A Paula que foi para a terra dos gângsters, mas o que acontece aqui é um verdadeiro pulp fiction de máfia da mais típica e assustadora qualidade. Não fica devendo pra nenhuma Cosa Nostra por aí. Já tinha ouvido falar, por fontes seguras, da coerção que outro famoso legista sofreu. Ele ficou desgraçado e desmoralizado depois da investigação de outro famoso crime ocorrido na última grande crise que aconteceu neste velho oeste que chamamos de Brasil (nesse sentido demorou pra ter uma novela chamada Bang Bang), a anterior desta palhaçada atual. Agora outro foi morto depois que disse que o prefeito foi torturado antes de ser assassinado.
Teve também outro moço que foi morto esses dias por sua opção sexual. A outra foi dopada, estuprada e teve o vídeo do crime, feito pelos dementes, baixado na internet. Aqui mesmo nesta gloriosa cidade. Toda hora. Não no Afeganistão ou nos EUA. E existem, infelizmente, as aves de rapina, os peixes-piolho, que dizem que a culpa foi deles. Eles que provocaram. Quem mandou ser gay, quem mandou ser gostosa e extrovertida (a famosa "fácil")? A falácia de um país que se pretende democrático, em que você pode ser quem quiser, se revela como uma bofetada quente na cara nessas horas.
Político que renuncia porque sabe que vai ter neguinho que vai votar nele de novo nas próximas eleições, imbecil que acha que está sendo original e contra-corrente ao defender o tadinho do Maluf (procure comunidades disso no orkut, você vai achar). É, assim é a democracia. Ou assim é o mundo. Não sei, acho que a quantidade das pessoas que perderam feio o rumo na vida está aumentando exponencialmente.
Apenas para não ser muito down (eu que não quero ficar deprimido): mais uma amiga vai ser mãe!!! Parabéns Lu! E para a Cris: Ráááááááááááááá!
quarta-feira, outubro 12, 2005
terça-feira, outubro 11, 2005
Crônica existencial?
Ivich corria ofegante. Tropeçava em galhos velhos espalhados no chão, em pedras, em pequenos montinhos de terra, sempre olhando por sobre o ombro esquerdo. Seu pescoço inexplicavelmente doía quando tentava virar a cabeça para o outro lado.
Sentia que algo estava cada vez mais perto. Mas o pouco que lhe restava de raciocínio fazia com que percebesse que se esse algo ou esse alguém quisesse realmente alcançá-la, certamente o faria. Apenas a provocava, caçoava sadicamente de sua inútil tentativa de fugir. Como se fosse um jogo cujo resultado não poderia ser outro que não o já estabelecido por seu perseguidor - o que, evidentemente, não impediria qualquer um na sua posição de tentar evitar.
Ou talvez não fosse assim. Talvez já estivesse alucinada e pensasse que raciocinava, mas na verdade era apenas um recurso desesperado de buscar esperança. Ele podia de fato não estar brincando com "sua comida", mas avançando inexoravelmente, devorando lentamente a distância que os separava para apanhá-la e então fazer não se sabe que horrores.
Este último pensamento fez com que se desse conta que de fato raciocinava. Mesmo com a possibilidade de estar equivocada.
"Pelo menos isso", disse para si mesma baixinho. O que não melhorava muito as coisas. Talvez fosse até melhor estar completamente anestesiada pelo pavor, reavaliou um instante depois.
Este mesmo fiapo de raciocínio, o que não era usado para mexer as pernas, desviar das árvores no caminho e tentar resistir à tentação de se encolher e chorar, teimava em evocar as memórias mais disparatadas. Ficou horrorizada quando se viu pensando em sorvete de macadamia da Häagen-Dazs e de uma viagem que fez a Barcelona há alguns anos. Estupidamente bizarro, nas atuais circunstâncias. Dentre as imagens estapafúrdias que desfilaram em sua mente naquele momento, lembrou de quando tudo começou. Ou pelo menos de quando percebeu que algo de ruim havia começado.
No que acreditava ter acontecido dois dias atrás, recebeu uma carta no seu apartamento. No remetente, estava escrito apenas "Boris". Seu próprio nome aparecia como a única informação no verso. Dentro do envelope havia apenas uma folha amarela com uma marca d'água de um sobrenome que não conhecia. Eslavo, pensou.
Antes mesmo de ler a mensagem, já havia evocado o romance de Sartre na sua cabeça. Afinal, nunca conheceu outra Ivich antes, nem mesmo um Boris. A reunião de ambos os nomes no misterioso envelope era por demais significativo para que deixasse de evocar o livro, que evidentemente conhecia bem. Afinal, era quase uma obrigação conhecê-lo.
Seus pais moraram na França durante a década de 1960 e Jean-Paul Sartre era um verdadeiro herói para ambos. Seu nome, Ivich, era uma referência à um dos mais conhecidos romances do francês, o primeiro da trilogia dos caminhos da liberdade.
Não poderia ser apenas coincidência receber uma carta de um Boris, desconhecido, também nome de outro protagonista do livro. Parou por um instante antes de começar a ler e se pôs a divagar sobre o estranho fato. Sentia-se ela mesma num romance, mas um do Umberto Eco. Será que o remetente se chamava mesmo Boris? Acaso seria alguma brincadeira? Duvidava que se tratasse de algo fortuito. As pessoas não associavam seu nome com um personagem literário. Apenas o achavam diferente. Nunca encontrou alguém que, ao saber como se chamava, perguntasse "como a do livro?"
As únicas linhas no papel eram apenas uma citação do romance: "o perfume de Ivich ainda flutuava. Respirou-o e reviu aquele dia tumultuoso. Pensou: 'Muito barulho à toa, por nada'. Por nada. Essa vida era-lhe dada à toa, ele não era nada e no entanto não mudaria mais. Estava formado".
Abaixo uns rabiscos incompreensíveis e outro nome: Daniel. Por algum motivo sua nuca arrepiou completamente ao terminar de ler a carta. Amassou-a e jogou no lixo da cozinha.
O dia seguinte passou lento. Não fez nada que fugisse de sua rotina programada de trabalho, mas uma sensação de incômodo a acompanhou por quase todo o tempo.
Depois dessa noite, quando cumpriu seu ritual de checar e-mails, tomar uma ducha rápida, despir-se e deitar, não se lembrou mais de nada. Acordou numa clareira, não mais nua como foi dormir. Vestia roupas que não conhecia. Logo sentiu que alguém ou alguma coisa a espreitava. Um senso de perigo iminente aflorou na mesma hora, na forma de uma descarga de adrenalina e um suor acre, frio e abundante. Sentiu-se como melecada com algo viscoso, ainda que estivesse limpa. A consciência de seu próprio cheiro seria curiosíssima se não fosse também apavorante. Foi quando começou a correr.
Mal terminou de relembrar das coisas que antecederam sua corrida sem direção, encontrou uma casa. Perdida e solitária entre árvores enormes, escuras e ameaçadoras. Na soleira da porta, um tapete personalizado: "Mathieu".
Decidiu que não queria ter razão. Não entrou na casa. Há muito que aprendeu a desconfiar do existencialismo.
Sentia que algo estava cada vez mais perto. Mas o pouco que lhe restava de raciocínio fazia com que percebesse que se esse algo ou esse alguém quisesse realmente alcançá-la, certamente o faria. Apenas a provocava, caçoava sadicamente de sua inútil tentativa de fugir. Como se fosse um jogo cujo resultado não poderia ser outro que não o já estabelecido por seu perseguidor - o que, evidentemente, não impediria qualquer um na sua posição de tentar evitar.
Ou talvez não fosse assim. Talvez já estivesse alucinada e pensasse que raciocinava, mas na verdade era apenas um recurso desesperado de buscar esperança. Ele podia de fato não estar brincando com "sua comida", mas avançando inexoravelmente, devorando lentamente a distância que os separava para apanhá-la e então fazer não se sabe que horrores.
Este último pensamento fez com que se desse conta que de fato raciocinava. Mesmo com a possibilidade de estar equivocada.
"Pelo menos isso", disse para si mesma baixinho. O que não melhorava muito as coisas. Talvez fosse até melhor estar completamente anestesiada pelo pavor, reavaliou um instante depois.
Este mesmo fiapo de raciocínio, o que não era usado para mexer as pernas, desviar das árvores no caminho e tentar resistir à tentação de se encolher e chorar, teimava em evocar as memórias mais disparatadas. Ficou horrorizada quando se viu pensando em sorvete de macadamia da Häagen-Dazs e de uma viagem que fez a Barcelona há alguns anos. Estupidamente bizarro, nas atuais circunstâncias. Dentre as imagens estapafúrdias que desfilaram em sua mente naquele momento, lembrou de quando tudo começou. Ou pelo menos de quando percebeu que algo de ruim havia começado.
No que acreditava ter acontecido dois dias atrás, recebeu uma carta no seu apartamento. No remetente, estava escrito apenas "Boris". Seu próprio nome aparecia como a única informação no verso. Dentro do envelope havia apenas uma folha amarela com uma marca d'água de um sobrenome que não conhecia. Eslavo, pensou.
Antes mesmo de ler a mensagem, já havia evocado o romance de Sartre na sua cabeça. Afinal, nunca conheceu outra Ivich antes, nem mesmo um Boris. A reunião de ambos os nomes no misterioso envelope era por demais significativo para que deixasse de evocar o livro, que evidentemente conhecia bem. Afinal, era quase uma obrigação conhecê-lo.
Seus pais moraram na França durante a década de 1960 e Jean-Paul Sartre era um verdadeiro herói para ambos. Seu nome, Ivich, era uma referência à um dos mais conhecidos romances do francês, o primeiro da trilogia dos caminhos da liberdade.
Não poderia ser apenas coincidência receber uma carta de um Boris, desconhecido, também nome de outro protagonista do livro. Parou por um instante antes de começar a ler e se pôs a divagar sobre o estranho fato. Sentia-se ela mesma num romance, mas um do Umberto Eco. Será que o remetente se chamava mesmo Boris? Acaso seria alguma brincadeira? Duvidava que se tratasse de algo fortuito. As pessoas não associavam seu nome com um personagem literário. Apenas o achavam diferente. Nunca encontrou alguém que, ao saber como se chamava, perguntasse "como a do livro?"
As únicas linhas no papel eram apenas uma citação do romance: "o perfume de Ivich ainda flutuava. Respirou-o e reviu aquele dia tumultuoso. Pensou: 'Muito barulho à toa, por nada'. Por nada. Essa vida era-lhe dada à toa, ele não era nada e no entanto não mudaria mais. Estava formado".
Abaixo uns rabiscos incompreensíveis e outro nome: Daniel. Por algum motivo sua nuca arrepiou completamente ao terminar de ler a carta. Amassou-a e jogou no lixo da cozinha.
O dia seguinte passou lento. Não fez nada que fugisse de sua rotina programada de trabalho, mas uma sensação de incômodo a acompanhou por quase todo o tempo.
Depois dessa noite, quando cumpriu seu ritual de checar e-mails, tomar uma ducha rápida, despir-se e deitar, não se lembrou mais de nada. Acordou numa clareira, não mais nua como foi dormir. Vestia roupas que não conhecia. Logo sentiu que alguém ou alguma coisa a espreitava. Um senso de perigo iminente aflorou na mesma hora, na forma de uma descarga de adrenalina e um suor acre, frio e abundante. Sentiu-se como melecada com algo viscoso, ainda que estivesse limpa. A consciência de seu próprio cheiro seria curiosíssima se não fosse também apavorante. Foi quando começou a correr.
Mal terminou de relembrar das coisas que antecederam sua corrida sem direção, encontrou uma casa. Perdida e solitária entre árvores enormes, escuras e ameaçadoras. Na soleira da porta, um tapete personalizado: "Mathieu".
Decidiu que não queria ter razão. Não entrou na casa. Há muito que aprendeu a desconfiar do existencialismo.
domingo, outubro 09, 2005
Boas novas
Ingresso comprado, passagem reservada, esse final/começo de ano promete!!! Pregos de 9 polegadas (como vi uma vez numa tradução de um livro gringo! Conhece essa banda? Não sei o que é pior: tradutor que parece que põe tudo em um programa de tradução, ou revisor que não manja nada da cultura de onde saiu o livro), Iggy Pop, Sonic Youth!! Ardeu e estou sem olhos, mas vale a pena! E vamos Dani e eu pro velho continente depois! Visitar pessoas queridas que há muito não vemos.
Agora tenho que deixar tudo nos trinques, certinho e arrumado. Gosto de viajar sem nenhuma preocupação. Ou seja, acho que terei que sumir por um tempo. Quer dizer, sumir de lá de fora = ficar mais tempo no computador. Então devo aparecer mais por aqui na forma de ermitão. Sorte (ou azar, vai saber) de você...
Agora tenho que deixar tudo nos trinques, certinho e arrumado. Gosto de viajar sem nenhuma preocupação. Ou seja, acho que terei que sumir por um tempo. Quer dizer, sumir de lá de fora = ficar mais tempo no computador. Então devo aparecer mais por aqui na forma de ermitão. Sorte (ou azar, vai saber) de você...
quinta-feira, outubro 06, 2005
Cruz, espada e nada in between
Bom, greve de fome bem sucedida, que pôde trazer de volta uma discussão que desde quando eu estava no colégio lembro de existir, mas que parecia meio morta fora da região nordeste: a transposição do Velho Chico.
Quando surgem essas questões polêmicas, fico em parafuso, porque tenho receio de tomar posição partidária e procuro "ir pela lógica" ou pelo razoável. Aí me ferro, porque fazendo uma limpeza dos argumentos imbecis que existem de ambos os lados, fico com uma série de questões que em princípio são legítimas. Às vezes parece que tudo se resume em pesar tudo na balança. Claro, para mim é mais fácil ver as coisas assim. Não passo sede e, apesar de pagar uma nota todo mês, não me falta energia elétrica. Tudo bem, passar sede é pior que não ter luz. Mas há de fato garantia de que desviando o rio acabará a sede? Desviando, o suprimento de eletricidade pode ser conseguido por outros meios? A Escolha de Sofia ganha carne aqui em terras brazucas nos termos de "se correr o bicho pega, se ficar o bicho come", ou então a metáfora da panela e do fogo e por aí vai. E nem sei se as equações ter luz = ter sede; não ter sede = não ter luz, são reais.
O que me dá medo é que algumas dessas reinvidicações legítimas não encontram respaldo na possibilidade ou na intenção e no comprometimento sérios em realizá-las. Ou são tomadas sem nem sequer levar em consideração o que dizem seus adversários. Ah, eles eles ouvem sim, mas não escutam.
Isso fica claro na campanha do desarmamento. Ontem mesmo assisti o Jô Soares e lá falaram sobre isso (foi quarta, então era dia da mesa redonda com as 4 mulheres). Havia 3 a favor do desarmamento, 1 em dúvida e ele era contra. O que me intrigava era que eu tinha a impressão que o debate entre o sim e o não parecia operar em níveis diferentes de argumentação. Não sei se havia uma comunicação de fato entre eles. Sei de cor os argumentos a favor e os contra. Cada um elencava-os usque ad nauseam, bem como utilizava os contra-argumentos, também já canonizados e repetidos à exaustão, para se contrapor ao outro (o Jô Soares ainda tinha um forte trunfo: os macaquinhos de auditório que aplaudiam tudo o que ele falava, como se fosse muito corajoso em falar o que ninguém fala, mas pensa, e ser a princípio contra qualquer proibição - o que num país ainda cicatrizando as feridas de uma ditadura que estava aí até ontem, ganha um peso enorme; é chique até. O que para mim é equivalente ao mecanismo de dar um murro na mesa. Você vence o outro por não deixá-lo falar, ou deixá-lo constrangido ou coagido). De maneira geral, correndo o risco de simplificar algo que não é de maneira nenhuma simples, o argumento a favor do desarmamento parece basear-se em questões de princípio pacifistas ou em estatísticas do tipo "morre muito mais gente e há muito mais acidentes com a posse de arma por pessoas não capacitadas e você não pode competir com o bandido treinado"; o argumento contra parece vir no sentido do princípio do direito individual, respaldado pelo argumento de que a proibição não coibe o comércio ilegal de quem quer ter uma arma de qualquer jeito (e a perigosa analogia com a revolução russa e o nazismo, que desarmaram a população antes de criar gulags ou auschwitz por lá, com o governo Lula - como se fosse um partido aspirante ao totalitarismo que quer o poder por 1000 anos. Ainda que todo partido queira a reeleição, não vejo qualquer cabimento nessa comparação. Mesmo porque não acho que o PT tenha qualquer força para tanto).
Por um lado o seu direito de ter uma arma e exercer sua condição de indivíduo soberano e responsável. Por outro a "realidade" do "não é bem assim, seu direito alimenta o arsenal do bandido e você pode matar sem querer seu filho que chegou em casa bêbado de madrugada". Ambos lados têm dois argumentos: o teórico e o prático. Porque se é a favor ou contra de acordo com algum princípio e como justificá-los com exemplos concretos. Repertório para tal não falta. Só que tais argumentos são contrapostos em uma salada maluca. Além disso, o que se espera ao votar sim ao desarmamento? Que seja menos pior que haja proibição do comercio legal do que o contrário, ou porque idealmente se espera uma sociedade desarmada, ou porque quer dormir de consciência tranquila com o discurso do "fiz minha parte"? Vota por princípio ou porque se tem convicção de que as coisas melhorarão? Você vota porque a outra opção representa pouco em mudança real? Às vezes sou um tanto pessimista. Por vezes acho que não muda muita coisa na prática, mesmo querendo acreditar no contrário. Talvez na sua consciência mude, sei lá. Outra coisa é que também se constrói uma dicotomia tão irreconciliável, mas que curiosamente se expressa em níveis diferentes (me pergunto até se eles podem de fato ser contrapostos), que você não pode ficar no meio termo. No mínimo parece um diálogo de surdos (bom, diálogo é eufemismo).
No caso do São Francisco, porque a reivindicação de ter água para beber deve passar necessariamente por cima de talvez (porque nem isso é muito debatido) matar o rio? Não se pode discutir outras opções? Afinal, apenas para citar uma alternativa, se não tivesse tanta roubalheira na sudene com o lance das águas subterrâneas (ou na manipulação de outras fontes hidrográficas), talvez houvesse mais água pra galera. Se alguém diz que é contra a transposição já é reacionário ou então cruel. Se alguém é a favor, é iludido ou um latifundiário wanna be. O que não pode é ter que haver um bispo passando fome para somente então parar e discutir algo que se não for feito com cuidado pode criar mais um gigantesco elefante branco - sedento e no escuro.
Quando surgem essas questões polêmicas, fico em parafuso, porque tenho receio de tomar posição partidária e procuro "ir pela lógica" ou pelo razoável. Aí me ferro, porque fazendo uma limpeza dos argumentos imbecis que existem de ambos os lados, fico com uma série de questões que em princípio são legítimas. Às vezes parece que tudo se resume em pesar tudo na balança. Claro, para mim é mais fácil ver as coisas assim. Não passo sede e, apesar de pagar uma nota todo mês, não me falta energia elétrica. Tudo bem, passar sede é pior que não ter luz. Mas há de fato garantia de que desviando o rio acabará a sede? Desviando, o suprimento de eletricidade pode ser conseguido por outros meios? A Escolha de Sofia ganha carne aqui em terras brazucas nos termos de "se correr o bicho pega, se ficar o bicho come", ou então a metáfora da panela e do fogo e por aí vai. E nem sei se as equações ter luz = ter sede; não ter sede = não ter luz, são reais.
O que me dá medo é que algumas dessas reinvidicações legítimas não encontram respaldo na possibilidade ou na intenção e no comprometimento sérios em realizá-las. Ou são tomadas sem nem sequer levar em consideração o que dizem seus adversários. Ah, eles eles ouvem sim, mas não escutam.
Isso fica claro na campanha do desarmamento. Ontem mesmo assisti o Jô Soares e lá falaram sobre isso (foi quarta, então era dia da mesa redonda com as 4 mulheres). Havia 3 a favor do desarmamento, 1 em dúvida e ele era contra. O que me intrigava era que eu tinha a impressão que o debate entre o sim e o não parecia operar em níveis diferentes de argumentação. Não sei se havia uma comunicação de fato entre eles. Sei de cor os argumentos a favor e os contra. Cada um elencava-os usque ad nauseam, bem como utilizava os contra-argumentos, também já canonizados e repetidos à exaustão, para se contrapor ao outro (o Jô Soares ainda tinha um forte trunfo: os macaquinhos de auditório que aplaudiam tudo o que ele falava, como se fosse muito corajoso em falar o que ninguém fala, mas pensa, e ser a princípio contra qualquer proibição - o que num país ainda cicatrizando as feridas de uma ditadura que estava aí até ontem, ganha um peso enorme; é chique até. O que para mim é equivalente ao mecanismo de dar um murro na mesa. Você vence o outro por não deixá-lo falar, ou deixá-lo constrangido ou coagido). De maneira geral, correndo o risco de simplificar algo que não é de maneira nenhuma simples, o argumento a favor do desarmamento parece basear-se em questões de princípio pacifistas ou em estatísticas do tipo "morre muito mais gente e há muito mais acidentes com a posse de arma por pessoas não capacitadas e você não pode competir com o bandido treinado"; o argumento contra parece vir no sentido do princípio do direito individual, respaldado pelo argumento de que a proibição não coibe o comércio ilegal de quem quer ter uma arma de qualquer jeito (e a perigosa analogia com a revolução russa e o nazismo, que desarmaram a população antes de criar gulags ou auschwitz por lá, com o governo Lula - como se fosse um partido aspirante ao totalitarismo que quer o poder por 1000 anos. Ainda que todo partido queira a reeleição, não vejo qualquer cabimento nessa comparação. Mesmo porque não acho que o PT tenha qualquer força para tanto).
Por um lado o seu direito de ter uma arma e exercer sua condição de indivíduo soberano e responsável. Por outro a "realidade" do "não é bem assim, seu direito alimenta o arsenal do bandido e você pode matar sem querer seu filho que chegou em casa bêbado de madrugada". Ambos lados têm dois argumentos: o teórico e o prático. Porque se é a favor ou contra de acordo com algum princípio e como justificá-los com exemplos concretos. Repertório para tal não falta. Só que tais argumentos são contrapostos em uma salada maluca. Além disso, o que se espera ao votar sim ao desarmamento? Que seja menos pior que haja proibição do comercio legal do que o contrário, ou porque idealmente se espera uma sociedade desarmada, ou porque quer dormir de consciência tranquila com o discurso do "fiz minha parte"? Vota por princípio ou porque se tem convicção de que as coisas melhorarão? Você vota porque a outra opção representa pouco em mudança real? Às vezes sou um tanto pessimista. Por vezes acho que não muda muita coisa na prática, mesmo querendo acreditar no contrário. Talvez na sua consciência mude, sei lá. Outra coisa é que também se constrói uma dicotomia tão irreconciliável, mas que curiosamente se expressa em níveis diferentes (me pergunto até se eles podem de fato ser contrapostos), que você não pode ficar no meio termo. No mínimo parece um diálogo de surdos (bom, diálogo é eufemismo).
No caso do São Francisco, porque a reivindicação de ter água para beber deve passar necessariamente por cima de talvez (porque nem isso é muito debatido) matar o rio? Não se pode discutir outras opções? Afinal, apenas para citar uma alternativa, se não tivesse tanta roubalheira na sudene com o lance das águas subterrâneas (ou na manipulação de outras fontes hidrográficas), talvez houvesse mais água pra galera. Se alguém diz que é contra a transposição já é reacionário ou então cruel. Se alguém é a favor, é iludido ou um latifundiário wanna be. O que não pode é ter que haver um bispo passando fome para somente então parar e discutir algo que se não for feito com cuidado pode criar mais um gigantesco elefante branco - sedento e no escuro.
domingo, outubro 02, 2005
A vida imita a arte, vice versa e outras
Assisti hoje o Madame Lee, o programa da Rita Lee com o Roberto de Carvalho. O que a fama não é capaz de fazer, não? Duvido que dessem um talk show pra outra pessoa que não ela nas mesmas CNTP. Estava completamente estriquinada! Andando de um lado pro outro, mexendo e fungando o nariz toda hora, falando coisas non sense... o marido só olhando e tentando disfarçar, como se não houvesse nada de mais, de vez em quando soltando um "Madame Lee está agitadinha hoje, não?". A Fernanda Torres (a convidada) só ficou dando risada, meio sem jeito. Tudo bem, não é só a Rita Lee que apresenta programa assim na tv. Lembro dos Contos de Thunder que o cara não dizia nada com nada. Engraçadíssimo! "No drugs, no money"! Só que hoje estava muito na cara! Até achei que era onda dela, tirando sarro disso. Mas não era.
E o Roberto de Carvalho parecia um cara que morou na república com a Dani, o Israel. Idêntico até mesmo na aparência! Meio patolinha, baby look outfit, falando devagar e calmo, papos esotéricos...
Mas o engraçado mesmo era a Rita Lee. E ela também parecia com alguém. Estava igualzinha ao Ozzy naquele programa dele com a família!
*******
Deixo também uma dica de um blog interessante. Sobre vários assuntos. Há um artigo sobre precauções contra possíveis processos judiciais na net que é legal. Em um primeiro momento fiquei meio receoso com o assunto. Se há discussão sobre isso, logicamente é porque há precedentes para tanto. Isso parece óbvio, mas quando se trata da net, as pessoas facilmente esquecem dessas coisas e às vezes parece que vale tudo por aqui: terra de ninguém.
Entretanto, depois pensei melhor e vi que não adianta fingir que isso não te diz respeito e acontece só com os outros ou é lenda (pouco provável que aconteça algo, ainda mais se o site é gringo; em todo caso...). Além disso, nada mais razoável do que você ser tão responsável por seus atos e opiniões no mundo virtual quanto em qualquer outro veículo de comunicação. O que não é exatamente ser a favor de censura. Há que se ter em mente que há uma legislação a respeito de casos de injúria, calúnia, difamação e direitos autorais que vale também pra net. De qualquer maneira, vale uma olhada.
*******
Ah, finalmente descobri como acabar com spam de comentário! Na verdade é muito simples. É só modificar uma opção. Agora quero descobrir como apagar os spams já existentes...
E o Roberto de Carvalho parecia um cara que morou na república com a Dani, o Israel. Idêntico até mesmo na aparência! Meio patolinha, baby look outfit, falando devagar e calmo, papos esotéricos...
Mas o engraçado mesmo era a Rita Lee. E ela também parecia com alguém. Estava igualzinha ao Ozzy naquele programa dele com a família!
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Deixo também uma dica de um blog interessante. Sobre vários assuntos. Há um artigo sobre precauções contra possíveis processos judiciais na net que é legal. Em um primeiro momento fiquei meio receoso com o assunto. Se há discussão sobre isso, logicamente é porque há precedentes para tanto. Isso parece óbvio, mas quando se trata da net, as pessoas facilmente esquecem dessas coisas e às vezes parece que vale tudo por aqui: terra de ninguém.
Entretanto, depois pensei melhor e vi que não adianta fingir que isso não te diz respeito e acontece só com os outros ou é lenda (pouco provável que aconteça algo, ainda mais se o site é gringo; em todo caso...). Além disso, nada mais razoável do que você ser tão responsável por seus atos e opiniões no mundo virtual quanto em qualquer outro veículo de comunicação. O que não é exatamente ser a favor de censura. Há que se ter em mente que há uma legislação a respeito de casos de injúria, calúnia, difamação e direitos autorais que vale também pra net. De qualquer maneira, vale uma olhada.
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Ah, finalmente descobri como acabar com spam de comentário! Na verdade é muito simples. É só modificar uma opção. Agora quero descobrir como apagar os spams já existentes...
Clarim Diário
Algo muito estranho aconteceu.
Tenho essas neuras de fazer backup de tudo de vez em quando (neuras saudáveis, como já tive oportunidade de perceber diversas vezes). Só que eu faço backup (antes naqueles disquetes quadradinhos que agora só juntam poeira e agora em cd e daqui a pouco em dvd) e nunca mais vejo o que salvei. Bom, umas 2 ou 3 vezes eu precisei procurar uns textos meio antigos pra pegar umas citações ou alguma bibliografia. Mas via de regra tudo vai se acumulando em um cantinho de reminiscências praticamente apenas ornamentais.
Na verdade eu sempre fiz esse tipo de coisa. Mesmo antes de ter computador em casa. Guardava trocentos papeizinhos com anotações as mais variadas, minhas e dos outros, sem ter coragem de jogar nada fora. A grande maioria desse material ainda está guardado. "Quem sabe um dia posso reaproveitar alguma coisa?" Era o que pensava.
Bom, mas estava olhando uns disquetes do período musteriano e achei uns textos escritos há muito tempo atrás. Acho que ainda da época em que derivadas e integrais ainda não tinham me vencido completamente e teimava em pensar que seria um economista rico. Achei uma idéia para um livro (?!) e também uns ensaios. "Porcaria", foi o primeiro pensamento. Afinal, normalmente eu mal termino de escrever um trabalho e já acho tudo um lixo! Minha dissertação está lá fechadinha. Não tenho nem coragem de ver as barbaridades que tenho certeza que escrevi. Acho que é um dos motivos porque meu currículo não deveria ter o "rrículo" nele. Acho que um artigo nunca está bom o suficiente e não o mando pra lugar nenhum. Nesse sentido, algo decenário deveria ser pior ainda...
Até me arrepiei quando vi os títulos de alguns dos ensaios (não feitos para a faculdade): "Deus e a racionalização do divino", "A ironia do destino e a problemática do fundamentalismo ético", um sobre pensamento científico e RPG. E por aí vai. Naquela época eu gostava de títulos imponentes. Hoje prefiro os bem humorados ou de duplo sentido. Ou então algum metafórico. Por isso já fiquei com medo até de dar uma olhada nos tais ensaios.
Mas eu li. E não é que tem coisas legais? O interessante é que não me lembro deles!! Quer dizer, sei que os escrevi, mas parecem que nem são meus, são de outro/outros. Na medida que ia lendo, não lembrava do texto, mas reconhecia minha linha de pensamento. Claro que tem muita besteira. Mas tem também algumas coisas que eu escreveria novamente se já não o tivesse feito.
Quem sabe um dia não os posto aqui? Me sentiria como um editor que estivesse publicando textos de outra pessoa. Um outro eu que colhe os frutos de um eu mais antigo; nenhum dos dois sendo este eu. Tipo Spider/Parker.
O que me faz pensar: será que gostei dos textos porque são legais mesmo, porque são testemunho da existência de uma inteligência de um eu imobilizado em sépia, ou porque eu apenas consigo apreciar algo que escrevi com muito, mas muito distanciamento? Se for o caso, talvez outros fósseis ainda tenham salvação. Daqui a um tempo.
Tenho essas neuras de fazer backup de tudo de vez em quando (neuras saudáveis, como já tive oportunidade de perceber diversas vezes). Só que eu faço backup (antes naqueles disquetes quadradinhos que agora só juntam poeira e agora em cd e daqui a pouco em dvd) e nunca mais vejo o que salvei. Bom, umas 2 ou 3 vezes eu precisei procurar uns textos meio antigos pra pegar umas citações ou alguma bibliografia. Mas via de regra tudo vai se acumulando em um cantinho de reminiscências praticamente apenas ornamentais.
Na verdade eu sempre fiz esse tipo de coisa. Mesmo antes de ter computador em casa. Guardava trocentos papeizinhos com anotações as mais variadas, minhas e dos outros, sem ter coragem de jogar nada fora. A grande maioria desse material ainda está guardado. "Quem sabe um dia posso reaproveitar alguma coisa?" Era o que pensava.
Bom, mas estava olhando uns disquetes do período musteriano e achei uns textos escritos há muito tempo atrás. Acho que ainda da época em que derivadas e integrais ainda não tinham me vencido completamente e teimava em pensar que seria um economista rico. Achei uma idéia para um livro (?!) e também uns ensaios. "Porcaria", foi o primeiro pensamento. Afinal, normalmente eu mal termino de escrever um trabalho e já acho tudo um lixo! Minha dissertação está lá fechadinha. Não tenho nem coragem de ver as barbaridades que tenho certeza que escrevi. Acho que é um dos motivos porque meu currículo não deveria ter o "rrículo" nele. Acho que um artigo nunca está bom o suficiente e não o mando pra lugar nenhum. Nesse sentido, algo decenário deveria ser pior ainda...
Até me arrepiei quando vi os títulos de alguns dos ensaios (não feitos para a faculdade): "Deus e a racionalização do divino", "A ironia do destino e a problemática do fundamentalismo ético", um sobre pensamento científico e RPG. E por aí vai. Naquela época eu gostava de títulos imponentes. Hoje prefiro os bem humorados ou de duplo sentido. Ou então algum metafórico. Por isso já fiquei com medo até de dar uma olhada nos tais ensaios.
Mas eu li. E não é que tem coisas legais? O interessante é que não me lembro deles!! Quer dizer, sei que os escrevi, mas parecem que nem são meus, são de outro/outros. Na medida que ia lendo, não lembrava do texto, mas reconhecia minha linha de pensamento. Claro que tem muita besteira. Mas tem também algumas coisas que eu escreveria novamente se já não o tivesse feito.
Quem sabe um dia não os posto aqui? Me sentiria como um editor que estivesse publicando textos de outra pessoa. Um outro eu que colhe os frutos de um eu mais antigo; nenhum dos dois sendo este eu. Tipo Spider/Parker.
O que me faz pensar: será que gostei dos textos porque são legais mesmo, porque são testemunho da existência de uma inteligência de um eu imobilizado em sépia, ou porque eu apenas consigo apreciar algo que escrevi com muito, mas muito distanciamento? Se for o caso, talvez outros fósseis ainda tenham salvação. Daqui a um tempo.
terça-feira, setembro 27, 2005
Lévi-Strauss ou o secador de cabelo
Hoje acho que caiu de vez uma ficha que devia estar perigando cair há algum tempo já: o estruturalismo está moribundo. No mínimo macambúzio (ô palavra legal essa!).
De manhã, na aula, a Suely disse que estava de ressaca de duas coisas, o que a fazia poder parar para pensar melhor sobre elas. Uma era o tal do pós-estruturalismo. A outra era o estruturalismo propriamente dito. Agora, dizia ela, é mais fácil fazer um balanço e perguntar se há tanta estrutura assim, ou, pelo contrário, se há tanta ação. Estávamos falando sobre identidade e a constituição de direitos em sua relação com o social, sobre o papel do antropólogo nisso tudo, etc e tal. No fundo, tratava-se de pensar sobre a etnogênese e os problemas do antropólogo em campo. Quando ele consegue e quando não consegue fazer pesquisa, bem como questões relaciondas. Uma coisa que desde a matéria com o Robin (o mais novo prof. titular da casa, em uma defesa lindíssima) ficava martelando na minha cabeça, é o limite da instrumentalização dos sinais diacríticos de uma identidade. Criticar o estruturalismo virou moda. Vamos criticar os críticos agora. O que é viver e experienciar de fato uma identidade e o que é manipulado? Que acontecem as duas coisas, não tenho dúvida. O lance é saber percebê-las (e nesse sentido temos uma responsabilidade gigantesca, aos dizermos para o Estado, para os sujeitos ou para nossos colegas e futuros pesquisadores, quem são e o que fazem as pessoas que ficamos anos estudando). Basta saber dançar toré para ser índio?
Eram essas coisas meio cabeludas que discutíamos. Mas o que eu realmente fiquei matutando foi sobre a ressaca da Suely com o estruturalismo. Talvez tenhamos chegado a um patamar de distanciamento em que o coloquemos de fato na balança. Ou, como na metáfora cênica, no palco.
Fiquei agora o começo da tarde na casa da minha mãe para dar almoçar e depois dar uma carona para o meu irmão para o centro. Como não sabia direito que iria fazer isso, não trouxe nada para estudar, e amanhã tem aula com a Nádia sobre uns textos do Lévi-Strauss.
Aí a Dani disse que se soubesse que iríamos ficar um tempo aqui ela traria... "o texto do Lévi-Strauss?", completei. "Isso ou o secador de cabelo". Se ela gostasse de palavras cruzadas, seria isso. Ter alguma coisa para fazer, enfim.
Interessante pensar que o estruturalismo, diferente do mito, agora já não serve só para pensar, mas para passar o tempo.
De manhã, na aula, a Suely disse que estava de ressaca de duas coisas, o que a fazia poder parar para pensar melhor sobre elas. Uma era o tal do pós-estruturalismo. A outra era o estruturalismo propriamente dito. Agora, dizia ela, é mais fácil fazer um balanço e perguntar se há tanta estrutura assim, ou, pelo contrário, se há tanta ação. Estávamos falando sobre identidade e a constituição de direitos em sua relação com o social, sobre o papel do antropólogo nisso tudo, etc e tal. No fundo, tratava-se de pensar sobre a etnogênese e os problemas do antropólogo em campo. Quando ele consegue e quando não consegue fazer pesquisa, bem como questões relaciondas. Uma coisa que desde a matéria com o Robin (o mais novo prof. titular da casa, em uma defesa lindíssima) ficava martelando na minha cabeça, é o limite da instrumentalização dos sinais diacríticos de uma identidade. Criticar o estruturalismo virou moda. Vamos criticar os críticos agora. O que é viver e experienciar de fato uma identidade e o que é manipulado? Que acontecem as duas coisas, não tenho dúvida. O lance é saber percebê-las (e nesse sentido temos uma responsabilidade gigantesca, aos dizermos para o Estado, para os sujeitos ou para nossos colegas e futuros pesquisadores, quem são e o que fazem as pessoas que ficamos anos estudando). Basta saber dançar toré para ser índio?
Eram essas coisas meio cabeludas que discutíamos. Mas o que eu realmente fiquei matutando foi sobre a ressaca da Suely com o estruturalismo. Talvez tenhamos chegado a um patamar de distanciamento em que o coloquemos de fato na balança. Ou, como na metáfora cênica, no palco.
Fiquei agora o começo da tarde na casa da minha mãe para dar almoçar e depois dar uma carona para o meu irmão para o centro. Como não sabia direito que iria fazer isso, não trouxe nada para estudar, e amanhã tem aula com a Nádia sobre uns textos do Lévi-Strauss.
Aí a Dani disse que se soubesse que iríamos ficar um tempo aqui ela traria... "o texto do Lévi-Strauss?", completei. "Isso ou o secador de cabelo". Se ela gostasse de palavras cruzadas, seria isso. Ter alguma coisa para fazer, enfim.
Interessante pensar que o estruturalismo, diferente do mito, agora já não serve só para pensar, mas para passar o tempo.
segunda-feira, setembro 26, 2005
Novas miudezas
Depois de vários dias de suor e lágrimas na confecção de um novo layout, finalmente posso estreiar a nova carinha do blog!!!
É tão bom quando as coisas, pouco a pouco, experimentalmente quase, dão certo... me sinto como se tivesse construído algo que funcionasse. Como os caras do american chopper devem se sentir quando fazem uma moto do nada, do jeito que querem.
Acho que ficou bonitinho, não?!
*******
Não vou comentar muito, mas deixo registrada minha revolta: esse juiz maldito tem que ir pra cadeia mesmo! E ficar lá por muito tempo, junto com toda sua laia. Não porque eu goste tanto assim de futebol. Mas é que estão matando as poucas coisas que restam de alegria por aqui! Há, claro, os que achem que é até bom que terminem com essas ilusões. São os que não se conformam que o Brasil pare durante o carnaval e durante a copa do mundo. Panis et circensis. Seriam como sintomas de problemas profundos de um país que ainda precisa se desenvolver muito. Agora, pergunto: desenvolver no quê? Porque por trás dessa idéia há uma utopia meio estranha do que deveria ser um bom país. Ditadura do esclarecimento? Acho que os excessos do Período do Terror serviram para mostrar algumas falácias... Não advogo uma nação de avestruzes, apenas torço para a existência de um espaço de uma certa ingenuidade saudável. Diriam esses críticos da farsa que não é só de religião que o povo se intoxica. Entretanto, acho sinceramente que para uma vida interessante deve haver uma certa dose de ópio. Marx nem era um santo, afinal de contas. Que o diga sua empregada.
É tão bom quando as coisas, pouco a pouco, experimentalmente quase, dão certo... me sinto como se tivesse construído algo que funcionasse. Como os caras do american chopper devem se sentir quando fazem uma moto do nada, do jeito que querem.
Acho que ficou bonitinho, não?!
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Não vou comentar muito, mas deixo registrada minha revolta: esse juiz maldito tem que ir pra cadeia mesmo! E ficar lá por muito tempo, junto com toda sua laia. Não porque eu goste tanto assim de futebol. Mas é que estão matando as poucas coisas que restam de alegria por aqui! Há, claro, os que achem que é até bom que terminem com essas ilusões. São os que não se conformam que o Brasil pare durante o carnaval e durante a copa do mundo. Panis et circensis. Seriam como sintomas de problemas profundos de um país que ainda precisa se desenvolver muito. Agora, pergunto: desenvolver no quê? Porque por trás dessa idéia há uma utopia meio estranha do que deveria ser um bom país. Ditadura do esclarecimento? Acho que os excessos do Período do Terror serviram para mostrar algumas falácias... Não advogo uma nação de avestruzes, apenas torço para a existência de um espaço de uma certa ingenuidade saudável. Diriam esses críticos da farsa que não é só de religião que o povo se intoxica. Entretanto, acho sinceramente que para uma vida interessante deve haver uma certa dose de ópio. Marx nem era um santo, afinal de contas. Que o diga sua empregada.
Interlúdio
Não sabia ao certo se queria escrever este post. Minha intenção não é fazer um blog melancólico, mas de qualquer forma vão aí uns desabafos...
Há algum tempo eu pensava em escrever sobre a separação tardia dos meus pais. É uma coisa meio estranha. Mais estranha ainda porque eu não sei explicar direito meu problema em relação a isso.
Afinal de contas, depois que você viveu o seu primeiro quarto de século de existência, não espera que seus pais vão mais se separar. Digo, de todo o stress e brigas que certamente ocorrem em um relacionamento, entre mortos e feridos, é de se esperar que a gota d'água deveria ter transbordado muito antes, não? Mas depois de 30 anos?! Aí eu penso "antes tarde do que nunca. Vão ser felizes agora". Só que não sei se é tão simples, ao menos para mim...
Quando terminei minha adolescência intocado por esse problema que afetava boa parte dos meus conhecidos e amigos, realmente achei que teria apenas uma casa para voltar nos domingos para comer macarronada. Tudo bem, como não experimentei isso antes, não posso dizer que meus sentimentos em relação a isso são muito diferentes dos de um adolescente ou uma criança. Por um lado, alguém mais novo pode ter muito mais problemas com uma separação. Mas por outro, exatamente porque eu achava que poderia lidar melhor com isso, acabei penando pra caramba.
Explico: Quando o negócio ficou realmente feio, tentei argumentar com ambos e intermediar as brigas, resolver tudo, ser o salvador. Grande equívoco. As coisas só pioraram. E no final, acabei nem sequer sabendo porque tudo aconteceu ou como começou. Tenho teorias. Que doem mais do que certezas.
Me estraçalhava o coração ver que depois de 3 décadas de trabalho duro, quando meus progenitores finalmente conseguiram construir a casa em que eles queriam envelhecer juntos e receber os netos, esta ficou vazia. Quer dizer, não vazia de gente, mas vazia do que poderia ter sido e quase foi. Arrisco dizer - talvez meio levado pelo envolvimento pessoal - do que deveria ter sido. Depois de décadas de construção, planos e sonhos de como seria a casa nova (desde que me lembro por gente isso era a meta principal da família. Meio como o anseio pelo incondicionado de Kant) acho que moramos todos juntos apenas 1 ano lá.
Hoje já não sofro tanto com isso, ainda que não possa dizer que seja algo totalmente resolvido. Se agora percebo que poderia ter me desgastado menos com o processo, na época me recusava a acreditar no que no fundo realmente deveria ter percebido e aceitado: "em briga de marido e mulher..." você sabe como é o ditado.
O mais trash veio justo quando me mudei (talvez um analista me dissesse que eu me sinto culpado de alguma maneira porque foi exatamente quando saí de casa que eles perceberam que poderiam se separar). Acho que mesmo se fosse muito jovem uma cena me marcaria (afinal, tenho nítidas lembranças de uma vez que meu pai ficou 1 semana fora de casa e minha avó veio pedir para minha mãe para aceitá-lo de volta. Meu irmão ainda era um bebê e eu fingia estar brincando num triciclo, quando na verdade ouvia tudo o que elas falavam): meu pai chorando ao se despedir de mim e do meu irmão, levando apenas o carro dele e uma muda de roupa.
Apenas para não deixar o post completamente down... Há um motivo porque seria melhor que isso tivesse acontecido quando fosse criança: teria ganho presentes em dobro.
Há algum tempo eu pensava em escrever sobre a separação tardia dos meus pais. É uma coisa meio estranha. Mais estranha ainda porque eu não sei explicar direito meu problema em relação a isso.
Afinal de contas, depois que você viveu o seu primeiro quarto de século de existência, não espera que seus pais vão mais se separar. Digo, de todo o stress e brigas que certamente ocorrem em um relacionamento, entre mortos e feridos, é de se esperar que a gota d'água deveria ter transbordado muito antes, não? Mas depois de 30 anos?! Aí eu penso "antes tarde do que nunca. Vão ser felizes agora". Só que não sei se é tão simples, ao menos para mim...
Quando terminei minha adolescência intocado por esse problema que afetava boa parte dos meus conhecidos e amigos, realmente achei que teria apenas uma casa para voltar nos domingos para comer macarronada. Tudo bem, como não experimentei isso antes, não posso dizer que meus sentimentos em relação a isso são muito diferentes dos de um adolescente ou uma criança. Por um lado, alguém mais novo pode ter muito mais problemas com uma separação. Mas por outro, exatamente porque eu achava que poderia lidar melhor com isso, acabei penando pra caramba.
Explico: Quando o negócio ficou realmente feio, tentei argumentar com ambos e intermediar as brigas, resolver tudo, ser o salvador. Grande equívoco. As coisas só pioraram. E no final, acabei nem sequer sabendo porque tudo aconteceu ou como começou. Tenho teorias. Que doem mais do que certezas.
Me estraçalhava o coração ver que depois de 3 décadas de trabalho duro, quando meus progenitores finalmente conseguiram construir a casa em que eles queriam envelhecer juntos e receber os netos, esta ficou vazia. Quer dizer, não vazia de gente, mas vazia do que poderia ter sido e quase foi. Arrisco dizer - talvez meio levado pelo envolvimento pessoal - do que deveria ter sido. Depois de décadas de construção, planos e sonhos de como seria a casa nova (desde que me lembro por gente isso era a meta principal da família. Meio como o anseio pelo incondicionado de Kant) acho que moramos todos juntos apenas 1 ano lá.
Hoje já não sofro tanto com isso, ainda que não possa dizer que seja algo totalmente resolvido. Se agora percebo que poderia ter me desgastado menos com o processo, na época me recusava a acreditar no que no fundo realmente deveria ter percebido e aceitado: "em briga de marido e mulher..." você sabe como é o ditado.
O mais trash veio justo quando me mudei (talvez um analista me dissesse que eu me sinto culpado de alguma maneira porque foi exatamente quando saí de casa que eles perceberam que poderiam se separar). Acho que mesmo se fosse muito jovem uma cena me marcaria (afinal, tenho nítidas lembranças de uma vez que meu pai ficou 1 semana fora de casa e minha avó veio pedir para minha mãe para aceitá-lo de volta. Meu irmão ainda era um bebê e eu fingia estar brincando num triciclo, quando na verdade ouvia tudo o que elas falavam): meu pai chorando ao se despedir de mim e do meu irmão, levando apenas o carro dele e uma muda de roupa.
Apenas para não deixar o post completamente down... Há um motivo porque seria melhor que isso tivesse acontecido quando fosse criança: teria ganho presentes em dobro.
quarta-feira, setembro 21, 2005
Poder da maioria
Estava hoje eu na cantina, numa daquelas gloriosas cadeiras de plástico vermelhas, lendo um texto do Lévi-Strauss sobre a vaca louca, quando passa um indivíduo correndo e gritando "porra, invadiram a assembléia! Porra!" Aí ele foi pro CA, gritou a mesma coisa lá. Foi pro pessoal que fica atrás do Nilsão e gritou também sua indignação. Passou correndo pela Priscila e voltou pra cantina. Não sei se ele queria angariar simpatizantes pra sair gritando. O fato é que foi tão estranho e súbito que todo mundo ficou olhando disfarçadamente com uma cara de quem pensa: "mais um pirado" (ou assim interpretei as coisas). Ou então as pessoas fingiram que não viram e ignoraram. Às vezes pode ser um raivoso, vai saber...
Lembrei na hora daquele programa da GNT, "Zoológico humano" (ou algo assim). Segundo o tal documentário, as pessoas são todas umas Marias-vai-com-as-outras. Todo mundo vai pela maioria: ignorar se todos ignoram. Se ninguém dá bola pro alarme de incêndio, quem é você pra querer se salvar? Mas eu fico pensando... será que é isso mesmo? Se for, o que explica todos ignorarem o coitado?
Bom, só um pouco depois que eu me liguei do que ele estava falando. Fiquei o dia todo no instituto e estava muito cansado. Demorou pra cair a ficha. É que hoje teve a renúncia do Mr. Magoo, que devia estar falando na tv naquela hora. Acho que ele (o exaltado) se referiu aos estudantes que foram retirados da Câmara pelos seguranças.
Mas o mais interessante é que, a despeito do surto que o rapaz teve, e a cena meio Monty Phytoniana que encenou, ele acabou doutrinado pela indiferença dos presentes. Ninguém gritou, ninguém se revoltou junto e ninguém propôs ir para Brasília numa horda destruidora e demolir tudo. Desapontado com o resultado ridículo e a apatia geral, ele voltou para o seu canto, já mais calmo e pediu um café.
Lembrei na hora daquele programa da GNT, "Zoológico humano" (ou algo assim). Segundo o tal documentário, as pessoas são todas umas Marias-vai-com-as-outras. Todo mundo vai pela maioria: ignorar se todos ignoram. Se ninguém dá bola pro alarme de incêndio, quem é você pra querer se salvar? Mas eu fico pensando... será que é isso mesmo? Se for, o que explica todos ignorarem o coitado?
Bom, só um pouco depois que eu me liguei do que ele estava falando. Fiquei o dia todo no instituto e estava muito cansado. Demorou pra cair a ficha. É que hoje teve a renúncia do Mr. Magoo, que devia estar falando na tv naquela hora. Acho que ele (o exaltado) se referiu aos estudantes que foram retirados da Câmara pelos seguranças.
Mas o mais interessante é que, a despeito do surto que o rapaz teve, e a cena meio Monty Phytoniana que encenou, ele acabou doutrinado pela indiferença dos presentes. Ninguém gritou, ninguém se revoltou junto e ninguém propôs ir para Brasília numa horda destruidora e demolir tudo. Desapontado com o resultado ridículo e a apatia geral, ele voltou para o seu canto, já mais calmo e pediu um café.
domingo, setembro 18, 2005
Um gato
Ele era quase todo branquinho. No meio daquele pêlo todo, apenas uma manchinha alaranjada no pescoço.
Andava pelas paragens próximas ao laguinho do lado da Unicamp. Tinha olhos verdes e corria mais rápido que a maioria dos seus colegas felinos. Não era muito de espreitar, estava sempre se mostrando. Só fugia se alguém chegava muito perto. E mesmo assim dava apenas alguns pulos de precaução. Mas não era de maneira alguma desafiador.
Seu nome: Feliciano.
Não tem vezes que você gostaria de conhecer melhor aquela pessoa? Sem motivo consciente? Pois é, resolvi escrever um post sobre esse gato bem simpático, que anda sumido. Ele é uma metonímia, uma metáfora para outras coisas ou apenas um bichinho bacana?
Ah, hoje assisti O feitiço de Áquila! Que filme maravilhoso...
Andava pelas paragens próximas ao laguinho do lado da Unicamp. Tinha olhos verdes e corria mais rápido que a maioria dos seus colegas felinos. Não era muito de espreitar, estava sempre se mostrando. Só fugia se alguém chegava muito perto. E mesmo assim dava apenas alguns pulos de precaução. Mas não era de maneira alguma desafiador.
Seu nome: Feliciano.
Não tem vezes que você gostaria de conhecer melhor aquela pessoa? Sem motivo consciente? Pois é, resolvi escrever um post sobre esse gato bem simpático, que anda sumido. Ele é uma metonímia, uma metáfora para outras coisas ou apenas um bichinho bacana?
Ah, hoje assisti O feitiço de Áquila! Que filme maravilhoso...
sábado, setembro 17, 2005
Falta de fósforo
Estava lendo o blog da Indigo, que conheci através da Cris, e fiquei pensando sobre essa coisa da memória... Por que a minha é tão ruim pra algumas coisas? Hoje mesmo 3 pessoas foram me cumprimentar. Duas eu lembrava da cara. Um não queria nem arriscar chamar pelo nome. O outro achei que se chamava Danilo (acho que ele tinha cara de Danilo). Ele: "Tudo bem Slash (a.k.a. Chris)?" "E aí... Danilo" (mas disse meio enrolado, meio pra dentro, pra se não for Danilo ele não ter certeza que eu disse o nome errado). Aí vi que ele me olhou com uma cara estranha e pensei "xi, não era isso". Depois decobri que era Alexandre. Tudo a ver.
O problema foi o terceiro. Não lembrava nem da cara. Fiquei pensando "será que ele tá curtindo com a minha cara ou será que estou tão esclerosado assim?"
O problema foi o terceiro. Não lembrava nem da cara. Fiquei pensando "será que ele tá curtindo com a minha cara ou será que estou tão esclerosado assim?"
quarta-feira, setembro 14, 2005
Hey Ho! Let's Go!

Um post apenas para comemorar um pequeno alento proporcionado hoje na nossa capital.
Já é alguma coisa. Falta cadeia. Agora, ainda receber aposentadoria depois disso... não dá! Bom, pelo menos algo de bom - finalmente!
Aliás, o dia hoje foi realmente muito legal! Comemos sushis deliciosos com a Nashi, Bertrand e Sofia no almoço. Depois achei duas preciosidades no Iluminações: 'Estrutura e função social na sociedade primitiva' e 'Um outro olhar', que é o livro com fotos e documentos da expedição do Lévi-Strauss com o Luiz de Castro Faria Brasil afora (adentro, sei lá). Lindíssimo!! Achei uma pechincha!
terça-feira, setembro 13, 2005
Miudezas
Hoje foi a apresentação do meu projeto. Acho que foi tudo bem! Até fiquei entusiasmado para continuar e trocar idéias com projetos afins (como o do André, Gustavo, Dani...)!! Ou seja, meu temor de que era melhor largar tudo e procurar outro tema não se confirmou (ou ir vender miçanga na praia)! Acho que as pessoas até que gostaram!
Estou tentando também (na verdade é mais a Dani) mudar a carinha do meu blog... mas tá difícil, o template novo tem problemas pessoais com os acentos. Vamos ver se fica legal, o novo fundo é bem bacana!
Ah, também dou o link pra um blog bem bacana! Não sei se é muito manjado, mas descobri esses dias. É do vizinho do Jefferson (o deputado)! Dê uma olhada... o cara deve ser meio neurótico... mas bem engraçado, como só uns neuróticos podem ser.
Estou tentando também (na verdade é mais a Dani) mudar a carinha do meu blog... mas tá difícil, o template novo tem problemas pessoais com os acentos. Vamos ver se fica legal, o novo fundo é bem bacana!
Ah, também dou o link pra um blog bem bacana! Não sei se é muito manjado, mas descobri esses dias. É do vizinho do Jefferson (o deputado)! Dê uma olhada... o cara deve ser meio neurótico... mas bem engraçado, como só uns neuróticos podem ser.
segunda-feira, setembro 12, 2005
Mea culpa
ou "celebridade" versus "não atrapalhe meu dia"
Eu vi o Manu Chao duas vezes. Uma delas foi num desses festivais de cigarro que teve uns anos atrás no Jockey Club. Free ou Carlton, não lembro mais. Acho que foi Free mesmo... O show foi demais, um dos melhores que eu assisti. Mas essa foi a segunda vez que o vi.
A primeira foi em Barcelona, e na hora eu não sabia que era ele. Só descobri depois, quando cheguei na casa da Paula e vi na TV que um protesto contra uma nova lei de restrição de imigração tinha causado certa confusão perto da praça Catalunha. Aí a reportagem focalizou num carinha magrinho, bem comum, parecia um desses caras que estão ficando mais velhos e ainda querem andar com os estudantes paneleiros (aliás, que aconteceu com a panelada do dia 7? Fiquei com a minha panela em mãos, mas não queria ser eu a começar a batucar sozinho...).
A voz da repórter dizia que era o Manu Chao. Eu tinha visto o carinha naquela manhã. Não porque ele chamasse atenção. Como eu disse, ele era bem comum. Era o casaco dele, meio laranja, que o destacava. E também por estar em cima de um latão, gritando algumas palavras de ordem, acho. Eu já gostava da música e achava que ele era um cara bacana, que fazia boas letras, com críticas venenosas aos governos conservadores, neo-liberais, xenófobos, etc. Mas nunca tinha visto a cara dele antes desse dia.
Legal, vc diria, não é? Só que na hora eu fiquei irritado com a tal passeata. Tive que desviar um tanto (algumas centenas de metros, se tanto) pra entrar no metrô. Se me perguntarem, digo que sou completamente simpático ao protesto e adoro o Manu Chao, mas na hora só pensei "malditos baderneiros" e apressei meu passo.
Eu vi o Manu Chao duas vezes. Uma delas foi num desses festivais de cigarro que teve uns anos atrás no Jockey Club. Free ou Carlton, não lembro mais. Acho que foi Free mesmo... O show foi demais, um dos melhores que eu assisti. Mas essa foi a segunda vez que o vi.
A primeira foi em Barcelona, e na hora eu não sabia que era ele. Só descobri depois, quando cheguei na casa da Paula e vi na TV que um protesto contra uma nova lei de restrição de imigração tinha causado certa confusão perto da praça Catalunha. Aí a reportagem focalizou num carinha magrinho, bem comum, parecia um desses caras que estão ficando mais velhos e ainda querem andar com os estudantes paneleiros (aliás, que aconteceu com a panelada do dia 7? Fiquei com a minha panela em mãos, mas não queria ser eu a começar a batucar sozinho...).
A voz da repórter dizia que era o Manu Chao. Eu tinha visto o carinha naquela manhã. Não porque ele chamasse atenção. Como eu disse, ele era bem comum. Era o casaco dele, meio laranja, que o destacava. E também por estar em cima de um latão, gritando algumas palavras de ordem, acho. Eu já gostava da música e achava que ele era um cara bacana, que fazia boas letras, com críticas venenosas aos governos conservadores, neo-liberais, xenófobos, etc. Mas nunca tinha visto a cara dele antes desse dia.
Legal, vc diria, não é? Só que na hora eu fiquei irritado com a tal passeata. Tive que desviar um tanto (algumas centenas de metros, se tanto) pra entrar no metrô. Se me perguntarem, digo que sou completamente simpático ao protesto e adoro o Manu Chao, mas na hora só pensei "malditos baderneiros" e apressei meu passo.
sábado, setembro 10, 2005
Momento vanglória
Hoje assisti uma defesa muito legal (pena que tinha mais gente na banca que assistindo). Também troquei figurinhas com o João Pacheco e o Antônio Carlos de Souza Lima sobre indigenismo e depois fomos tomar chopp com pastel!! Acho isso que só perde pra tomar café na cantina com a Mary Louise Pratt, conversando sobre Stanley!!!
Tietagens...
Tietagens...
quarta-feira, setembro 07, 2005
Sobre algumas coisas que vi na tv
Agora há noite, babando maionese e catchup na camiseta do pijama (que não tirei o dia todo), estava assistindo um pouco de tv e vi algumas coisas interessantes. Primeiro o tal do Fat Actress. Que coisa é esse programa! Ainda não sei ao certo se gostei ou não... mas tem umas situações muito engraçadas! Isso de fazerem seriados mais malvados é legal, mas também dá uma certa aflição ao assistir: Nip Tuck, Desperate Housewives... e a forma meio sem noção de tirar sarro de si mesmo é uma das coisas que eu mais gosto nos americanos.
A outra coisa interessante que eu vi na tv foi um comercial. Da Volkswagen. Um que eles fazem o gol que o Pelé não fez... aquele da copa de 70, que ele dribla o goleiro do Uruguai, que fica parado que nem besta, com a bola passando por um lado e o Pelé pelo outro. Isso sem nem encostar na bola. Na vida real o Pelé chuta a bola para fora. Mas fizeram uns efeitos mágicos lá e no comercial a bola bateu na trave e entrou! Bom, você vai me dizer que esse efeito especial é até chinfrim comparado com o que tem no Senhor dos Anéis, no Star Wars e tal. Mas o lance é que eles tão mexendo agora com a memória da nossa "realidade"!! Do que considerávamos pronto e acabado! "Aquilo foi daquele jeito"! Que mais eles podem mudar? Como saber o que aconteceu, ou ter certeza mais de algo? Isso para alguém mais neurótico e inseguro, ou que acredita em teorias da conspiração (eu, eu e eu!), pode ter efeitos psicológicos devastadores!! Agora levo mais a sério quem não acredita que o homem pisou na lua e diz que foi tudo armação...
A outra coisa interessante que eu vi na tv foi um comercial. Da Volkswagen. Um que eles fazem o gol que o Pelé não fez... aquele da copa de 70, que ele dribla o goleiro do Uruguai, que fica parado que nem besta, com a bola passando por um lado e o Pelé pelo outro. Isso sem nem encostar na bola. Na vida real o Pelé chuta a bola para fora. Mas fizeram uns efeitos mágicos lá e no comercial a bola bateu na trave e entrou! Bom, você vai me dizer que esse efeito especial é até chinfrim comparado com o que tem no Senhor dos Anéis, no Star Wars e tal. Mas o lance é que eles tão mexendo agora com a memória da nossa "realidade"!! Do que considerávamos pronto e acabado! "Aquilo foi daquele jeito"! Que mais eles podem mudar? Como saber o que aconteceu, ou ter certeza mais de algo? Isso para alguém mais neurótico e inseguro, ou que acredita em teorias da conspiração (eu, eu e eu!), pode ter efeitos psicológicos devastadores!! Agora levo mais a sério quem não acredita que o homem pisou na lua e diz que foi tudo armação...
Um certo alívio
Hoje terminei meu projeto! Já mandei pra todo mundo que tinha que mandar. A sensação é tão boa...
Terça-feira, quando irei apresentá-lo, provavelmente vou ver o quanto ainda tem pra fazer e mudar. Mas por enquanto fico feliz em poder guardar a tonelada de livros, textos e anotações que estavam se amontoando e se transformando em uma espécie de monstro bibliofráfico aqui na frente do computador! Agora estou esperando um lanche do Gordão e posso assistir Warner e Sony de novo!
Terça-feira, quando irei apresentá-lo, provavelmente vou ver o quanto ainda tem pra fazer e mudar. Mas por enquanto fico feliz em poder guardar a tonelada de livros, textos e anotações que estavam se amontoando e se transformando em uma espécie de monstro bibliofráfico aqui na frente do computador! Agora estou esperando um lanche do Gordão e posso assistir Warner e Sony de novo!
sábado, setembro 03, 2005
Tot la intuició amb una mica de passió
Jo intentaré escriure en català.
Una mezcla de posibilitats,
per entrenar somniar.
Dolç i fantàstic Barça,
el jo de anys passats
li agradaria ser recordat,
anar i reveure
mis amores ibèrics.
Una mezcla de posibilitats,
per entrenar somniar.
Dolç i fantàstic Barça,
el jo de anys passats
li agradaria ser recordat,
anar i reveure
mis amores ibèrics.
sexta-feira, setembro 02, 2005
Sono guasto o estoy hecho polvo...
Dagadã...
Tilt completo depois de um dia de discussão sobre culturas (plurais, ambíguas, imbricadas, correlacionadas, transversas, de c minúsculo...)! Identidade, linguagens, línguas, sinais diacríticos x disputas, relações, multilocalidades.
Primeiro pra chegar na Unicamp... completamente tomada por hordas de adolescentes espaçosos que não saem do meio da rua a menos que vc ameace passar por cima! E aí olham feio. Era universidade aberta...
Depois teve maratona! Das nove e meia até 1 da tarde, pausa pra almoço (na sala) e depois aula até as 5!! Pra discutir e apresentar 5 (cinco, five, cinq, fünf, cinque!!) livros!! Kuper mete pau em Sahlins, Sahlins mete pau nos histéricos pós-modernos, e os Ilongot cortam cabeças! Igual a cigarro: foi ótimo, mas também prejudicial à saúde! Já no final não entendia mais nada. O último era pra discutir a Eunice: cultura, hemegonia, ideologia, resistência, conformismo, Gramsci, Althusser! Quê? Como? Onde? Eu quero mais daquele salgadinho gostoso de pimenta, como esses adolescentes fazem barulho, um, preciso pagar a conta de luz, uma cerveja ia bem agora, que engraçado o cabelo dela, qual era a pior bruxa, a do leste ou do oeste?
Tilt completo depois de um dia de discussão sobre culturas (plurais, ambíguas, imbricadas, correlacionadas, transversas, de c minúsculo...)! Identidade, linguagens, línguas, sinais diacríticos x disputas, relações, multilocalidades.
Primeiro pra chegar na Unicamp... completamente tomada por hordas de adolescentes espaçosos que não saem do meio da rua a menos que vc ameace passar por cima! E aí olham feio. Era universidade aberta...
Depois teve maratona! Das nove e meia até 1 da tarde, pausa pra almoço (na sala) e depois aula até as 5!! Pra discutir e apresentar 5 (cinco, five, cinq, fünf, cinque!!) livros!! Kuper mete pau em Sahlins, Sahlins mete pau nos histéricos pós-modernos, e os Ilongot cortam cabeças! Igual a cigarro: foi ótimo, mas também prejudicial à saúde! Já no final não entendia mais nada. O último era pra discutir a Eunice: cultura, hemegonia, ideologia, resistência, conformismo, Gramsci, Althusser! Quê? Como? Onde? Eu quero mais daquele salgadinho gostoso de pimenta, como esses adolescentes fazem barulho, um, preciso pagar a conta de luz, uma cerveja ia bem agora, que engraçado o cabelo dela, qual era a pior bruxa, a do leste ou do oeste?
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