segunda-feira, agosto 02, 2010

A terra onde nasceu Jesus

Aqui na acalorada Belém tudo funciona com ar condicionado, as comidas são quentes, líquidos gelados são necessários. Conclusão: dor de garganta!

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É tão legal ficar encontrando os conhecidos em uma cidade tão distante. Parece que é a maior coincidência do mundo topar com a galera que você não vê há meses, por vezes anos!

terça-feira, junho 29, 2010

Rapidinhas sobre a copa

E meu bolão ainda tá valendo! Brasil x Espanha na final...

O meu xará - Ronaldo me irrita profundamente... se tirassem o telão dos estádios é capaz de Portugal ter se classificado...

quarta-feira, maio 05, 2010

Sobre a discussão em torno da demarcação de terras indígenas e quilombolas

Me eximo de emitir minha opnião pessoal na questão que chacoalhou a comunidade antropológica nos últimos dias (entretanto, adianto, é de interesse de todos: os que se preocupam com a constituição dos argumentos veiculados nos meios mediáticos brasileiros, sua imparcialidade e poder de reflexão crítica).
Me limito, ao menos neste post, a reproduzir os desdobramentos de uma matéria intutulada "A farra da antropologia oportunista", publicada na revista Veja (ano 43, n. 18), no intuito de divulgar a discussão.

A começar pela matéria em si: http://alertabrasiltextos.blogspot.com/2010/05/farra-da-antropologia-oportunista.html

Um dos antropólogos citados na matéria, Eduardo Viveiros de Castro, escreveu uma réplica, que segue (cito aqui por não encontrar link para o texto):

Aos Editores da revista Veja:

Na matéria "A farra da antropologia oportunista" (Veja ano 43 nº 18, de 05/05/2010), seus autores colocam em minha boca a seguinte afirmação: "Não basta dizer que é índio para se transformar em um deles. Só é índio quem nasce, cresce e vive num ambiente cultural original" . Gostaria de saber quando e a quem eu disse isso, uma vez que (1) nunca tive qualquer espécie de contato com os responsáveis pela matéria; (2) não pronunciei em qualquer ocasião, ou publiquei em qualquer veículo, reflexão tão grotesca, no conteúdo como na forma. Na verdade, a frase a mim mentirosamente atribuída contradiz o espírito de todas declarações que já tive ocasião de fazer sobre o tema. Assim sendo, cabe perguntar o que mais existiria de "montado" ou de simplesmente inventado na matéria. A qual, se me permitem a opinião, achei repugnante. Grato pela atenção,

Eduardo Viveiros de Castro

A revista publicou uma resposta à réplica: http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/brasil-todo-mundo-indio-quem-nao-555649.shtml

Seguiu-se uma nova resposta por parte de Viveiros de Castro: http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2010/05/470943.shtml

A Associação Brasileira de Antropologia, em conjunto com a Comissão de Assuntos Indígenas, publicou nota sobre o caso: http://www.abant.org.br/conteudo/005COMISSOESGTS/Documentos%20da%20CAI/NotaCAI-ABA.pdf

O artigo (entrevista) em questão, utilizado pelos responsáveis pela matéria para citar Viveiros de Castro, segue em: http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/brasil-todo-mundo-indio-quem-nao-555649.shtml

Em tempo. A resposta de outro antropólogo citado, Mércio Pereira Gomes: http://merciogomes.blogspot.com/2010/05/resposta-materia-da-veja-farra-da.html

A discussão é um pouco longa, mas vale a pena seguir. Tire suas próprias conclusões.

quinta-feira, abril 29, 2010

Self-made

Há alguns anos, com o relativo fácil acesso de softwares que ajudam a compor, editar e bordar, começou uma onda de self-made men (women) fazendo seus sons no conforto do lar. Muitas vezes, quando o resultado era decente, não era preciso nem uma gravadora. Estão aí os programas de compartilhamento de música para isso. Programas, aliás, que muitos artistas resolveram parar de combater e usar em seu favor (Metallica not included).
Em conversa com o Chaplin e o Gui, no primeiro e único programa de nosso podcast, surgiu o assunto da mediocridade dos novos especialistas e a democratização da informação e da tecnologia. Todo mundo agora é fotógrafo, é programador, músico, dj. Mas eu ainda acho que a facilidade para a criação é bem-vinda. Depois é só separar o que é bom do que não é e tudo fica certo.
E tem muita gente boa, que nem precisa de banda, fazendo som.
O último que descobri responde pelo nome de Rhoderic Land (não é seu verdadeiro nome). Não achei muitas informações do tio, mas pelo jeito se trata de um financista inglês exilado em Paris há quase 20 anos, que resolveu fazer um som no conforto do lar e divulgar. Ele toca todos os instrumentos, grava todas as vozes, e depois edita tudo em seu computador pessoal. O resultado é excelente! Procure pelo vídeo King Kong Tonight no You Tube e cheque por conta própria.

segunda-feira, abril 19, 2010

Em prol do planeta

No último dia 27, das 20:30 às 21:30, a WWF promoveu a hora do planeta, para alertar sobre o aquecimento global (quem ainda não acredita nessa josma, peloamordedeus?).
Nada mais nobre, ainda que talvez inútil, se o mundo acabar mesmo daqui a dois míseros aninhos, segundo maias, hopi, antigas múmias egípcias, roteiristas do History Channel e donos de companhia aérea na Europa.
Enfim, eu, que só ajudo nestas causas no conforto do lar (reciclar lixo e escovar os dentes com a torneira fechada), aderi. Quem não consegue viver sem energia elétrica por uma mísera horinha?!
Depois de apenas alguns momentos eu já não aguentava mais. E me irritava profundamente olhar para fora da janela e ver que todo o resto do mundo deixou a luz acesa! Provavelmente estavam também aspirando pó, cozinhando com a geladeira aberta, ou tomando banho pelo restante do tempo.
Mas era uma questão de honra, aguentar até completar os 60 minutos.
Lá pelas 21:00, cansado de jogar fifa soccer no celular, resolvi sentar na poltrona da janela para fumar.
E, sentado ali, esperando os 3600 segundos passarem, na não tão absoluta escuridão (dado o show de luzes que entrava pela sala, vindo das casas dos meus vizinhos ridículos), numa cena realmente deprimente, eis que o Puskás, o gato de casa, pula no encosto, talvez ignorante de minha presença ali, macambúzio.
Após um quase-ataque cardíaco e um dolorido rasgo de 20 centímetros no braço, feito pelo felino que também se assustou com meu susto, resolvo deitar e dormir o restante dos 3600000 milissegundos passarem.

segunda-feira, março 29, 2010

Um dia uma carona

Nem de flush vivem minhas memórias. Ontem, já deitado, na difícil tarefa de esperar o sono vir, lembrei de quando, adolescente, eu e meu amigo Flávio voltávamos das quadras da unicamp, depois de uma tarde quentíssima jogando basquete.
De vez em quando nos aventurávamos, naquela época, a pegar umas caronas, em dias que a exaustão era maior. O mundo (leia-se Barão Geraldo), era bem menos desconfiado e perigoso.
Na avenida, nos arrastando morro acima, eis que aparece uma alma caridosa.
Um Del Rey verde prateado, cheio de ferrugens e barulhinhos, pára e nos deixa entrar. Arrumamos espaço entre as toneladas de papel que ocupavam os espaços vagos nos bancos e ficamos embasbacados com a beleza da motorista, que deveria ter uns 20 anos. Na época, uma adulta, para a gente.
E além de lindíssima, muito gentil e divertida. Nos deixou em casa (os 3, morávamos bem perto) e foi-se embora, levando dois corações.
Sempre me apaixonei fácil, e naquele dia ainda tive a inusitada coragem de aparecer novamente na casa da moça, alegando ter deixado alguma besteira no carro, só para trocar mais umas palavrinhas e fotografar sua figura na retina.

Pelo jeito deu certo.

sábado, março 20, 2010

C'est fini...

Até semana que vem.

quarta-feira, março 10, 2010

O fim dos 80

Ano passado foi o John Hughes, agora foi Corey Haim... quando a galera dos anos 80 começa a morrer, um sinalzinho de alerta acende... (e alguns, não por velhice, mas porque embarcaram, ou foram condenados, a uma vida trash e decadente).

Alguns atores adolescentes, da minha época de adolescente, conseguiram escapar da sina da "década perdida". Mesmo no campo dos filmes, ainda, como John Cusack, Matthew Broderick, Tom Hanks, ou, em menor escala, Eric Stoltz. Ou então encontraram a tábua de salvação, que virou a programação da telinha, como Patrick Dempsey, Charlie Sheen e Heather Graham (ainda que estes tenham feito também uns filminhos, aqui e ali). Alguns até conseguiram chegar na década de 1990, como Jennifer Jason Leigh, ainda que tenham sumido, recentemente.
Mas outros, coitados, pereceram sob a rotulação teen. Como é o caso do irmão não-Sheen, Molly Ringwald e Mark Hamill. E vivem de dvd, comerciais, pequenos papéis, joguinhos de computador (esse é o fundo do poço)... mantidos por um grupo sempre presente de "admiradores cult" (que vira e mexe acabam virando modinha, dependendo da vibe revival ou retrô). Corey Haim era um desses, que, no fundo, davam dó.

Já o outro Corey, o Feldman, esse é um caso a parte.

sábado, fevereiro 27, 2010

Who's Banksy?

Eu acreditava que depois das últimas semanas, dormindo 3, 4 horas, ou simplesmente varando madrugadas afora, eu iria apagar por uma semana, depois de entregar o texto. Mas acho que o corpo realmente desenvolve costumes (acordar cedo, fumar na privada, tomar um café no meio da tarde). Continuo dormindo 3, 4 horas, mesmo não precisando.
Tudo bem, pelo menos agora não é por nervosismo ou por falta de tempo.
Este finalzinho foi realmente muito difícil. Por diversas vezes eu queria deixar do jeito que estava (mas admito que muita coisa podia ser melhorada). Fiz o máximo que pude, só espero que seja o suficiente.
Murphy me fodeu bonito também. Mas acho que era o jeito de realmente perceber que estava acabando. Entre não conseguir imprimir, gastar muito mais do que queria com os exemplares da tese, e ter o celular roubado (ou "entre mortos e feridos"...), deu tudo certo.

Depois de um bom tempo longe daqui, espero que tenha agora mais vontade de não deixar tudo às moscas.
Então adianto uma dica cinematográfica.

Se trata de um documentário editado pelo Banksy (sim, o grafiteiro preferido do grande público, mas odiado por muitos de seus colegas), baseado no material de Thierry Guetta, um francês bizarro, que também se tornou um artista de rua bem sucedido (e também acabou odiado por isso), e que registrou a cena grafiteira de Los Angeles.
Exit Through the Gift Shop foi incluído no repertório do Festival de Berlin e também no do Sundance Festival deste ano. A idéia de registar uma forma de arte tão perecível é bastante interessante. Mas acho que o melhor mesmo são as questões que podem ser debatidas através do conteúdo do documentário, e mesmo do trabalho em si.
Porque muita gente já começou a torcer o nariz para o Banksy (seria inveja? Em boa parte das críticas?), que apesar de continuar criando uns stencils muito perspicazes, nos recantos mais inusitados de Londres e adjacências (que já não são tão adjacentes assim), agora vende quadros nas conceituadas galerias e casas de leilão britânicas. Na verdade, alguns de seus maiores críticos são seus colegas grafiteiros, que não acreditam que o tipo de elaboração feita por Banksy é tão original assim. Ou, ainda, que ele se vendeu na primeira oportunidade de transformar a arte da contestação em algo comercial.
Eu, pessoalmente, acho que nada do que ele fez, ao vender por centenas de milhares de libras alguns de seus trabalhos para artistas de Hollywood e gente com muito dinheiro e com gosto duvidoso (para dizer o mínimo), contradiz a natureza da crítica ácida e satírica de sua proposta. A tática de colocar material inteligente, mas completamente ridículo, nas exposições da "arte consagrada", é um exemplo. É algo como "vocês acham que sabem sobre arte? Primeiro, não conseguem separar o trabalho dos competentes da minha merda. Segundo, o trabalho dos competentes não é tão competente assim". No fundo, ele chama atenção, ao equalizar as formas de arte (por baixo, devo dizer), para uma questão que há muito é debatida pelos historiadores de arte: boa parte da moral disto tudo se refere à forma como a arte é vendida, adornada e apresentada. E vender suas porcarias por milhares de libras é um tapa na face de quem acredita que consegue avaliar a arte por si só.
E, convenhamos, se mesmo tudo o que eu disse aqui acabar sendo um monte de abobrinhas, ainda resta um ponto: qual seria o grafiteiro, por mais underground que seja, que não aceitaria um troco super-valorizado por sua arte?
Assistir o documentário em um cinema de porão no sul de Londres (como de fato aconteceu) talvez faça mais sentido que assistir no glamour de Berlin, ou mesmo no já não tão alternativo Sundance. Mas, ao mesmo tempo, talvez sejam nestes lugares, ou em um confortável dvd, que o filme mais se realize.

segunda-feira, fevereiro 08, 2010

Tilt

Acho que nunca estive tão cansado na minha vida.
Mas ao mesmo tempo, nessa reta final, entrei, no que chamam os basqueteiros, "in the zone"!
E vamos que vamos.

segunda-feira, janeiro 04, 2010

E começa 2010

Como era de se esperar, não deu pra descansar tanto neste final de ano. Mas rolaram boas comidas, uma pausa rápida na escrivinhação toda (nada como trabalho braçal para parar de pensar na tese por um tempo) e uns presentes bem bacanas!
Esse ano tive umas boas surpresas no quesito. Nada extravagante, mas coisas divertidas mesmo assim. Algumas camisetas, que sempre são bem vindas (não compro roupa). E também uma panela de fazer risoto (ou paella, se eu descobrir como... uhu!) e um carrinho de fricção!
Há muitos anos não ganhava um brinquedo e achei bem legal! Ainda não tive muito tempo pra sair brincando com ele, mas logo, logo vocês vão me encontrar em algum tanque de areia ou parquinho, causando olhares estranhos nas mães presentes.

quinta-feira, dezembro 24, 2009

Última do ano

Nos finalmentes com a bendita, não tenho muito tempo (leia-se "saco") de escrever qualquer outra coisa. Mas em qualquer pausinha do trabalho não hesito em ver algum seriado para relaxar (estou conhecendo vários!).
O último que vi achei bem interessante. Na verdade é uma mini-série britânica (e viva a BBC, que ainda faz coisa decente com pouco dinheiro!) que foi ao ar ano passado. Chama-se Dead Set, e no fundo não tem nada de revolucionário. Mas achei interessante, mesmo assim.
A história se passa no estúdio de gravação do Big Brother britânico, justo na noite de paredão. Enquanto imbecis assistem imbecis presos numa gaiola, a boa e velha epidemia viral (como os ingleses têm obsessão pelo tema!) transforma as pessoas em mortos-vivos famintos (os zumbis também infectam os outros com mordidas, também morrem apenas com disparos ou golpes na cabeça, mas são os que se movem rápido, no estilo Danny Boyle e não George Romero). As críticas do criador sobre a sociedade contemporânea e suas neuras são evidentes. Mas o bom da mini-série é que ela não tenta esconder suas referências ou forçar a mão para ser original.
Enfim, voltando à história... Poucos sobrevivem ao primeiro ataque, entre eles o produtor cretino do programa e uma estagiária da emissora. E, claro, os participantes do reality show, isolados na casa.
O programa é bem gore, então estejam avisados. Mas gostei bastante e vi todos os cinco episódios em sequência. Também vale a pena por algumas outras referências, hilárias, de outros filmes de horror.
E achei engraçadíssimo que a apresentadora do programa, que é de fato a mesma do BB britânico real, é zumbificada e sai em busca do produtor. Seria demais se fizessem isso com o Bial, correndo atrás do tal Boninho.
E nem precisariam de muita maquiagem para dar um trato no cara.

quinta-feira, dezembro 10, 2009

República dos bananas

Vi esses dias que o Kusturica vai fazer um filme sobre o Pancho Villa. Sou fã do cara (e das trilhas dos filmes dele), então estou bem ansioso para ver o resultado.
Mas por falar em Kusturica, fiquei aqui pensando como seria um Underground versão brasileira...

João José, ficou 20 anos em coma no hospital D. Pedro I (ou talvez, como na versão dos balcãs, escondido num bunker qualquer, planejando a revolução que ia livrar seu país das garras da dominação estrangeira e do FMI).
Quando finalmente acordou, certa manhã, contrariando todos os prognósticos, descobriu que sua família há muito já não o visitava. Seus pais haviam falecido 10 anos antes. Seus irmãos, desde que deu entrada no hospital, vítima de um atropelamento, visitavam com cada vez menos frequência, numa razão inversamente proporcional ao amortecimento de suas consciências: um dia simplesmente o esqueceram, ele que há muito não era seu irmão, mas um amontoado de carne, tubos, aparelhos e despesas que não dava nada em troca. Nunca teve filhos. E seus sobrinhos sequer sabiam que aquela figura adormecida era um tio.
Mas João José despertou, sem razão aparente (o dia era completamente medíocre, não coincidiu com nenhum grande acontecimento que pudesse marcar a ocasião).
Assim que conseguiu lembrar de como emitir sons, puxou conversa com uma enfermeira que por lá estava.
"Que aconteceu?"
"O senhor sofreu um acidente e ficou em coma."
"Mas por quanto tempo?"
"Vinte anos."
"Quanto?"
"Sim, sei que deve ser difícil entender isso. O senhor já virou patrimônio do hospital. Quando eu comecei a trabalhar, há 14 anos, o senhor já estava por aqui. Pouca gente viu o senhor ser admitido. Acho que o Seo Henrique, o faxineiro, pode se lembrar da época."
João José não pôde evitar pensar que havia se tornado um mascote. Na verdade, pior, mobília do hospital.
"E minha família?"
"Sei não senhor. Há anos ninguém vem aqui."
"E como vou fazer agora? Como vou sair por esse Brasil afora, sem família, amigos ou emprego?"
"Aqui não é mais Brasil não senhor."
"Como assim?"
"O Brasil não existe mais."
"Não existe?"
"Sim, há alguns anos atrás o Estado de São Paulo fez um plebiscito que aprovou a separação do país. Um pouco depois houve no Rio Grande do Sul uma revolução que declarou independência. Eles se uniram com a província de Buenos Aires, que também se separou da Argentina e formaram a República Cisplatina."
"E o que aconteceu com o resto do país? E o Nordeste?"
"Foi comprado por um consórcio de investidores alemães e ingleses e agora é um território independente, de pousadas e resorts de luxo."
"E o Norte, a Amazônia?"
"Como naquele jogo, '24 territórios a conquistar'. O que era o Centro-Oeste também."
João José parou por um instante, tentando compreender a magnitude do acontecimento.
"E agora, como se chama o país São Paulo?"
"República Paulista da Ordem da Maçonaria."
"E o que aconteceu com Brasília? O que é lá agora?"
"Foi aterrada e virou um estacionamento."
João, atônito, achou que não suportaria mais revelações desse tipo e resolveu que simplesmente iria embora dali.
"Quando vou poder ter alta aqui do hospital?"
"Só acertar a papelada.... Por sinal, agora o hospital se chama Julio de Mesquita. Os nomes 'brasileiros' foram substituídos por personagens da história de São Paulo."
"Meu Deus. Acho que preciso de um cigarro."
"Shhhh senhor, isso agora é crime."

terça-feira, novembro 24, 2009

Sobre eventos da política nacional

Diga-me com quem andas e direi quem és (devaneios de uma madrugada insone).

segunda-feira, novembro 23, 2009

Samcro

Sempre em busca de novos seriados interessantes, acabei encontrando uma gema, Sons of Anarchy.
Os personagens são inteligentemente criados e as situações muito bem boladas. Mas é a idéia de contar toda uma subcultura de desajustados, que nos EUA existem aos borbotões, mas são convenientemente relegados aos rodapés da história tal como ela é narrada nos meios midiáticos mais usuais, que me cativou profundamente.
Se trata de uma família de motociclistas, totemicamente ligados ao Grim Reaper, sobreviventes ou subprodutos da contra-cultura do Oeste americano - insatisfeitos com o establishment do que acreditam não ser o verdadeiro espírito do país - que participam de uma série de desventuras fora-da-lei em sua tentativa de dar sentido a um ideal libertário que, ademais, inflama outros tantos malucos por lá com suas próprias versões de como consegui-la.
Mas a história toda clama por uma análise antropológica, do parentesco, das fissuras e conexões estabelecidas entre os diversos grupos e segmentos (que se unem em determinadas ocasiões, contra outros clubes), em sua lógica, regras e moralidade particulares e paralelas de como levar a vida. Coisa que, aliás, tenho pensado desde que li o livro dos Hell's Angels do Hunter Thompson, praticamente uma monografia etnográfica das gangues de motociclistas da costa oeste dos Estados Unidos (escrita no começo da carreira do Thompson, se não me engano).
Recomendadíssima.

sexta-feira, novembro 13, 2009

Navegar é preciso - versão saxã

Há alguns anos, em uma viagem com meu pai - que, por sinal, anda bastante pelo mundo - adquiri o hábito de procurar meu sobrenome nas listas telefônicas dos lugares em que vou.
Nesse mês passado encontrei uns dois ou três em Buenos Aires. Mas em Auckland, nada de nenhum dos representantes de Casteveltere in Val Fortore overseas.
Isso então me levou a pensar sobre o fato de quase não haver brasileiros por lá, pelo que tenha visto.
Até os últimos dias de estadia, inclusive pensei que não fosse ouvir português nas ruas - mas acabei ouvindo, uma vez, no ônibus, já no final da viagem.
Aí fiquei pensando nessa coisa da Nova Zelândia ser uma referência quase nula para os brasileiros. Exatamente por não ter quase nada que remeta a alguma idéia de familiaridade com o lugar. É a terra média e pronto.
"É longe demais", pensei.
Só que, estranhamente, ouvi muito alemão enquanto estive lá. Mas a Alemanha é longe também. Qual seria a razão disso?
Claro, o poder aquisitivo do pessoal das terras teutônicas é ligeiramente maior que o nosso, o que permite certa potencialidade de sair do país. E de fato, havia vários turistas. Mas havia também muita gente trabalhando e estudando lá.
Ao contrário da referência brazuca, que costuma mirar na Europa Ocidental e no velho Tio Sam, os amigos saxões acabam indo também para outros sítios.
Conversando com um casal alemão num jantar, certa noite, a mulher disparou: "vim estudar aqui porque é o lugar mais distante possível da Alemanha na Terra".
"Claro", pensei, "quem aguenta ficar a vida inteira naquela terrinha gelada onde tudo acontece certinho?"
Mas fiquei imaginando se não havia também um resquício do ethos germânico dos exploradores, aventureiros e colecionadores de curiosidades do mundo. Um certo complexo de Humboldt que impulsiona essa galera para fora (afinal, que alemão que se preze continua na casa dos pais depois da maioridade?).
Um pouco aquela idéia de pegar um globo, fechar os olhos e colocar o dedo em algum pedacinho esquisito e desconhecido. "É lá mesmo que vou me encontrar".

quarta-feira, novembro 11, 2009

O último que sair...

Eu já reclamando da cpfl ou achando que tinha pifado algum transformador nas redondezas, odiando porque ia perder a final da world series do poker, ao vivo, quando volta a luz e descubro, ouvindo os caras da narração, que estavam falando que foi difícil chegar no estúdio para gravar o programa porque o trânsito em SP estava maluco com a falta de luz, que na verdade o apagão não foi somente no meu bairro, mas em grande parte do sul, sudeste e centro-oeste do país, além do Paraguai e Argentina.
Talvez alguém tenha tropeçado em algum fio em Itaipu.

E me lembrei do apagão lá pelos idos de 1999. Na época estava no ginásio da unicamp - num show que me recuso a dizer qual era, mas se alguém quiser pesquisar para me envergonhar depois... taí o google.
Na ocasião havia ido, então, no breu, ao falecido Karambar, onde a luz, finalmente, voltou, de madrugada, para embaraço dos mais assanhados lá presentes.

Será que os papos de pane energética no país, que há uma década competiam, alarmistas, com o medo de uma falta de água potável num futuro próximo, mas que foram esquecidos por completo, irão voltar? Junto com a novela toda da transposição do São Francisco?

quarta-feira, novembro 04, 2009

"Citizen and Subject"

Hoje assisti, com algum atraso, Distric 9, o filme produzido pelo Peter Jackson que estava dando o que falar.
Tenho ido muito pouco ao cinema ultimamente. Em parte porque nada de bom tem sido feito, em parte porque estou ficando biruta com a tese. Acho que os últimos filmes que tinha ido assistir na telona foram Up e Era do Gelo 3.
Ambos em 3D.
Nem o do Tarantino acabei vendo - apesar que estou achando que vou me decepcionar com o tal...
Mas nesses dias de calor, saariano, com a pouca produtividade acadêmica ainda mais debilitada, acabei fugindo para o ar condicionado, siberiano, da sala de cinema com minha bat-companheira de filmes.

A idéia me parecia bastante interessante. Algo sobre uma analogia sobre o apartheid (na África do Sul, para dissipar qualquer possibilidade de não compreensão da referência) com aliens que tiveram que parar, por motivo de força maior, nesse planetinha esquisito e infeliz, o terceiro da órbita solar - para trocar o estepe, ou encher uma garrafa pet de gasolina, algo asssim (me lembrei da notícia dos franceses que foram rapelados numa faleva do Rio porque o GPS do carro deles pode até identificar radar, mas não considera IDH).
A velha história do deslocamento e do varrer para baixo do tapete.
Arrisco dizer que aconteceria o mesmo se eles tivessem ido parar em Toronto e não em Johannesburg (mas reconheço que deram azar os coitados. Pior apenas seria se tivessem acabado na Faixa de Gaza...).

E o começo parecia mesmo ser promissor. Referências explícitas ao multiculturalismo tenso da África do Sul, bem como sobre o genocídio de Ruanda - e tasca Mamdani neles (tutsi aqui não são baratas, mas camarões; ainda que os tais aliens pareçam mais baratas mesmo)!
(Eco, talvez, da idéia de que a África é uma coisa só?)
Achei bem interessante a sapatada na ONU e nas "agências humanitárias" e as cooperativas (geralmente escandinavas ou americanas) nós-cegas que patinam, soberbas, em nome de uma política "esclarecida" e altruísta, mas que operam basicamente com a mesma lógica paternalista do período colonial (resta fazer documentário premiado para passar no GNT, não é?).

Só que achei a narrativa meio confusa (sei que era intencional, propositalmente evitando explicar tudo tintim por tintim; mas...). Um pouco perdida nas nojentices e na ação, a meu ver, demasiada (a proposta não era ser um blockbuster de ação - mesmo pecado cometido pelos demais Matrix, aliás, que passaram do ponto).
Nojentice, aliás, que deve ter sido bem a gosto do Peter Jackson, relembrando sua fase Bad Taste e Braindead (sim, ele fez algo bom na Nova Zelândia antes dos hobbits e orcs).

Mas no geral saí satisfeito. Veria a continuação.

Nota - Todo mundo deve estar agora escrevendo sobre o Lévi-Strauss, que aguentou firme, centenário, para poder enterrar boa parte dos pós-estruturalistas e pós-modernistas pentelhos.
Quem sabe uma outra hora falo mais sobre o autor que me maravilhou e me irritou nesses anos todos de antropologia. Mas não agora.
Digo apenas que depois dele realmente não existem mais grandes pensadores humanistas.

domingo, outubro 04, 2009

Aotearoa

O congresso em Buenos Aires foi muito bom, ainda que tenha visto muita pouca coisa do mesmo. Tive que organizar bem meu pouco tempo lá para fazer coisas interessantes (como comer que nem um condenado os maravilhosos bifes argentinos!). Mas valeu. Eu não sei qual é a lógica, algumas vezes fico nervoso, outras não. Mas a apresentação foi tranquila e a sessão como debatedor, bastante proveitosa!
Não deu pra passear tanto quanto gostaria pela cidade, mas o Gábor me levou num pub e fiz umas coisas turista básico também.
E agora cheguei à Aotearoa (ou Nova Zelândia, ou Terra Média)! E comigo veio a chuva. Mas tudo bem, por enquanto adorando tudo! As pessoas são incrivelmente hospitaleiras, a terra é linda e a cultura maori simplesmente sensacional! Hoje vim para uma das universidades em que a Dani tem feito pesquisa, e dei um pulo numa Marae, ou um espaço de recepção sagrado maori. E sobre isso vou escrever um post a parte depois. Mas é incrivelmente belo e extremamente significativo. Todos os entalhes são uma grande narrativa sobre a história maori - cosmológica e histórica (a distinção não faz muito sentido para eles, pelo jeito). E um senhor muito simpático ficou um tempão explicando tudo e tirando todas minhas dúvidas imbecis.
O pessoal aqui tem muita paciência. E levam uma vida muito tranquila. Stress-free!
Mais sobre o outro lado do mundo em outra ocasião!

sexta-feira, setembro 25, 2009

A volta do bom horror?

Bom, esse deve ser o último post antes de viajar para terras porteñas.
Tô meio sem tempo de atualizar aqui. Não exatamente por falta de vontade. Tenho uns textos na cabeça, mas na hora de vir pra frente do computador acabo vendo outras coisas... Enfim, apenas um rapidinho para dar uma dica cinematográfica.

Sam Raimi parece nunca ter se afastado tanto do horror que o consagrou (perdi noites insones quando criança assistindo Evil Dead - era o filme que nós, quase adolescentes, pegávamos de algum jeito (provavelmente irmã ou irmão mais velho que alugava e repassava) e assistíamos morrendo de medo debaixo de um cobertor! Esse e Demons, aliás!).
Ao longo dos anos ele esteve envolvido em alguns projetos do gênero, mesmo que mais bobinhos. E passa agora por uma fase super pop, com os duvidosos Homem-Aranha, por exemplo. Entretanto, ele anuncia a filmagem de Evil Dead 4, o que me dá um pouco de medo do que virá (o 2 é passável, mas o 3 é terrivelmente ruim, ainda que não seja dele; mas não sei se a série ainda se mantêm... mesmo com a onda revival atual). Que, claro, vou conferir quando sair.
Agora, ontem vi, junto com o André, num cinema completamente vazio, Drag me to Hell, do Raimi!
E fiquei impressionado como é bom! Ok, um pouco previsível, mas acho que isso não era preocupação dele (nada de ficar quebrando a cabeça para montar um final "surpreendente", como o tal M Night Shyamalan tenta cada vez mais desesperadamente fazer e que já me encheu o saco faz tempo - ainda que no finalzinho ele tenha se entregado à formula, já manjada... você sabe que ainda vai ter algo quando o filme não termina quando deveria). Nada de trapacear também abusando dos sustos (os filmes de terror hoje parecem só se valer do truque barato de colocar um rosto assustador, de repente, na fuça do "protagonista" (a.k.a. espectador)). Tudo muito conscientemente tosco, mesmo que não tenha chutado o balde como gostaria e tenha feito algumas concessões sobre as coisas que mencionei aí em cima.
Mas o estilo, um pouco vintage (porque claramente homenageando os filmes antigos de horror), é maravilhoso. Alguns personagens muito interessantes (tudo bem, tem o imbecil do Justin Long só para atrair bilheteria, mas também tem os pais do personagem dele, deliciosamente esquisitíssimos). E a trilha sonora é de matar! Uma das melhores em muito tempo!
E tem o humor gore dele também. Que nem sempre dá certo, mas normalmente dá um bom contraste com as partes assustadoras.
Vale a pena ver na telona. Mas vá com a mente aberta.
Espero que o filme sirva para abrir precedentes de filmes menos pretenciosos e com melhor qualidade. Pelo menos com outras possibilidades de enredo.