terça-feira, março 13, 2007

Treasures

Hoje passei o dia na British Library.
Fui ver a sala do tesouro deles... bom, você ver em uma enorme sala originais de Shakespeare, o livro escrito à mão de Alice do Carroll, cartas e livros de trocentos escritores ingleses de várias épocas. Mais partituras de Bach, Chopin, Beethoveen, Mozart e outros. Os diários do Cook. Bíblias do século III. Livros antiguíssimos de várias partes do Oriente Médio. Manuscritos budistas de mais de 1000 anos. A carta magna. A Bíblia de Gutenberg. O livro das Horas dos Sforza. O caderno de notas do Leonardo (esse é foda)... Uma hora você fica sem fôlego. Lembrei de meus amigos historiadores da arte, que com certeza adorariam o lugar.
Copiei também alguns poemas dos 36 Gênios Japoneses. Lindos. Como as gravuras e a caligrafia. Depois coloco alguns aqui.
Depois, na sala de leitura ("enquanto isso, na sala de justiça..."), enquanto esperava que me trouxessem os livros que pedi (lá você não pode entrar de casaco, nem caneta, nem qualquer coisa que possa danificar os livros, apenas lápis, caderno e seu laptop; e tem que pedir o livro para que os funcionários tragam pra você; o que acho muito sensato, ao lembrar dos livros desaparecidos, colocados em pratereiras erradas, ou, pior, rabiscados e rasgados, do ifch), escrevi uma pequena história noir.
Depois coloco aqui também.

Fica então um poema de Kakinomoto no Hitomaro (650-700), primeiro e considerado o maior dos 36 poetas. Os pergaminhos têm uma história linda, aliás. Depois de compilados por outro poeta e caligrafista, Fujiwara no Kintō, no século 11, que os considerava exemplos a serem estudados por qualquer um que quisesse se dedicar à poesia, eles foram ilustrados diversas vezes por diferentes artistas. A coleção de pergaminhos considerados como a obra-prima dessas ilustrações (bem como um marco histórico da arte japonesa), era de propriedade da família Satake, lordes de Akita, e foi produzida no período Kamakura (1185-1333). Elas foram pintadas por Fujiwara no Nobuzane (1176-1252) e a caligrafia ficou a cargo de Fujiwara Yoshitsune (1169-1206), ambos adeptos do estilo mise-e. Em 1919 o pergaminho foi vendido, mas seu valor era tão alto que ninguém conseguiria comprá-lo inteiro. Ele foi dividido em 37 partes (os 36 poemas mais a retratação do santuário Sumiyoshi), e, espalhados, os poemas passaram pelas mãos de 157 donos desde então.
Bom, aí fica a tradução inglesa (outra versão, bem diferente, inclusive, foi feita por Edwin A. Cranston da Universidade de Harvard University; fico pensando o quanto não se perde, já que a caligrafia é uma parte crucial da beleza do poema, sem contar em expressões que têm que, na melhor das hipóteses, ser aproximadas):

In the gloaming
Across Akashi Bay
Through the morning mists
Vanishing between the islands
I follow a boat with my thoughts

Midst the scarlet leaves
Scattered in autumn
I see the messenger
Bearing letters
And I think of tonight.

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