O que valia em 2006 ainda vale hoje. Agora com a possibilidade da soma dos dois, pelo jeito.
Sobre os efeitos aniquiladores da influenza, não posso dizer muito. Mas que psicologicamente é um desastre, é só ver como está o México, mais do que nunca "tão perto do Tio Sam, tão longe de Deus".
quinta-feira, abril 30, 2009
segunda-feira, abril 27, 2009
Algo sobre amizade
Eu tenho uma amiga que me chama de sua girlfriend (e mantenho o inglês porque não é uma tradução para namorada). Aí hoje eu parei pra pensar um pouco nisso e sobre gênero e amizade...
O interessante nessa amizade é que desde que a gente se conheceu, há mais de uma década atrás, um papo bastante íntimo (não necessariamente sacanagem, apenas íntimo) rolava naturalmente, desde o começo. Depois ficamos um tempão sem nos ver, mas quando retomamos a amizade, continuou tudo como era antes. Fácil.
E de fato eu acho que faço coisas de girlfriend com ela. Desde conversas sobre namoros e amores, passando pelo besteirol puro, até irmos juntos pra ir comprar calcinha pra ela. Coisa de pintar ou cortar o cabelo um do outro e de fazer comida juntos.
Mas tem uma complexidade a mais. Não é que eu assuma um papel de amiga. E aí pensando no sentido que o gênero proporciona nas diferenças de sociabilidades entre pessoas. Há como que uma conduta certa para amizade entre amigas, ou de amizade entre amigos, que quase sempre exclui automaticamente a possibilidade de ter algo parecido quando a amizade é do sexo oposto. Aí é, normalmente, um terceiro tipo de amizade.
Mas, então. Ela também cumpre um papel de amigo.Coisa de podermos falar merda, ter as viagens que você normalmente reserva para os amigos homens e não tem coragem de ter com as mulheres (do tipo que você imagina que as mulheres irão te censurar e então nem abre a boca na presença de uma). E também coisas que às vezes homens ficam com o pé atrás com medo de parecer gay mas fazem mesmo assim (aquela coisa: dá um abraço, mas tem que ser forte, quase machucando; batendo com a mão nas costas ao invés de apenas segurar apertado - convenções masculinas básicas), com ela não tem problema. E acho que exatamente por esse deslocamento da ética entre amigos. É como se o ônus de um e de outro caso, não existisse.
Fiquei pensando nisso e em algumas amizades que eu tenho. E pensei nessa palavrinha tão sexualizada que é paixão. E o quanto eu sinto, realmente, por não poder fazer algumas coisas que gostaria porque podem ser mal interpretadas. Como dizer que morro de paixão por uma amiga, sem que isso tenha nada de sexual implicado.
Como ter vontade de passar o dia junto com uma pessoa, sem que isso leve a casamento ou união estável.
O interessante nessa amizade é que desde que a gente se conheceu, há mais de uma década atrás, um papo bastante íntimo (não necessariamente sacanagem, apenas íntimo) rolava naturalmente, desde o começo. Depois ficamos um tempão sem nos ver, mas quando retomamos a amizade, continuou tudo como era antes. Fácil.
E de fato eu acho que faço coisas de girlfriend com ela. Desde conversas sobre namoros e amores, passando pelo besteirol puro, até irmos juntos pra ir comprar calcinha pra ela. Coisa de pintar ou cortar o cabelo um do outro e de fazer comida juntos.
Mas tem uma complexidade a mais. Não é que eu assuma um papel de amiga. E aí pensando no sentido que o gênero proporciona nas diferenças de sociabilidades entre pessoas. Há como que uma conduta certa para amizade entre amigas, ou de amizade entre amigos, que quase sempre exclui automaticamente a possibilidade de ter algo parecido quando a amizade é do sexo oposto. Aí é, normalmente, um terceiro tipo de amizade.
Mas, então. Ela também cumpre um papel de amigo.Coisa de podermos falar merda, ter as viagens que você normalmente reserva para os amigos homens e não tem coragem de ter com as mulheres (do tipo que você imagina que as mulheres irão te censurar e então nem abre a boca na presença de uma). E também coisas que às vezes homens ficam com o pé atrás com medo de parecer gay mas fazem mesmo assim (aquela coisa: dá um abraço, mas tem que ser forte, quase machucando; batendo com a mão nas costas ao invés de apenas segurar apertado - convenções masculinas básicas), com ela não tem problema. E acho que exatamente por esse deslocamento da ética entre amigos. É como se o ônus de um e de outro caso, não existisse.
Fiquei pensando nisso e em algumas amizades que eu tenho. E pensei nessa palavrinha tão sexualizada que é paixão. E o quanto eu sinto, realmente, por não poder fazer algumas coisas que gostaria porque podem ser mal interpretadas. Como dizer que morro de paixão por uma amiga, sem que isso tenha nada de sexual implicado.
Como ter vontade de passar o dia junto com uma pessoa, sem que isso leve a casamento ou união estável.
quarta-feira, abril 22, 2009
Como diz o verso?
Sim, o Rio de Janeiro continua lindo.
Acho que fiquei 10 anos sem aparecer na antiga terra tupinambá, por motivos diversos - dos quais se destaca uma preguiça injustificável de por lá aparecer. Mas lá chegando é possível perceber, ainda na primeira hora, que nada, ou muita pouca coisa, mudou - no que eu considero de melhor e de pior no Rio. No topo da lista, claro, a paisagem deslumbrante, que toda a urbanidade não planejada não conseguiu arruinar. Muito pelo contrário, há ali (e me desculpem os meioambientistas de plantão) uma combinação quase perfeita entre cidade e natureza, como em poucos lugares no mundo (um outro lugar que me vem à cabeça é Cape Town), mesmo com toda a poluição visual e real. Não tem jeito, cidade na beira do mar tem um encanto especial, por mais problemas que possa ter.
O centro do Rio, para mim, é o ponto alto. Na verdade, logo chegando na rodoviária (que finalmente passa por reformas), ali colada na região portuária, o paulistano (este, sobretudo) que chega logo se dá conta que a antiga capital federal ainda mostra uma glória um tanto quanto decadente que agrada demais (e atenção aos que se programam para vir de azul: o mesmo acontece para quem chega no Santos Dumont; e para quem vem e virá de trem: Central do Brasil).
Ainda que tenha ficado quase todo o tempo mais ao Sul, muito mais tranquilo, em um bem-vindo descanso, foi ótimo rever o Rio.
E o tempo maravilhoso que existe por aquelas bandas.
Acho que fiquei 10 anos sem aparecer na antiga terra tupinambá, por motivos diversos - dos quais se destaca uma preguiça injustificável de por lá aparecer. Mas lá chegando é possível perceber, ainda na primeira hora, que nada, ou muita pouca coisa, mudou - no que eu considero de melhor e de pior no Rio. No topo da lista, claro, a paisagem deslumbrante, que toda a urbanidade não planejada não conseguiu arruinar. Muito pelo contrário, há ali (e me desculpem os meioambientistas de plantão) uma combinação quase perfeita entre cidade e natureza, como em poucos lugares no mundo (um outro lugar que me vem à cabeça é Cape Town), mesmo com toda a poluição visual e real. Não tem jeito, cidade na beira do mar tem um encanto especial, por mais problemas que possa ter.
O centro do Rio, para mim, é o ponto alto. Na verdade, logo chegando na rodoviária (que finalmente passa por reformas), ali colada na região portuária, o paulistano (este, sobretudo) que chega logo se dá conta que a antiga capital federal ainda mostra uma glória um tanto quanto decadente que agrada demais (e atenção aos que se programam para vir de azul: o mesmo acontece para quem chega no Santos Dumont; e para quem vem e virá de trem: Central do Brasil).
Ainda que tenha ficado quase todo o tempo mais ao Sul, muito mais tranquilo, em um bem-vindo descanso, foi ótimo rever o Rio.
E o tempo maravilhoso que existe por aquelas bandas.
segunda-feira, abril 06, 2009
Sem propósito
Esse começo de ano trouxe algumas novidades. Nem sempre boas, mas também não necessariamente ruins.
Se fiquei dolorosamente consciente dos problemas, aparentemente esmagadores, de algumas pessoas queridas (ou será que de fato as coisas pioraram, e não apenas a minha percepção delas?), por outro reencontrei algumas amizades que estavam um pouco dormentes e que me fizeram um bem danado. Bem, houve também reencontros deliciosos sem grandes dramas para contrabalancear, porque nem tudo é desgraça.
Mas essas novidades vieram no momento em que estou menos convicto do meu futuro em terras tupi. Não que tenha grandes planos de evasão, mas sinto que tenho mais alternativas viáveis pela frente. De alguma maneira, já cogito fazer algo diferente do que sempre fiz e sempre achei que faria.
Mas talvez a grande mudança foi essa tal experiência docente - algo que pensei que nunca faria, mas que me gratifica de uma maneira estranha, ambígua: é algo extremamente sofrido, mas que também tem momentos preciosos, quando há uma interlocução real e ambas as partes (eu e elas) acrescentam algo em suas vidas. Ou pelo menos é isso que acredito - o que está de bom tamanho, devo dizer.
Mas ainda não sei se é isso que farei. Até acho que não, mas ao menos sei agora que poderia fazer o que 90 por cento das pessoas que trilham a vida acadêmica supostamente devem realizar.
Esquisitamente, ando extremamente melancólico. O que não é ruim a priori. Esquisitamente porque é exatamente quando tenho tantas coisas para fazer que aquele propósito forte, que vem dos planos mais distantes e irreais, quase sumiu.
Se fiquei dolorosamente consciente dos problemas, aparentemente esmagadores, de algumas pessoas queridas (ou será que de fato as coisas pioraram, e não apenas a minha percepção delas?), por outro reencontrei algumas amizades que estavam um pouco dormentes e que me fizeram um bem danado. Bem, houve também reencontros deliciosos sem grandes dramas para contrabalancear, porque nem tudo é desgraça.
Mas essas novidades vieram no momento em que estou menos convicto do meu futuro em terras tupi. Não que tenha grandes planos de evasão, mas sinto que tenho mais alternativas viáveis pela frente. De alguma maneira, já cogito fazer algo diferente do que sempre fiz e sempre achei que faria.
Mas talvez a grande mudança foi essa tal experiência docente - algo que pensei que nunca faria, mas que me gratifica de uma maneira estranha, ambígua: é algo extremamente sofrido, mas que também tem momentos preciosos, quando há uma interlocução real e ambas as partes (eu e elas) acrescentam algo em suas vidas. Ou pelo menos é isso que acredito - o que está de bom tamanho, devo dizer.
Mas ainda não sei se é isso que farei. Até acho que não, mas ao menos sei agora que poderia fazer o que 90 por cento das pessoas que trilham a vida acadêmica supostamente devem realizar.
Esquisitamente, ando extremamente melancólico. O que não é ruim a priori. Esquisitamente porque é exatamente quando tenho tantas coisas para fazer que aquele propósito forte, que vem dos planos mais distantes e irreais, quase sumiu.
segunda-feira, março 23, 2009
"Eu fui"
Mais um post desses vários que estão pululando por aí sobre "eu fui no Radiohead".
Mas nem vou falar muito sobre o que achei do show, me repetiria.
Ou não, vai saber. Eu não achei a experiência "transcendental" como muitos dizem, nem me impressionei tanto assim - na verdade gostei mais do - pouco - que vi do Kraftwerk (pouco porque a organização daquela josma era terrível! O acesso ao bairro, por uma via completamente em obras, e a facilidade de estacionar, nula, nos fizeram demorar mais para conseguir entrar na Chácara do Joquei do que o tempo de vir de Campinas! Entrei na metade do show dos saxões!).
Para uma banda que há mais de uma década alimenta expectativas de vir tocar nessas bandas, o impacto foi um pouco decepcionante (o que não quer dizer que tenha sido ruim, muito pelo contrário! Achei muito bonito! Mas fica minha ressalva face ao preço do ingresso e ao tempo de expectativa por um show dos caras).
Enfim, eu não ia falar muito do show.
Vi numa coluna por aí que dizia que o único ponto negativo da noite foi a saída, em que todo mundo se acotovelava em um funil humano, tendo que passar por um pedaço de lama (a bem da verdade que era uma pocinha. Exagera o colunista. Aliás, a mesma pocinha que tinha no Claro que é Rock). Isso porque o colunista obviamente deve ter ficado no final para escrever sua reportagem, tirar fotos, dormir, sei lá, ou então ter ido embora com a van da empresa que esperava na frente. Porque quem parou no terrão que era o estacionamento (cujo preço era uma entrada em um show! Isso deve ser ilegal, por sinal!) teve que improvisar uma nova balada, dentro do carro, esperando sua vez de sair. No caso, algo como 2 horas e 20 minutos!
Nessas horas que me dá vontade de ter um monster truck.
E na hora de sair, nem tinha mais gente da organização. Acho que desistiram, foram embora e deixaram os motoristas se digladiarem para sair por uma pinguelinha de barro!
Claro que na volta, pela Bandeirantes, já mais perto de amanhecer, fomos parados pela polícia.
Mas, enfim, essa é uma outra história.
Mas nem vou falar muito sobre o que achei do show, me repetiria.
Ou não, vai saber. Eu não achei a experiência "transcendental" como muitos dizem, nem me impressionei tanto assim - na verdade gostei mais do - pouco - que vi do Kraftwerk (pouco porque a organização daquela josma era terrível! O acesso ao bairro, por uma via completamente em obras, e a facilidade de estacionar, nula, nos fizeram demorar mais para conseguir entrar na Chácara do Joquei do que o tempo de vir de Campinas! Entrei na metade do show dos saxões!).
Para uma banda que há mais de uma década alimenta expectativas de vir tocar nessas bandas, o impacto foi um pouco decepcionante (o que não quer dizer que tenha sido ruim, muito pelo contrário! Achei muito bonito! Mas fica minha ressalva face ao preço do ingresso e ao tempo de expectativa por um show dos caras).
Enfim, eu não ia falar muito do show.
Vi numa coluna por aí que dizia que o único ponto negativo da noite foi a saída, em que todo mundo se acotovelava em um funil humano, tendo que passar por um pedaço de lama (a bem da verdade que era uma pocinha. Exagera o colunista. Aliás, a mesma pocinha que tinha no Claro que é Rock). Isso porque o colunista obviamente deve ter ficado no final para escrever sua reportagem, tirar fotos, dormir, sei lá, ou então ter ido embora com a van da empresa que esperava na frente. Porque quem parou no terrão que era o estacionamento (cujo preço era uma entrada em um show! Isso deve ser ilegal, por sinal!) teve que improvisar uma nova balada, dentro do carro, esperando sua vez de sair. No caso, algo como 2 horas e 20 minutos!
Nessas horas que me dá vontade de ter um monster truck.
E na hora de sair, nem tinha mais gente da organização. Acho que desistiram, foram embora e deixaram os motoristas se digladiarem para sair por uma pinguelinha de barro!
Claro que na volta, pela Bandeirantes, já mais perto de amanhecer, fomos parados pela polícia.
Mas, enfim, essa é uma outra história.
terça-feira, março 17, 2009
Paradoxos da vida moderna, ou beber sozinho não quer dizer desacompanhado
Lá pelos primórdios do orkut, fiquei fazendo parte de uma comunidade de / para insones. Naquela época (quando isso? 2004, 2005? Já não lembro. Preciso entrar numa comunidade de esclerosados...) sofria bastante com o problema. Ainda tenho minhas noites ingratas, mas a coisa melhorou bastante (tenho certeza que o sono vinha proporcionalmente com o prazo da dissertação; quero só ver como vai ser com a tese...). Tanto que saí da comunidade, que ficou um pouco pesada para mim depois de um tempo. Ficar com gente com a mesma aflição não ajuda de fato, ainda que sirva para dar certa perspectiva (é por isso que nunca entrarei em qualquer sociedade de auto-ajuda).
Como tem gente fodida nesse mundo.
Enfim, nessa época, fiz umas amizades com umas figuras interessantes. Um casal virá a propósito deste post. Um casal bastante insólito também. Basta dizer que ela era um amor de pessoa, trabalhava em um hospital psiquiátrico voluntariamente, mas tinha algum problema com bebida (além da supracitada insônia); ele era também muito engraçado, mas briguento, rabugento e neo-nazista convicto (e, claro, insone). Além disso, sofria de algo mais sério que não conseguir dormir: tinha um aneurisma cerebral que deveria ser eventualmente operado, fato que os levou para a Alemanha posteriormente.
Todo esse preâmbulo para contar que ela era minha parceira de bebedeira virtual - ainda que real. Se é que você me entende.
Hoje que me caiu a ficha que este era um tipo de sociabilidade totalmente pós-moderno (na minha nova acepção do termo). Impessoal, mas extremamente íntimo - porque prescinde das inibições da realidade. E para o qual eu não estava nem um pouco ciente ou preparado (estamos alguma vez?). Além de completamente inconcebível para quem acredita que a possibilidade de se inventar é sinônimo de mentira ou engano (afinal, quem disse que as informações tomadas "cara a cara" mostram qualquer coisa de essencial sobre o outro?)
Ao longo de alguns meses, consumimos algumas garrafas de vodka (ou whiskey) online, até eu perceber que isso não ajudava com a insônia e que no fundo era algo bastante triste, ainda que divertido. Ou seja, repleto das contradições da vida urbana atual que estão sendo apenas descobertas e mapeadas pelos nossos filósofos e literatos de plantão. Antes tarde do que nunca, claro...
Mas havia algo de muito atraente e sedutor na idéia da ebriedade (existe isso?) à distância. É como se não fosse necessário etnografar os buracos sujos da cidade para suprir a dose de boemia e decadência, que tanto são valorizadas no lixo neo-qualquer coisa na literatura alternativa de hoje. Ainda que, devo confessar, uma coisa não substitui a outra - ainda que principal diferença seja apenas em grau. Mas chega surpreendentemente perto. Pelo menos em termos de descobrimento e iluminação pessoais.
Depois de Geertz, qualquer antropólogo que se preze aprendeu a desconfiar do poder e autoridade do testemunho e da necessidade de "sujar as mãos" para obter algo "verdadeiro".
Enfim, fiquei um algum tempo depois disso ainda escrevendo recados bêbados para uma outra amiga minha - e vice-versa. Quando voltava de alguma balada, ou quando jogava pôker na internet com um cachimbo e um copo de whisky do lado e nem via mais os naipes direito, indo dormir quando o sol raiava. Mas hoje em dia, a única coisa que eu consigo fazer quando volto de uma balada é me encolher em uma bola e dormir...
Epa! E eis que descobro a solução para a insônia! Será algo da idade?
Como tem gente fodida nesse mundo.
Enfim, nessa época, fiz umas amizades com umas figuras interessantes. Um casal virá a propósito deste post. Um casal bastante insólito também. Basta dizer que ela era um amor de pessoa, trabalhava em um hospital psiquiátrico voluntariamente, mas tinha algum problema com bebida (além da supracitada insônia); ele era também muito engraçado, mas briguento, rabugento e neo-nazista convicto (e, claro, insone). Além disso, sofria de algo mais sério que não conseguir dormir: tinha um aneurisma cerebral que deveria ser eventualmente operado, fato que os levou para a Alemanha posteriormente.
Todo esse preâmbulo para contar que ela era minha parceira de bebedeira virtual - ainda que real. Se é que você me entende.
Hoje que me caiu a ficha que este era um tipo de sociabilidade totalmente pós-moderno (na minha nova acepção do termo). Impessoal, mas extremamente íntimo - porque prescinde das inibições da realidade. E para o qual eu não estava nem um pouco ciente ou preparado (estamos alguma vez?). Além de completamente inconcebível para quem acredita que a possibilidade de se inventar é sinônimo de mentira ou engano (afinal, quem disse que as informações tomadas "cara a cara" mostram qualquer coisa de essencial sobre o outro?)
Ao longo de alguns meses, consumimos algumas garrafas de vodka (ou whiskey) online, até eu perceber que isso não ajudava com a insônia e que no fundo era algo bastante triste, ainda que divertido. Ou seja, repleto das contradições da vida urbana atual que estão sendo apenas descobertas e mapeadas pelos nossos filósofos e literatos de plantão. Antes tarde do que nunca, claro...
Mas havia algo de muito atraente e sedutor na idéia da ebriedade (existe isso?) à distância. É como se não fosse necessário etnografar os buracos sujos da cidade para suprir a dose de boemia e decadência, que tanto são valorizadas
Depois de Geertz, qualquer antropólogo que se preze aprendeu a desconfiar do poder e autoridade do testemunho e da necessidade de "sujar as mãos" para obter algo "verdadeiro".
Enfim, fiquei um algum tempo depois disso ainda escrevendo recados bêbados para uma outra amiga minha - e vice-versa. Quando voltava de alguma balada, ou quando jogava pôker na internet com um cachimbo e um copo de whisky do lado e nem via mais os naipes direito, indo dormir quando o sol raiava. Mas hoje em dia, a única coisa que eu consigo fazer quando volto de uma balada é me encolher em uma bola e dormir...
Epa! E eis que descobro a solução para a insônia! Será algo da idade?
quinta-feira, março 05, 2009
Conversas à borda da piscina
-"Seu Luiz, o que que é mentira mesmo?"
-"Café da manhã é mentira!"
-"E chá?"
-"Também é mentira. E sabe o que mais é mentira?"
-"O quê?"
-"0800. Mentira das grandes. Acupuntura também é mentira. E homeopatia também. Tudo mentira!"
-"Acupuntura funciona, Seu Luiz!"
-"A vá. Vai me dizer que você também acredita em quem vai numa loja e diz pro vendedor 'vou pensar um pouquinho e volto depois'?"
-"Café da manhã é mentira!"
-"E chá?"
-"Também é mentira. E sabe o que mais é mentira?"
-"O quê?"
-"0800. Mentira das grandes. Acupuntura também é mentira. E homeopatia também. Tudo mentira!"
-"Acupuntura funciona, Seu Luiz!"
-"A vá. Vai me dizer que você também acredita em quem vai numa loja e diz pro vendedor 'vou pensar um pouquinho e volto depois'?"
domingo, março 01, 2009
quinta-feira, fevereiro 26, 2009
Sobre a saudade
Ontem meu irmão me mandou um vídeo que mostra "um dia em Abbey Road".
Fiquei emocionado. Por um ano passei por aquele cruzamento todo dia, algumas vezes por dia.
Os turistas que chegam em bandos, aos pares, ou sós. Em excursão, ou coincidentemente se juntam, esperando sua vez de andar pelas faixas tornadas célebres 40 anos antes. Ou mesmo se estão sem companhia, faça um dia ensolarado lindíssimo (como só existem em Londres, ou em semelhantes latitudes), ou de chuva que parece eterna - estão sempre lá (por vezes até mesmo de madrugada se pode encontrar os que lá se aventuram, para um registro menos disputado).
Por um ano eu fiz como os carros que são obrigados a parar diante da faixa, enquanto houver alguém andando ou ameaçando andar: esperava a fotografia ser feita. Porque essas pessoas, japoneses, americanos, brasileiros, franceses, argentinos, italianos, saem do circuito usual do turismo londrino (localizado mais ao sul) e chegam neste cruzamento apenas com um propósito, rápido: firmar uma mensagem no muro branco do estúdio localizado logo em frente e tirar uma fotografia emulando os reis do ié, ié, ié.
É um bairro lindíssimo, mas sem mais atrativos, minimamente interessantes, como uma loja ou outra residência histórica (porque todas são, paradoxalmente anulando a singularidade, pois elevada à enésima potência - o são completamente, sem possibilidade de comparação).
Talvez venham também os fãs de Kokoschka, célebre morador anônimo das redondezas, mas, relegado que é pela história da arte - e mesmo do expressionismo de que participou - não me parece atrair multidões.
Talvez venham também os que querem passear no zoológico e ver os gorilas e girafas. Mas para isso já têm que se distanciar rumo aos limites de St Johns Wood, em direção ao Regent's Park.
Pois então os que chegam, vindos de longe, incertos de quando voltarão - se é que voltarão, já que a moral toda parece ser semelhante a uma peregrinação que se deve fazer uma vez na vida, mas uma vez feita, o céu ou a iluminação pessoal estarão indelevelmente mais próximos, como a que fazem os muçulmanos a Meca, que fazem os cristãos a Fátima (ou ainda a Santiago de Compostela, para os mais aventureiros), e que fazem os judeus aos kibutz em Terra Santa - não hesitam em tomar 10 segundos do tempo dos moradores locais e prestarem seus respeitos em uma foto imortalizada. Aí perdem todas suas inibições, frente a estranhos que nunca mais verão ou a quem terão que se justificar. Aos veículos, não resta nada a não ser ter paciência (ou tomar um caminho alternativo). Aos moradores pedestres, compreensão - ou arriscar-se à irritação dos que o terão ao fundo como paisagem, até o final dos tempos ou do prazo de validade da imagem (que em tempos digitais, não sabemos precisar).
Mas raramente me irritava com essa atravessação incessante. E, assistindo agora esse vídeo, só me assalta uma saudade tremenda desse incômodo, que dava todo um sabor ao lugar onde morei, e, de uma maneira estranha, me permitia ser colocado em uma espécie de vórtice em que tantos desconhecidos - e quanto conhecidos, o que é igualmente fascinante - passaram e ainda irão passar.
Um imã gigantesco que atrai as bússulas, ou uma versão musical do triângulo das bermudas, a um quarteirão de casa.
quarta-feira, fevereiro 25, 2009
Ó jardineira por quê estás tão triste?
Como disse a Dani, finalmente algo para se elogiar do prefeito (além da rodoviária nova, que, se não é nenhuma maravilha, pelo menos tem o mérito de ter aposentado aquela coisa medonha anterior).
Os malditos bailes de carnaval, que nestes últimos anos eram responsáveis por dores de cabeça atrozes (ouvir a mesma música, n vezes ao dia, por 3 dias, num volume que faz parecer que a fanfarra acontece na parede ao lado, não é tarefa fácil), agora acabaram. Ou melhor, foram transferidos para um pouco mais longe - e agora com hora (decente) para acabar.
Tenho cada vez mais ódio de carnaval, a medida que vou envelhecendo (e olhe que eu até gostava de ir no clube soltar serpentina quando criança). E não há treinamento antropológico ou curiosidade etnográfica que me faça ter a mínima condescendência com - não o significado - o que de fato acontece durante esses dias fatídicos.
Meu professor de natação, natural de Olinda, me disse semana passada que eu tenho que ir um dia no carnaval de lá. "É preciso ir ao menos uma vez na vida; imperdível", foram suas palavras. "Dois milhões de foliões", me confessou, presumindo que eu seja um dos que acredita que quanto mais melhor, ou que a voz do povo..., ou que esse tanto de gente não pode estar errada. Ou se garantindo na fama que passou a existir sobre o carnaval de lá - algo como a Oktoberfest ou a festa de São Firmino em Pamplona: um must see.
"Mas nem fodendo", foi a resposta óbvia.
Os malditos bailes de carnaval, que nestes últimos anos eram responsáveis por dores de cabeça atrozes (ouvir a mesma música, n vezes ao dia, por 3 dias, num volume que faz parecer que a fanfarra acontece na parede ao lado, não é tarefa fácil), agora acabaram. Ou melhor, foram transferidos para um pouco mais longe - e agora com hora (decente) para acabar.
Tenho cada vez mais ódio de carnaval, a medida que vou envelhecendo (e olhe que eu até gostava de ir no clube soltar serpentina quando criança). E não há treinamento antropológico ou curiosidade etnográfica que me faça ter a mínima condescendência com - não o significado - o que de fato acontece durante esses dias fatídicos.
Meu professor de natação, natural de Olinda, me disse semana passada que eu tenho que ir um dia no carnaval de lá. "É preciso ir ao menos uma vez na vida; imperdível", foram suas palavras. "Dois milhões de foliões", me confessou, presumindo que eu seja um dos que acredita que quanto mais melhor, ou que a voz do povo..., ou que esse tanto de gente não pode estar errada. Ou se garantindo na fama que passou a existir sobre o carnaval de lá - algo como a Oktoberfest ou a festa de São Firmino em Pamplona: um must see.
"Mas nem fodendo", foi a resposta óbvia.
segunda-feira, fevereiro 23, 2009
And the Oscar goes to...
E Bollywood invade Hollywood.
Bom para o Danny Boyle, de quem sou fã!
Fiquei até um pouco surpreso pelo filme ter ganho algumas das principais categorias. Mas, de qualquer maneira, ainda é impressionante como para outras categorias dá para saber quem ganha mesmo sem assistir os filmes. Só pelo apelo da história ou do papel, bem a gosto sazonal e sem surpresa, na sua originalidade paradoxalmente previsível: o alternativo da vez.
Heath Ledger ganhar depois de tudo que falaram - fama impulsionada por algo bastante conhecido da funesta sociedade norte-americana; ou então Sean Penn ganhar pelo papel mais "ousado", que expia o conservadorismo de lá pelas migalhas do showbiz. Como se o enunciado glamouroso valesse pelas injustiças do cotidiano (bem, desculpem pelo cinismo. É claro que isso é melhor do que não haver nada. E viva o P.C. - não o partido comunista!).
Última nota: gostei do Hugh Jackman como apresentador (mas não mais do que o Billy Cristal; ainda que muito melhor que Whoopi Goldberg, ou os últimos apresentadores todos)! Pelo menos ele sabe dançar.
Bom para o Danny Boyle, de quem sou fã!
Fiquei até um pouco surpreso pelo filme ter ganho algumas das principais categorias. Mas, de qualquer maneira, ainda é impressionante como para outras categorias dá para saber quem ganha mesmo sem assistir os filmes. Só pelo apelo da história ou do papel, bem a gosto sazonal e sem surpresa, na sua originalidade paradoxalmente previsível: o alternativo da vez.
Heath Ledger ganhar depois de tudo que falaram - fama impulsionada por algo bastante conhecido da funesta sociedade norte-americana; ou então Sean Penn ganhar pelo papel mais "ousado", que expia o conservadorismo de lá pelas migalhas do showbiz. Como se o enunciado glamouroso valesse pelas injustiças do cotidiano (bem, desculpem pelo cinismo. É claro que isso é melhor do que não haver nada. E viva o P.C. - não o partido comunista!).
Última nota: gostei do Hugh Jackman como apresentador (mas não mais do que o Billy Cristal; ainda que muito melhor que Whoopi Goldberg, ou os últimos apresentadores todos)! Pelo menos ele sabe dançar.
quinta-feira, fevereiro 12, 2009
Tradição familiar
Nesse final de semana chuvoso e abafado fui na casa do meu tio, comemorar o octagésimo quinto aniversário do meu avô. Tudo muito bom, cerveja gelada, carne gostosa, papo bom.
O cunhado da minha avó, marido de sua irmã, nunca vem nessas reuniões familiares, mas estava lá dessa vez. Eu costumava ir sempre na sua casa, lá na frente do bosque, quando era criança e ia visitar minha bisavó, que morava ao lado.
Pois não é que descobri que ele tem uma tatuagem? Não sei porque o papo foi pra esse lado, mas eu e meus primos pedimos para ver. Nada demais, na verdade. Um coração apagadinho com o nome da minha tia-avó dentro, já bem difícil de ler.
Nada demais. Se não fosse em um senhor de mais de 80 anos.
Eu lembro dele sempre tocando uma gaitinha, que leva pra cima e pra baixo (não foi diferente dessa vez). Mas foi legal saber que ele tinha uma tatuagem. Há quase 62 anos, feita com pena e tinta! A segunda informação, que não sei como podem ter certeza disso, mas é a lenda que corre na família, é que ele foi a primeira pessoa a se tatuar em Campinas. Não sei se não tinha pelo menos um marinheiro perdido por aqui na época da guerra, mas realmente devia ser pouco comum.
Enfim, quando eu tiver a idade dele, acho que será raro o avô que não tiver um rabisco qualquer no corpo. E o mundo vai ser, no mínimo, mais divertido.
O cunhado da minha avó, marido de sua irmã, nunca vem nessas reuniões familiares, mas estava lá dessa vez. Eu costumava ir sempre na sua casa, lá na frente do bosque, quando era criança e ia visitar minha bisavó, que morava ao lado.
Pois não é que descobri que ele tem uma tatuagem? Não sei porque o papo foi pra esse lado, mas eu e meus primos pedimos para ver. Nada demais, na verdade. Um coração apagadinho com o nome da minha tia-avó dentro, já bem difícil de ler.
Nada demais. Se não fosse em um senhor de mais de 80 anos.
Eu lembro dele sempre tocando uma gaitinha, que leva pra cima e pra baixo (não foi diferente dessa vez). Mas foi legal saber que ele tinha uma tatuagem. Há quase 62 anos, feita com pena e tinta! A segunda informação, que não sei como podem ter certeza disso, mas é a lenda que corre na família, é que ele foi a primeira pessoa a se tatuar em Campinas. Não sei se não tinha pelo menos um marinheiro perdido por aqui na época da guerra, mas realmente devia ser pouco comum.
Enfim, quando eu tiver a idade dele, acho que será raro o avô que não tiver um rabisco qualquer no corpo. E o mundo vai ser, no mínimo, mais divertido.
quarta-feira, fevereiro 11, 2009
Algo sobre a crueldade dos comentaristas de futebol
Esperando dar a hora para ir nadar ontem (minha mais nova paixão - bem, talvez sejam as endorfinas falando) assisti o primeiro tempo do jogo da seleção (o decente, pelo que parece).
Assistir jogo da seleção não é um passatempo há tempos, mas gostei bastante do jogo (a parte que assisti pelo menos).
Uma coisa que me deixa irritado, entretanto, é como pegam no pé do Ronaldo II. Achei que jogou bem. Nada genial, mas até aí, quem é hoje em dia?
As pessoas podem ser muito cruéis. E o pior, nada originais. Sempre é um jogador pra Cristo (agora parece que é o Robinho) - por um tempo, todos falam todo dia, sobre qualquer coisa que o infeliz faça no dia. E esquecem o que o cara já fez ou jogou em um passado não muito distante. Ingratidão e memória curta.
Em 2006, estava em Barcelona e ganhei um presentão do cunhado catalão: um passe de jornalista para assistir um jogo no Camp Nou, no gramado! E fiquei realmente impressionado com o Ronaldo naquele dia. Ele tinha uma intensidade no olhar... No aquecimento dava para perceber como ele tinha o time no bolso, gritando orientações aos companheiros e dando uns chutões impressionantes pro alto e matando com um toquinho sutil. Completo controle dos comportamentos cinéticos da bola.
O jogo que fui assistir era a segunda partida da semifinal da Copa do Rei, contra o Zaragoza. O time catalão ganhou, de virada, mas não se classificou (acho que mencionei o jogo um tempo atrás, sobre aparecer na tv - eu apareci comemorando o jogo, o que queimou um pouco o filme do cunhado, porque se espera que os laranjinhas, da imprensa, sejam imparciais).
A grande decepção, entretanto, foi que o juiz acabou expulsando o Ronaldo ainda no primeiro tempo, numa jogada besta, que não merecia nem amarelo (aprendi vários palavrões em catalão naquela noite).
Eu tinha me preparado, levando uma camisa do Brasil e uma caneta para conseguir um autógrafo depois do jogo. E então tive que me contentar em ver o Messi (que naquela época já se mostrava excepcional, não me entenda mal). Mas achei que pegaria mal pedir para que ele autografasse uma camisa do Brasil.
segunda-feira, fevereiro 09, 2009
Besteirinhas do passado
Ultimamente tenho assistido alguns seriados mais antigos, na falta de coisas atuais que sejam decentes. Grandíssimo destaque para Twin Peaks, que na minha cabeça era muito bom e hoje ainda segura a atenção. Outro destaque é Millennium, que começou com uma trama muito legal, depois foi ficando meio forçado, é verdade (mas ter assistido na época deve ter sido muito mais interessante - coisa que infelizmente não fiz), mas que tem uns episódios geniais! Bem, geniais não sei. Talvez isso seja um pouco exagerado. Mas muito inteligentes e acima da média com certeza! E tal como Sopranos se sustenta em boa medida pelo Gandolfini, Millennium não poderia ser feito sem o Henriksen.
Procurem. Mas se começarem a ficar noiados... bem, é porque é o efeito desejado.
Procurem. Mas se começarem a ficar noiados... bem, é porque é o efeito desejado.
sexta-feira, fevereiro 06, 2009
Momento crise
E quando você percebe que a pessoa que conheceu por toda a vida de repente mudou? Quando ela faz outras amizades eternas, tem outros amores para sempre e mudou a vida de outras pessoas, que você nunca viu antes? Quando você se sente esquecido, mas, calado, sorri constrangido, levado pela culpa do egoísmo que é enxergar traição na felicidade alheia?
terça-feira, fevereiro 03, 2009
The kings of pop
Ontem assisti o Super Bowl XLIII, vencido de maneira emocionante pelos Steelers de Pittsburgh. Mas não vou falar do jogo, vencido nos últimos segundos.
Desde a final de três anos atrás, o Super Bowl X-Large, como foi conhecido, que assisti em um quarto de hotel alemão e que foi vencido pelos mesmos Steelers, que não acompanhava a breguice e o exagero da maior festa anual americana (já dados a festas exageradas) - do esporte e do entretenimento em geral.
O show do intervalo (milionário, como tudo mais envolvido no jogo), que ficou a cargo, dessa vez, pelo Bruce Springsteen (e nada de surpresas ou peitos de fora; apenas o símbolo do americano ideal), primou pela impressionante organização, como sempre aliás. Contudo, como seria de se esperar do evento, o halftime show significa e exemplifica perfeitamente o que é ser o supra sumo do pop e o que vem a ser a definição de "carne de vaca".
O tio é muito poser. A performance muito ensaiada. Demais até - mesmo que seja evidente que é preciso seguir um protocolo rídigo (afinal, 10 segundos de comercial custam mais de 1 milhão de dólares nessa baguaça). O que é perfeito para um Super Bowl, não me entendam mal. Mas ainda sim, algo me incomodou.
Cada pulo e cada acorde do chefe, que procuram mostrar improviso, são na verdade claramente coreografados. Isso não seria necessariamente ruim se assumissem o caráter previsível do negócio, como num show da Broadway, por exemplo. O problema é que se tenta passar por espontâneo e então a coisa fica muito forçada. Do tipo de sentir vergonha alheia, esse sentimento tão esquisito e que me horroriza profundamente.
Enfim, o espetáculo - show e jogo - é muito brega. Mas o mérito dos americanos, no Super Bowl e em praticamente tudo mais que fazem - até mesmo em posse de presidente eleito (e eis que temos um chefe de estado superstar! Gostaria de saber o que Weber diria sobre o Obama, mas isso é outra história...) - é tornar o brega, o artificial, o manjado, em algo empolgante. Sem cair em algo parecido com um show do Jean Michel Jarre. O que, convenhamos, é algo muito difícil de se fazer. A linha é tênue. As técnicas e a aparelhagem são muito parecidas.
É mesmo uma arte, arrisco dizer.
Breve adendo: por falar nisso, vi um show esse final de semana que primou pelo uso de lasers, luzes (piscantes e negra), espelhos e muita fumaça. E foi excelente! Como a música. Atentem para o Eletro Groove. Se eles forem tocar na sua cidade, vá! Os músicos são ótimos, a música hipnotizante e a diversão é garantida! (E leve um gatorade e muita disposição, porque eles tocam por horas a fio!)
Desde a final de três anos atrás, o Super Bowl X-Large, como foi conhecido, que assisti em um quarto de hotel alemão e que foi vencido pelos mesmos Steelers, que não acompanhava a breguice e o exagero da maior festa anual americana (já dados a festas exageradas) - do esporte e do entretenimento em geral.
O show do intervalo (milionário, como tudo mais envolvido no jogo), que ficou a cargo, dessa vez, pelo Bruce Springsteen (e nada de surpresas ou peitos de fora; apenas o símbolo do americano ideal), primou pela impressionante organização, como sempre aliás. Contudo, como seria de se esperar do evento, o halftime show significa e exemplifica perfeitamente o que é ser o supra sumo do pop e o que vem a ser a definição de "carne de vaca".
O tio é muito poser. A performance muito ensaiada. Demais até - mesmo que seja evidente que é preciso seguir um protocolo rídigo (afinal, 10 segundos de comercial custam mais de 1 milhão de dólares nessa baguaça). O que é perfeito para um Super Bowl, não me entendam mal. Mas ainda sim, algo me incomodou.
Cada pulo e cada acorde do chefe, que procuram mostrar improviso, são na verdade claramente coreografados. Isso não seria necessariamente ruim se assumissem o caráter previsível do negócio, como num show da Broadway, por exemplo. O problema é que se tenta passar por espontâneo e então a coisa fica muito forçada. Do tipo de sentir vergonha alheia, esse sentimento tão esquisito e que me horroriza profundamente.
Enfim, o espetáculo - show e jogo - é muito brega. Mas o mérito dos americanos, no Super Bowl e em praticamente tudo mais que fazem - até mesmo em posse de presidente eleito (e eis que temos um chefe de estado superstar! Gostaria de saber o que Weber diria sobre o Obama, mas isso é outra história...) - é tornar o brega, o artificial, o manjado, em algo empolgante. Sem cair em algo parecido com um show do Jean Michel Jarre. O que, convenhamos, é algo muito difícil de se fazer. A linha é tênue. As técnicas e a aparelhagem são muito parecidas.
É mesmo uma arte, arrisco dizer.
Breve adendo: por falar nisso, vi um show esse final de semana que primou pelo uso de lasers, luzes (piscantes e negra), espelhos e muita fumaça. E foi excelente! Como a música. Atentem para o Eletro Groove. Se eles forem tocar na sua cidade, vá! Os músicos são ótimos, a música hipnotizante e a diversão é garantida! (E leve um gatorade e muita disposição, porque eles tocam por horas a fio!)
segunda-feira, janeiro 19, 2009
Últimos sobre vampiros, prometo
Juro que não estou procurando coisas de vampiros de propósito. Mas outro dia peguei o primeiro episódio do True Blood passando na tv, e acabei gostando. Agora estou assistindo toda a primeira temporada.
A premissa é interessante. Os vampiros saíram do armário e agora convivem - com os inevitáveis problemas que não são difíceis de imaginar - com os humanos, lutando por direitos iguais e procurando - perdão pela infâmia - seu lugar ao sol.
A história em questão, baseada em uma série de livros que fizeram algum sucesso, se passa em uma típica cidadezinha hillbilly da Louisiana, contada pela experiência de alguns cidadãos, em especial a garçonete telepata Sookie - interpretada, por coincidência, ou não, pela atriz que faz a Vampira do X-Men.
Todos os personagens são, convincentemente, red necks irritantes. Inclusive os vampiros centenários. Mas é interessante que mesmo sendo todos tão estúpidos, ainda sim é legal assistir.
É daquela nova safra de sitcoms que mostram peitos e palavrões, e que recheiam a grade de horários da tv americana depois das 23 horas. Isso garante um público decente - o que me faz crer que deve ficar pelo menos algumas temporadas no ar.
Ah sim, a trilha sonora é muito boa também.
A premissa é interessante. Os vampiros saíram do armário e agora convivem - com os inevitáveis problemas que não são difíceis de imaginar - com os humanos, lutando por direitos iguais e procurando - perdão pela infâmia - seu lugar ao sol.
A história em questão, baseada em uma série de livros que fizeram algum sucesso, se passa em uma típica cidadezinha hillbilly da Louisiana, contada pela experiência de alguns cidadãos, em especial a garçonete telepata Sookie - interpretada, por coincidência, ou não, pela atriz que faz a Vampira do X-Men.
Todos os personagens são, convincentemente, red necks irritantes. Inclusive os vampiros centenários. Mas é interessante que mesmo sendo todos tão estúpidos, ainda sim é legal assistir.

É daquela nova safra de sitcoms que mostram peitos e palavrões, e que recheiam a grade de horários da tv americana depois das 23 horas. Isso garante um público decente - o que me faz crer que deve ficar pelo menos algumas temporadas no ar.
Ah sim, a trilha sonora é muito boa também.
sábado, janeiro 17, 2009
Emotional vampires
Hoje acabei assistindo, meio sem querer, querendo, (as outras opções eram bem fraquinhas), o Twilight, adaptação em filme da febre dos vampiros adolescentes.E gostei bastante.
Tudo bem que fiquei com a sensação de assistir uma mistura de BH 92010 com The O.C. para o público emo. Mas o filme é bem feito e diverte. E convenhamos, o que mais há de se querer numa ida ao cinema?
Já percebi que o segredo para o sucesso é fazer uma história para crianças/adolescentes com uma história um pouco mais madura. Os jovens adoram e os adultos acompanham, não ficando com a sensação de um abismo cultural entre as gerações mais novas.
Quando estava em Chicago eu ouvi falar da mania com a série de livros. E fiquei com curiosidade de saber mais a respeito. A história, tal como os Harry Potter, se apoia na idéia da existência do fantástico, escondido do mundo real, mas muito próximo. É aquela sensação de que "quem sabe não existem magia ou vampiros por aí e apenas não sabemos". Só que, diferente da saga do bruxo-mirim, Twilight abusa do romance (aliás, a falta de umas intriguinhas amorosas chega a irritar nos livros da Rowling; ou melhor, quando você começa a empolgar com o assunto ela abandona e esquece tudo, ficando só nas pataquadas do Harry Potter que, aliás, é o menino mais imbecil que já existiu - descobre que existe magia, que é trilhonário nesse outro mundo, e fica matando aula mesmo assim). Enfim, esse romance deixa as coisas um pouco piegas de vez em quando, mas dá um toque interessante no conjunto da obra.
Parece mesmo que a temática "vampiro" está voltando (semana que vem estréia mais um daquela série Underworld). Com algumas boas idéias, para variar...
E é interessante ver a menininha do Quarto do Pânico crescendo.
quarta-feira, janeiro 14, 2009
Rumo ao horizonte
Agora que algumas das minhas maiores amizades voltaram do velho continente para ficar de vez na terrinha, depois de anos longe, começo eu a cogitar ir para fora...
Adoro viajar, mas sempre gostei mais de voltar. Nunca quis morar em algum lugar que não fosse o Brasil e não me imaginava em outro lugar. Trabalhar em outro país, fazer compras em um mercado gringo, fazer círculos de amizade além-mar. Mas ultimamente tenho pensado com cada vez mais carinho na idéia de ir para fora. Digamos que agora é uma possibilidade.
E gostaria de acreditar que nenhum ufanismo, ou então desilusão nacionalista, orientam esses meus arroubos, tanto de um lado como de outro. Só que cada vez mais parece que isso acaba mesmo pesando. Ainda mais em termos comparativos.
Adoro viajar, mas sempre gostei mais de voltar. Nunca quis morar em algum lugar que não fosse o Brasil e não me imaginava em outro lugar. Trabalhar em outro país, fazer compras em um mercado gringo, fazer círculos de amizade além-mar. Mas ultimamente tenho pensado com cada vez mais carinho na idéia de ir para fora. Digamos que agora é uma possibilidade.
E gostaria de acreditar que nenhum ufanismo, ou então desilusão nacionalista, orientam esses meus arroubos, tanto de um lado como de outro. Só que cada vez mais parece que isso acaba mesmo pesando. Ainda mais em termos comparativos.
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