista! Os prédios normais são lindos! O trabalho com ferro e com alvenaria... de tirar o chapéu! Você anda na rua e de repente descobre detalhes incríveis. Se não fosse tão bonito daria raiva...
segunda-feira, março 13, 2006
Imagens catalãs de um dia no parque

Algumas fotos de uma tarde semi-nublada em BCN.
Gente demais, mas demasiada beleza também. Aglutinação de inter-passantes temporários que se querem trans, mas são hipernacionais. Com alguns sitiantes aspirantes a plantonistas breves. Mas breves para o quê? Não sabemos. Eles não sabem. Provavelmente algo melhor; ou talvez apenas até o dia seguinte. Sempre performando, em vários dos sentidos.
Havia inclusive um guitarrista russo desafinado, muito empolgado, com
uma linda ajudante turista tocando pandeiro. Mais temporária ainda. Pro-bono que nunca é totalmente autruísta. Mil milhas longe de casa você pode se dar ao luxo de ser lúdico.A natureza não é exuberante, mas é limpa. Minimalista. A terra é grossa, cheia de pequenas pedras.
Não há gatos, mas diversos cachorros em coleiras, levados ao passeio por outros motivos.
Alguns saudáveis, de calças coladas às pernas. Pretensamente despreocupados com o tempo, mas correndo em urgência constante, atrás de uma sombra fugidia da promessa de um futuro sem fraldas.
E, claro, os golpistas onipresentes. Sempre conseguem algumas focas desavisadas, de carne dura...

E o ócio. Esse sim, admirável.
domingo, março 12, 2006
Nova paixão
Hoje fui na casa do Gu e da Má comer um churrasquinho. A tarde foi muito legal, como sempre quando estamos com os dois! Carne, sol, calor, cerveja, conversa boa (tópico preferido ultimamente nas mais variadas mesas: Lost - assisti ontem nove episódios da segunda temporada que um amigo baixou da gringolândia, de uma talagada só!! Demais!! Não dava para parar até acabar!)... tudo de bom! As musiquinhas do arco da velha... muito divertido! Gu, depois tenho que fazer uma listinha para pedir na próxima vez (deu uma olhada lá no Godzilla?)!
E, conversando de charutos, cachimbos e fumos em geral, eu e o irmão da Má acabamos falando de narguile. Aí, pronto, fomos fumar, já que ele tem um! Que coisa maravilhosa!!! Fiquei fã e quero um! É muito bom, refrescante, bonito, social... um barato!
O foda, como tudo ultimamente, é arranjar um dinheirinho para investir em um. Acho que vou fazer uma joint venture com meu irmão num...
E, conversando de charutos, cachimbos e fumos em geral, eu e o irmão da Má acabamos falando de narguile. Aí, pronto, fomos fumar, já que ele tem um! Que coisa maravilhosa!!! Fiquei fã e quero um! É muito bom, refrescante, bonito, social... um barato!
O foda, como tudo ultimamente, é arranjar um dinheirinho para investir em um. Acho que vou fazer uma joint venture com meu irmão num...
sábado, março 11, 2006
Je t'aime... moi non plus...
Essa semana tive um forte baque. Que existem podres na academia, já sabia há muito tempo. À medida que ia ascendendo (nunca em um ritmo bom o suficiente, é importante ressaltar) na cadeia alimentar universitária, as histórias que chegavam ao meu conhecimento iam ficando cada vez mais escabrosas. Baixezas, picaretagens, panelas e injustiça na competição por migalhas intelectuais - sejam elas na forma de vagas, bolsas ou hegemonias teóricas e interdepartamentais.
Mas apesar de tudo, a coisa ainda me parecia um tanto quanto maniqueísta. Talvez fosse ingenuidade demais, sei lá. Digo maniqueísta no sentido de que eu costumava separar as forças do bem - em sua maioria esforçadas, competentes, mas ferradas - e as forças das trevas - que sobem de maneiras nada louváveis.
Nesse pequeno esquema cosmológico da estrutura acadêmica, admiro sobremaneira os heróicos colegas esforçados, competentes, éticos e que se dão bem (claro que o "se dar bem" é relativo... "bem" no universo acadêmico, nada glamouroso ou abastado). Tarefa, aliás, que parece cada vez mais impossível de atingir...
Mas não é que o lado negro seduziu alguém que eu admiro? Quer dizer, agora começo a reavaliar tudo. Será que essa pessoa já não estava do lado negro e eu apenas não percebia? Era tão ambiciosa e inescrupulosa que eu caí direitinho? Começo a reinterpretar ações e impressões passadas com uma nova luz. Uma mancha que contamina todas minhas lembranças relacionadas a ela. Não sei de todos os detalhes, mas foi sacanagem da grossa. É de partir o coração, realmente.
Que eu não vou seguir carreira acadêmica, já faz um tempo que tenho consciência. Mas ultimamente as decepções, o desânimo e o desencanto aumentaram tanto que eu tenho que urgentemente encontrar algo suficientemente bom (no sentido mais literal e autruísta da palavra) nisso tudo para, pelo menos, terminar essa pós.
Mas apesar de tudo, a coisa ainda me parecia um tanto quanto maniqueísta. Talvez fosse ingenuidade demais, sei lá. Digo maniqueísta no sentido de que eu costumava separar as forças do bem - em sua maioria esforçadas, competentes, mas ferradas - e as forças das trevas - que sobem de maneiras nada louváveis.
Nesse pequeno esquema cosmológico da estrutura acadêmica, admiro sobremaneira os heróicos colegas esforçados, competentes, éticos e que se dão bem (claro que o "se dar bem" é relativo... "bem" no universo acadêmico, nada glamouroso ou abastado). Tarefa, aliás, que parece cada vez mais impossível de atingir...
Mas não é que o lado negro seduziu alguém que eu admiro? Quer dizer, agora começo a reavaliar tudo. Será que essa pessoa já não estava do lado negro e eu apenas não percebia? Era tão ambiciosa e inescrupulosa que eu caí direitinho? Começo a reinterpretar ações e impressões passadas com uma nova luz. Uma mancha que contamina todas minhas lembranças relacionadas a ela. Não sei de todos os detalhes, mas foi sacanagem da grossa. É de partir o coração, realmente.
Que eu não vou seguir carreira acadêmica, já faz um tempo que tenho consciência. Mas ultimamente as decepções, o desânimo e o desencanto aumentaram tanto que eu tenho que urgentemente encontrar algo suficientemente bom (no sentido mais literal e autruísta da palavra) nisso tudo para, pelo menos, terminar essa pós.
terça-feira, março 07, 2006
Às traças
Ultimamente não consigo ler nada maior que artigo de jornal (ou de blog, para falar a verdade). A inércia das férias contaminou todas as partes do gabinete de leitura pessoal e não me dá vontade sequer de folhear alguma coisa...
Ganhei um livro do meu pai, que parece bem interessante, mas está num ritmo muuuuito lento. Uns outros cinco livros estão, com seus devidos marcadores, do lado da cama há semanas. As leituras para preparar meu projeto? Para essas eu nem sequer fiz aquela preparação de quando se está adiando o trabalho e se quer se iludir pensando que está fazendo algo: nem os coloquei separados em cima da escrivaninha...
E sabe do que mais? Nem tô ligando muito pra isso.
Ontem fui com o Lelê fazer um tour pelos sebos do centro. Havia tantas opções... Entre os top top, fiquei namorando o Ramo Dourado, do Frazer, no Iluminações, e o Emile (original em francês de uma edição de 1923!) do Rousseau em outro sebo novo.
Edições maravilhosas e bem conservadas! Quem é rato de sebo, sabe que são verdadeiros achados. Mas sabe no que eu acabei gastando meu dinheirinho contado, sem ter que lidar com a escolha de Sofia literária? Em um pastel de queijo e uma coca de garrafinha de vidro no Voga e um vinil do Alien Sex Fiend na loja do Ete. E voltei feliz da vida!
Ganhei um livro do meu pai, que parece bem interessante, mas está num ritmo muuuuito lento. Uns outros cinco livros estão, com seus devidos marcadores, do lado da cama há semanas. As leituras para preparar meu projeto? Para essas eu nem sequer fiz aquela preparação de quando se está adiando o trabalho e se quer se iludir pensando que está fazendo algo: nem os coloquei separados em cima da escrivaninha...
E sabe do que mais? Nem tô ligando muito pra isso.
Ontem fui com o Lelê fazer um tour pelos sebos do centro. Havia tantas opções... Entre os top top, fiquei namorando o Ramo Dourado, do Frazer, no Iluminações, e o Emile (original em francês de uma edição de 1923!) do Rousseau em outro sebo novo.
Edições maravilhosas e bem conservadas! Quem é rato de sebo, sabe que são verdadeiros achados. Mas sabe no que eu acabei gastando meu dinheirinho contado, sem ter que lidar com a escolha de Sofia literária? Em um pastel de queijo e uma coca de garrafinha de vidro no Voga e um vinil do Alien Sex Fiend na loja do Ete. E voltei feliz da vida!
sábado, março 04, 2006
A few summer quick ones
Notícia fresquinha! O desenho da minha afilhada foi escolhido para ilustrar o livro da escola!! O dindo coruja está radiante...
*******
Tenho um novo cachimbo! Ah, pois é, estou investindo na arte da fumaça menos letal! Culpa do Ratto...
*******
Estou pegando uma corzinha! Agora sou uma pessoa normal, não mais um figurante de filme de zumbi!
Ah... a sede...
*******
Tenho um novo cachimbo! Ah, pois é, estou investindo na arte da fumaça menos letal! Culpa do Ratto...
*******
Estou pegando uma corzinha! Agora sou uma pessoa normal, não mais um figurante de filme de zumbi!
Ah... a sede...
quarta-feira, março 01, 2006
10 boas lembranças (pra ser otimista)
Ida ao Play Center com minha primeira paixão (ah os sustos com a transformação da Monga, quando podia ser o herói protetor...)
Viagem para Ouro Preto com o Rio Branco na sexta série (dionisíaca)
Primeira quase enterrada
Blind Guardian no KVA (desidratação)
Bolo de chocolate da minha madrinha
Meu quarto beijo
Virar dindo
Primeiras flores (já relatado aqui)
Toda primeira vez que peguei na mão de uma menina
Ser Dick Tracy

(Andy Warhol)
Viagem para Ouro Preto com o Rio Branco na sexta série (dionisíaca)
Primeira quase enterrada
Blind Guardian no KVA (desidratação)
Bolo de chocolate da minha madrinha
Meu quarto beijo
Virar dindo
Primeiras flores (já relatado aqui)
Toda primeira vez que peguei na mão de uma menina
Ser Dick Tracy

(Andy Warhol)
terça-feira, fevereiro 28, 2006
5 lembranças que me assombram
Ficar de braguilha aberta na frente da garota que eu era apaixonado aos 13, ela notar, falar, e eu tentar bancar o cool e indiferente (ainda sem fechar a bendita).
Ter acertado uma botinada numa menina ao pular do palco em uma peça de teatro.
Dançar forró.
Minha colação de grau, na Fonte de São Paulo, passada inteira no banheiro.
Entrocamento oblíquo à esquerda.
Ter acertado uma botinada numa menina ao pular do palco em uma peça de teatro.
Dançar forró.
Minha colação de grau, na Fonte de São Paulo, passada inteira no banheiro.
Entrocamento oblíquo à esquerda.
segunda-feira, fevereiro 27, 2006
As galinhas e o Sudoku
Não gosto de pensar muito em potenciais tragédias como a tal gripe aviária. Fico com medo. Prefiro a postura avestruz. Nem sei como escrevo isto, para falar a verdade...
Mas realmente fico receoso. Ainda mais se o caso não é muito comentado, apenas com algumas notícias secundárias exageradas (daquele que, num romance do Tom Clancy acaba acertando na mosca, mas é silenciado com o desprezo jornalístico ou algo pior) em veículos de informação pouco respeitados. Tudo bem, é até bem comentado e está nas manchetes, mas por enquanto não como uma pandemia apocalíptica dos infernos.
Dá a impressão de que alguém sabe mais do que o resto do mundo e não quer contar. Vai saber, se acham que a AIDS foi uma vacina baseada em sangue de macaco contaminado, criada em algum laboratório no Congo Belga nos anos 50 e que deu errada (onde surgiram os primeiros casos)... - sim, Tintim au Congo! Daí não é porque a natureza é implacável e incontrolável e o vírus mutou para uma variação humana, é porque os homens resolveram brincar de incesto com nossos parentes antigos. O que leva à conclusão de que a notícia "se o vírus mutar" nada mais é que uma delegação de responsabilidade na tentativa de encobrir outras coisas. Bom, eu adoro uma teoria da conspiração...
NSA, CIA, FBI, ou alguma sigla européia também (afinal, está lá!), alguém esconde. Se fosse um grande bafafá e não essa impressão velada de segredo ou "não se preocupe, está tudo sob controle", ficaria mais tranquilo.
Fico com a impressão, ai-de-mim-que-assisti-horrorizado-os-filmes-sobre-o-fim-do-mundo-do-auge-do-pessimismo-da-corrida-armamentista, de que as pessoas lembrarão depois, no mundo pós-gripe aviária: "é, começou com aquelas galinhas resfriadas no cafundó do Judas".
Ouvi coisas horríveis, anos atrás, de um médico, amigo do meu pai, que gosta de estudar determinismos epidemiológicos nas horas vagas. Não sei reproduzir o argumento, mas era algo como um sazonismo virulento que reaparece inevitavelmente de tempos em tempos e a OMS não pode fazer nada mais que administrar os danos. Aí o tom fica meio profético e eu fico interpretando as notícias que saem publicadas sob essa perspectiva.
E como impedir as aves de migrarem? Essas não têm nome árabe para serem detidas nos aeroportos. Se não é possível controlar nem a exportação de sudoku... aquele joguinho viciante, que começa a aparecer aos poucos por aqui, depois de ter conquistado a Europa...
Mas realmente fico receoso. Ainda mais se o caso não é muito comentado, apenas com algumas notícias secundárias exageradas (daquele que, num romance do Tom Clancy acaba acertando na mosca, mas é silenciado com o desprezo jornalístico ou algo pior) em veículos de informação pouco respeitados. Tudo bem, é até bem comentado e está nas manchetes, mas por enquanto não como uma pandemia apocalíptica dos infernos.
Dá a impressão de que alguém sabe mais do que o resto do mundo e não quer contar. Vai saber, se acham que a AIDS foi uma vacina baseada em sangue de macaco contaminado, criada em algum laboratório no Congo Belga nos anos 50 e que deu errada (onde surgiram os primeiros casos)... - sim, Tintim au Congo! Daí não é porque a natureza é implacável e incontrolável e o vírus mutou para uma variação humana, é porque os homens resolveram brincar de incesto com nossos parentes antigos. O que leva à conclusão de que a notícia "se o vírus mutar" nada mais é que uma delegação de responsabilidade na tentativa de encobrir outras coisas. Bom, eu adoro uma teoria da conspiração...
NSA, CIA, FBI, ou alguma sigla européia também (afinal, está lá!), alguém esconde. Se fosse um grande bafafá e não essa impressão velada de segredo ou "não se preocupe, está tudo sob controle", ficaria mais tranquilo.
Fico com a impressão, ai-de-mim-que-assisti-horrorizado-os-filmes-sobre-o-fim-do-mundo-do-auge-do-pessimismo-da-corrida-armamentista, de que as pessoas lembrarão depois, no mundo pós-gripe aviária: "é, começou com aquelas galinhas resfriadas no cafundó do Judas".
Ouvi coisas horríveis, anos atrás, de um médico, amigo do meu pai, que gosta de estudar determinismos epidemiológicos nas horas vagas. Não sei reproduzir o argumento, mas era algo como um sazonismo virulento que reaparece inevitavelmente de tempos em tempos e a OMS não pode fazer nada mais que administrar os danos. Aí o tom fica meio profético e eu fico interpretando as notícias que saem publicadas sob essa perspectiva.
E como impedir as aves de migrarem? Essas não têm nome árabe para serem detidas nos aeroportos. Se não é possível controlar nem a exportação de sudoku... aquele joguinho viciante, que começa a aparecer aos poucos por aqui, depois de ter conquistado a Europa...
sexta-feira, fevereiro 24, 2006
Chris Tambascia's Day Off
Hoje tirei o dia para não fazer absolutamente nada! Apesar de estas serem minhas maiores férias desde o final da graduação, por incrível que pareça ainda não tinha tirado um dia para vegetar completamente no aconchego do lar!
Entre sentadas na frente do computador e na frente da tv, assisti dois filmes que quando era moleque adorava! Daqueles que eram as cerejas da maravilhosa programação da sessão da tarde de duas décadas atrás. Um é O filme sessão da tarde por excelência: Curtindo a vida adoidado. Adoro esse filme. E a musiquinha que acompanha o diretor da escola do Ferris, aquele cara bacana dos Fantasmas se divertem e outros filmes estruturalmente equivalentes. Mas esse eu peguei quando já tinha começado. Ainda sim foi bacana relembrar o dia de folga de Ferris Bueller.
Agora, o legal mesmo foi assistir, desde o começo, sem cortes e com som original, O enigma da pirâmide (Young Sherlock Holmes)! Nossa, como eu curtia esse filme! E vendo hoje, não bateu aquela decepção de rever algo que admirava tanto anos atrás, mas que hoje em dia é meio ridículo. Aquela sensação de "vale apenas como recordação de um tempo" que marca tanta coisa da chamada década perdida (entre música, filme, roupas, cabelos, ...) não apareceu. Muito pelo contrário, a aventura de Sherlock moço ainda é muito divertida de assistir! Os efeitos ainda são bons e o final ainda me emociona. Ainda me comove quando a Elizabeth, mortalmente ferida, diz que esperará Holmes em outra vida e ele se atrasará, como sempre. Depois morre nos braços do jovem detetive e ele "chora pela segunda e última vez na vida". Então diz a Watson que viverá o resto da vida só.
Sempre achei que foi um começo bonitinho para a vida de Holmes. Não tanto doyleano, mas enfim... bonitinho. As idéias para as origens do chapéu, do cachimbo, a relação com Lestrade, o violino, a solidão e uma certa melancolia eterna... achei bem legais. Eu sempre gostei das aventuras do personagem. Adorava os livros, procurei, entusiasmado, o 221b da Baker Street. Acho que vi todos os filmes relacionados.
Outra coisa interessante é que, pelo que me lembro, foi com O enigma da pirâmide que eu descobri que alguns filmes não acabam nos créditos. Depois que todas as letrinhas vão subindo e o espectador acompanha a charrete (que evidentemente não é a que Holmes entrou ao se despedir de Watson), descobre-se que Eh Tar não morreu e virou... bom, é elementar, não?!
Pela mesma época lançaram Masters of the Universe, o filme do He-Man, com o Lundgren e a Monica novinha. Se você acompanhar os créditos até a parte do ano, verá que... alguém que todos pensavam que morreu, está vivo!
Por muito tempo eu continuava vendo os filmes para ver se o diretor não reservava alguma surpresa. E vários realmente têm alguma referência a uma possível sequência, um final um pouco diferente, ou uma continuação (e mesmo que nunca tenham sido feitas, a coisa é interessante). Meio como os filmes do Kevin Smith, que nos finais você descobre que ele já sabia qual seria a próxima aventura de Jay e Silent Bob, anunciando-a. Para mim isso cria um respeito extra pelo roteirista. Ele está pensando no próximo passo, o que garante uma trama muito mais forte e menos sujeita a adaptações toscas para continuações criadas a posteriori - quase inevitavelmente com diversos pepinos e descontinuidades que deixam claros vários furos e diversos remendos.
Exemplo disso era o Chris Claremont, que pensava algumas coisas para os X-Men anos (sim, anos!) antes de acontecer. Ele narrava um evento e eras depois você via que ele já o pensara em conjunto com outros acontecimentos muito posteriores! No mínimo é impressionante o planejamento.
O fato é que eu costumava acelerar os créditos ou então ficar no cinema até as luzes acenderem. Mas vi que, ultimamente, esse recurso quase não é mais usado. Então já não faço muito isso agora.
Afinal, o que aconteceu com as gracinhas criativas dos diretores? O cinema ficou mais (pseudo) sério e mais bobo.
Entre sentadas na frente do computador e na frente da tv, assisti dois filmes que quando era moleque adorava! Daqueles que eram as cerejas da maravilhosa programação da sessão da tarde de duas décadas atrás. Um é O filme sessão da tarde por excelência: Curtindo a vida adoidado. Adoro esse filme. E a musiquinha que acompanha o diretor da escola do Ferris, aquele cara bacana dos Fantasmas se divertem e outros filmes estruturalmente equivalentes. Mas esse eu peguei quando já tinha começado. Ainda sim foi bacana relembrar o dia de folga de Ferris Bueller.
Agora, o legal mesmo foi assistir, desde o começo, sem cortes e com som original, O enigma da pirâmide (Young Sherlock Holmes)! Nossa, como eu curtia esse filme! E vendo hoje, não bateu aquela decepção de rever algo que admirava tanto anos atrás, mas que hoje em dia é meio ridículo. Aquela sensação de "vale apenas como recordação de um tempo" que marca tanta coisa da chamada década perdida (entre música, filme, roupas, cabelos, ...) não apareceu. Muito pelo contrário, a aventura de Sherlock moço ainda é muito divertida de assistir! Os efeitos ainda são bons e o final ainda me emociona. Ainda me comove quando a Elizabeth, mortalmente ferida, diz que esperará Holmes em outra vida e ele se atrasará, como sempre. Depois morre nos braços do jovem detetive e ele "chora pela segunda e última vez na vida". Então diz a Watson que viverá o resto da vida só.
Sempre achei que foi um começo bonitinho para a vida de Holmes. Não tanto doyleano, mas enfim... bonitinho. As idéias para as origens do chapéu, do cachimbo, a relação com Lestrade, o violino, a solidão e uma certa melancolia eterna... achei bem legais. Eu sempre gostei das aventuras do personagem. Adorava os livros, procurei, entusiasmado, o 221b da Baker Street. Acho que vi todos os filmes relacionados.
Outra coisa interessante é que, pelo que me lembro, foi com O enigma da pirâmide que eu descobri que alguns filmes não acabam nos créditos. Depois que todas as letrinhas vão subindo e o espectador acompanha a charrete (que evidentemente não é a que Holmes entrou ao se despedir de Watson), descobre-se que Eh Tar não morreu e virou... bom, é elementar, não?!
Pela mesma época lançaram Masters of the Universe, o filme do He-Man, com o Lundgren e a Monica novinha. Se você acompanhar os créditos até a parte do ano, verá que... alguém que todos pensavam que morreu, está vivo!
Por muito tempo eu continuava vendo os filmes para ver se o diretor não reservava alguma surpresa. E vários realmente têm alguma referência a uma possível sequência, um final um pouco diferente, ou uma continuação (e mesmo que nunca tenham sido feitas, a coisa é interessante). Meio como os filmes do Kevin Smith, que nos finais você descobre que ele já sabia qual seria a próxima aventura de Jay e Silent Bob, anunciando-a. Para mim isso cria um respeito extra pelo roteirista. Ele está pensando no próximo passo, o que garante uma trama muito mais forte e menos sujeita a adaptações toscas para continuações criadas a posteriori - quase inevitavelmente com diversos pepinos e descontinuidades que deixam claros vários furos e diversos remendos.
Exemplo disso era o Chris Claremont, que pensava algumas coisas para os X-Men anos (sim, anos!) antes de acontecer. Ele narrava um evento e eras depois você via que ele já o pensara em conjunto com outros acontecimentos muito posteriores! No mínimo é impressionante o planejamento.
O fato é que eu costumava acelerar os créditos ou então ficar no cinema até as luzes acenderem. Mas vi que, ultimamente, esse recurso quase não é mais usado. Então já não faço muito isso agora.
Afinal, o que aconteceu com as gracinhas criativas dos diretores? O cinema ficou mais (pseudo) sério e mais bobo.
terça-feira, fevereiro 21, 2006
Ah, essas bandas... esses shows...
Pois é, falei que o show dos Stones seria uma furada. Acho que foi apenas dor de cotovelo, pelo fato de não ter mais saúde pra ir em algo assim. Estava enchendo a cara num barzinho perto de casa, com a Dani e a Pati, quando começou a passar o show nos telões do lugar. Sempre que eu dava uma espiadinha parecia que estava sendo maravilhoso. E deve ter sido, como já me informaram algumas almas corajosas que lá compareceram.
Se eu pudesse pular o processo de ir até lá, esperar, arrumar um lugar pra assistir e depois voltar, até iria! Velho mesmo... Mas tudo bem, depois fomos dançar músicas anos 80 em um bar gls.
E hoje o U2. Minha tia me ligou no celular, no começo da noite, perguntando se eu estava lá. Lembrava que desde moleque eu amava u2.
E era verdade. Lembro que em minha temporada em terras britânicas, nos idos de 91, devo ter gasto metade do meu dinheiro em discos, livros e bugigangas relacionadas. U2 tocava lá em tudo em quanto era lugar! Era maravilhoso para qualquer aficionado. Lembro de uma vez, andando com a Aninha, minha amiga igualmente fã na época, cantando na rua a letra de Where the Streets Have no Name (que está tocando na tv enquanto escrevo isto), depois de um carro passar tocando a música em um volume altíssimo. Nada de louco ou extraordinário, mas uma das melhores lembranças que eu tenho na vida. Pura.
Mas isso durou somente até o Rattle and Hum mesmo. Me decepcionei com os discos seguintes. Cada vez mais, achando tudo estranho e forçado, com raras exceções. Não achava exatamente ruim, mas não fazia juz à banda que eu tanto gostava.
Até que por fim fiquei indiferente com o que faziam. Claro que respeito o que o Bono tenta fazer politicamente. O cara pentelha a negada da matrix até não poder mais. É de tirar o chapéu (um pouco politicamente correto e um pouco bocó demais...). Mas como disse Henry Rollings, isso é ótimo; ainda por cima tira o cara do estúdio! :/
Exagero. Apenas para não perder a piada. Mas o fato é que já na turnê passada não fiz questão nenhuma de ir. Nessa então... ainda mais pelo preço exorbitante do ingresso. Que, como o Lelê e a Vanessa comprovaram, ao tentarem comprar em SP, só foi conseguido pelos poucos afortunados ou pelos larápios mesmo. A organização dessa joça foi terrível.
O foda é que na tv, ali na globo, fica bonitinho. Esquece-se todos os pepinos. Enfim, pelo menos o produto final saiu, não? E quando toca I still haven't found what I'm looking for, eu me emociono. Pela música, claro, linda. Mas pela lembrança de uma época em que acreditava em coisas já tão distantes.
Se eu pudesse pular o processo de ir até lá, esperar, arrumar um lugar pra assistir e depois voltar, até iria! Velho mesmo... Mas tudo bem, depois fomos dançar músicas anos 80 em um bar gls.
E hoje o U2. Minha tia me ligou no celular, no começo da noite, perguntando se eu estava lá. Lembrava que desde moleque eu amava u2.
E era verdade. Lembro que em minha temporada em terras britânicas, nos idos de 91, devo ter gasto metade do meu dinheiro em discos, livros e bugigangas relacionadas. U2 tocava lá em tudo em quanto era lugar! Era maravilhoso para qualquer aficionado. Lembro de uma vez, andando com a Aninha, minha amiga igualmente fã na época, cantando na rua a letra de Where the Streets Have no Name (que está tocando na tv enquanto escrevo isto), depois de um carro passar tocando a música em um volume altíssimo. Nada de louco ou extraordinário, mas uma das melhores lembranças que eu tenho na vida. Pura.
Mas isso durou somente até o Rattle and Hum mesmo. Me decepcionei com os discos seguintes. Cada vez mais, achando tudo estranho e forçado, com raras exceções. Não achava exatamente ruim, mas não fazia juz à banda que eu tanto gostava.
Até que por fim fiquei indiferente com o que faziam. Claro que respeito o que o Bono tenta fazer politicamente. O cara pentelha a negada da matrix até não poder mais. É de tirar o chapéu (um pouco politicamente correto e um pouco bocó demais...). Mas como disse Henry Rollings, isso é ótimo; ainda por cima tira o cara do estúdio! :/
Exagero. Apenas para não perder a piada. Mas o fato é que já na turnê passada não fiz questão nenhuma de ir. Nessa então... ainda mais pelo preço exorbitante do ingresso. Que, como o Lelê e a Vanessa comprovaram, ao tentarem comprar em SP, só foi conseguido pelos poucos afortunados ou pelos larápios mesmo. A organização dessa joça foi terrível.
O foda é que na tv, ali na globo, fica bonitinho. Esquece-se todos os pepinos. Enfim, pelo menos o produto final saiu, não? E quando toca I still haven't found what I'm looking for, eu me emociono. Pela música, claro, linda. Mas pela lembrança de uma época em que acreditava em coisas já tão distantes.
segunda-feira, fevereiro 20, 2006
Goethe über alles
Contarei hoje sobre Frankfurt am Main.
Como a nossa volta estava programada via Frankfurt, Dani e eu íamos circular um pouco pela Alemanha. Pensávamos em ir para Berlin, visitar uma amiga minha. E para Köln, visitar minha linda schwester. Bom, alguns imprevistos e muito dinheiro a menos, resolvemos só ficar na capital do euro alguns dias e então voltar de lá.
A cidade em si é meio sem graça. E é conhecida e reconhecida como uma cidade sem graça. Com uma renda média de mais de 70 mil euros por habitante, é basicamente uma cidade bancária. Os maiores bancos têm sede lá. O PIB de Frankfurt é várias vezes superior ao do Brasil (passa dos 2 trilhões de euros). E o presidente do banco central europeu, responsável pelas decisões econômicas e políticas da ue, reside em um enorme prédio no centro - a eurotower. Que logo será substituído por um maior (Frankfurt tem o infeliz apelido de Manhattan alemã; vários dos maiores edifícios europeus ficam lá). É por essas que o centro, que envolve o setor financeiro e comercial, é transitado por mercedes, corvettes, porches e jaguares (carro popular? Sim: Audi e BMW) e é impecavelmente limpo.
Mas, talvez chocantemente, logo no limite deste luxo todo, Frankfurt também é polvilhada de prostitutas, bares de striptease e bordéis. O que não é de se admirar, dada a enorme quantidade de ternos engravatados com pastas a tiracolo que circulam diariamente por lá. E, como já suspeitava, homem de negócios tem um gosto um tanto quanto pervertido sobre o sexo.
Bom, eu e Dani fizemos a besteira de não ter encontrado nenhum lugar antes. Procuramos um lugar quando chegamos mesmo. Descobri, e isso fica aqui como dica, que reserva por internet é muuuito mais barata. O preço que pagamos pelo melhor hotel razoável que nosso parco dinheirinho podia pagar, cobriria nossa estadia em hotéis 4 ou 5 estrelas se tivéssemos feito reserva com antecedência (o mesmo vale para as passagens intra-Europa, caros viajantes). Hotéis que, devido aos milionários negócios fechados diariamente, são muuuito luxuosos. Enfim, lição aprendida.
O hotel em si não era ruim. A localização, achávamos, era boa. Ficava perto da Hauptbahnhof (ou a estação central de trens e ônibus) e perto do centro histórico e comercial. O lance é que a cidade é minúscula (pelo menos espacialmente. Ela vai para cima), então tudo é relativamente perto. E por ficar ao lado da estação central, realmente tínhamos facilidade para voltar para o aeroporto, mas ao mesmo tempo estávamos em um misto de red light district com reduto turco, que dava um medo incompatível com o que esperar da Alemanha.
Era impressionante, de uma esquina para outra, o que era limpo e chique, transformava-se em uma cena de taxi driver. Prostitutas e gigolôs na calçada, na hora do almoço, negociando com senhores de armani. Um cheiro de mijo que me deixava tonto e fazia com que perguntasse a mim mesmo se estava realmente em uma das cidades mais ricas do mundo. Havia mais coisas escritas em turco do que em alemão.
Ávidos por pelo menos uma cervejinha alemã, resolvemos evitar os bares monetariamente inacessíveis do centro e entramos em uma portinha suja perto do hotel. Havia um punk mohawk, sua namorada com o olhar perdido, a dona do bar - uma senhora gorda que ao que parece era tia do punk e que ficava jogando fliperama - e uma velha que nos serviu. A velha, descobrimos, era uma malasiana que havia tentado ganhar a vida no velho continente. Falava um alemão porco e um inglês pior.
A velha pediu um cigarro e começou a contar um pouco de sua vida. Ficamos bebendo, fumando e ela tossindo. O clima todo era de penumbra, doença e insalubridade. Quando soube que éramos brasileiros, perguntou o que fazíamos alí. Passeando? Por 4 dias? Não fazia sentido. Não tínhamos pais alí? Nada? Não. Calculei mais ou menos como ela deve ter vindo, já que para ela, uma viagem para a Alemanha demorava de 2 a 3 dias. Por isso não fazia sentido ficar tão pouco tempo no país, depois te tanto sacrifício para chegar lá.
Queria porque queria nos recomendar um hotel, muito baratinho e que ficava longe de toda aquela imundíce (palavras dela) do bairro em que estávamos. Gentilmente fingimos que procuraríamos o tal lugar. Terminamos as cervejas, apertamos as mãos e fomos embora. Chegamos à conclusão de que era uma prostituta que ficou muito velha para continuar exercendo sua profissão e arrumava bicos em outros lugares (digo bicos porque era óbvio que ela não era uma boa bartender).
Enfim, a cidade, apesar de muito bonita, é nova. Restaram muitas poucas construções antigas. Frankfurt foi totalmente arrasada no final da guerra. Uma das coisas mais emocionantes que encontramos lá, havia sido totalmente reconstruída (ainda que fielmente): a Goethe haus. O bom é que Goethe já era um semi-deus para seus conterrâneos ainda em vida. Então, quando ficou evidente que a Luftwaffe não conseguia impedir os bombardeios americanos e ingleses, o povo resolveu preservar tudo o que podia do herói romântico. Retiraram todos os móveis, desenhos, pinturas e pertences de Goethe e esconderam tudo. Então a casa em si não tem quase nada de original (outrora uma linda mansão do século XVIII), mas quase tudo lá dentro pertenceu ao escritor.
Foi com uma emoção indescritível (e olhando para os lados e sorrateiramente desafiando o cartaz de "não toque") que encostei na escrivaninha que produziu Werther. De leve, só para sentir um pouco a concretude da história da literatura.
É quase uma experiência transcendental. Dá uma sensação de proximidade assustadora. Todos os livros (foi um barato ver o que havia na biblioteca magnífica dos Goethe), talhares, copos, xícaras, quadros, armários, um relógio astronômico magnífico, tinham quase o mesmo efeito de uma sessão espírita. E é assustador o quanto aquele povo preserva história e cultura. Mesmo tendo perdido quase tudo há apenas 60 anos.
Como a nossa volta estava programada via Frankfurt, Dani e eu íamos circular um pouco pela Alemanha. Pensávamos em ir para Berlin, visitar uma amiga minha. E para Köln, visitar minha linda schwester. Bom, alguns imprevistos e muito dinheiro a menos, resolvemos só ficar na capital do euro alguns dias e então voltar de lá.
A cidade em si é meio sem graça. E é conhecida e reconhecida como uma cidade sem graça. Com uma renda média de mais de 70 mil euros por habitante, é basicamente uma cidade bancária. Os maiores bancos têm sede lá. O PIB de Frankfurt é várias vezes superior ao do Brasil (passa dos 2 trilhões de euros). E o presidente do banco central europeu, responsável pelas decisões econômicas e políticas da ue, reside em um enorme prédio no centro - a eurotower. Que logo será substituído por um maior (Frankfurt tem o infeliz apelido de Manhattan alemã; vários dos maiores edifícios europeus ficam lá). É por essas que o centro, que envolve o setor financeiro e comercial, é transitado por mercedes, corvettes, porches e jaguares (carro popular? Sim: Audi e BMW) e é impecavelmente limpo.
Mas, talvez chocantemente, logo no limite deste luxo todo, Frankfurt também é polvilhada de prostitutas, bares de striptease e bordéis. O que não é de se admirar, dada a enorme quantidade de ternos engravatados com pastas a tiracolo que circulam diariamente por lá. E, como já suspeitava, homem de negócios tem um gosto um tanto quanto pervertido sobre o sexo.
Bom, eu e Dani fizemos a besteira de não ter encontrado nenhum lugar antes. Procuramos um lugar quando chegamos mesmo. Descobri, e isso fica aqui como dica, que reserva por internet é muuuito mais barata. O preço que pagamos pelo melhor hotel razoável que nosso parco dinheirinho podia pagar, cobriria nossa estadia em hotéis 4 ou 5 estrelas se tivéssemos feito reserva com antecedência (o mesmo vale para as passagens intra-Europa, caros viajantes). Hotéis que, devido aos milionários negócios fechados diariamente, são muuuito luxuosos. Enfim, lição aprendida.
O hotel em si não era ruim. A localização, achávamos, era boa. Ficava perto da Hauptbahnhof (ou a estação central de trens e ônibus) e perto do centro histórico e comercial. O lance é que a cidade é minúscula (pelo menos espacialmente. Ela vai para cima), então tudo é relativamente perto. E por ficar ao lado da estação central, realmente tínhamos facilidade para voltar para o aeroporto, mas ao mesmo tempo estávamos em um misto de red light district com reduto turco, que dava um medo incompatível com o que esperar da Alemanha.
Era impressionante, de uma esquina para outra, o que era limpo e chique, transformava-se em uma cena de taxi driver. Prostitutas e gigolôs na calçada, na hora do almoço, negociando com senhores de armani. Um cheiro de mijo que me deixava tonto e fazia com que perguntasse a mim mesmo se estava realmente em uma das cidades mais ricas do mundo. Havia mais coisas escritas em turco do que em alemão.
Ávidos por pelo menos uma cervejinha alemã, resolvemos evitar os bares monetariamente inacessíveis do centro e entramos em uma portinha suja perto do hotel. Havia um punk mohawk, sua namorada com o olhar perdido, a dona do bar - uma senhora gorda que ao que parece era tia do punk e que ficava jogando fliperama - e uma velha que nos serviu. A velha, descobrimos, era uma malasiana que havia tentado ganhar a vida no velho continente. Falava um alemão porco e um inglês pior.
A velha pediu um cigarro e começou a contar um pouco de sua vida. Ficamos bebendo, fumando e ela tossindo. O clima todo era de penumbra, doença e insalubridade. Quando soube que éramos brasileiros, perguntou o que fazíamos alí. Passeando? Por 4 dias? Não fazia sentido. Não tínhamos pais alí? Nada? Não. Calculei mais ou menos como ela deve ter vindo, já que para ela, uma viagem para a Alemanha demorava de 2 a 3 dias. Por isso não fazia sentido ficar tão pouco tempo no país, depois te tanto sacrifício para chegar lá.
Queria porque queria nos recomendar um hotel, muito baratinho e que ficava longe de toda aquela imundíce (palavras dela) do bairro em que estávamos. Gentilmente fingimos que procuraríamos o tal lugar. Terminamos as cervejas, apertamos as mãos e fomos embora. Chegamos à conclusão de que era uma prostituta que ficou muito velha para continuar exercendo sua profissão e arrumava bicos em outros lugares (digo bicos porque era óbvio que ela não era uma boa bartender).
Enfim, a cidade, apesar de muito bonita, é nova. Restaram muitas poucas construções antigas. Frankfurt foi totalmente arrasada no final da guerra. Uma das coisas mais emocionantes que encontramos lá, havia sido totalmente reconstruída (ainda que fielmente): a Goethe haus. O bom é que Goethe já era um semi-deus para seus conterrâneos ainda em vida. Então, quando ficou evidente que a Luftwaffe não conseguia impedir os bombardeios americanos e ingleses, o povo resolveu preservar tudo o que podia do herói romântico. Retiraram todos os móveis, desenhos, pinturas e pertences de Goethe e esconderam tudo. Então a casa em si não tem quase nada de original (outrora uma linda mansão do século XVIII), mas quase tudo lá dentro pertenceu ao escritor.
Foi com uma emoção indescritível (e olhando para os lados e sorrateiramente desafiando o cartaz de "não toque") que encostei na escrivaninha que produziu Werther. De leve, só para sentir um pouco a concretude da história da literatura.
É quase uma experiência transcendental. Dá uma sensação de proximidade assustadora. Todos os livros (foi um barato ver o que havia na biblioteca magnífica dos Goethe), talhares, copos, xícaras, quadros, armários, um relógio astronômico magnífico, tinham quase o mesmo efeito de uma sessão espírita. E é assustador o quanto aquele povo preserva história e cultura. Mesmo tendo perdido quase tudo há apenas 60 anos.
sexta-feira, fevereiro 17, 2006
Momento explicação tabajara
Memória é algo que é tremendamente estudado, mas no final das contas ninguém sabe direito como explicar. Em Sociais, memória é encarada de diversas maneiras; mas a que parece mais render frutos e ser mais respeitada é um blend hermenêutico interpretativista - já há algum tempo em moda.
Mas faz algum tempinho que alguns investigadores, inclusive muitos antropólogos, estão investindo em uma abordagem mais "cientificista". Memória pode ser mais precisamente analisada, acessada e, dentro em breve ao que parece, registrada por uma máquina. Dizem que esta área é promissora (quem diz são alguns pesquisadores de ponta).
Ainda que isso pareça ir contra tudo que estudei por 10 anos, acredito. No fundo acho que o ranço preconceituoso contra certos determinismos biológicos vêm de interpretações ingênuas e perigosas, devidamente denunciadas pelos relativistas de plantão. Além, creio eu, de um medo atroz de perder o lugar no panteão dos explicadores da vida humana.
Mas é com cada vez menos desconfiança que estamos comprovando que somos mais ratinhos de laboratório do que gostaríamos de admitir. Por mim tudo bem. Estou cada vez menos entusiasmado com tudo o que essa academia "clássica" propõe...
Além do mais, estou dando mais valor às explicações do tipo "lavagem ou condicionamento cerebral", ainda que por enquanto elas continuem relegadas à mesa do bar e variantes pouco respeitadas pela ortodoxia intelectual.
Entretanto, acho que muita gente já conhece a importância da mensagem subliminar e está ganhando rios de dinheiro vendendo coisas que ninguém em CNTP gostaria de comprar. É daquelas coisas que todo mundo discute teoricamente o que é ou o que não é, enquanto na prática, no mercado, as pessoas sabem muito bem como fazer render.
Por que tudo isso? Para falar da minha memória e o fast food.
Mais de nove anos depois de conhecer Madrid com o meu irmão, fui visitar novamente a capital da Espanha (ou já é apenas de CA Madrid?), agora com a Dani. Reconheci muita pouca coisa, na verdade. Só lembrei de como era o Prado quando fiquei lá na frente dele... e guiado por um mapa! Tomando o Prado como referênia, minha lembrança era de que o La Reina Sofia era do lado e o Thyssen Bornemisza era longe pra dedéu. A estação de trens Atocha (a mesma do atentado), mais longe ainda.
Mas não é que o Thyssen é do outro lado da rua, Atocha fica no final do passeo del Prado e, apesar de não ser exatamente longe, o Reina Sofia é o mais distante destes pontos? Só que não precisamos muito de mapa para encontrar. Sabe por que? Porque eu lembrava que na entrada da praça do museu, havia um McDonald's! E, presto, sabia direitinho como ir naquela joça! Não lembrava de várias obras-primas da arte dos museus, mas sabia direitinho onde eu e o Lelê sentamos para comer um Big Mac. Lembro até que numa mesa do lado, haviam trocentos adolescentes barulhentos com roupas de esqui. Mas aquele quadro magnífico do Hieronymus Bosch já estava lá antes? Outra memória clara de Madrid do século passado era o Hard Rock Café, que eu e o Lelê achamos demais! Mas dessa vez me recusei a procurar isso. Há limites.
E em Barcelona, apesar de ter voltado para lá algumas vezes desde a viagem com meu irmão, nunca mais subi na Sagrada Família depois da primeira vez. Mas claro que tinha que ir com a Dani. Aquilo é imperdível. Lá fomos nós, eu quase borrando as calças e achando toda hora que a Dani tinha caído. Rejeitamos o elevador e subimos, como todo bom desmonetarizado, pelas escadas. Descemos morrendo de fome e fomos direto ao KFC que eu sabia que tinha numa esquina. De novo, sem problema nenhum em localizar. Lá estava a maior perdição do fast food contemporâneo pré-era do frango resfriado, exatamente como me lembrava. Ficou inevitável associar museu com McDonald's e Gaudi com KFC!
Bem, há outra explicação além da lavagem cerebral publicitária que nos bombardeia desde a mais tenra infância (e não é que as pessoas sabem a musiquinha do McDonald's, mas não o hino nacional? As crianças sabem qual o nome do palhaço de cabelo vermelho e não do presidente?). A memória gastronômica é muuuito mais eficiente. E, desculpem os relativistas, muuuito mais exata.
Quer um exemplo de comida e mensagem subliminar? Nigela Lawson. Por que a câmera teima em filmar a preparação culinária dos peitos para baixo?
Mas faz algum tempinho que alguns investigadores, inclusive muitos antropólogos, estão investindo em uma abordagem mais "cientificista". Memória pode ser mais precisamente analisada, acessada e, dentro em breve ao que parece, registrada por uma máquina. Dizem que esta área é promissora (quem diz são alguns pesquisadores de ponta).
Ainda que isso pareça ir contra tudo que estudei por 10 anos, acredito. No fundo acho que o ranço preconceituoso contra certos determinismos biológicos vêm de interpretações ingênuas e perigosas, devidamente denunciadas pelos relativistas de plantão. Além, creio eu, de um medo atroz de perder o lugar no panteão dos explicadores da vida humana.
Mas é com cada vez menos desconfiança que estamos comprovando que somos mais ratinhos de laboratório do que gostaríamos de admitir. Por mim tudo bem. Estou cada vez menos entusiasmado com tudo o que essa academia "clássica" propõe...
Além do mais, estou dando mais valor às explicações do tipo "lavagem ou condicionamento cerebral", ainda que por enquanto elas continuem relegadas à mesa do bar e variantes pouco respeitadas pela ortodoxia intelectual.
Entretanto, acho que muita gente já conhece a importância da mensagem subliminar e está ganhando rios de dinheiro vendendo coisas que ninguém em CNTP gostaria de comprar. É daquelas coisas que todo mundo discute teoricamente o que é ou o que não é, enquanto na prática, no mercado, as pessoas sabem muito bem como fazer render.
Por que tudo isso? Para falar da minha memória e o fast food.
Mais de nove anos depois de conhecer Madrid com o meu irmão, fui visitar novamente a capital da Espanha (ou já é apenas de CA Madrid?), agora com a Dani. Reconheci muita pouca coisa, na verdade. Só lembrei de como era o Prado quando fiquei lá na frente dele... e guiado por um mapa! Tomando o Prado como referênia, minha lembrança era de que o La Reina Sofia era do lado e o Thyssen Bornemisza era longe pra dedéu. A estação de trens Atocha (a mesma do atentado), mais longe ainda.
Mas não é que o Thyssen é do outro lado da rua, Atocha fica no final do passeo del Prado e, apesar de não ser exatamente longe, o Reina Sofia é o mais distante destes pontos? Só que não precisamos muito de mapa para encontrar. Sabe por que? Porque eu lembrava que na entrada da praça do museu, havia um McDonald's! E, presto, sabia direitinho como ir naquela joça! Não lembrava de várias obras-primas da arte dos museus, mas sabia direitinho onde eu e o Lelê sentamos para comer um Big Mac. Lembro até que numa mesa do lado, haviam trocentos adolescentes barulhentos com roupas de esqui. Mas aquele quadro magnífico do Hieronymus Bosch já estava lá antes? Outra memória clara de Madrid do século passado era o Hard Rock Café, que eu e o Lelê achamos demais! Mas dessa vez me recusei a procurar isso. Há limites.
E em Barcelona, apesar de ter voltado para lá algumas vezes desde a viagem com meu irmão, nunca mais subi na Sagrada Família depois da primeira vez. Mas claro que tinha que ir com a Dani. Aquilo é imperdível. Lá fomos nós, eu quase borrando as calças e achando toda hora que a Dani tinha caído. Rejeitamos o elevador e subimos, como todo bom desmonetarizado, pelas escadas. Descemos morrendo de fome e fomos direto ao KFC que eu sabia que tinha numa esquina. De novo, sem problema nenhum em localizar. Lá estava a maior perdição do fast food contemporâneo pré-era do frango resfriado, exatamente como me lembrava. Ficou inevitável associar museu com McDonald's e Gaudi com KFC!
Bem, há outra explicação além da lavagem cerebral publicitária que nos bombardeia desde a mais tenra infância (e não é que as pessoas sabem a musiquinha do McDonald's, mas não o hino nacional? As crianças sabem qual o nome do palhaço de cabelo vermelho e não do presidente?). A memória gastronômica é muuuito mais eficiente. E, desculpem os relativistas, muuuito mais exata.
Quer um exemplo de comida e mensagem subliminar? Nigela Lawson. Por que a câmera teima em filmar a preparação culinária dos peitos para baixo?
terça-feira, fevereiro 14, 2006
Too old to Rock and Roll
Uns amigos vão para Copacabana, ver os Stones. Muita coragem. Eu não tenho mais saúde para isso. 2 milhões de pessoas juntas em um show, no Rio, não pode sair coisa boa. Mas enfim, realmente é algo histórico.
Quando eles vieram em 98, eu fui no show deles no Pacaembú, com a Marina. Ninguém mais quis ir. Era a turnê do Bridges to Babylon. Fomos meio na loucura, voltando de manhã pra Campinas, completamente acabados. Mas o show dos caras é realmente espetacular! A noite toda foi espetacular, na verdade. Quem abriu primeiro foi a Cássia Eller, na época, de cabelo moicano verde. E depois, Bob Dylan! É, não foi fraco não. Acho que só pra banda como os Stones para o Dylan abrir um show. Obviamente ele voltou pra dar uma canja com os Stones em "Like a Rolling Stone". Como estava meio doidão naquela noite, tenho umas lembranças meio embaçadas da maioria das coisas. Mas dessa parte eu lembro. Foi uma daquelas coisas especiais, sabe?
Mas não sei mais se tenho pique para fazer maluquices como ir num show de graça, com 2 milhões de pessoas, no Rio. A última grande aventura acho que foi o Rock in Rio 3. Aquilo sim foi uma epopéia! Um dia eu conto como fui para a cidade maravilhosa, sem nem ter ingresso, para ver o Iron, com o Bruce de volta!
Quando eles vieram em 98, eu fui no show deles no Pacaembú, com a Marina. Ninguém mais quis ir. Era a turnê do Bridges to Babylon. Fomos meio na loucura, voltando de manhã pra Campinas, completamente acabados. Mas o show dos caras é realmente espetacular! A noite toda foi espetacular, na verdade. Quem abriu primeiro foi a Cássia Eller, na época, de cabelo moicano verde. E depois, Bob Dylan! É, não foi fraco não. Acho que só pra banda como os Stones para o Dylan abrir um show. Obviamente ele voltou pra dar uma canja com os Stones em "Like a Rolling Stone". Como estava meio doidão naquela noite, tenho umas lembranças meio embaçadas da maioria das coisas. Mas dessa parte eu lembro. Foi uma daquelas coisas especiais, sabe?
Mas não sei mais se tenho pique para fazer maluquices como ir num show de graça, com 2 milhões de pessoas, no Rio. A última grande aventura acho que foi o Rock in Rio 3. Aquilo sim foi uma epopéia! Um dia eu conto como fui para a cidade maravilhosa, sem nem ter ingresso, para ver o Iron, com o Bruce de volta!
segunda-feira, fevereiro 13, 2006
O décimo terceiro trabalho de Hércules
Vou falar agora sobre as peripécias exclusivas do mundo moderno, que afligem 11 em cada 10 pessoas: o sistema eletrônico e informatizado de serviços.
*******
Como todo começo de ano, liguei hoje para a central do cartão de crédito. Já virou um costume eu passar pelos obstáculos eletrônicos e pelas opções de participar das promoções enganosas até conseguir falar com um atendente e reclamar do preço abusivo da anuidade do cartão. Virou costume ameaçar cancelar o cartão e receber uma enumeração das qualidades e vantagens do dito cujo. Depois de um tempinho, quando me mostro irredutível, vem o discursinho "devido à excelente relação que temos com o senhor, vamos estar verificando (note o gerúndio) o que podemos fazer para reduzir o valor".
E vai assim até a anuidade ficar por volta de 5 vezes menos do cobrado inicialmente. São essas coisas que me fazem perceber que as instituições financeiras devem ser as construções predominantes no nono círculo do inferno. Porque, afinal, o valor que eu vou pagar já deve dar lucro para eles. O valor original consiste essencialmente de uma sem-vergonhice escandalosa.
*******
Fiquei o final de semana inteiro tentando mandar um e-mail para a secretária da Unicamp, para entregar meu curriculum Lattes (que não era atualizado, descobri, desde meados de 2004) sobre as atividades e a produção do ano passado.
Considerando o fato que meu curriculum consiste basicamente dos meus dados pessoais e o curso que estou fazendo, o arquivo ficou pequinininho. Mas toda hora que enviava o e-mail voltavam mensagens dizendo que não era possível mandar o mail com o anexo.
Uma hora consegui mandar um. Infelizmente, havia esquecido de anexar o arquivo. Veio uma mensagem da secretária dizendo que recebera o mail, mas não o anexo. Claro. Novas tentativas - em vão. Decidi ir até o CPD imprimir eu mesmo o negócio e entregar pessoalmente. Mesmo com a data limite expirada. No CPD, a senha não funcionava. Claro. Fui atendido por um funcionário da informática, que ficou 10 minutos tentando resolver o problema.
Tudo muito bom, tudo muito bem, consegui imprimir as duas folhas do meu invejável curriculum e entregar. Isso porque ontem fiz a besteira de misturar cerveja com conhaque e fumar como uma chaminé. Como não estou mais acostumado com isso, hoje acordei com aquela ressaca monstro. Foi com muita relutância, enjôo, tontura e mau-humor que saí rumo a Unicamp.
*******
Resolvi então passar na casa da minha mãe, já que estava por Barão. Tinha chegado à conclusão que a tontura era fruto de fome. Almocei pela segunda vez. Terminada a refeição, minha mãe, que está sem carro, pediu uma carona ao banco. Banco. Essa palavra começou a evocar emoções nada benévolas.
Lá fui eu, morrendo de calor, no lugar mais próximo ao lar de Malebolgia na Terra. Esperando na nem um pouco eficiente fila, sento num banquinho e começo a ler o Correio Popular que alguém deixou por ali. Li a coluna do Luiz Fernando Veríssimo, escritor que não gosto muito, mas enfim... Advinhem sobre o que era coluna? De suas aventuras em desbloquear um cartão na central de atendimento ao cliente. Relatava sua alegria inicial em conseguir falar com um humano, mas depois a comprovação de que isso não significa que você consiga o que quer.
*******
Isso me fez lembrar de um episódio passado em Barcelona. O que comprova que a eficiência bancária não é exclusividade nossa.
Para a nossa viagem, eu e Dani fomos trocar nosso suado e minguado dinheiro (mais contribuições paternas) por euros. No Banespa pegamos o que podíamos em dinheiro e o resto (que é a maior parte) em traveler cheques. Nos foi dito que em qualquer Santander espanhol poderíamos trocar sem taxas. Ok. Lá pelo segundo ou terceiro dia em Barcelona, fomos procurar um Santander.
Não é difícil encontrar. Tem um em cada esquina. O problema é que essas agências, pequenas, não trocam dinheiro. O viajante tem que ir até o Santander central. Tudo bem, lá vamos nós, munidos de passaportes, traveler cheques, n camadas de roupa e muita boa vontade.
A primeira vez deu tudo certo. Trocamos um pouco de euro para sobreviver mais uns dias. Na segunda vez, porém, depois de assinados (ou seja, se não conseguisse trocar, teria problemas), fui avisado que o sistema de comprovação e aprovação dos cheques da American Express não funcionava. O cara ficou muito tempo tentando se conectar no computador e nada. Detalhe: eu estava com dor de barriga, devido à dieta nada saudável de fast food que fizemos ao longo da viagem, morrendo de vontade de ir ao banheiro. Notificado que não havia um banheiro aos clientes (como assim?!), respirei fundo, tentei não pensar muito na situação e rezei ao arquiteto da matrix que consertasse o problema logo. Não ia sair dali sem os euros, ou com os cheques já assinados.
Depois de muito tentar, o funcionário disse que não funcionava mesmo. "Cocô", pensei eu. Literalmente, neste caso. O cara resolveu ligar então para a central da AmEx. Só que fica nas Filipinas, ele me disse. Estranho. Isso me cheirou a maracutaia fiscal, a sede da American Express ser nas Filipinas. Bom, tudo bem. Desde que eu tenha meu dinheiro...
Ninguém atendia o telefone. O cara, todo solícito: "que não funcione o sistema, eu até entendo. Mas que ninguém atenda o telefone? O que será que aconteceu?" Não pude deixar de pensar, morbidamente: "Tsunami?"
Bom, muito tempo depois, conseguiu discar em outro número, que pedia o número de autenticação do traveler. Que é gigantesco. Ele me disse então: "o problema de ligar nesse número, é que essa autenticação nunca dá certo. Vou digitar todos esses números e o sistema vai dizer que estão incorretos. Vou ter que repetir a operação mais duas vezes até ser transferido para um ser humano". Que, como li hoje na coluna do Veríssimo, já virou primo da máquina que o precede.
*******
Como todo começo de ano, liguei hoje para a central do cartão de crédito. Já virou um costume eu passar pelos obstáculos eletrônicos e pelas opções de participar das promoções enganosas até conseguir falar com um atendente e reclamar do preço abusivo da anuidade do cartão. Virou costume ameaçar cancelar o cartão e receber uma enumeração das qualidades e vantagens do dito cujo. Depois de um tempinho, quando me mostro irredutível, vem o discursinho "devido à excelente relação que temos com o senhor, vamos estar verificando (note o gerúndio) o que podemos fazer para reduzir o valor".
E vai assim até a anuidade ficar por volta de 5 vezes menos do cobrado inicialmente. São essas coisas que me fazem perceber que as instituições financeiras devem ser as construções predominantes no nono círculo do inferno. Porque, afinal, o valor que eu vou pagar já deve dar lucro para eles. O valor original consiste essencialmente de uma sem-vergonhice escandalosa.
*******
Fiquei o final de semana inteiro tentando mandar um e-mail para a secretária da Unicamp, para entregar meu curriculum Lattes (que não era atualizado, descobri, desde meados de 2004) sobre as atividades e a produção do ano passado.
Considerando o fato que meu curriculum consiste basicamente dos meus dados pessoais e o curso que estou fazendo, o arquivo ficou pequinininho. Mas toda hora que enviava o e-mail voltavam mensagens dizendo que não era possível mandar o mail com o anexo.
Uma hora consegui mandar um. Infelizmente, havia esquecido de anexar o arquivo. Veio uma mensagem da secretária dizendo que recebera o mail, mas não o anexo. Claro. Novas tentativas - em vão. Decidi ir até o CPD imprimir eu mesmo o negócio e entregar pessoalmente. Mesmo com a data limite expirada. No CPD, a senha não funcionava. Claro. Fui atendido por um funcionário da informática, que ficou 10 minutos tentando resolver o problema.
Tudo muito bom, tudo muito bem, consegui imprimir as duas folhas do meu invejável curriculum e entregar. Isso porque ontem fiz a besteira de misturar cerveja com conhaque e fumar como uma chaminé. Como não estou mais acostumado com isso, hoje acordei com aquela ressaca monstro. Foi com muita relutância, enjôo, tontura e mau-humor que saí rumo a Unicamp.
*******
Resolvi então passar na casa da minha mãe, já que estava por Barão. Tinha chegado à conclusão que a tontura era fruto de fome. Almocei pela segunda vez. Terminada a refeição, minha mãe, que está sem carro, pediu uma carona ao banco. Banco. Essa palavra começou a evocar emoções nada benévolas.
Lá fui eu, morrendo de calor, no lugar mais próximo ao lar de Malebolgia na Terra. Esperando na nem um pouco eficiente fila, sento num banquinho e começo a ler o Correio Popular que alguém deixou por ali. Li a coluna do Luiz Fernando Veríssimo, escritor que não gosto muito, mas enfim... Advinhem sobre o que era coluna? De suas aventuras em desbloquear um cartão na central de atendimento ao cliente. Relatava sua alegria inicial em conseguir falar com um humano, mas depois a comprovação de que isso não significa que você consiga o que quer.
*******
Isso me fez lembrar de um episódio passado em Barcelona. O que comprova que a eficiência bancária não é exclusividade nossa.
Para a nossa viagem, eu e Dani fomos trocar nosso suado e minguado dinheiro (mais contribuições paternas) por euros. No Banespa pegamos o que podíamos em dinheiro e o resto (que é a maior parte) em traveler cheques. Nos foi dito que em qualquer Santander espanhol poderíamos trocar sem taxas. Ok. Lá pelo segundo ou terceiro dia em Barcelona, fomos procurar um Santander.
Não é difícil encontrar. Tem um em cada esquina. O problema é que essas agências, pequenas, não trocam dinheiro. O viajante tem que ir até o Santander central. Tudo bem, lá vamos nós, munidos de passaportes, traveler cheques, n camadas de roupa e muita boa vontade.
A primeira vez deu tudo certo. Trocamos um pouco de euro para sobreviver mais uns dias. Na segunda vez, porém, depois de assinados (ou seja, se não conseguisse trocar, teria problemas), fui avisado que o sistema de comprovação e aprovação dos cheques da American Express não funcionava. O cara ficou muito tempo tentando se conectar no computador e nada. Detalhe: eu estava com dor de barriga, devido à dieta nada saudável de fast food que fizemos ao longo da viagem, morrendo de vontade de ir ao banheiro. Notificado que não havia um banheiro aos clientes (como assim?!), respirei fundo, tentei não pensar muito na situação e rezei ao arquiteto da matrix que consertasse o problema logo. Não ia sair dali sem os euros, ou com os cheques já assinados.
Depois de muito tentar, o funcionário disse que não funcionava mesmo. "Cocô", pensei eu. Literalmente, neste caso. O cara resolveu ligar então para a central da AmEx. Só que fica nas Filipinas, ele me disse. Estranho. Isso me cheirou a maracutaia fiscal, a sede da American Express ser nas Filipinas. Bom, tudo bem. Desde que eu tenha meu dinheiro...
Ninguém atendia o telefone. O cara, todo solícito: "que não funcione o sistema, eu até entendo. Mas que ninguém atenda o telefone? O que será que aconteceu?" Não pude deixar de pensar, morbidamente: "Tsunami?"
Bom, muito tempo depois, conseguiu discar em outro número, que pedia o número de autenticação do traveler. Que é gigantesco. Ele me disse então: "o problema de ligar nesse número, é que essa autenticação nunca dá certo. Vou digitar todos esses números e o sistema vai dizer que estão incorretos. Vou ter que repetir a operação mais duas vezes até ser transferido para um ser humano". Que, como li hoje na coluna do Veríssimo, já virou primo da máquina que o precede.
sexta-feira, fevereiro 10, 2006
Visca el Barça!

De volta.
Depois de uma jornada de mais de 24 horas de andanças e esperas nos não-lugares do Augé, finalmente retornei ao calor - que, devo dizer, já fazia falta, nos últimos dias em terras germânicas.
Aconteceram tantas coisas que nem sei o que começar a escrever aqui...
Eu e Dani fizemos um circuito museologístico bem punk! Vimos coisas incríveis e deu nervoso não poder ficar um dia vendo cada uma das maravilhas.
Andamos muito, quase todos os dias. Comemos muita porcaria, todos os dias. E apareci pela quinta vez na tv!! Olha o enviado especial do Canal Plus Brasil aí, com o Ronaldinho ao fundo! Pois é, fui ver o jogo do Barça pela Copa do Rei. O Jordi me disse que poderia com certeza pegar autógrafos e fotos no final da partida! Levei uma camiseta do Brasil, uma canetinha e a máquina! Bom, o jogo foi muito legal, a experiência indescritível, mas, resumindo um pouco, tive uma lição de nacionalismo em sua forma mais pungente: no jogo de futebol.
Pois não é que o juiz (diga-se de passagem, não-catalão e, ao que parece, comprado) expulsou o Ronaldinho em um lance que foi muito menos faltoso que vários outros? Em pleno Camp Nou, com o Pelé, que estava lá, assistindo!
Ter umas 80 mil pessoas gritando em coro "espanyol hijo de puta" e variações, a ponto de não conseguir ouvir o que a pessoa do lado me falava, me convenceu que o problema do nacionalismo não morreu. Essa rixa contra os espanhóis estava em todo lugar, aliás. Dica: nunca diga a um catalão que ele é espanhol. Pelo menos não na Espanha. Talvez o sistema funcione como com os Nuer e, sei lá, talvez os árabes sejam os Dinka deles. O mesmo deve ocorrer com Euskadi, Galícia...
Resumo da ópera. No final da partida, estavam todos os jogadores lá dando entrevista no backstage deles. Podia chegar em qualquer um (inclusive a nova sensação da Europa, um garoto de 18 anos, Messi, que joga demais! A bola não sai do pé dele, é impressionante! E o pior, na copa, vai jogar pela argentina). Menos no Ronaldinho, que já devia ter ido embora pra casa depois que o espanyol hijo de puta fez... o que comprova que Murphy não tem horário de folga e nem escolhe país. Que raiva...
Bom, o Jordi havia me dito que não poderia torcer, já que estávamos com a imprensa neutro e imparcial (sei) no campo. Mas o negócio é tão empolgante... dá pra ouvir tudo do campo: torcida e jogadores. E tudo adquiriu um tom meio épico, já o Barça tinha sido injustiçado e mesmo com 10 jogadores era melhor. Não conseguia não vibrar com cada lance de gol. E lá estou eu, laranjinha, atrás do gol do Zaragoza (no segundo tempo. No primeiro assisti da lateral), naquelas propagandas que jogador pula quando faz gol, com os braços levantados quando o Larson fez o gol da vitória ao 47 minutos! Infelizmente tinha que marcar mais um...
Acho que depois vou contando mais coisas. Os museus, os passeios, a puta velha tailandesa que encontramos em um bar na Alemanha, a escrivaninha do Goethe...
Termino com um diálogo travado em Guarulhos, entre mim, Dani, uma brasileira e um senhor italiano que mora em Campinas. Esperando o ônibus da Caprioli chegar, completamente exaustos e morrendo de calor por causa das inúmeras camadas de roupas que vestíamos.
A mulher voltava de Paris e o senhor italiano, muito simpático por sinal, de Roma. Falamos do frio em nossas respectivas cidades de origem e do calor que encontramos em terras brazucas. Lá pelas tantas, o senhor estava comentando sobre Roma, onde tinha ido passear e rever pessoas. Seus amigos achavam que ele deveria passear pela cidade. Mas ele: "eu sou romano. Nasci e cresci lá. Tudo o que tinha para ver, já vi. Não fui passear, não. Muito frio". Ao que a mulher retrucou: "o papa é novo". O senhor olhou, parou um instante para avaliar o quão sincero ser e o quanto poderia dizer para a mulher, e completou naquele sotaque maravilhoso que têm os italianos quando falam em português: "se tem um povo que não gosta muito do Vaticano, é o romano. Aquilo é tudo uma máfia. Desde a idade média. Só se aliam aos poderosos e roubaram todas as coisas dos museus romanos. Em todo lugar, como no Brasil, pessoas com mais de 60 não pagam ônibus, entram nos museus de graça... no Vaticano não. Você pode ter mais de 80 anos e vai pagar entrada naquele lugar"! E depois se pôs a enumerar: a questão do aborto, pesquisa com células-tronco, camisinha...
Eu já tinha comprovado na Espanha que o catolicismo, tal como o nacionalismo, são muito mais complexos do que o esperado em países que teoricamente são católicos e compostos por uma só nação.
domingo, fevereiro 05, 2006
Aus Deutschland
Zu viel zum zu sagen. Fuenfte mal an tv (Aus eine fußball spiel: aus Barcelona Camp Nou - wie ein brasilianisch reporter von canal plus!!!)... Alles Gut! Aber jetzt, ich bin müde und kalt, mit viel zum zu schlafen.
Sonntag... alles geschlössen... so... tschueß!
Auf Wiedersehen!
Sonntag... alles geschlössen... so... tschueß!
Auf Wiedersehen!
domingo, janeiro 22, 2006
Directo de España... o no
Estamos agora em Barcelona, depois de passar uns dias em Madrid! O engraçado, depois de fazer um trabalho sobre o transnacionalismo e o hibridismo cultural, foi chegar aqui e ver que a questao da imigraçao está seríssima, os madrileños estao preocupadíssimos com o estatut català e a defesa do batasuna basco. Barcelona pede uns papéis roubados por Franco, o alcade local se recusa e fala pra polícia local enfrentar a polícia do estado. Daí o alcade de outra cidade resolve que umas obras de arte que estao na Catalunha sao deles, e exige sua devoluçao. E a questao da língua também está em todas as discussoes...
*******
Meu celular nao funciona em Barao, na Unicamp serve como relógio e olhe lá! Mas na Espanha... funciona que é uma beleza!
*******
Meu celular nao funciona em Barao, na Unicamp serve como relógio e olhe lá! Mas na Espanha... funciona que é uma beleza!
domingo, janeiro 15, 2006
Balonismo

Ontem fomos andar de balão em Piracicaba! Muito legal, bonito e nada assustador. Quer dizer, me espantei com a velocidade que o negócio sobe! E ficava com medo do meu boné e dos meus óculos caírem, mas fora isso...
Tivemos que ir ante-ontem à noite dormir em Piracicaba, já que o passeio começava às 7. Saímos do gramado da lindíssima ESALQ, bem cedinho, com aquela luz mortiça que há muito tempo não via (acordar cedo não é comigo). Aliás, a cidade toda é muito bonita, arborizada e tranquila.
O cara, de nome eslavo, filho de ucranianos, Feodor, era muito ninja. Eu achava que era tudo muito pouco navegável. Mas que nada, ele sabia direitinho o quanto subir e o quanto descer pra pegar as correntes de ar. Muito estranho, aliás, o fato de não sentirmos vento. O que no fundo é óbvio, já que viajamos nele. E ouvir os cachorros da cidade inteira latindo é divertido também!
Mas o piloto era muito bom mesmo. Ele baixou o balão até encostar nas águas do rio Piracicaba e então voltou a subir, tirava finas de árvores... pousou exatamente onde disse que iria. Isso só com 1 gps e o abrir e fechar de uma labareda quentíssima em cima de nossas cabeças! Quer dizer, há algo de improviso, ele disse. O que dá um toque especial para tudo, acho eu. Longe de ser algo exato, é meio um toma lá da cá entre as variações climáticas e a perícia do balonista.
Chegamos a 600 metros de altura, o que me parecia altíssimo já. E ele disse que já foi até 9000 metros!
Na aterrissagem ganhamos um lanche, frutas, café, bolo e champanhe - que, segundo Feodor, é tradicional entre os balonistas. Tradição que remonta aos primórdios do esporte, na França do século XVIII. Os primeiros balonistas desciam, invariavelmente, em alguma fazenda ou propriedade privada. Traziam a tira-colo, junto com os sacos de areia e a estranheza toda do negócio, uma garrafa de champanhe, a fim de confraternizar com o proprietário do lugar. Demonstravam assim que eram humanos e, mais importante, creio eu, que eram franceses.
Enfim, valeu a pena.
Aí de noite fomos na nachada sazonal do Chaplin. Acho que estava tudo mundo com muito sono e calor (que calor foi aquele?!) e muita gente não veio. Mas foi divertido mesmo assim. Ficamos conversando e suando, comendo nachos e burritos, passando mal com cerveja quente. Valeu por ter encontrado a Cris, que foi lá também! Cris, as nachadas não costumam ser tão estranhas como foi ontem! Mas deu pra dar uma descansada, não?
quinta-feira, janeiro 12, 2006
Rápidas
Pois é, estou quase de férias. Ainda digladiando com o texto do Bhabha, mas a batalha está quase finda. E, como diz a Dani, babando por vezes. Quando entendo o que ele quer dizer eu acho muito bom! Na verdade acho que é o melhor que li em muito tempo em ciências sociais (se é que ele pode ser definido como das cs). Mas amanhã já termino e posso curtir um pouco o verão, antes de bater dentes semana que vem. Sábado, se eu não pagar pau (conto depois o que é, se eu de fato fizer), risco um ítem da famosa lista das coisas a se fazer antes de morrer! A árvore eu já plantei...
*******
É difícil ser tão íntimo de Murphy. Justo quando tem Misfits, And 1 e bbb, não estarei por aqui!
*******
E não é que o Hoffmann, o pai da dietilamina, viu nosso planeta cirandar uma centena de vezes em volta da mais próxima estrelinha?
*******
É difícil ser tão íntimo de Murphy. Justo quando tem Misfits, And 1 e bbb, não estarei por aqui!
*******
E não é que o Hoffmann, o pai da dietilamina, viu nosso planeta cirandar uma centena de vezes em volta da mais próxima estrelinha?
domingo, janeiro 08, 2006
Histórias de outrora
Hoje fui almoçar na casa dos meus avós com a Dani e meu pai. Fazia tempo que não ia passar um tempinho com eles, o que me deixa um pouco triste, já que eu adoro conversar com os dois e ouvir suas histórias, e eles já estão ficando muito velhinhos .
Depois de uma deliciosa moranga com carne seca e catupiry (ou jabá com jerimum), um vinho tinto seco do Sul e o delicioso manjar branco da minha vó (que desde que me conheço por gente é servido nas ocasiões festivas, geralmente na forma de porquinho, mas hoje na forma de peixe), ficamos à mesa tomando café e falando bobagem. Vira e mexe eles começam a contar coisas que aconteceram há 50, 60 anos atrás. Eu adoro ouvir e imaginar como eram as coisas naquele tempo. Campinas com bonde e poucos carros, ainda com charretes, as pessoas de chapéu...
Agora com essa série JK, eles, que adoram novela e mini-série da globo, ficaram me contando do programa, alternando com suas próprias recordações do tempo. E falaram do JK, do Jango, do Lacerda... como no ano novo, quando fiquei horas ouvindo histórias do avô da Dani, inclusive um pouco mais velho que meus avós.
Meu avô me contou como seu pai dizia que a minha avó devia ser doente, porque comia pouco e falava baixinho. Você será viúvo cedo meu filho, dizia preocupado e pesaroso. E essa maledeta ainda está viva, exclamava meu avô! Minha avó então dava risada, lembrando do choque que foi sair de uma austera família germânica e de um colégio de freiras e entrar na algazarra que é a família Tambascia.
Minha avó, aliás, era lindíssima. Até o retrato estragar com algum tipo de fungo, lembro que fitava impressionado uma foto que ficava na sala, em que ela, mocinha, olhava o horizonte na melhor pose Marlene Dietrich. As histórias do começo do namoro dos dois são muito bonitas. O cortejo, as tentativas de meu vô em driblar a seriedade do velho Ferdinand Hass, os primeiros passeios de mãos dadas... há seis décadas!
Bom, lá pelas tantas perguntei pro meu avô sobre a guerra. Me lembrava de uma história de que ele tinha sido convocado, mas não embarcou porque a guerra havia acabado. Não, disse ele, foi meu irmão Donato. Ele já havia inclusive ido para Santos para embarcar para a Itália quando a guerra acabou. Meu vô seria convocado dentro em breve.
Aí ele me contou a história de como meu tio-avô fora convocado em São José do Rio Pardo, onde havia nascido, e ido treinar no Mato Grosso antes do embarque. Um sargento do tiro de guerra campineiro, que conhecia meu bisavô Nicolino, soube que o regimento da FEB em que meu tio-avô Donato estava iria para Santos, mas antes passaria por Campinas, em um trem da Sorocabana (que aliás foi criada pelos maçons perseverantes que tanto conheci fazendo o trabalho para a Suely. Um húngaro, de sobrenome Maylasky, figura interessantíssima que aportou em terras paulistas nas últimas décadas do século XIX, foi o grande mentor do empreendimento). Meu bisavô Nicolino, que estava contrariadíssimo por ter um filho que iria lutar na guerra, ainda por cima contra seus antepassados italianos, foi com meu vô para a estação da Cia Paulista de Estradas de Ferro - hoje FEPASA - se despedir de Donato. Estava desesperado e chorava copiosamente, segundo meu avô. E mais ainda quando descobriu que chegaram atrasados e o trem já havia passado. Eles haviam se visto uma única vez desde a convocação tempos antes, ocasião em que meu vô tirou uma foto de seu irmão todo fardado.
Chegado em Santos e esperando o "vapor" que o levaria à terra ancestral, meu tio-avô ficou algumas semanas montando guarda como sentinela no forte de Bertioga. Um dia, segundo meu avô, ele ouviu barulhos na escuridão e viu uma figura sorrateira se aproximando.
Alto, quem vem lá? Identifique-se ou passo fogo! Uma voz feminina exclamou baixinho pedindo calma. Era uma moça da região, que havia preparado um bolo para dar ao meu tio-avô, por dó e caridade. Não sei como se conheceram. Meu vô também não sabia. Me parecia história de romance. Mas nessa hora ele ficou muito emocionado, colocou a mão no rosto e começou a chorar.
Fiquei constragido e quis mudar de assunto, mas meu avô se pôs a concluir a história, falando pausadamente quando as lágrimas vinham mais fortes. Em algumas partes nem cheguei a entender o que dizia, mas fiquei sem jeito de interromper.
No final das contas ele contou que pouco antes de navegar para a Itália, haviam dado a notícia de que a guerra terminava. Seu irmão voltou para casa, mas por um triz não embarcara. Ao que parece, se a guerra durasse mais pouco, ele teria ido para a guerra, e tanto meu avô como seu irmão menor teriam sido convocados também.
Mas meu vô me contou que tinha um amigo mais velho, com quem trabalhara em uma loja, como garoto de recados, em 1936 (número 1600 e pouco da Francisco Glicério, onde hoje funciona uma farmácia), foi mandado para a Itália, e de lá não voltou, morto em alguma batalha contra os alemães. Este amigo virou nome de rua em Campinas.
Ao irmos embora meu pai me disse que sempre que meu avô fala deste irmão se emociona muito. Coisa que entre os Tambascia não é muito difícil, convenhamos. Não tenho memórias muito claras dele. Morreu há alguns anos atrás, mas quase não o víamos. Segundo meu pai, seu tio Donato comia um ovo por dia toda manhã, durante toda a vida. Parou pouco antes de morrer, quando alguém o aterrorizou com histórias de colesterol. Morreu com quase noventa anos, com o colesterol normal, normal.
Depois de uma deliciosa moranga com carne seca e catupiry (ou jabá com jerimum), um vinho tinto seco do Sul e o delicioso manjar branco da minha vó (que desde que me conheço por gente é servido nas ocasiões festivas, geralmente na forma de porquinho, mas hoje na forma de peixe), ficamos à mesa tomando café e falando bobagem. Vira e mexe eles começam a contar coisas que aconteceram há 50, 60 anos atrás. Eu adoro ouvir e imaginar como eram as coisas naquele tempo. Campinas com bonde e poucos carros, ainda com charretes, as pessoas de chapéu...
Agora com essa série JK, eles, que adoram novela e mini-série da globo, ficaram me contando do programa, alternando com suas próprias recordações do tempo. E falaram do JK, do Jango, do Lacerda... como no ano novo, quando fiquei horas ouvindo histórias do avô da Dani, inclusive um pouco mais velho que meus avós.
Meu avô me contou como seu pai dizia que a minha avó devia ser doente, porque comia pouco e falava baixinho. Você será viúvo cedo meu filho, dizia preocupado e pesaroso. E essa maledeta ainda está viva, exclamava meu avô! Minha avó então dava risada, lembrando do choque que foi sair de uma austera família germânica e de um colégio de freiras e entrar na algazarra que é a família Tambascia.
Minha avó, aliás, era lindíssima. Até o retrato estragar com algum tipo de fungo, lembro que fitava impressionado uma foto que ficava na sala, em que ela, mocinha, olhava o horizonte na melhor pose Marlene Dietrich. As histórias do começo do namoro dos dois são muito bonitas. O cortejo, as tentativas de meu vô em driblar a seriedade do velho Ferdinand Hass, os primeiros passeios de mãos dadas... há seis décadas!
Bom, lá pelas tantas perguntei pro meu avô sobre a guerra. Me lembrava de uma história de que ele tinha sido convocado, mas não embarcou porque a guerra havia acabado. Não, disse ele, foi meu irmão Donato. Ele já havia inclusive ido para Santos para embarcar para a Itália quando a guerra acabou. Meu vô seria convocado dentro em breve.
Aí ele me contou a história de como meu tio-avô fora convocado em São José do Rio Pardo, onde havia nascido, e ido treinar no Mato Grosso antes do embarque. Um sargento do tiro de guerra campineiro, que conhecia meu bisavô Nicolino, soube que o regimento da FEB em que meu tio-avô Donato estava iria para Santos, mas antes passaria por Campinas, em um trem da Sorocabana (que aliás foi criada pelos maçons perseverantes que tanto conheci fazendo o trabalho para a Suely. Um húngaro, de sobrenome Maylasky, figura interessantíssima que aportou em terras paulistas nas últimas décadas do século XIX, foi o grande mentor do empreendimento). Meu bisavô Nicolino, que estava contrariadíssimo por ter um filho que iria lutar na guerra, ainda por cima contra seus antepassados italianos, foi com meu vô para a estação da Cia Paulista de Estradas de Ferro - hoje FEPASA - se despedir de Donato. Estava desesperado e chorava copiosamente, segundo meu avô. E mais ainda quando descobriu que chegaram atrasados e o trem já havia passado. Eles haviam se visto uma única vez desde a convocação tempos antes, ocasião em que meu vô tirou uma foto de seu irmão todo fardado.
Chegado em Santos e esperando o "vapor" que o levaria à terra ancestral, meu tio-avô ficou algumas semanas montando guarda como sentinela no forte de Bertioga. Um dia, segundo meu avô, ele ouviu barulhos na escuridão e viu uma figura sorrateira se aproximando.
Alto, quem vem lá? Identifique-se ou passo fogo! Uma voz feminina exclamou baixinho pedindo calma. Era uma moça da região, que havia preparado um bolo para dar ao meu tio-avô, por dó e caridade. Não sei como se conheceram. Meu vô também não sabia. Me parecia história de romance. Mas nessa hora ele ficou muito emocionado, colocou a mão no rosto e começou a chorar.
Fiquei constragido e quis mudar de assunto, mas meu avô se pôs a concluir a história, falando pausadamente quando as lágrimas vinham mais fortes. Em algumas partes nem cheguei a entender o que dizia, mas fiquei sem jeito de interromper.
No final das contas ele contou que pouco antes de navegar para a Itália, haviam dado a notícia de que a guerra terminava. Seu irmão voltou para casa, mas por um triz não embarcara. Ao que parece, se a guerra durasse mais pouco, ele teria ido para a guerra, e tanto meu avô como seu irmão menor teriam sido convocados também.
Mas meu vô me contou que tinha um amigo mais velho, com quem trabalhara em uma loja, como garoto de recados, em 1936 (número 1600 e pouco da Francisco Glicério, onde hoje funciona uma farmácia), foi mandado para a Itália, e de lá não voltou, morto em alguma batalha contra os alemães. Este amigo virou nome de rua em Campinas.
Ao irmos embora meu pai me disse que sempre que meu avô fala deste irmão se emociona muito. Coisa que entre os Tambascia não é muito difícil, convenhamos. Não tenho memórias muito claras dele. Morreu há alguns anos atrás, mas quase não o víamos. Segundo meu pai, seu tio Donato comia um ovo por dia toda manhã, durante toda a vida. Parou pouco antes de morrer, quando alguém o aterrorizou com histórias de colesterol. Morreu com quase noventa anos, com o colesterol normal, normal.
sábado, janeiro 07, 2006
Morte e Vida Severino
Tive um professor chamado Severino. Severino demonstrava as técnicas maravilhosas de redação e argumentação. Se aventurava a dar aulas de literatura quando necessário, e até mesmo exibia algumas noções de retórica para iniciantes. Afinal, estou cada vez mais convencido, o mundo não está aí. Veritati et innocentiae meae nusquam locus est (Tácito).
A máxima da inspiração e transpiração era levada a sério nas suas aulas. Mas para transpirar, ora, para transpirar, você tinha que ser bom - e inspirado.
Severino era alto. Alto em altura, mas também porque andava suave e imponente. Parecia maior. Quando você percebia, lá estava. E ia igualmente sem alarde. Cabelos cacheados castanhos e barba castanha bem cortada, mas intensa. Olhos azuis muito claros - quase água. Sempre de óculos em harmonia com o rosto. Voz tranquila, de barítono, cadência baiana mas sem sotaque. Camisas xadrez eram suas preferidas. Sapatos de mocassim.
As pessoas diziam que ele havia nascido no século retrasado (diziam "século passado", mas isso, afinal, foi no século passado...). Ele tinha outro ritmo.
De qualquer maneira, ele me ensinou a escrever de fato. Cheguei à conclusão que antes eu era apenas alfabetizado, mesmo com 16 anos.
Redação era disciplina para os sonhadores, a maioria se contentava em fazer o texto-fórmula para conseguir média. Eu me debruçava no papel (que computador que nada) em busca de um elogio, que me deixava vermelho, mas sempre com ânsia de um novo pico.
Severino amava boxe, o que causava estranhamento entre os mais desavisados. Idolatrava Cassius Clay o original, Joe Frazer e Sugar Ray Leonard. Nada da truculência de Mike Tyson. Às vezes ficava metade da aula discorrendo sobre a arte do boxe, o ringue, a dança, o embate - com as mãos e as palavras. Algo muito próximo da análise da tauromaquia de Michel Leiris - fenômeno que muitos, tal como com o boxe, não consideram uma arte e sim uma atrocidade.
Quando falava sobre boxe, Severino se empolgava. Toda a fragilidade que lhe era característica desaparecia momentaneamente.
Mas sempre ficava com a impressão de que suas palestras sobre a esgrima dos punhos eram uma batalha perdida. Ele sabia disso, mas não podia evitar. Falava de sua paixão para alunos que, quando ouviam, consideravam tudo aquilo apenas uma contradição pitoresca, uma pessoa tão doce, que ensinava os prodígios de Drumond, E agora José, e as originalidades de Bandeira, Pneumotórax, gostava, pasmem, de pancadaria! Mas vira e mexe voltava a contar sobre alguma luta memorável e a vida de algum lutador.
Me lembro que ele tinha outro ídolo: Giordano Bruno, oriundo da mesma Campania dos meus antepassados. Figura fascinante, de andanças e feitos prodigiosos, Bruno merecia admiração de Severino por tudo que fez e pela recusa da retratação, que lhe valeu a fogueira. Mas os feitos, estes são temperados com posturas. Ele sempre falava de Bruno em relação a Galileu, da mesma forma que falava de Frazer em relação a Tyson, ao me parecia. Algo como outro professor de literatura fazia com Chico de um lado e Caetano e Gil de outro. Um certo respeito pela desgraça em consequência do caminho mais difícil. Vida sofrida severina.
Não sei se Severino ainda é professor de redação. Mas sinto saudades e lhe sou grato por tudo que poderia ter sido e não foi... Porque nem sempre a potencialidade é coisa boa.
A máxima da inspiração e transpiração era levada a sério nas suas aulas. Mas para transpirar, ora, para transpirar, você tinha que ser bom - e inspirado.
Severino era alto. Alto em altura, mas também porque andava suave e imponente. Parecia maior. Quando você percebia, lá estava. E ia igualmente sem alarde. Cabelos cacheados castanhos e barba castanha bem cortada, mas intensa. Olhos azuis muito claros - quase água. Sempre de óculos em harmonia com o rosto. Voz tranquila, de barítono, cadência baiana mas sem sotaque. Camisas xadrez eram suas preferidas. Sapatos de mocassim.
As pessoas diziam que ele havia nascido no século retrasado (diziam "século passado", mas isso, afinal, foi no século passado...). Ele tinha outro ritmo.
De qualquer maneira, ele me ensinou a escrever de fato. Cheguei à conclusão que antes eu era apenas alfabetizado, mesmo com 16 anos.
Redação era disciplina para os sonhadores, a maioria se contentava em fazer o texto-fórmula para conseguir média. Eu me debruçava no papel (que computador que nada) em busca de um elogio, que me deixava vermelho, mas sempre com ânsia de um novo pico.
Severino amava boxe, o que causava estranhamento entre os mais desavisados. Idolatrava Cassius Clay o original, Joe Frazer e Sugar Ray Leonard. Nada da truculência de Mike Tyson. Às vezes ficava metade da aula discorrendo sobre a arte do boxe, o ringue, a dança, o embate - com as mãos e as palavras. Algo muito próximo da análise da tauromaquia de Michel Leiris - fenômeno que muitos, tal como com o boxe, não consideram uma arte e sim uma atrocidade.
Quando falava sobre boxe, Severino se empolgava. Toda a fragilidade que lhe era característica desaparecia momentaneamente.
Mas sempre ficava com a impressão de que suas palestras sobre a esgrima dos punhos eram uma batalha perdida. Ele sabia disso, mas não podia evitar. Falava de sua paixão para alunos que, quando ouviam, consideravam tudo aquilo apenas uma contradição pitoresca, uma pessoa tão doce, que ensinava os prodígios de Drumond, E agora José, e as originalidades de Bandeira, Pneumotórax, gostava, pasmem, de pancadaria! Mas vira e mexe voltava a contar sobre alguma luta memorável e a vida de algum lutador.
Me lembro que ele tinha outro ídolo: Giordano Bruno, oriundo da mesma Campania dos meus antepassados. Figura fascinante, de andanças e feitos prodigiosos, Bruno merecia admiração de Severino por tudo que fez e pela recusa da retratação, que lhe valeu a fogueira. Mas os feitos, estes são temperados com posturas. Ele sempre falava de Bruno em relação a Galileu, da mesma forma que falava de Frazer em relação a Tyson, ao me parecia. Algo como outro professor de literatura fazia com Chico de um lado e Caetano e Gil de outro. Um certo respeito pela desgraça em consequência do caminho mais difícil. Vida sofrida severina.
Não sei se Severino ainda é professor de redação. Mas sinto saudades e lhe sou grato por tudo que poderia ter sido e não foi... Porque nem sempre a potencialidade é coisa boa.
quinta-feira, janeiro 05, 2006
All that jazz
Dica cinematográfica muito legal: L'auberge Espagnole.
Zapeando o canal na casa da minha mãe, acabei topando com umas cenas barcelonesas num filme e resolvi ver do que se tratava.
O protagonista era um tapado estranho e quase mudei de novo. Mas continuei assistindo. Queria ver se entendia o francês e o catalão. Mas aí, acabei gostando e assisti até o final. Muito bonitinho (a melhor palavra para descrever o filme. Os filmes franceses ultimamente têm sido bonitinhos... ainda mais se têm a Audrey Tautou), me vi lembrando de várias coisas que aconteceram comigo - nesta mesma cidade, mas em todo lugar também - e de várias que poderiam ter acontecido. Ou de coisas que se acontecessem, talvez agisse da forma como o cara agiu.
Achei legal também como o diretor resolveu umas coisas na história. Deu a impressão que ele realmente assiste cinema. Quer dizer, sabe do que não funciona e tentou não fazer igual. Daquelas coisas que sempre comentamos com os amigos no final do filme, mas no seguite... lá estão elas de novo, sabe? Existem pessoas parecidas com a gente por aí!
No final, o que mais gostei foi pensar em como pessoas se encontram por acaso, simpatizam ou não umas com as outras, convivem, brigam, mas acabam vivendo (no sentido literal) juntas. E daí pra algo muito próximo do amor, não precisa muito. Mas tudo é efêmero, logo você precisa continuar e virar algo diferente. E então a lembrança do que foi e você nem percebeu, volta amarga por vezes, mas suave na maior parte do tempo. Só que aquela sensação de que algo maravilhoso e pessoas lindas de alguma forma passaram, é inevitável. Mesmo que você as veja novamente anos depois. Algo muito próximo do que cantou Bandeira, creio.
Resta, como o filme tentou passar, torná-las você mesmo. E perceber isso. Mesmo que seja muito tempo depois.
Zapeando o canal na casa da minha mãe, acabei topando com umas cenas barcelonesas num filme e resolvi ver do que se tratava.
O protagonista era um tapado estranho e quase mudei de novo. Mas continuei assistindo. Queria ver se entendia o francês e o catalão. Mas aí, acabei gostando e assisti até o final. Muito bonitinho (a melhor palavra para descrever o filme. Os filmes franceses ultimamente têm sido bonitinhos... ainda mais se têm a Audrey Tautou), me vi lembrando de várias coisas que aconteceram comigo - nesta mesma cidade, mas em todo lugar também - e de várias que poderiam ter acontecido. Ou de coisas que se acontecessem, talvez agisse da forma como o cara agiu.
Achei legal também como o diretor resolveu umas coisas na história. Deu a impressão que ele realmente assiste cinema. Quer dizer, sabe do que não funciona e tentou não fazer igual. Daquelas coisas que sempre comentamos com os amigos no final do filme, mas no seguite... lá estão elas de novo, sabe? Existem pessoas parecidas com a gente por aí!
No final, o que mais gostei foi pensar em como pessoas se encontram por acaso, simpatizam ou não umas com as outras, convivem, brigam, mas acabam vivendo (no sentido literal) juntas. E daí pra algo muito próximo do amor, não precisa muito. Mas tudo é efêmero, logo você precisa continuar e virar algo diferente. E então a lembrança do que foi e você nem percebeu, volta amarga por vezes, mas suave na maior parte do tempo. Só que aquela sensação de que algo maravilhoso e pessoas lindas de alguma forma passaram, é inevitável. Mesmo que você as veja novamente anos depois. Algo muito próximo do que cantou Bandeira, creio.
Resta, como o filme tentou passar, torná-las você mesmo. E perceber isso. Mesmo que seja muito tempo depois.
terça-feira, janeiro 03, 2006
Mare's hell e a volta para a civilização
Hey, I'm back!!
Uma semana de muita (mas muita) comida, muito sono, muita chuva, muita lama, mas também muita curtição!!
Desde ontem estava com coceira pra checar mails, navegar e escrever. No entanto, não obstante, infelizmente, quando cheguei e liguei o computador, tinha apenas 21 mensagens, 15 das quais bulk e trash. Alguns avisos de orkut, um mail da secretaria da pós lembrando do prazo para a entrega do relatório data-capes (tinha certeza, ô desgraça. Viu só Paula?!) e apenas 2 mensagens realmente pra mim...
Como diria um colega mineiro: ô inferno das éguas sô!
Uma semana de muita (mas muita) comida, muito sono, muita chuva, muita lama, mas também muita curtição!!
Desde ontem estava com coceira pra checar mails, navegar e escrever. No entanto, não obstante, infelizmente, quando cheguei e liguei o computador, tinha apenas 21 mensagens, 15 das quais bulk e trash. Alguns avisos de orkut, um mail da secretaria da pós lembrando do prazo para a entrega do relatório data-capes (tinha certeza, ô desgraça. Viu só Paula?!) e apenas 2 mensagens realmente pra mim...
Como diria um colega mineiro: ô inferno das éguas sô!
terça-feira, dezembro 27, 2005
Férias
Amanhã vou pra roça. Fico 1 semana sem internet, sem telefone, sem jornal, sem tv! Ainda não sei se isso é bom ou ruim...
Arrivederci!
Arrivederci!
segunda-feira, dezembro 26, 2005
Sobre crianças e pássaros histéricos
Às vezes me pergunto que tipo de pai eu seria...
No prédio da frente há um playground comunitário. Coisa que, por mais que eu reclame da falta de espaços comuns no meu prédio (pelo menos um salãozinho...), dou graças de não ter aqui. Até me diverti quando levei minha afilhada para brincar no escorregador, mas ficar apenas ouvindo de longe, diariamente, os gritos, os berros e o inevitável choro, me dá angústia.
E os gritos... ah os gritos... Não estou exagerando ao dizer que tem horas que não sei quando é uma criança feliz, quando é uma criança em pânico ou quando é um gato. Na verdade gata. Tem umas duas gatas que ficam na rua perto de casa. À noite, ou de madrugada, quando elas estão no cio, começa a sem-vergonhice e o suplício. E eu acordo assustado pensando que estão cometendo um infanticídio em algum lugar. E já aconteceu o contrário também. Eu achar que algum cachorro abocanhou um gato (estou ficando com trauma disso), mas é uma criança esvaziando todo o ar do pulmão com algum urro grutural, tão alto que chega ao Valhala...
Por um tempo achei que uma nova criança (porque ESSE som definitivamente não é de uma gata), tinha se mudado para perto de casa. Era um grito muito mais sofrido, alto, e rítmico. E é ouvido, normalmente, no final da tarde, quando de fato as crianças estão no tal playground. Mas esse sim parece o som de alguém sendo torturado.
Foi só outro dia que descobri que este mogli do Cambuí na verdade é uma cacatua. Ou um papagaio, sei lá. Isso explicou a coisa, mas fiquei pensando no tipo de pessoa que tem uma cacatua no apartamento... será a mesma que colocou um papai noel de 2 metros na varanda? O casal neuras (os que vivem se estapeando)? A que tem todas as luzes vermelhas, parecendo um bordel?
Pensei também na minha incapacidade de distinguir precisamente alguns sons, agrupando todos eles numa categoria "martírios sonoros"... será algo idiossincrático?
No prédio da frente há um playground comunitário. Coisa que, por mais que eu reclame da falta de espaços comuns no meu prédio (pelo menos um salãozinho...), dou graças de não ter aqui. Até me diverti quando levei minha afilhada para brincar no escorregador, mas ficar apenas ouvindo de longe, diariamente, os gritos, os berros e o inevitável choro, me dá angústia.
E os gritos... ah os gritos... Não estou exagerando ao dizer que tem horas que não sei quando é uma criança feliz, quando é uma criança em pânico ou quando é um gato. Na verdade gata. Tem umas duas gatas que ficam na rua perto de casa. À noite, ou de madrugada, quando elas estão no cio, começa a sem-vergonhice e o suplício. E eu acordo assustado pensando que estão cometendo um infanticídio em algum lugar. E já aconteceu o contrário também. Eu achar que algum cachorro abocanhou um gato (estou ficando com trauma disso), mas é uma criança esvaziando todo o ar do pulmão com algum urro grutural, tão alto que chega ao Valhala...
Por um tempo achei que uma nova criança (porque ESSE som definitivamente não é de uma gata), tinha se mudado para perto de casa. Era um grito muito mais sofrido, alto, e rítmico. E é ouvido, normalmente, no final da tarde, quando de fato as crianças estão no tal playground. Mas esse sim parece o som de alguém sendo torturado.
Foi só outro dia que descobri que este mogli do Cambuí na verdade é uma cacatua. Ou um papagaio, sei lá. Isso explicou a coisa, mas fiquei pensando no tipo de pessoa que tem uma cacatua no apartamento... será a mesma que colocou um papai noel de 2 metros na varanda? O casal neuras (os que vivem se estapeando)? A que tem todas as luzes vermelhas, parecendo um bordel?
Pensei também na minha incapacidade de distinguir precisamente alguns sons, agrupando todos eles numa categoria "martírios sonoros"... será algo idiossincrático?
sábado, dezembro 24, 2005
ho ho ho
Pois é, hoje fui no shopping (aquele que dizem que é o maior da América Latina, como se isso fosse boa propaganda). Pior que nem precisava comprar nada! Antecipando o inferno que seria uma ida para lá nessa época, fiz minhas parcas compras ainda no começo do mês. Mas meu pai precisava comprar algumas coisas ainda. Então fui com ele e meu irmão, para aproveitarmos e pegar um cinema também.
Fomos ver King Kong! Que eu gostei, mas gostaria mais se tivesse metade do tempo que tem e com o corte de umas cenas nada a ver. Que filme comprido! O Peter Jackson não pode fazer filme com menos de 3 horas? Mas tem algumas coisas muito boas no filme. E mesmo o shopping estando caótico, o cinema estava vaziozinho, vaziozinho.
Mas no final nem foi tão ruim. Ainda ganhei um capuccino da Kopenhagen, que eu adoro!! E pra quem enfrentou o Atacadão no sábado passado, até que foi fácil! Eu havia encontrado a Paula logo ao voltar do Atacadão naquele dia. Ela me perguntou se foi muito ruim e respondi dizendo que havia encontrado seus conhecidos, Virgílio e Dante, e eles mandavam oi! Sem brincadeira, aquilo sim é que é prova de resistência!! Que São Silvestre que nada! Tente manobrar aquele trole-carrrinho-gigante abarrotado de coisas naqueles corredores e depois enfrentar uma fila mais demorada que o tempo que se leva para pegar todos os produtos...
Enfim, no shopping ganhei meu primeiro presente de Natal!! Deliciosas trufas que a cunhada do André faz!!
E chegando em casa, surpresa! Recebi um mail da ML Pratt, me dando um novo presente! Um texto inédito do Stanley escrito por ela!! Claro que fiquei feliz, mas por outro lado... será que isso vai me fazer mudar de projeto de novo?! Eu me conheço...
O Natal está sendo ok por enquanto... dentro em breve enfrentarei um pernil de 8 quilos e uma combinação complexa de comidas natalinas com sushis e sashimis!
Ho ho ho pra isso!
Fomos ver King Kong! Que eu gostei, mas gostaria mais se tivesse metade do tempo que tem e com o corte de umas cenas nada a ver. Que filme comprido! O Peter Jackson não pode fazer filme com menos de 3 horas? Mas tem algumas coisas muito boas no filme. E mesmo o shopping estando caótico, o cinema estava vaziozinho, vaziozinho.
Mas no final nem foi tão ruim. Ainda ganhei um capuccino da Kopenhagen, que eu adoro!! E pra quem enfrentou o Atacadão no sábado passado, até que foi fácil! Eu havia encontrado a Paula logo ao voltar do Atacadão naquele dia. Ela me perguntou se foi muito ruim e respondi dizendo que havia encontrado seus conhecidos, Virgílio e Dante, e eles mandavam oi! Sem brincadeira, aquilo sim é que é prova de resistência!! Que São Silvestre que nada! Tente manobrar aquele trole-carrrinho-gigante abarrotado de coisas naqueles corredores e depois enfrentar uma fila mais demorada que o tempo que se leva para pegar todos os produtos...
Enfim, no shopping ganhei meu primeiro presente de Natal!! Deliciosas trufas que a cunhada do André faz!!
E chegando em casa, surpresa! Recebi um mail da ML Pratt, me dando um novo presente! Um texto inédito do Stanley escrito por ela!! Claro que fiquei feliz, mas por outro lado... será que isso vai me fazer mudar de projeto de novo?! Eu me conheço...
O Natal está sendo ok por enquanto... dentro em breve enfrentarei um pernil de 8 quilos e uma combinação complexa de comidas natalinas com sushis e sashimis!
Ho ho ho pra isso!
quinta-feira, dezembro 22, 2005
Vai chegando o Natal... e a melancolia
Estou solteiro nesse Natal, então resolvi passar uma temporada na casa da minha mãe. Depois de dormir hoje tanto quanto um gato, resolvi tirar um pouco do pó das juntas e músculos e fui jogar basquete. Enquanto caminhava em direção às quadras, fui ficando nostálgico. Lembrei que, há bem uns 12 anos, fazia o mesmo caminho praticamente todo dia com meu primo, para jogar. Ele me ligava, ou então ligava eu, sempre logo depois do almoço. Aí ele passava em casa, eu calçava o tênis, pegava a bola e saíamos.
Logo no final da minha rua, havia uma flamboyant com um galho bem horizontal, que, com um pulo, era alcançado. Tínhamos sempre que nos pendurar no dito galho, felizes, balançando. Era meio um ritual. E já que não conseguíamos enterrar no jogo, pelo menos alí nos sentíamos um pouco Shaquille O'Neal.
No caminho falávamos de tudo. Nunca faltava assunto. Aí chegávamos nas quadras e ficávamos a tarde inteira jogando, conversando "assuntos de homem" com o pessoal que, como nós, iam lá todos os dias. De vez em quando combinávamos com vários amigos de comer cachorro quente na Tia Maria, ou então beber cerveja no Pier 4, ou jogar boliche em algum lugar. Aqueles eram bons tempos.
Nas quadras encontrei dois amigos que fazem parte das figuras daquela época. Um deles está bem, cheio de coisas boas acontecendo na sua vida. O outro continua alegre como sempre foi, mas acabou se ferrando muito no último ano. Tudo porque ele teve coragem de peitar a filha do chefe. É, por um lado eu respeito muito isso. Não leva desaforo pra casa, mesmo à custa do futuro profissional. Não é qualquer um que faz isso. O tal chefe acabou com as perspectivas dele na Unicamp e nas principais universidades paulistas. E não é exagero não, acabou mesmo - pelo menos para o que ele queria fazer. Me dá uma pena...
Sinto falta de tudo aquilo. Até dos machucados e torcidas de tornozelo (foram tantas...) Fico com uma sensação de que algumas coisas... nunca mais. O que é óbvio para qualquer um, mas na verdade eu nunca tinha parado de fato para avaliar essas coisas, que viraram quase um filme super 8 na minha cabeça. As mesmas cores, o mesmo jeito de velho e de bonito. Meio onírico. Claro que tenho outras coisas maravilhosas acontecendo comigo, mas meu lado egoísta, como já disse Freddie Mercury, teima em querer tudo.
Enquanto eu caminhava sozinho para jogar, e depois voltando, agora há pouco, pensei em tudo isso. Me lembra aquele tipo de filme que termina com uns textinhos para cada personagem: fulano virou empresário, ciclana senadora, beltrano foi morar no Tibet...
Meu primo entrou na marinha, depois engordou muito, foi para São Paulo e a última vez que o vi foi no enterro da minha tia, há anos já. Quase todos meus amigos daquela época se casaram e foram morar em outros lugares. Muitos com filhos. A maioria deles não vejo mais do que uma vez por ano, se tanto. Eu fui fazer outras coisas também, mas quando volto para estes espaços de memória e de passado, geralmente fico com a impressão de que só eu faço isso. Com a impressão de que sobrei.
Ah... cortaram a flamboyant.
Logo no final da minha rua, havia uma flamboyant com um galho bem horizontal, que, com um pulo, era alcançado. Tínhamos sempre que nos pendurar no dito galho, felizes, balançando. Era meio um ritual. E já que não conseguíamos enterrar no jogo, pelo menos alí nos sentíamos um pouco Shaquille O'Neal.
No caminho falávamos de tudo. Nunca faltava assunto. Aí chegávamos nas quadras e ficávamos a tarde inteira jogando, conversando "assuntos de homem" com o pessoal que, como nós, iam lá todos os dias. De vez em quando combinávamos com vários amigos de comer cachorro quente na Tia Maria, ou então beber cerveja no Pier 4, ou jogar boliche em algum lugar. Aqueles eram bons tempos.
Nas quadras encontrei dois amigos que fazem parte das figuras daquela época. Um deles está bem, cheio de coisas boas acontecendo na sua vida. O outro continua alegre como sempre foi, mas acabou se ferrando muito no último ano. Tudo porque ele teve coragem de peitar a filha do chefe. É, por um lado eu respeito muito isso. Não leva desaforo pra casa, mesmo à custa do futuro profissional. Não é qualquer um que faz isso. O tal chefe acabou com as perspectivas dele na Unicamp e nas principais universidades paulistas. E não é exagero não, acabou mesmo - pelo menos para o que ele queria fazer. Me dá uma pena...
Sinto falta de tudo aquilo. Até dos machucados e torcidas de tornozelo (foram tantas...) Fico com uma sensação de que algumas coisas... nunca mais. O que é óbvio para qualquer um, mas na verdade eu nunca tinha parado de fato para avaliar essas coisas, que viraram quase um filme super 8 na minha cabeça. As mesmas cores, o mesmo jeito de velho e de bonito. Meio onírico. Claro que tenho outras coisas maravilhosas acontecendo comigo, mas meu lado egoísta, como já disse Freddie Mercury, teima em querer tudo.
Enquanto eu caminhava sozinho para jogar, e depois voltando, agora há pouco, pensei em tudo isso. Me lembra aquele tipo de filme que termina com uns textinhos para cada personagem: fulano virou empresário, ciclana senadora, beltrano foi morar no Tibet...
Meu primo entrou na marinha, depois engordou muito, foi para São Paulo e a última vez que o vi foi no enterro da minha tia, há anos já. Quase todos meus amigos daquela época se casaram e foram morar em outros lugares. Muitos com filhos. A maioria deles não vejo mais do que uma vez por ano, se tanto. Eu fui fazer outras coisas também, mas quando volto para estes espaços de memória e de passado, geralmente fico com a impressão de que só eu faço isso. Com a impressão de que sobrei.
Ah... cortaram a flamboyant.
quarta-feira, dezembro 21, 2005
Cartas periféricas - 2
Culiacán, 14 de agosto de 1970.
Querido Alfred,
Recebi hoje sua carta do dia 29. Fico contente que tudo esteja bem com todos. Aprecio muito você ter compreendido meu desabafo. Na verdade sabia que você compreenderia, creio que foi por isso que consegui escrever tudo aquilo.
O que você disse sobre aboriginação me fez pensar muito. Se por um lado sou tentado a concordar que nossas cidades estão cada vez menos anglocêntricas e a celticidade* parece dar lugar para essas vozes policiadas a que você se referiu, por outro lado eu temo se não pensamos assim simplesmente porque desejamos. Espero que você tenha razão, contudo. Espero que toda essa hegomonia seja remoldada por estes desejos. Mas estou pessimista. Mesmo aqui, no porão dos Estados Unidos. Mas se você estiver certo, minha busca pelo verdadeiro México parece mais e mais quixotesca.
Já faz um mês que aluguei um pequeno apartamento em Altata, quase no mar, alguns quilômetros distante de Culiacán propriamente dita. Por enquanto possuo apenas um armário com roupas, uma mesa e duas cadeiras. Ainda não comprei uma geladeira já que tenho um bar logo ao final da rua. Fico adiando providenciar as coisas mais básicas.
Tudo aqui é lindo, sem a agitação da cidade e as tentações mais destrutivas de antes. Mas estou começando a me entediar. Essa maldição do insólito demora para passar e começo a me preocupar, achando que não me encaixarei em lugar nenhum. Nem em mim mesmo.
Agradeço se você puder pagar a senhora Stevenson. Me esqueci completamente. Você pode descontar da minha conta bancária, como de costume.
Peço que escreva para este endereço, já que fica muito dispendioso voltar para o hotel pegar correspondências. Espero ansioso por sua visita.
Seu,
Gary
* celtness
Querido Alfred,
Recebi hoje sua carta do dia 29. Fico contente que tudo esteja bem com todos. Aprecio muito você ter compreendido meu desabafo. Na verdade sabia que você compreenderia, creio que foi por isso que consegui escrever tudo aquilo.
O que você disse sobre aboriginação me fez pensar muito. Se por um lado sou tentado a concordar que nossas cidades estão cada vez menos anglocêntricas e a celticidade* parece dar lugar para essas vozes policiadas a que você se referiu, por outro lado eu temo se não pensamos assim simplesmente porque desejamos. Espero que você tenha razão, contudo. Espero que toda essa hegomonia seja remoldada por estes desejos. Mas estou pessimista. Mesmo aqui, no porão dos Estados Unidos. Mas se você estiver certo, minha busca pelo verdadeiro México parece mais e mais quixotesca.
Já faz um mês que aluguei um pequeno apartamento em Altata, quase no mar, alguns quilômetros distante de Culiacán propriamente dita. Por enquanto possuo apenas um armário com roupas, uma mesa e duas cadeiras. Ainda não comprei uma geladeira já que tenho um bar logo ao final da rua. Fico adiando providenciar as coisas mais básicas.
Tudo aqui é lindo, sem a agitação da cidade e as tentações mais destrutivas de antes. Mas estou começando a me entediar. Essa maldição do insólito demora para passar e começo a me preocupar, achando que não me encaixarei em lugar nenhum. Nem em mim mesmo.
Agradeço se você puder pagar a senhora Stevenson. Me esqueci completamente. Você pode descontar da minha conta bancária, como de costume.
Peço que escreva para este endereço, já que fica muito dispendioso voltar para o hotel pegar correspondências. Espero ansioso por sua visita.
Seu,
Gary
* celtness
terça-feira, dezembro 20, 2005
Cartas periféricas
Culiacán, junho de 1970.
Querido Alfred,
Completei meu primeiro aniversário mexicano na capital náhuatl ontem. Não tive forças para sair com Enrique, Miriam e Cristóbal como pensei que faria. Eles se tornaram amigos queridos, mas não queria chateá-los com meu estado de espírito negro. Passei o dia todo em companhia de uma moça chamada Rosa, cuja incrível capacidade de processar cerveza a fez uma companhia mais que apropriada para o meu humor. Tão pequena e tão nova, mas com o fígado resistente como o de um caminhoneiro! Juro que se não estivesse diariamente me esforçando para enriquecer os bares daqui não teria sido capaz de voltar com Rosa para o hotel. Jeff adoraria beber com ela, tenho certeza. Ele sempre reclamou que estava apenas se aquecendo quando todos nós já não nos agüentávamos em pé.
Mas já sei o que dirá. Tenho que me cuidar mais. É verdade, mas tenho a impressão de que enquanto ficar neste hotel não poderei evitar estas crises de melancolia e depressão. Tenho esta urgência de me misturar aos nativos cada vez maior.
Evito voltar para o hotel durante as horas do dia. Lá encontro apenas as mesmas famílias americanas fantasiadas com roupas de safári. Ou os obesos solitários, de óculos azuis-escuros, rosados de sol, em busca de una chicana para trepar. Alguns sequer tiram suas alianças. Comecei a frequentar os buracos locais, que não têm turistas em busca de aventuras seguras e a bebida é quatro vezes mais barata. Mas comecei a perceber que estes lugares também fervilham de estrangeiros. Mas são os perdedores, os criminosos, os que desceram tanto que sequer lembram de onde vieram e não têm idéia para onde vão, além da certeza que beberão mais uma garrafa daquele whisky de cinco dólares.
Me deprime que encontre apenas pessoas que voltarão abarrotados com colares de contas comprados na frente do aeroporto como se fossem provas de seu encontro com o exótico, fotografias de seus passeios de iate e histórias inventadas de como tudo é quente e diferente. Ou então aqueles que só vieram para esta terra porque mais nada funcionou em casa. Você sabe do que estou falando. Nosso país foi uma grande cadeia inglesa. Aí, como aqui, imaginam-se grandes expedições por um mundo passado, perigoso, verde. As águas que banham Sidney são do mesmo Oceano que cheiro enquanto escrevo estas linhas, com Rosa dormindo ao meu lado. Penso que não estou tão longe de casa.
Mas não consigo deixar de ter esperança de encontrar o México verdadeiro atrás de uma esquina, no fundo de um callejón estreito, ou escondido atrás das sombras dos hotéis e cassinos. Só que estou aqui há tempo suficiente para desconfiar que a minha idéia de México está se esvaindo junto com a bebida do copo à minha frente, em um bar caindo aos pedaços.
E por que há tantos de mim vagando cambaleantes em lugares assim? Voando bêbados e suados em volta da luz fraca do bar, envoltos em fumaça de cigarro barato, hipnotizados tal qual mariposas pela esperança mortiça de alguma luminosidade na vida. E tal qual mariposas, eventualmente morremos, teimosos, depois de tanto dar cabeçada na lâmpada, queimados quando a luz esquenta o suficiente. Rodopiamos em queda certa e breve, fritados sem nem ter tido chance de enxergar alguma compreensão de que aquela luz, enfim, não é o sol, nem a lua – mas a propriedade de alguma outra pessoa, que é sovina e indiferente a ponto de comprar a lâmpada mais barata do mercado para receber os insetos que voltarão sempre e sempre, alimentados com a promessa de que a verdade – seja qual for – está escondida debaixo de todo esse circo. E então varridos no final da noite, por uma mulher sem os dentes da frente, entediada, morrendo de vontade de terminar logo seu trabalho ingrato e mal-pago e dormir, junto com os restos de copos quebrados, bitucas de cigarro e toda a imundice do mundo.
Pois a verdade é que há tantos de mim por aqui porque somos vítimas de uma fórmula simples e perene. Procuramos todos pela luz alheia, quando deveríamos olhar para os olhos daquele que nos contempla, incrédulo com a miséria que encontra toda manhã, quando escovamos os dentes. M = T x D2. Isso é o que aprendi. A condição de mariposa é resultado do tempo em que sua desilusão é alimentada por ela mesma. Este sou eu, Gary Bunda-Mole, que sequer tem forças para acreditar na verdade lapidada com muito álcool, e admitir que seja lá que elixir de vida que procurava do outro lado do mundo, este não estará aqui e nem em lugar algum, porque a constatação, Alfred, é a pior das maldições.
Enfim, desculpe pelo desabafo. Talvez esteja assim porque vejo muita pouca diferença com o feito no último ano. Tive que acreditar que ao viajar para uma nova vida colocaria em prática o desejo de mudança. Se estivesse fazendo algo de concreto talvez descobrisse uma maneira de mudar. Isso passará.
Diga para Geórgia que apreciei muito os cigarros. Estou procurando uma casa. Assim que souber ao certo escreverei informando o endereço. Mas continuarei a receber suas cartas no hotel por enquanto. Lembranças a todos.
Quanto puder, faça-me uma visita. Não sei se você gostará daqui, mas eu apreciaria muito.
Seu,
Gary
PS- Rosa acordou e manda um beijo. Falei tanto de você a ela que vocês já são íntimos.
Querido Alfred,
Completei meu primeiro aniversário mexicano na capital náhuatl ontem. Não tive forças para sair com Enrique, Miriam e Cristóbal como pensei que faria. Eles se tornaram amigos queridos, mas não queria chateá-los com meu estado de espírito negro. Passei o dia todo em companhia de uma moça chamada Rosa, cuja incrível capacidade de processar cerveza a fez uma companhia mais que apropriada para o meu humor. Tão pequena e tão nova, mas com o fígado resistente como o de um caminhoneiro! Juro que se não estivesse diariamente me esforçando para enriquecer os bares daqui não teria sido capaz de voltar com Rosa para o hotel. Jeff adoraria beber com ela, tenho certeza. Ele sempre reclamou que estava apenas se aquecendo quando todos nós já não nos agüentávamos em pé.
Mas já sei o que dirá. Tenho que me cuidar mais. É verdade, mas tenho a impressão de que enquanto ficar neste hotel não poderei evitar estas crises de melancolia e depressão. Tenho esta urgência de me misturar aos nativos cada vez maior.
Evito voltar para o hotel durante as horas do dia. Lá encontro apenas as mesmas famílias americanas fantasiadas com roupas de safári. Ou os obesos solitários, de óculos azuis-escuros, rosados de sol, em busca de una chicana para trepar. Alguns sequer tiram suas alianças. Comecei a frequentar os buracos locais, que não têm turistas em busca de aventuras seguras e a bebida é quatro vezes mais barata. Mas comecei a perceber que estes lugares também fervilham de estrangeiros. Mas são os perdedores, os criminosos, os que desceram tanto que sequer lembram de onde vieram e não têm idéia para onde vão, além da certeza que beberão mais uma garrafa daquele whisky de cinco dólares.
Me deprime que encontre apenas pessoas que voltarão abarrotados com colares de contas comprados na frente do aeroporto como se fossem provas de seu encontro com o exótico, fotografias de seus passeios de iate e histórias inventadas de como tudo é quente e diferente. Ou então aqueles que só vieram para esta terra porque mais nada funcionou em casa. Você sabe do que estou falando. Nosso país foi uma grande cadeia inglesa. Aí, como aqui, imaginam-se grandes expedições por um mundo passado, perigoso, verde. As águas que banham Sidney são do mesmo Oceano que cheiro enquanto escrevo estas linhas, com Rosa dormindo ao meu lado. Penso que não estou tão longe de casa.
Mas não consigo deixar de ter esperança de encontrar o México verdadeiro atrás de uma esquina, no fundo de um callejón estreito, ou escondido atrás das sombras dos hotéis e cassinos. Só que estou aqui há tempo suficiente para desconfiar que a minha idéia de México está se esvaindo junto com a bebida do copo à minha frente, em um bar caindo aos pedaços.
E por que há tantos de mim vagando cambaleantes em lugares assim? Voando bêbados e suados em volta da luz fraca do bar, envoltos em fumaça de cigarro barato, hipnotizados tal qual mariposas pela esperança mortiça de alguma luminosidade na vida. E tal qual mariposas, eventualmente morremos, teimosos, depois de tanto dar cabeçada na lâmpada, queimados quando a luz esquenta o suficiente. Rodopiamos em queda certa e breve, fritados sem nem ter tido chance de enxergar alguma compreensão de que aquela luz, enfim, não é o sol, nem a lua – mas a propriedade de alguma outra pessoa, que é sovina e indiferente a ponto de comprar a lâmpada mais barata do mercado para receber os insetos que voltarão sempre e sempre, alimentados com a promessa de que a verdade – seja qual for – está escondida debaixo de todo esse circo. E então varridos no final da noite, por uma mulher sem os dentes da frente, entediada, morrendo de vontade de terminar logo seu trabalho ingrato e mal-pago e dormir, junto com os restos de copos quebrados, bitucas de cigarro e toda a imundice do mundo.
Pois a verdade é que há tantos de mim por aqui porque somos vítimas de uma fórmula simples e perene. Procuramos todos pela luz alheia, quando deveríamos olhar para os olhos daquele que nos contempla, incrédulo com a miséria que encontra toda manhã, quando escovamos os dentes. M = T x D2. Isso é o que aprendi. A condição de mariposa é resultado do tempo em que sua desilusão é alimentada por ela mesma. Este sou eu, Gary Bunda-Mole, que sequer tem forças para acreditar na verdade lapidada com muito álcool, e admitir que seja lá que elixir de vida que procurava do outro lado do mundo, este não estará aqui e nem em lugar algum, porque a constatação, Alfred, é a pior das maldições.
Enfim, desculpe pelo desabafo. Talvez esteja assim porque vejo muita pouca diferença com o feito no último ano. Tive que acreditar que ao viajar para uma nova vida colocaria em prática o desejo de mudança. Se estivesse fazendo algo de concreto talvez descobrisse uma maneira de mudar. Isso passará.
Diga para Geórgia que apreciei muito os cigarros. Estou procurando uma casa. Assim que souber ao certo escreverei informando o endereço. Mas continuarei a receber suas cartas no hotel por enquanto. Lembranças a todos.
Quanto puder, faça-me uma visita. Não sei se você gostará daqui, mas eu apreciaria muito.
Seu,
Gary
PS- Rosa acordou e manda um beijo. Falei tanto de você a ela que vocês já são íntimos.
segunda-feira, dezembro 19, 2005
sexta-feira, dezembro 16, 2005
Recesso
Terminado o trabalho perseverante, agora só resta o trabalho final de curso. Aliás, fiquei um pouco chateado com coisas que soube da última reunião de departamento, sobre a matéria deste trabalho. O que reforça minha crença de que meu futuro não será docente... Não pela docência em si, mas o que vem junto com o pacote. Quer dizer, hoje mesmo estava pensando como deve ser bom chegar no final do semestre e ver que seu aluno aprendeu. Algo, alguma coisa, qualquer coisa. Deve ser um sentimento quase paternal. Mas o resto... reunião de departamento, produção... isso eu passo.
Bom, vou entrar em recesso virtual por um tempo. Pelo menos desacelerar um pouco.
Então tirarei umas férias daqui também, já que nesse final de ano não terei muito internet. Só eventualmente. O que talvez seja bom... (ou não)
Mas o que acontecia um pouco ultimamente era começar a escrever antes de ter o que escrever. Por um lado isso é até interessante. Meio como um periodista que têm que fazer sua coluna, então senta na frente da escrivaninha e escreve. Algo, alguma coisa, qualquer coisa. Mas não é bom abusar, senão escrever deixa de ser tanto um prazer. Não que vire obrigação. Acho que esse blog nunca virará obrigação (Deus me livre). Mas talvez perdesse um pouco da espontaneidade.
Enfim, até quando der.
Bom, vou entrar em recesso virtual por um tempo. Pelo menos desacelerar um pouco.
Então tirarei umas férias daqui também, já que nesse final de ano não terei muito internet. Só eventualmente. O que talvez seja bom... (ou não)
Mas o que acontecia um pouco ultimamente era começar a escrever antes de ter o que escrever. Por um lado isso é até interessante. Meio como um periodista que têm que fazer sua coluna, então senta na frente da escrivaninha e escreve. Algo, alguma coisa, qualquer coisa. Mas não é bom abusar, senão escrever deixa de ser tanto um prazer. Não que vire obrigação. Acho que esse blog nunca virará obrigação (Deus me livre). Mas talvez perdesse um pouco da espontaneidade.
Enfim, até quando der.
terça-feira, dezembro 13, 2005
Millestone
Ontem foi um dia burocrático. Fui no poupa-tempo com a minha mãe tentar resolver problemas de multas. Foi chato e não sei se deu certo.
Antes disso fui na PF pegar meu passaporte novo. 100 reais, 3 idas no lugar e 15 dias de espera depois... fui pegar o dito cujo: "Antes de assinar confira se está tudo certo". "Ok. Hum... o nome da minha mãe está todo junto".
Mal havia dito isso, já me arrependi um pouco. Ah, bem que podia ficar assim mesmo, não tem problema, errinho bobo, quero ir embora, vai demorar muito. Por outro lado, podia ser dessas coisas que depois dão problema e são um saco pra resolver. Ok, espero.
Achei que fosse ficar o resto da tarde lá.
Estava certo? Não. Passaporte novo em folha, corrigido, em 3 minutos (literalmente)!
Claro que alguma coisa que fique pronta em 3 minutos levanta algumas dúvidas. Paguei uma grana nisso, pediram 15 dias, então achei que deveria ser difícil fazer. Alguma tecnologia que evite falsificação, ou algo assim. "Vale a pena", as pessoas devem pensar.
Em 3 minutos eu espero um big mac! E mal feito.
Fiquei olhando pra aquele documento meio decepcionado. E a foto, para variar, horrível. E vou ter que aturá-la mais 10 anos.
*******
Com alguma esperança, termino um dos trabalhos hoje!!
*******
Cris Cris! Cerveja!
*******
Leitores: este é o post de número 100! Já?
Antes disso fui na PF pegar meu passaporte novo. 100 reais, 3 idas no lugar e 15 dias de espera depois... fui pegar o dito cujo: "Antes de assinar confira se está tudo certo". "Ok. Hum... o nome da minha mãe está todo junto".
Mal havia dito isso, já me arrependi um pouco. Ah, bem que podia ficar assim mesmo, não tem problema, errinho bobo, quero ir embora, vai demorar muito. Por outro lado, podia ser dessas coisas que depois dão problema e são um saco pra resolver. Ok, espero.
Achei que fosse ficar o resto da tarde lá.
Estava certo? Não. Passaporte novo em folha, corrigido, em 3 minutos (literalmente)!
Claro que alguma coisa que fique pronta em 3 minutos levanta algumas dúvidas. Paguei uma grana nisso, pediram 15 dias, então achei que deveria ser difícil fazer. Alguma tecnologia que evite falsificação, ou algo assim. "Vale a pena", as pessoas devem pensar.
Em 3 minutos eu espero um big mac! E mal feito.
Fiquei olhando pra aquele documento meio decepcionado. E a foto, para variar, horrível. E vou ter que aturá-la mais 10 anos.
*******
Com alguma esperança, termino um dos trabalhos hoje!!
*******
Cris Cris! Cerveja!
*******
Leitores: este é o post de número 100! Já?
Heróis e vilões
Hoje me peguei pensando nos meus ídolos de infância.
Há alguma coisa de esquisito em grande parte deles estar morta. Ou então terem se ferrado de alguma forma.
Bom, deixando a psicanálise, meu pai e minha mãe de fora, o primeiro ídolo de que eu me lembro de ter tido foi o Raul (Seixas) - pelo menos na música. Amava pluct plact zum, claro. Mas um monte de outras também. Até hoje canto emocionado quando ouço Cowboy fora da lei...
Beatles não conta muito. Sempre adorei, mas foi por influência do meu pai. Com o Raul sentia que a descoberta tinha sido minha, por meus próprios meios. Era mais meu.
Depois veio uma época em que eu adorava música, mas não tinha grandes heróis. Talvez um pouco o que todo mundo gostava, Renato Russo. Mas eu não me identificava muito com ele. Com as letras, sim, adorava. Mas aí também tinha Titãs, quando eles ainda prestavam.
Então começou a tocar Depeche Mode, Smiths e The Cure nas festinhas. The Cure era a favorita. E o Bob Smith virou um ídolo, com certeza. Por muito tempo tentava usar o cabelo espetado, mas como precisava usar muito gel pra isso - e odiava gel - acabei por deixar o cabelo crescer. É que também havia chegado a época de um rockinho tipo U2. Por um tempo achei que o Bono Vox era meu ídolo. Mas pensando agora, sei não...
Depois de uma época house, techno e afins, descobri Happy Mondays e todo o rock-dance inglês. Estava na Inglaterra no auge do Soup Dragons, EMF, Pet Shop Boys e New Order, e não pude deixar de curtir muito tudo aquilo. Por um tempo passei a raspar o cabelo dos lados e atrás, escondendo dentro do boné como se fosse careca - inspirado no James Atkin.
Simultâneamente ouvia também os ingleses mais malvados. Ouvia Sex Pistols sim, mas o que amava mesmo era Clash. Conheci Ramones via punk inglês. Os dois Joe foram grandes heróis. Minha vitrola ficou cansada de ouvir Queen por esses tempos. Ainda lembro onde estava e o que fazia quando o Mercury morreu.
Depois veio a fase metal. Quer dizer, metal e metal poser / hard rock. Ouvia Metallica, mas também Guns 'n Roses. Fui no show das duas, no começo da década de 90. Naquela época havia uma treta entre os fãs do Metallica e do Iron. Então não gostava de Iron - coisa que se inverteu completamente alguns anos depois...
Descobri o Deep Purple e Black Sabbath, atrasado. O Ian Gillan foi quase um ídolo, só não foi porque orbitavam os outros juntos com ele. Lord e Glenn Hughes, mas não Blackmore e Coverdale. Era um conjunto realmente, que se estendia ao Sabbath (ainda que hoje só goste mesmo da primeira fase).
Nisso tudo não tinha muitas heroínas na música. Exceção para a Joan Jett e a Siouxie. Quando descobri Nick Cave, também me apaixonei pela PJ, mas isso veio depois. Mas nunca quis emular uma delas - felizmente, acho.
Tenho a impressão que o último ídolo (não cara que respeito, mas ídolo mesmo) deve ter sido o Cobain. Nirvana foi a última coisa realmente incrível que ouvi. Na época do suicídio eu estava "brigado" com o Nirvana, em parte por conta da aproximação com o Hole e a Love. Achava que eles estavam decaindo. De qualquer maneira, doeu muito quando fiquei sabendo. E doeu mais ainda porque me senti um traidor, abandonado o cara.
Quando o Joey Ramone morreu, senti um vazio enorme. Chorei. Quando o Joe Strummer passou desta pra melhor, logo depois, começou a cair a ficha. Achei que a vida era realmente cruel. Meio como aquela música "only the good die young", sabe?
Com alguns acréscimos ou variantes (suicídio, assassinato, acidente, câncer, aids), vi que outro ídolo - também falecido cedo - tinha razão:
"Meu partido
É um coração partido
E as ilusões estão todas perdidas
Os meus sonhos foram todos vendidos - tão barato que eu nem acredito
Eu nem acredito
E aquele garoto que ia mudar o mundo
Frequenta agora as festas do Grand Monde
Meus heróis morreram de overdose
Meus inimigos estão no poder
Ideologia
Eu quero uma pra viver
O meu prazer agora é risco de vida
Meu sex and drugs não tem nenhum rock 'n' roll
Eu vou pagar a conta do analista
Pra nunca mais ter que saber quem eu sou
Pois aquele garoto que ia mudar o mundo
Agora assiste a tudo em cima do muro
Meus heróis morreram de overdose
Meus inimigos estão no poder"
E não morrem. São os mesmos, desde que eu me conheço por gente.
Há alguma coisa de esquisito em grande parte deles estar morta. Ou então terem se ferrado de alguma forma.
Bom, deixando a psicanálise, meu pai e minha mãe de fora, o primeiro ídolo de que eu me lembro de ter tido foi o Raul (Seixas) - pelo menos na música. Amava pluct plact zum, claro. Mas um monte de outras também. Até hoje canto emocionado quando ouço Cowboy fora da lei...
Beatles não conta muito. Sempre adorei, mas foi por influência do meu pai. Com o Raul sentia que a descoberta tinha sido minha, por meus próprios meios. Era mais meu.
Depois veio uma época em que eu adorava música, mas não tinha grandes heróis. Talvez um pouco o que todo mundo gostava, Renato Russo. Mas eu não me identificava muito com ele. Com as letras, sim, adorava. Mas aí também tinha Titãs, quando eles ainda prestavam.
Então começou a tocar Depeche Mode, Smiths e The Cure nas festinhas. The Cure era a favorita. E o Bob Smith virou um ídolo, com certeza. Por muito tempo tentava usar o cabelo espetado, mas como precisava usar muito gel pra isso - e odiava gel - acabei por deixar o cabelo crescer. É que também havia chegado a época de um rockinho tipo U2. Por um tempo achei que o Bono Vox era meu ídolo. Mas pensando agora, sei não...
Depois de uma época house, techno e afins, descobri Happy Mondays e todo o rock-dance inglês. Estava na Inglaterra no auge do Soup Dragons, EMF, Pet Shop Boys e New Order, e não pude deixar de curtir muito tudo aquilo. Por um tempo passei a raspar o cabelo dos lados e atrás, escondendo dentro do boné como se fosse careca - inspirado no James Atkin.
Simultâneamente ouvia também os ingleses mais malvados. Ouvia Sex Pistols sim, mas o que amava mesmo era Clash. Conheci Ramones via punk inglês. Os dois Joe foram grandes heróis. Minha vitrola ficou cansada de ouvir Queen por esses tempos. Ainda lembro onde estava e o que fazia quando o Mercury morreu.
Depois veio a fase metal. Quer dizer, metal e metal poser / hard rock. Ouvia Metallica, mas também Guns 'n Roses. Fui no show das duas, no começo da década de 90. Naquela época havia uma treta entre os fãs do Metallica e do Iron. Então não gostava de Iron - coisa que se inverteu completamente alguns anos depois...
Descobri o Deep Purple e Black Sabbath, atrasado. O Ian Gillan foi quase um ídolo, só não foi porque orbitavam os outros juntos com ele. Lord e Glenn Hughes, mas não Blackmore e Coverdale. Era um conjunto realmente, que se estendia ao Sabbath (ainda que hoje só goste mesmo da primeira fase).
Nisso tudo não tinha muitas heroínas na música. Exceção para a Joan Jett e a Siouxie. Quando descobri Nick Cave, também me apaixonei pela PJ, mas isso veio depois. Mas nunca quis emular uma delas - felizmente, acho.
Tenho a impressão que o último ídolo (não cara que respeito, mas ídolo mesmo) deve ter sido o Cobain. Nirvana foi a última coisa realmente incrível que ouvi. Na época do suicídio eu estava "brigado" com o Nirvana, em parte por conta da aproximação com o Hole e a Love. Achava que eles estavam decaindo. De qualquer maneira, doeu muito quando fiquei sabendo. E doeu mais ainda porque me senti um traidor, abandonado o cara.
Quando o Joey Ramone morreu, senti um vazio enorme. Chorei. Quando o Joe Strummer passou desta pra melhor, logo depois, começou a cair a ficha. Achei que a vida era realmente cruel. Meio como aquela música "only the good die young", sabe?
Com alguns acréscimos ou variantes (suicídio, assassinato, acidente, câncer, aids), vi que outro ídolo - também falecido cedo - tinha razão:
"Meu partido
É um coração partido
E as ilusões estão todas perdidas
Os meus sonhos foram todos vendidos - tão barato que eu nem acredito
Eu nem acredito
E aquele garoto que ia mudar o mundo
Frequenta agora as festas do Grand Monde
Meus heróis morreram de overdose
Meus inimigos estão no poder
Ideologia
Eu quero uma pra viver
O meu prazer agora é risco de vida
Meu sex and drugs não tem nenhum rock 'n' roll
Eu vou pagar a conta do analista
Pra nunca mais ter que saber quem eu sou
Pois aquele garoto que ia mudar o mundo
Agora assiste a tudo em cima do muro
Meus heróis morreram de overdose
Meus inimigos estão no poder"
E não morrem. São os mesmos, desde que eu me conheço por gente.
Tour gastronomique
Essa semana não foi só de trabalho, afinal de contas. Hoje eu percebi como comi bem em quase todos esses últimos dias!
Não fui daquela criança que ganhou presentes em dobro quando meus pais se separaram. A separação deles acabou acontecendo muito tarde. Em compensação, as experiências gastronômicas melhoraram muito e acontecem com muito mais frequência. Principalmente com meu pai, que foi para um apartamento pelado (e que deve continuar assim por muito tempo) e deve ter vergonha de que eu vá lá encontrar apenas uma geladeira com água e cerveja, um fogão limpinho e a namorada nova. Ele acaba sempre me levando para algum restaurante bacana. Nossos encontros sociais se dão, quase em sua totalidade, sentados à mesa, com pratos na nossa frente. Sem exagerar muito, acho que poderia arrumar um bico desses de fazer crítica de restaurante. Não que meu paladar seja muito apurado, mas eu já sei que lugar me agrada ou não - em matéria de comida, sim, mas de muito mais coisas também. Já não aturo muito ser mal atendido, por exemplo.
Com a minha mãe não tem tanto disso de sair, ela prefere fazer suas comidinhas maravilhosas e reunir os filhos e noras na casa dela. Tudo bem por mim - adoro a comida dela. Mas de vez em quando saímos juntos para comer também.
Essa semana, por exemplo, fomos na terça no Daitan. Atenção amantes de boa comida japonesa! É muito bom! Já havíamos ido (eu e Dani - continuo não falando na terceira pessoa) com o Bertrand, a Nashieli e a Sofia. Dessa vez fomos em família, à noite, quando não tem rodízio (atenção: o rodízio é bom! Não é só sushi de pepino não! Tem bastante variedade, e vem sempre atum, salmão... os peixinhos bacanas), mas o à la carte é delicioso também.
Quarta-feira: interregno labutar.
Quinta fomos com meu pai em uma churrascaria perto de casa que sempre me chamava a atenção quando passava na frente. Chama-se Red Angus. Especializada em carne... bom, de red angus, aquele boizão marrom-avermelhado. Simplesmente maravilhoso! E atenção: eles têm um petit gateau de limão!!! Muito melhor que o de chocolate, que já é muito bom. Pedi um filet de ancho (corte argentino) que quase não precisava de faca para cortar, de tão macio! Quem tem grana pra gastar pode pedir uma espécie de rodízio pessoal. Todas as partes do bicho vão sendo servidas em sequência. Festim diabólico literalmente.
Sexta: novo interregno para alcalose pós-prandial, porque ninguém é de ferro.
Sábado: tem uma pizzaria perto de casa muito gostosa. Eles têm uma pizza de rúcula que é o que há! E eu nunca gostei de rúcula... Fomos lá com meu pai.
Domingo: voltamos no Red Angus com meu pai, porque é muito bom! E nem tive coragem de pedir outra carne. Fui no filet de ancho de novo. E mais um petit gateau cítrico, porque... enfim, para que arriscar? Já sei o que funciona...
E hoje: Friday's. Ah, esses americanos roubaram metade do México dos mexicanos. Exploram sua força de trabalho. E roubam sua culinária também. Mas como é bom... não dá vontade de parar de comer.
Acho que só assim mesmo pra aguentar 10 horas de trabalho diário no computador.
Ah, e devo dizer: estamos aprendendo a cozinhar...
Não fui daquela criança que ganhou presentes em dobro quando meus pais se separaram. A separação deles acabou acontecendo muito tarde. Em compensação, as experiências gastronômicas melhoraram muito e acontecem com muito mais frequência. Principalmente com meu pai, que foi para um apartamento pelado (e que deve continuar assim por muito tempo) e deve ter vergonha de que eu vá lá encontrar apenas uma geladeira com água e cerveja, um fogão limpinho e a namorada nova. Ele acaba sempre me levando para algum restaurante bacana. Nossos encontros sociais se dão, quase em sua totalidade, sentados à mesa, com pratos na nossa frente. Sem exagerar muito, acho que poderia arrumar um bico desses de fazer crítica de restaurante. Não que meu paladar seja muito apurado, mas eu já sei que lugar me agrada ou não - em matéria de comida, sim, mas de muito mais coisas também. Já não aturo muito ser mal atendido, por exemplo.
Com a minha mãe não tem tanto disso de sair, ela prefere fazer suas comidinhas maravilhosas e reunir os filhos e noras na casa dela. Tudo bem por mim - adoro a comida dela. Mas de vez em quando saímos juntos para comer também.
Essa semana, por exemplo, fomos na terça no Daitan. Atenção amantes de boa comida japonesa! É muito bom! Já havíamos ido (eu e Dani - continuo não falando na terceira pessoa) com o Bertrand, a Nashieli e a Sofia. Dessa vez fomos em família, à noite, quando não tem rodízio (atenção: o rodízio é bom! Não é só sushi de pepino não! Tem bastante variedade, e vem sempre atum, salmão... os peixinhos bacanas), mas o à la carte é delicioso também.
Quarta-feira: interregno labutar.
Quinta fomos com meu pai em uma churrascaria perto de casa que sempre me chamava a atenção quando passava na frente. Chama-se Red Angus. Especializada em carne... bom, de red angus, aquele boizão marrom-avermelhado. Simplesmente maravilhoso! E atenção: eles têm um petit gateau de limão!!! Muito melhor que o de chocolate, que já é muito bom. Pedi um filet de ancho (corte argentino) que quase não precisava de faca para cortar, de tão macio! Quem tem grana pra gastar pode pedir uma espécie de rodízio pessoal. Todas as partes do bicho vão sendo servidas em sequência. Festim diabólico literalmente.
Sexta: novo interregno para alcalose pós-prandial, porque ninguém é de ferro.
Sábado: tem uma pizzaria perto de casa muito gostosa. Eles têm uma pizza de rúcula que é o que há! E eu nunca gostei de rúcula... Fomos lá com meu pai.
Domingo: voltamos no Red Angus com meu pai, porque é muito bom! E nem tive coragem de pedir outra carne. Fui no filet de ancho de novo. E mais um petit gateau cítrico, porque... enfim, para que arriscar? Já sei o que funciona...
E hoje: Friday's. Ah, esses americanos roubaram metade do México dos mexicanos. Exploram sua força de trabalho. E roubam sua culinária também. Mas como é bom... não dá vontade de parar de comer.
Acho que só assim mesmo pra aguentar 10 horas de trabalho diário no computador.
Ah, e devo dizer: estamos aprendendo a cozinhar...
sábado, dezembro 10, 2005
Pequena estafa
Acho que nem no período crítico, no final da redação da minha dissertação, eu fiquei tanto tempo na frente dessa tela.
Naquela época não tinha blog. Agora estou com os pulsos doloridos da digitação e ainda arrumo coragem para fazer mais uma coisa no computador.
Outro dia estava conversando sobre isso com a minha orientadora, que me disse que também está ficando dependente da rede. Progressivamente. Como muitos conhecidos, constatei. Todos com sintomas muito parecidos.
Eu acho que meu vício com computador superou de longe quaisquer outros vícios que eu tive ou tenha: cigarro, auto-comiseração, chocolate... Quando dá algum probleminha com ele, fico estressado. Já procuro algum técnico. Outro dia, por exemplo, queimou a fonte. Pânico. Achei que era algo pior. Levei na loja, já que estava na garantia ainda. E a angústia de esperar na salinha de recepção? Me sentia como um pai, aguardando o diagnóstico sobre a doença do filho.
O interessante é que ainda me sinto cuspindo no prato, já que adoro esse meu vício. É que, às vezes, surge o pequeno grilo falante, de dedo em riste, com algumas reclamações e protestos. Mas eles são débeis e fracos. O bichinho logo vai hibernar em algum canto.
Por outro lado, devo fazer um período de desitoxicação em breve. Primeiro o Ano Novo. Na roça. Num lugar em que não tem nem telefone - quanto mais internet. Tem, felizmente, muita cerveja - e muito, mas muito barata. E depois tem a viagem de férias, quando tentarei não navegar muito.
Na verdade, acho que o que está pesando mesmo são os trabalhos. Também fiquei triste ao saber que uns amigos, quando pensaram que tinham superado um problemão e que tudo finalmente parecia dar certo (filho e emprego na Alemanha), tiveram o tapete cruelmente puxado pelo destino. Mas ainda tenho esperança que tudo se resolva para eles.
Bom, essa semana, quando terminar um dos trabalhos, devo relaxar um pouco. Tem o aniversário de uma amiga querida. Também já combinei de sair com minha leitora (e escritora) preferida, que me faz ter vontade de escrever aqui, e de quem estou morrendo de saudades. E vinda de terras próximas - só que dos gângsters - chega a Paulinha. Combinei um cinema com outros amigos, para assistir qualquer coisa, até filme da Xuxa. E quero jogar um pouco de basquete, coisa que não faço há semanas.
Só tenho que me matar esse final de semana para terminar tudo.
Coisa que venho dizendo, percebo, há tempos - desde o final da graduação diga-se de passagem. Devo ter, enfim, algum parentesco com um conhecido passarinho mágico... sempre fico esgotado e tenho que arrumar força pra renascer de novo na semana seguinte.
Naquela época não tinha blog. Agora estou com os pulsos doloridos da digitação e ainda arrumo coragem para fazer mais uma coisa no computador.
Outro dia estava conversando sobre isso com a minha orientadora, que me disse que também está ficando dependente da rede. Progressivamente. Como muitos conhecidos, constatei. Todos com sintomas muito parecidos.
Eu acho que meu vício com computador superou de longe quaisquer outros vícios que eu tive ou tenha: cigarro, auto-comiseração, chocolate... Quando dá algum probleminha com ele, fico estressado. Já procuro algum técnico. Outro dia, por exemplo, queimou a fonte. Pânico. Achei que era algo pior. Levei na loja, já que estava na garantia ainda. E a angústia de esperar na salinha de recepção? Me sentia como um pai, aguardando o diagnóstico sobre a doença do filho.
O interessante é que ainda me sinto cuspindo no prato, já que adoro esse meu vício. É que, às vezes, surge o pequeno grilo falante, de dedo em riste, com algumas reclamações e protestos. Mas eles são débeis e fracos. O bichinho logo vai hibernar em algum canto.
Por outro lado, devo fazer um período de desitoxicação em breve. Primeiro o Ano Novo. Na roça. Num lugar em que não tem nem telefone - quanto mais internet. Tem, felizmente, muita cerveja - e muito, mas muito barata. E depois tem a viagem de férias, quando tentarei não navegar muito.
Na verdade, acho que o que está pesando mesmo são os trabalhos. Também fiquei triste ao saber que uns amigos, quando pensaram que tinham superado um problemão e que tudo finalmente parecia dar certo (filho e emprego na Alemanha), tiveram o tapete cruelmente puxado pelo destino. Mas ainda tenho esperança que tudo se resolva para eles.
Bom, essa semana, quando terminar um dos trabalhos, devo relaxar um pouco. Tem o aniversário de uma amiga querida. Também já combinei de sair com minha leitora (e escritora) preferida, que me faz ter vontade de escrever aqui, e de quem estou morrendo de saudades. E vinda de terras próximas - só que dos gângsters - chega a Paulinha. Combinei um cinema com outros amigos, para assistir qualquer coisa, até filme da Xuxa. E quero jogar um pouco de basquete, coisa que não faço há semanas.
Só tenho que me matar esse final de semana para terminar tudo.
Coisa que venho dizendo, percebo, há tempos - desde o final da graduação diga-se de passagem. Devo ter, enfim, algum parentesco com um conhecido passarinho mágico... sempre fico esgotado e tenho que arrumar força pra renascer de novo na semana seguinte.
quinta-feira, dezembro 08, 2005
Laissez faire, laissez passer... laissez tromper

Tudo bem, caiu o muro. A URSS não deu certo. Entre Gulag e maracutaias escusas em tudo em quanto é lugar, o modelo socialista de economia não funcionou. De tanto construir bomba, faltou sabão (ainda não sei direito o que pensar da China. Às vezes acho que é tudo propaganda. Como a bolsa: "aquela empresa tem boas ações" - assim, ela terá, porque compraremos as ações, convencidos de que a premissa é verdadeira. Um bilhão e meio de neguinho deve produzir pra caramba realmente. Mas como funciona a distribuição do bolo?). Ficamos, infelizmente talvez, só com o mercado capitalista. Agora, a única coisa que deveria funcionar nessa joça... não funciona!
Fiquei nervoso esses dias. A conta do telefone, de novo (detalhe que é a única conta que dá problema, o que me faz pensar que a culpa pode não ser do correio), não veio. Segunda via? Sim, porque não?! Adoramos (eu e a Dani - não falo na terceira pessoa) pagar a taxa de segunda via e enriquecer mais ainda uns espanhóis por aí. A conta finalmente chegou hoje, mas... depois do vencimento. Claro, não foi por isso que pedimos segunda via? Mas, "evidentemente", a Telefonica não tem como saber se não chegou mesmo depois do vencimento e se nós dizemos a verdade, então mantêm a mesma data. Agora, eu poderia retrucar com "como vou saber se vocês mandaram, pra começo de conversa?" Não é a mesma lógica? Porque cargas d'água eu pagaria uma taxa se já tivesse recebido a conta? Resumo da ópera: pagar a segunda via E a multa. Já deve ser a terceira vez que isso acontece. Essa merece procom... depois do feriado, claro(?!?).
O raciocínio levaria a crer que o problema é a falta de concorrência. Meu pai, por exemplo, já desistiu da linha fixa. Ficou só com o celular. O único argumento que eu levanto é o do câncer, mas ele diz que já está ficando velho e que não vai dar tempo de dar zica...
Agora, com internet não falta concorrência. O mercado deveria naturalmente privilegiar os bons prestadores de serviço, não? Engano. Aqui também vira e mexe dá tilt na internet. Só que eu não quero desculpas, não quero saber se houve um congestionamento virtual que atrapalhou tudo. Por 75 paus por mês eu quero que funcione a qualquer hora do dia e do ano! Agora tem horas que funciona, horas que não. E algumas páginas, como o meu blog quando publicado, não aparecem. Eu me sinto enganado. E com a estranha sensação de que a culpa é minha, de alguma maneira obscura e maligna.
Sabe o que eu acho? Que nos acostumamos com serviço porcaria e não reclamamos como deveríamos. Se estamos caminhando para a falência completa do seguro estatal e temos que pagar uma nota preta por tudo, eu quero que pelo menos funcione como nas propagandas! Só que, ao que parece, as utopias devem ter morrido com o comunismo. Afinal, quem já teve servido um sanduíche igual ao da foto?
sábado, dezembro 03, 2005
Il Cine italiano non è guasto
É muito bom quando você assiste um filme sem qualquer pretensão e ele te surpreende, não? Hoje peguei, no comecinho, um do Donald Sutherland, ator que eu sempre gostei. Não sou exatamente da época do MASH, aquele ótimo do Altman, mas adorava quando passava na tv. O Sutherland era meu personagem preferido. Tinha uma cara de tarado, misturado com uma feição de quem é inteligentíssimo e não pára de pensar um segundo sequer, sempre com o cérebro a toda - o que produzia uma impressão maravilhosa! (Com a idade isso se diluiu um pouco. Agora ele consegue passar a imagem de um senhor respeitável, com aquela barba alva, sempre retíssimo em toda sua altura, e os olhos azulzíssimos que iluminam o rosto. Mas se você olhar bem, principalmente quando ele sorri...)
O filme se chama Piazza delle Cinque Lune, exemplo de que a Cinecittà ainda faz filme bom. O diretor, que não conhecia, chama-se Renzo Martinelli. As tomadas e a fotografia... lindas! A história é interessante também: Um dos terroristas (presumidamente da Brigada Rossa) do sequestro e assassinato, no final da década de 1970, do então Primeiro Ministro italiano, Aldo Moro, está com câncer e resolve contar através de enigmas e pistas obscuras a verdade do caso a um juiz aposentado, interpretado pelo Sutherland.
O crime estaria ligado à tentativa de Moro em aproximar os membros do partido comunista e os do partido conservador católico italianos - coisa que traía o equilíbrio tenso e dicotômico criado em Ialta no final da guerra, e impensável tanto para americanos como para soviéticos. Durante o cativeiro, ele teria escrito um dossiê com segredos com os podres dos governos ocidentais que compunham a OTAN durante a guerra fria. A investigação leva à indicios da participação do Serviço Secreto italiano, do Ministério do Interior e, claro, da CIA e da KGB.
Aí vira um triller que se perde às vezes, mas que me fez lembrar do livro O Santo Grau e o Cálice Sagrado, aquele dos historiadores que teriam recebido pistas na Biblioteca Nacional em Paris sobre o segredo da linhagem merovíngia de Jesus e começam uma busca tipo Fio de Ariadne.
Trata-se, no fundo, dessa mistura de lhe ser oferecido o topo do iceberg da Verdade, mas também a perseguição dos que guardam o segredo. Como é também o caso do ótimo começo do Operação Cavalo de Tróia, do Benitez. Você acaba se perguntando: "mas será que é apenas ficção mesmo? Esta não seria a melhor maneira de contar um segredo? Ou seja, dizer a verdade em forma de romance?" Entretanto, ao mesmo tempo em que você sempre avança, o segredo sempre acaba fugindo de você. Também não é possível deixar de ficar desconfiado se você não está sendo manipulado na análise das pistas que lhe são dadas.
Descobri que o diretor entrevistou, durante as filmagens, um ex-integrante da Brigada Vermelha, a viúva de Moro, uma filha, e diversas outras pessoas ligadas ao caso - o que dá um toque especial à aura em torno da história e do filme.
Agora, sabe o que me deixou com a orelha em pé? A teoria da conspiração aponta para o envolvimento de uma Loja maçônica na coordenação do crime! Diversos elementos simbólicos maçônicos são descobertos na investigação, reforçando a tese. Na verdade, desde o livro de Baigent, Leigh e Lincoln, passando por trocentos livrinhos de romance histórico e chegando ao pop Dan Brown, a Maçonaria entra no rolo, fornecendo o elemento do segredo e do mistério, guardados por uma sociedade de iniciados - um conhecimento que, na imaginação popular, é bem concreto, e também implica em perigo e poder.
Enfim, o filme é bem interessante. Pelo menos para uma tarde preguiçosa, sentado na frente da tv. E o Sutherland é ótimo. Há também uma coisa do filme que lembra a época de ouro do cinema italiano. A cadência do realismo, mas misturada com um pouco mais de ação do cinema moderno. Diálogos desconcertantes, mas cheios de significado. E a dublagem dos atores - algo que o Fellini adorava fazer. Aliás, não é a primeira experiência do Donald Sutherland com o cinema italiano. Ele já havia feito o Casanova do Fellini. Não é um dos meus favoritos do Fellini, mas, enfim, é dele... Quer dizer, esse filme de hoje não chega aos pés dos antigos do Cinecittà, mas foi legal saber que eles não viraram um templo da Universal ou algo assim, e continuam a fazer cinema.
Agora, o filme do Sutherland que eu mais gostei (talvez depois de MASH), foi Os 12 Condenados. Esse eu amo! Dirty Dozen conseguiu reunir alguns dos atores mais legais da safra mais antiga dos EUA: Ernest Borgnine, Telly Savalas, Charles Bronson, Lee Marvin e o Sutherland, um dos mais jovens do elenco. Da época em que ainda faziam bons filmes de guerra.
O filme se chama Piazza delle Cinque Lune, exemplo de que a Cinecittà ainda faz filme bom. O diretor, que não conhecia, chama-se Renzo Martinelli. As tomadas e a fotografia... lindas! A história é interessante também: Um dos terroristas (presumidamente da Brigada Rossa) do sequestro e assassinato, no final da década de 1970, do então Primeiro Ministro italiano, Aldo Moro, está com câncer e resolve contar através de enigmas e pistas obscuras a verdade do caso a um juiz aposentado, interpretado pelo Sutherland.
O crime estaria ligado à tentativa de Moro em aproximar os membros do partido comunista e os do partido conservador católico italianos - coisa que traía o equilíbrio tenso e dicotômico criado em Ialta no final da guerra, e impensável tanto para americanos como para soviéticos. Durante o cativeiro, ele teria escrito um dossiê com segredos com os podres dos governos ocidentais que compunham a OTAN durante a guerra fria. A investigação leva à indicios da participação do Serviço Secreto italiano, do Ministério do Interior e, claro, da CIA e da KGB.
Aí vira um triller que se perde às vezes, mas que me fez lembrar do livro O Santo Grau e o Cálice Sagrado, aquele dos historiadores que teriam recebido pistas na Biblioteca Nacional em Paris sobre o segredo da linhagem merovíngia de Jesus e começam uma busca tipo Fio de Ariadne.
Trata-se, no fundo, dessa mistura de lhe ser oferecido o topo do iceberg da Verdade, mas também a perseguição dos que guardam o segredo. Como é também o caso do ótimo começo do Operação Cavalo de Tróia, do Benitez. Você acaba se perguntando: "mas será que é apenas ficção mesmo? Esta não seria a melhor maneira de contar um segredo? Ou seja, dizer a verdade em forma de romance?" Entretanto, ao mesmo tempo em que você sempre avança, o segredo sempre acaba fugindo de você. Também não é possível deixar de ficar desconfiado se você não está sendo manipulado na análise das pistas que lhe são dadas.
Descobri que o diretor entrevistou, durante as filmagens, um ex-integrante da Brigada Vermelha, a viúva de Moro, uma filha, e diversas outras pessoas ligadas ao caso - o que dá um toque especial à aura em torno da história e do filme.
Agora, sabe o que me deixou com a orelha em pé? A teoria da conspiração aponta para o envolvimento de uma Loja maçônica na coordenação do crime! Diversos elementos simbólicos maçônicos são descobertos na investigação, reforçando a tese. Na verdade, desde o livro de Baigent, Leigh e Lincoln, passando por trocentos livrinhos de romance histórico e chegando ao pop Dan Brown, a Maçonaria entra no rolo, fornecendo o elemento do segredo e do mistério, guardados por uma sociedade de iniciados - um conhecimento que, na imaginação popular, é bem concreto, e também implica em perigo e poder.
Enfim, o filme é bem interessante. Pelo menos para uma tarde preguiçosa, sentado na frente da tv. E o Sutherland é ótimo. Há também uma coisa do filme que lembra a época de ouro do cinema italiano. A cadência do realismo, mas misturada com um pouco mais de ação do cinema moderno. Diálogos desconcertantes, mas cheios de significado. E a dublagem dos atores - algo que o Fellini adorava fazer. Aliás, não é a primeira experiência do Donald Sutherland com o cinema italiano. Ele já havia feito o Casanova do Fellini. Não é um dos meus favoritos do Fellini, mas, enfim, é dele... Quer dizer, esse filme de hoje não chega aos pés dos antigos do Cinecittà, mas foi legal saber que eles não viraram um templo da Universal ou algo assim, e continuam a fazer cinema.
Agora, o filme do Sutherland que eu mais gostei (talvez depois de MASH), foi Os 12 Condenados. Esse eu amo! Dirty Dozen conseguiu reunir alguns dos atores mais legais da safra mais antiga dos EUA: Ernest Borgnine, Telly Savalas, Charles Bronson, Lee Marvin e o Sutherland, um dos mais jovens do elenco. Da época em que ainda faziam bons filmes de guerra.
Assinar:
Postagens (Atom)

