terça-feira, julho 11, 2006

Culpa

Último post sobre a copa, prometo. E é curto. Só para expressar minha opnião sobre o que conseguiu fazer com que as pessoas parassem por um momento de falar mal da seleção: falar mal do Zidane.
Não vou engrossar o coro do "ele é profissional, não importa ter sido xingado, não deveria ter revidado, jogador é xingado toda hora, nada justifica, ele fez a França perder a copa" e por aí vai.
Já ouvi algumas possibilidades sobre o que brutamontes italiano falou. Não sei se vai se descobrir exatamente o que foi dito. Bom, na verdade até dá. Mas uma prova de que foi algo punk: os surdos do fantástico não ousaram traduzir o que foi dito. Ou talvez ainda não tenham encontrado um surdo que fale italiano.
De qualquer maneira, as pessoas deveriam saber que o que é dito pode ser muito ruim. Talvez tanto quanto o que é feito. Ou sei lá, nem acho que sejam coisas comparáveis. Mas o fato é que existem leis que punem o dito. Racismo, por exemplo. Discriminação. Afinal de contas, o que estimula a ocorrência dos crimes de ódio senão as palavras e as idéias?
O santo padre dizer que somente uniões heterossexuais são aceitas não pode ajudar a diminuir a taxa de crimes contra homossexuais. Não se iluda, o sucesso carnavalesco da parada do orgulho glbtt não é sinal de que homossexuais estão bem na fita. Li que todas as taxas de crimes de ódio estão estáveis ou caem, menos os contra gays, hoje, se não me engano, mais de 30000 ao ano - só no Brasil - e crescendo.
Isso para dizer: ninguém pode dizer o quanto significou ao Zidane ter ouvido sua irmã ter sido chamada de #@%*, ou ter sido chamado de terrorista safado. Algumas palavras podem ser piores do receber uma cabeçada.

E já que é para relativizar a culpa (como somos implacáveis em julgar...): vi uma dúzia de lances do Brasil defendendo cobrança de bola parada dos times rivais. Em todos a função do Roberto Carlos era dar o parâmetro para uma linha de impedimento. Em mais de uma ocasião o sinal era mesmo o de arrumar a meia. Se é uma tática eficiente... bom aí acho que não dá para amenizar... ô burrada!

sábado, julho 08, 2006

Flushbacks around the world

Estréia de um novo counter. Mais divertidinho (e amedrontador)...
De onde vêm os milhares de visitantes diários (a.k.a. os spamers de blogs)?! Heim, heim?
Só que a dificuldade de acertar o layout para funcionar minimamente nos diversos navegadores e monitores...

sexta-feira, julho 07, 2006

Para a posteridade...

Há uns dois anos, na unicamp, houve um evento comemorativo dos 50 anos da ABA. Entre as palestras e o desfile de muitos da minha bibliografia (alguns que eu nem sabia estarem vivos), houve uma exposição de fotografias que fazia parte do projeto de história da antropologia coordenado pela Mariza.
Várias destas fotos foram adquiridas há quase 20 anos pelo Luiz Henrique, em sua primeira fase como aluno (quando o ifch ainda nem tinha curso noturno porque, afinal, também não tinha luz). No acervo encontravam-se imagens do grupo em torno da Heloísa Alberto Torres no Rio, do Egon Shaden em São Paulo e de muitos outras palmeirinhas em terras brasileiras. Também havia várias fotos do triunvirato antropológico do ifch e de vários alunos de então. Tem lá o Peter parecendo um caixeiro viajante, roupas largas e coloridas, cabelo comprido. Tem a minha orientadora, em uma das primeiras turmas, linda de morrer. Estes todos muito parecidos (descontado o estilo e a época) do que sou hoje - aspirante a antropólogo.
É esquisito pensar que pessoas consolidadas já foram alunos, com todos os ônus e bônus que vêm junto com o pacote. Esse pensar o tempo e as pessoas congelados está, acredito, ligado à sensação de que eu mesmo nunca vou passar da condição de aluno. De fato, ambas as coisas parecem ter uma mesma origem. Ajuda, claro, o fato de que hoje em dia, para se conseguir o que eles conseguiram 20 anos atrás, precisamos de muito mais. Minha primeira orientadora, por exemplo, defendeu o doutorado muito depois de ser efetivada como professora. Eu até fui convidado, já estava por lá!
De qualquer maneira, sempre achei fascinante pensar nos primórdios de uma carreira (afinal, não é a minha pesquisa?!). Até acho que daqui a 3 anos, com um doutorado guardado no bolso, não estarei no caminho docente. Pelo menos não nos centros cobiçados. Mas, enfim, quem sabe alguém, no futuro, ao continuar a história da antropologia, não pode se deparar com alguns registros deste que vos fala e de seus coleguinhas?
Aí vai uma parte deles...


ABA 2006 - Goiânia

domingo, julho 02, 2006

"N'est pas un jouet"

Primeiro eu ia escrever um monte sobre a vergonha de ontem. Depois achei melhor não, desencana, esquece, apenas mais um pra falar o que todo mundo fala... mas agora, um dia depois do incidente - que não foi em Antares, mas foi dantesco assim mesmo - resolvi que vou falar o que penso sim. Desculpe você que já se cansou de ouvir neguinho malhando o Parreira, ou simplesmente não gosta de futebol e não tá nem aí. Falo mais pra mim mesmo. Depois posso até apagar o post.
Para começo de conversa: até gostaria de ser daqueles que dizem que não gostam de futebol e blá blá. Mas eu gosto, fazer o que. Gosto de assistir jogo na tv (não em bar. Se tem algo que não suporto é jogo em bar), assisto vários programas de mesa redonda e, se tivesse dinheiro, comprava um monte de camisa de time. Não creio que seja muito fanático, mas eu realmente gosto de futebol.
Aí chega a Copa e realmente a coisa muda, adquire toda uma nova aura. Nem sempre pro bem - me refiro ao velho argumento do país parar e ao clima meio histérico que vem junto com o pacote. Mas é quando eu jogo de escanteio (sim, nosso léxico é futebolístico) todo meu kit ciências sociais, que pode ser muito careta e castrador. Fico patriota sim, vou deixar de fazer o que estiver fazendo para assistir o jogo, vou torcer.
É por isso que fiquei decepcionado, triste, com raiva. Esses caras (com raras exceções) não percebem que, como eu, existem milhões? Até muito mais apaixonados? Se você ganha 200 mil reais por dia - sim, POR DIA - como o Ronaldo pesado ganha (e vai saber o resto dos patrocínios), tem que suar! É o mínimo. Estou falando o óbvio? Estou reproduzindo o discursinho dos comentaristas (aquela velha piadinha de que crítico de arte é artista frustrado poderia valer pra comentarista de esporte)? Tudo bem, não deixa de ser verdade.
Aquilo ontem foi vergonhoso. Se eu fosse daqueles que acreditam em teoria da conspiração... na verdade, não tenho muitas dúvidas que muitos daqueles jogadores só estão lá por pura pressão dos patrocinadores.
Sim, porque você pensa que Ricardo Teixeira e a camarila - porque aquilo é uma camarila - da CBF pensam em proporcionar as condições ideais para que uma seleção do país vá lá para representar alguma vaga idéia de povo? Aquilo virou um negócio, puro e simplesmente. Você acredita que o Parreira acha que não fazer amistosos com times bons seja realmente melhor para a preparação da seleção? Não, simplesmente a CBF vai ganhar milhões para jogar com a Arábia Saudita. Vai vender mais camisas e mais contratos se vencer Lucerna por 20 a zero. Imagina se perde para a França antes da Copa? Not good for the business.
Agora, o que mais me irrita é a dissociação da realidade com que muitos jogadores parecem sofrer. Isso ou o completo desrespeito com a minha inteligência. Aparecer na TV dizendo que o jogo foi igual, que o Brasil se esforçou, que o futebol é assim mesmo - às vezes se perde... ora, vai catar coquinho! Primeiro que foram cinco jogos assim. Igual? Acho que os franceses até ficaram com dó. Ou não tiveram competência pra meter mais 3 gols. E depois ouvir o Cafú dizendo que ainda não sabe se continua, que quer jogar a Copa de 2010... Deus me livre!
E a arrogância? "Não nos preocupamos com o jogo do adversário. Não vamos mudar o jeito de jogar. Somos o Brasil e são eles que têm que se preocupar". Por quê a soberba? Não seria melhor mostrar a superioridade jogando, se preocupando em ganhar, estudar o adversário? Marcar o Zidane?!?! Hoje fiquei sabendo que o Lehmann tinha uma cola com as estatísticas dos pênaltis batidos pelos argentinos nos últimos 2 anos. Antes de cada cobrança, ele consultava o papel para ver como fulano costuma bater. Só alemão pra pensar nisso, não? Tornar uma ciência algo que é paixão - ainda mais durante cobrança de pênaltis, tão emocionante. Mas ele estava errado? Quem passou para a semifinal? E ainda contra um time argentino como há tempos não surgia.
E para que terminar a carreira na seleção desse jeito? Porque não sair antes? Pra bater o recorde de partidas consecutivas? De partidas na seleção? Gols marcados? Pra conseguir novos contratos de bebida? Ganhar mais dinheiro do que já ganhou? E que técnico é esse que aceita tudo isso?
Aí fica preocupado com que time europeu vai quebrar mais um recorde de milhões negociados para conseguir seu passe, fica preocupado em estreiar chuteira dourada, rosa, verde. Coloca uma faixinha na cabeça com um R bonitinho.
Não se quer mais jogar na seleção para honrar alguma coisa? É simplesmente pra conseguir contrato em time europeu?

E que desperdício...

quinta-feira, junho 29, 2006

Duas medidas

Essa história de diversos navegadores é bastante irritante quando se tenta acertar o layout do blog. Algumas coisas ficam bem no explorer, mas no mozilla - mais seguro - não. No safari a coisa parece mais uniforme, mas não é muito utilizado...
Fiquei tentando acertar o podcast de um jeito aceitável para qualquer navegador, mas é difícil...

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Fuçando em umas ferramentas novas do yahoo, dei uma olhada num tal de yahoo respostas. Teoricamente é um lugar em que você faz uma pergunta qualquer e as pessoas respondem. Como se pode imaginar, as perguntas são as mais variadas e mesmo absurdas. Uma me chamou a atenção, por estar na sessão "antropologia". Era algo como "se Deus criou o homem à sua imagem, como ele veio do macaco?"
O interessante é que já me fizeram essa pergunta ou variações dela algumas vezes. "Ah, você estuda antropologia? O homem veio de Adão ou Darwin estava certo?"
Diante da minha evidente incredulidade e dificuldade em desfazer a falácia argumentativa, devem pensar "mas para que raios serve essa tal de antropologia afinal?"
As respostas, no site, também são incríveis. Algumas como "esse negócio de evolução é besteira. Se o homem evoluiu realmente do macado, todos os macacos hoje seriam homens e não existiriam mais macacos". Ou "Darwin disse que o homem é um resultado de metamorfoses do macaco". E por aí vai, ao melhor estilo tostines (e na pior utilização da língua portuguesa).
Ao invés de achar que essas coisas servem para dar risada (no estilo daquelas listinhas de pérolas do vestibular que circulam por mail ou que o tonto do Jô Soares ridiculariza em seu programa - se achando o máximo), fico intrigado (e um pouco preocupado) com o tipo de informação e que premissas são aceitas por aí e utilizadas argumentativamente. O paradigma de discussão é tão diferente que fica até difícil empreender um diálogo.
Mesmo sendo algo senso comum dizer, realmente vivemos em uma bolha acadêmica. O mundo é muito estranho.

segunda-feira, junho 26, 2006

Admirável mundo novo

Depois de descobrir o rapidshare (gentem, já baixei coisas maravilhosas! Praise the neighbor!), comecei a tentar entender como funciona o mundo mac! Como é divertido! Só que anos e anos de ditadura microsoft cobraram seu preço - estou apanhando um pouco... quase que reaprendendo como interargir com o computador (bem, isso é um pouco exagerado!).
Comecei a montar meu website da maçã. Coloquei o link aí do lado. Debaixo da pêrinha. Por enquanto está em fase experimental, então, por favor, dêem um desconto, ok?!
Vou tentar montar algo legal com som e imagem, mas até lá ficam umas dicas musicais...

Feedback is welcomed!

domingo, junho 25, 2006

Dois em um

Dois aniversários hoje!!
Aniversário de um ano do flushbacks (puxa, os primeiros posts já começam a dar a sensação de flushbacks...) e aniversário de 7 anos com a Dani!!
Sete anos... não é para me gabar, mas... ah, vou me gabar sim!! Conheço muitos pais de conhecidos que não estão juntos há tanto tempo! Somos foda!
Bodas de algodão para o primeiro e de lã para o segundo (é, fui procurar! Muito engraçada essa classificação matrimonial. Ela só segue mais ou menos uma ordem de valor dos materiais).
Agora, o incrível mesmo é o flushbacks ter durado tanto! Achei que ia desistir rapidinho... Haja besteira pra contar...
E já que o assunto é natalício, o filho de uma amiga minha nasceu!! Mais um filho de amigos!! Minha mãe já começa a me olhar com um misto de esperança, repreensão e desesperança. Um herdeiro lispectoriano virá eventualmente (sim, sou careta e conservador!), mas por enquanto me contento com as crias felinas de casa. Ração, água, escova e uma caixa de areia deixam a coisa paternal tão mais tranquila...

sábado, junho 24, 2006

Novos horizontes

Descobri o maravilhoso mundo do rapidshare!! Sei lá, devo estar super atrasado nessa, mas nunca é tarde para começar, não?!
Ainda não encontrei a porta de entrada ideal da rede de blogs que prestam este maravilhoso serviço e fornecem os links para outros blogs, mas agora é só fuçar. E tem de tudo - você amante do free share e do copyleft - desde as musiquinhas (agrupadas sempre em disco), até filmes, livros, quadrinhos digitalizados e besteiras afins! Quanto é um terabyte, meu Deus?!
Quem sabe depois que eu manjar um pouco mais não coloco uns links?! Porque tem muitos blogs que juntam sertanejo com doom...
Agora que eu tenho internet de graça aqui em casa... descobri que um vizinho instalou um airport e não colocou senha!!
E depois mostrarei também meus progressos em podcasts e outras tecnologias da maçã! Ainda está tudo muito novo (estou apanhando da acentuacão, por exemplo), mas aos poucos... já fiz até um comic book!!

quinta-feira, junho 22, 2006

Mensagens de Morfeu

Mexendo numa pedra, perdida no jardim, uma picada.
"Catzo! Uma aranha me picou!"
"Deixa ver... hum, não é nada. Nem dá para ver."
"Mas é daquelas picadas de bicho pequeno com veneno forte! Pode dar gangrena!"
"Como você sabe?"
"Já começou a coçar."
Ao olhar para o chão, no lugar onde havia instintivamente jogado o aracnídeo com a palma da outra mão, tão logo sentira o ardor e vira sua causa, eis que aparece a responsável pela mordida. Cinza, quase marrom, não mais que um centímetro de tamanho, tenta se abrigar novamente, vingada pela violação de seu descanso.
"Ah não, é uma daquelas aranhas do campo!"
"São perigosas?"
"São. Ainda mais essa, que é de 1981! Ela é velha e o veneno está concentrado!"

quarta-feira, junho 21, 2006

Salve a seleção!

Vamos todos juntos, pra frente Brasil! Salve a seleção!

Bom, já que estamos na copa, falo rapidinho sobre o que todo mundo está falando: esse time do Brasil vai ou não vai?
Pois é, a discussão parece girar em torno de um ponto: o Parreira é teimoso mesmo, ou ele está certo em manter o time do jeito que está e deixar um time já consolidado? Ou ainda: ele é teimoso, está errado, mas o Brasil pode ganhar e todo mundo esquecer que ele é teimoso? Quando o consolidado vira ultrapassado? É justo só julgar a posteriori?
Falo meio que o óbvio e o batido (o mantra Parreira teimoso é clássico), mas é verdade! Acho que o cara é um treinador normal, como muitos que existem por aí. Mas dirigir a seleção brasileira rende mais vitórias, evidentemente.
Pessoalmente não teria convocado vários jogadores. Não teria nem deixado no banco. Mas enfim, depois de um tempinho dá para ver que o que conta lá é o tal "mas ele tem história, tem que manter porque de uma hora para outra ele pode desequilibrar". O que eu acho uma tremenda besteira, já que parte da premissa do passado de sucesso. O técnico da Argentina, o da Alemanha, o da Espanha e técnicos de outras seleções tiraram uns carinhas cristalizados e ouviram um monte, mas em compensação ninguém está decepcionado por enquanto...
Agora, no Brasil, ficam uns intocáveis (e nem são hindus) buscando recorde de gols, recorde de partidas, recorde de sei lá o que mais... se nome garante alguma coisa, que ponham o Pelé!
Mas, enfim, assisti o comentário do Jabor na Globo e gostei demais. O cara é chato, fala muita besteira, mas às vezes é engraçadíssimo! E muitas vezes pega na raiz da questão. A seleção, para ele, periga virar o spa do Ronaldo - deslumbrado. E todo mundo fica preocupado com umas coisas... que tenha a Santa paciência! "Ah, será que ele se recuperou da dor de cabeça? E a bolha? E o peso, e a pressão psicológica, e..." Além de spa, a seleção vira divã de análise. Vai resolver seus problemas antes da copa e não enche, saco!
Ele conclui: de repente o Brasil perde, mas todo mundo vai poder dizer: "ah, pelo menos ele teve alta".

sexta-feira, junho 16, 2006

Goiânia 90210

Novidades do planalto central!
Apresentei - e foi muito bom! Por incrível que pareça não estava tendo algum ataque e não precisei de oxigênio ou de um Serenus! O GT todo foi muito proveitoso (como seria de se esperar dada a organizadora) e, fora um simpósio sobre Museus (que tinha tudo para ser bom), gostei de tudo que assisti!
Mas, como é corrente no meio, o melhor são os bastidores, os contatos, as novidades! E não faltaram as maluquices e o entretenimento que só antropólogos em bando conseguem proporcionar...
Pena que não deu para conhecer quase nada da capital goiânia... só um hotel trash e umas baratas gigantes (seria efeito césio?). Em compensação encontrei (exemplo da kitnet que é o mundo) um primo germânico de x grau. Sua namorada é antropóloga! Veja só.
Putz, que déjà vu!

E agora tenho novo filho, ainda sem nome...

sábado, junho 10, 2006

O chifre acerado da vida

Dentro em pouco viajo para falar sobre trajetória; sobre biografia. O autor é personagem e é narrador de si, mas também de seus pares - à medida que se escreve, e pode ser lido, tem interlocução.
Tendo isso em mente, publico aqui um textinho, escrito em outras bandas, em outro momento, com outro nome, em outro contexto. Ele foi inspirado na autobiografia de Leiris. É dito que esta tem intenção sociológica, ainda que feita por um antropólogo, e que tem problemas não resolvidos com a literatura. Isso porque tem intenção explicativa generalizante. Como falar de si sinceramente? Como lidar com a criação na expressão? O que o discurso de si traz deste indivíduo ou do social?
Para Leiris é o risco - real - que sofre o autor a maneira pela qual toda a beleza da palavra transcende de certa forma a literatura. Minimizar o retoque da narrativa voltada para dentro (ainda que feita para fora) com a navalha da confissão.
Pessoalmente não sei se isso é possível. Quer dizer, a romantização da autobiografia, a criação, a construção de sentido para o que é narrado, para o conjunto das coisas narradas - isso parece certo. Afinal, contar a lembrança já implica certa escolha e uma estilização de seu relato.
De qualquer forma, que beleza de criação sobre a possibilidade de uma catarse sincera!
Sem mais, coloco o texto, com algumas imagens bem a propósito:

A confissão da palavra


Tem daquelas teorias do entendimento das coisas que ficam na cabeça mas nunca são de fato formuladas para outrem (ou para si mesmo em forma de raciocínio concreto).
Uma delas é sobre do que são feitas as pessoas. Não digo materialmente. Átomos, células, órgãos ou éter (o tal do espírito). Penso em algo menos definível e mais esotérico - na falta de uma palavra melhor.
Nessas horas um exemplo é melhor que uma explicação: existem as pessoas que pensam em significados sobrepostos e as que julgam os atos. Existem as pessoas que justificam as corridas de touro e as que as condenam.
Não porque umas são sádicas ou então poéticas e outras porque são sensíveis mas ingênuas. É quase como se algumas fossem claustrofóbicas e outras não, sem qualquer motivo aparente. Elas podem entender os argumentos expostos pelo outro lado e mesmo assim, ao final, não concordar. Entretanto, alguns pensamentos podem ajudar a caminhar neste pântano do relativismo. Aqui, mais para mim.

Sim, há o sangue. O touro é quase sempre morto depois de espetado e ludibriado por certo tempo em uma arena. Mas há o ritual, há o simbólico envolvendo toureiro, multidão e touro. Uma certa cumplicidade, nem sempre clara, de uma encenação que busca superar o simples ato daquele espetáculo (se tem sucesso ou não, é outra história). Encenação que se quer atemporal e humana, no sentido mais abrangente da palavra. A dança de signos, símbolos e significados, conscientes ou não, mitologizados e partilhados, é riquíssima em uma tourada.


Demorei um pouco para visualizar exatamente esse universo quase semântico do embate entre animal e homem. Melhor dizendo, sentir. Já que entre o discurso e a experiência, há o mundo (e a maioria dos mal-entendidos).
Resta, na pior das hipóteses, torcer para o touro. Sim, porque a magnitude do acontecimento se deve à existência do risco. O toureiro pode ser atingido. O desenlace da trama não é absolutamente definida. A única coisa que deve sempre existir é a ameaça. A própria hexis corporal do toureiro - sua postura, suas passadas e o enfrentamento da investida - devem maximizar o risco e embelezar a dança com tons macabros e quase tétricos. Tanatos em valsa com Afrodite sob os aplausos, flores, cheiros, gritos e coros de olés.

Em suas confissões, Leiris, que além de tauromatólogo foi também antropólogo, mostra sua preocupação com o poder da foice na expressão artística. Queria que a palavra tivesse a mesma sinceridade de espírito que o ato do toureiro. Afinal, onde está o risco, na escrita, que enfrentam os homens na plaza? O risco que ultrapassa o estético, que confere valor e realidade material à arte, pois significa perigo real em forma de um par de cornos em rota de colisão. A regra que segue o toureiro é transmutada ao escritor e sua arma não é a espada mas a confissão. O compromisso de se desnudar, causar constrangimentos a si e aos que ama.
Mas mesmo Leiris admitiria que a platéia moral que controla a performance do toureiro não é a mesma platéia do escritor. Também sabe que ambos são impulsionados por um desejo narcisístico de ver a si ao olhar introspectivamente. Desejo, também, de absolvisão. Desnudar-se, mas de maneira e técnica corretas, para que fossem criados, pela empatia, cúmplices entre os espectadores. Pessoas que compreendessem e, se possível, admirassem.
Chego sem seguir a fundo a lição de Leiris, pois vim para confessar sem a censura dos conhecidos. Ainda sim, me conforta a sensação de expor. Menos digerir do que vomitar. E, no final, o "chifre acerado" pode atingir seu alvo, afinal de contas.


(Picassos e Manets)

quarta-feira, junho 07, 2006

Momento musical

Tomando o exemplo do blog da Paula, contemporâneo deste aqui (é, o meu vai fazer 1 ano também logo, logo), dou uma paradinha para umas dicas musicais. Coisas que ando ouvindo ultimamente, em uma fase mais introspectiva (e talvez alternativa? Para usar essa palavrinha tão esvaziada...).
São discos de bandas muito boas e, de maneira geral, fora do mainstream sonoro. Muitas fizeram (sem o reconhecimento ou a recompensa pecuniária) o que outros grupos fizeram tempos depois, ou estão fazendo somente hoje.
Vai lá então:

Wire. Putz, essa é demais! Os caras surgiram no auge do punk na Inglaterra, mas mesmo naquela época faziam um punk diferente. Desde a década de 70 colocaram eletrônico, experimentações estranhas e de um disco para outro muda tudo (mas com coerência, se você me entente)! Qualquer disco é excelente. Mas ficam as dicas para Pink Flag (o primeiro) e Send (o último). Vai do punk ao industrial tipo Ministry (passando por um guitar eletrônico do tipo Joy Division ou New Order). Suede e Elastica? Seus filhotes, como muita coisa mais também.

Mr. Bungle. O que dizer desses caras? Coisa estranhíssima e bizarra do underground americano e que virou um tanto quanto cult hoje em dia. Vai o manjado Disco Volante. Não gosta de Fantomas? Talvez goste de Mr. Bungle.

Television. Estava em NY na mesma época de Ramones, Black Flag e outras cositas. Mas é diferente. Tem alguma coisa de jazz, acredito, que produz um efeito muito engraçado. Umas guitarrinhas bem singulares. Um disco? Marquee Moon.

Gang of Four. Ingleses (esses pra fazer carro, cerveja e música...) também da década de 70. Mas um pós-punk com algum sintetizador, um pouco de guitar que viria a ser a marca registrada da maioria das bandas de rock inglesas dos anos 80. É melancólico, mas também pode ser empolgante. Cadenciado e soturno, mas também experimental. Fica aí o ótimo Entertainment! como dica.

Meat Puppets. Nirvana é inovador? Visceral? É, pode ser. Mas eles são um desenvolvimento natural do som desses caras aqui. Que, não me entandam mal, era totalmente diferente. Tem muito blues e country com o punk hardcore. Meat Puppets II é excelente.

Minutemen. Às vezes acho que eles são o Kraftwerk do rock. Mas também, como as bandas que falei antes (o que aliás, é uma das coisas que eu mais gosto delas), nada convencional e difícil de categorizar. Algumas horas lembra Sonic Youth, outras Husker Dü... Muito foda. Jazz, funk e blues com punk. Indie total e com uma história estranha também. Disco? Double Nickels on the Dime.

Blondie. Ah, que falar de Blondie? Ao contrário de Patti Smith ou Joan Jett, que ficaram mais no rock/ pós-punk mesmo, Blondie é tudo de bom! É punk, mas é disco. É o tal do new wave. NY de 70, também. Essas mulheres do rock... Pequena curiosidade: sabiam que Debbie Harry foi coelhinha da playboy... antes de cantar? Parallel Lines na cabeça.

Por enquanto fico por aqui. Depois dou mais umas dicas de barulhos bacanas...

terça-feira, junho 06, 2006

Man at work

Já tenho bastante trabalho para os próximos meses! Combinei de formar 3 grupos de estudo com alguns amigos (um sobre Mary Douglas; outro sobre economia primitiva e aspectos antropológicos acerca da posse da terra desde Malinowski; e outro sobre Bourdieu)! Cada projeto com o potencial de quebrar a cabeça bonito... mas tudo muito interessante e instigante. Estou animado!
Hoje também, face a possibilidade de greve, fui para a unicamp fazer tudo o que precisava na biblioteca e imprimir os textos dos GTs para ler e estudar. A impressora no CPD estava com problemas (para variar). Então, depois que eu mandei imprimir os artigos, fiquei numa fila de várias pessoas esperando algum funcionário resolver dar uma mão. Ficou uma montanha virtual de textos pendentes, já que chegou a época dos trabalhos das disciplinas.
Eu lá, junto com mais umas 10 pessoas, esperando. E quando começou a vir meu calhamaço devo ter sido odiado: foram quase 300 páginas!! Não parava de sair folhinhas! "Esse é seu? Esse também? Ainda é seu?" É, quase tudo de projetos para do meu GT. E como ainda tenho que preparar minha apresentação... crau.
Depois dei uma passada na feira de livros no Ciclo Básico. Comprei Júlia ou a Nova Heloísa do Rousseau, uma encomenda da Dani e o método Blaue Blume! So, anfänge mein deutsche projekt!
Tudo isso, somado ao meu atraso no primeiro capítulo, vai me manter ocupado por um tempinho...

Mas como nem tudo é muito trabalho e pouca diversão... terminei de assistir Lost!! Putz, como é legal esse seriado! A melhor coisa que eu já vi em tv com certeza! O foda é esperar alguns meses para saber o que vai rolar.

sexta-feira, junho 02, 2006

Time out

Recesso de alguns dias!
É, depois de ter passado nervoso com o tal do concurso ("privilegiará a capacidade de raciocínio do candidato, não será requerida a simples memorização de informações", sei...), perdido tempo e neurônios estudando para isso, rachei a cuca para terminar o texto da ABA.
Deu tempo, e ainda que quisesse ter feito algumas coisinhas a mais, até que gostei do resultado. Já é um esboço do meu primeiro capítulo também, e isso é legal. Este está atrasado, mas poderá ter algumas contribuições interessantes em Goiânia. Pelo menos é o que espero...

Mais novidades sobre a novela hidráulica de minha morada. Mais dinheiro para desembolsar também, claro. Cenas dos próximos episódios: caos e quebradeira; barulho e fuga para a casa materna.

Esperanças também para a vinda de um novo abufalia! Esse de outra raça (na verdade é uma fruta), muito mais cool e menos propensa a dar pepinos e a contrair vírus perigosos.

Por uns dias vai ser cerveja, pôker e Lost!!

quarta-feira, maio 24, 2006

O neurótico e o mágico

A pedidos, continuo a série imagética das palmeirinhas da antropologia. Agora com algumas palavrinhas rápidas sobre dois deles.

Dois dos responsáveis pela polarização institucional na antropologia inglesa (até o começo da hegemonia africanista de Manchester), Malinowski e Evans-Pritchard fizeram muita - e boa - etnografia. Um lecionou em Londres e o outro em Oxford.

A contraparte conradiana da aproximação polonesa hasburg com a Inglaterra, Malinowski era uma figura estranha. Considerado o fundador da antropologia social moderna em sua profissionalização - e sacralização - da etnografia, Malinowski desenvolveu o evolucionismo cultural em um funcionalismo inspirado em Durkheim e na psicologia alemã do final do século XIX, calcado em intenso trabalho de campo. Tal foi seu impacto que dividiu a disciplina em dois pólos que ainda hoje não deixaram de ser utilizados para distinguir as "linhagens antropológicas": Leach, que viria a desenvolver sua carreira exatamente na LSE, dominada pelo polonês, colocou Frazer como principal expoente da antropologia intelectualista (de gabinete), que tem Lévi-Strauss como exemplo claro. Do outro lado, Malinowski e ele (Leach) próprio.
Permaneceu vários anos em Trobriand, aproveitando a impossibilidade de voltar à Europa, com a explosão da Primeira Guerra, para fazer seu trabalho de campo por um período de tempo invejável e já não mais possível. Também nos EUA, em licença sabática, foi surpreendido por outra guerra mundial. Terminou por lecionar em território americano até sua morte em 1942.
Em seus anos em Londres, reuniu um enorme grupo de alunos com ajuda de sua posição como etnógrafo profissional e também com um carisma legendário - que por vezes tornava-se insuportável para os que conviviam com ele e para vários outros antropólogos.
Mas é na vida amorosa que Malinowski parece ter realmente controvertido - como pode ser depreendido, por exemplo, dos famosos diários (como o dilema que sentia em relação a Elsie Masson, sua noiva, e Nina Stirling, com quem se correspondia desde Trobriand). Stocking interpreta sua relação com as mulheres por um viés edipiano - sua mãe como paradigma que orientou estas relações. O quanto das frustrações e sonhos que tanto chocaram antropólogos acerca das pessoas que estudava, como expõe nos diários, não teria natureza essencialmente sexual? As relações com várias de suas alunas também ficam envoltas em sugestões extra-acadêmicas. Com Audrey Richards, por exemplo, quase se casou depois da morte de Elsie.
A influência de Radcliffe-Brown e uma nova abordagem mais estrutural ocorreu paralelamente com uma re-distribuição das cadeiras de antropologia para outros centros universitários - na Inglaterra e em suas colônias. Malinowski passou a ser criticado e até hoje carrega uma fama - injusta, muitas vezes - de ter sido um pensador medíocre, ainda que bom etnógrafo e excelente professor (um dia vou falar sobre Nimuendaju, também refém do estigma do "bom coletor de informações e limitado teórico").
Evans-Pritchard, que se formou na LSE e chegou a dar aulas na instituição, transferiu-se para Oxford depois de seus principais trabalhos no Sudão e no Egito, substituindo Radcliffe-Brown na cátedra de antropologia (que havia ido para São Paulo, apenas para voltar logo depois).
A antropologia funcionalista dominada por Malinowski no período entre-guerras, deu lugar ao estrutural-funcionalismo depois do fim do conflito. A LSE ainda era um pólo de prestígio e influência, agora liderado por Firth, mas Oxford figurou como uma das poucas opções na formação de antropólogos no pós-guerra - ao menos até o crescimento de Manchester, sob a influência de Gluckman, que também passou por Oxford; e de Cambridge, com Fortes, também saído de lá.
Evans-Pritchard também foi uma figura interessante. De personalidade igualmente forte, também influenciado por Durkheim e o Année Sociologique (ainda que de maneira diferente, utilizando o conceito de estrutura social para integrar a análise das representações com uma descrição da estrutura a estas ligada), criticou de maneira contundente a metodologia e a teoria malinowskiana. Tal como é dito sobre o etnógrafo polonês, Evans-Pritchard gerou uma mitologia ao redor de si que contribuiu para muito do folclore e o alinhamento paradigmático da disciplina. Ambos tinham poucas papas na língua e ambos tentaram de fato criar um grupo de discípulos com agendas intelectuais relacionadas com seus interesses (ontem assisti à defesa de uma ótima dissertação, sobre Antônio Cândido. A contraposição entre ele e Florestan Fernandes também dá muito pano pra manga).
Autor do melhor livro de antropologia (na minha opnião), Bruxaria, Oráculos e Magia entre os Azande, bem como dono de um estilo de escrita primoroso, ele foi também um grande contador de histórias, geralmente em algum pub da cidade, ciente do impacto que gerava nos alunos e de sua importância na antropologia. Sua conversão ao catolicismo foi apenas outro dos fatores que contribuíram para sua mitologia pessoal.
Enfim, duas figuras que são fascinantes e cujos trabalhos estão na base de tudo o que eu estudo.

terça-feira, maio 23, 2006

Entre aspas

Assistindo X-Men hoje na globo, confirmei algo que já percebia há algum tempo: os trabalhos de dublagem, com poucas exceções, estão indo de mal a pior. Tanto mais quando associados com uma tradução medonha - que, aliás, encontra paralelo bastante frequente na literatura: são traduções asquerosas, mal-feitas, imprecisas, que demonstram um desconhecimento profundo de sentidos e significados das mais corriqueiras expressões estrangeiras, bem como de aspectos e fatos de suas respectivas culturas.
Além disso há uma liberdade de interpretação que passa o aceitável. Que haja tradução cultural, um ajuste em prol da inteligibilidade, eu entendo, mas mudar completamente a intenção original de acordo com não-sei-que-tipo de agenda pessoal... E tudo isso tem uma cereja: uma revisão inexistente ou extremamente incompetente. Erros de gramática, crassos, ou simplesmente erros de digitação vão para a versão final e são publicados - isso tudo na era do word e da auto-correção.
Uma vez escrevi um post indignado com o fato do George Lucas ter substituído o ator que fez o Darth Vader (na única hora em que ele aparece sem máscara, da safra dos episódios bons), digitalmente, pelo Hayden Christensen. Acho um desrrespeito com o trabalho do ator. Bem, também acho terrível mexer irresponsavelmente, nos casos em que fica evidente que não há qualquer preocupação com o esforço do autor, no roteiro, nas falas, na história elaborada por este.
Sei que é um delicado equilíbrio entre respeito ao texto original e a compreensão. Mas existem inúmeros exemplos que comprovam que este é possível.
A tecnologia de dublagem evidentemente evoluiu desde a época de Herbert Richards. O isolamento da voz, a eficiente separação dos canais de áudio para sons ambiente, as vozes em eco, etc, são mais fáceis de se conseguir - que acarretam em pouquíssimo prejuízo do efeito original. No entanto, a empostação e a escolha das vozes, muitas vezes não têm nada a ver com a figura que está em cena. São pobres, para dizer o mínimo. A maioria dos que se salvam são os dubladores antigos. O fato de tudo ser facilitado e isso não se converter em um resultado melhor, aumenta mais ainda minha indignação.
Não vou nem entrar no campo das legendas. Essas dão medo. Além dos mesmos tipos de equívocos, elas dão pau - somem, entram antes da fala, entram depois, cortam pedaços... sem contar esse estímulo ao assassinato da língua portuguesa que são essas legendas internáuticas: naum kero nem fala issu aki preu naum fika irritado! É só entrar num orkut da vida para ver que as pessoas não sabem mais escrever.
Bom, sobre a conformação voz-personagem, poderia ser contestado com um argumento do tipo "você está acostumado com o padrão anos 80, seu gosto foi formado e todos os fatores são influenciados por uma espécie de nostalgia pessoal". É... mesmo que isso ocorresse - o que eu não consigo e não tenho necessidade de verificar - o que mais irrita, e é inegável, é o fato das traduções serem terríveis. E há uma falta de imaginação abominável, que compromete até o sentido das frases. Tudo isso porque há uma enorme preguiça de encontrar uma tradução que seja ao mesmo tempo aceitável e também inserível no tempo do movimento dos lábios na tela (no caso dos filmes). Não precisa ser algo perfeito, que se encaixe sem problemas em um tipo de economia facial de sentido, cadência e sincronia. Mas pelo menos que você esqueça que está assistindo uma dublagem (sinal de que a dublagem é boa), ou não fique irritado por ficar percebendo toda hora equívocos e erros.
E nem falei também do problema da atuação. Eu, que tenho uma voz horrível e sem empolgação, sei muito bem disso. Me refiro aos dubladores que só se preocupam com a métrica e com a sincronia, mas esquecem da emoção que deve vir junto, de modo a resgatar - minimamente - a interpretação do ator.
E não digo que quero traduções literais também. Essas às vezes são tão irritantes quanto as licenças poéticas medíocres. Isso porque normalmente são indícios de uma ignorância completa da cultura pop - em constante atualização, claro, mas que pode ser pesquisada. Aí, me desculpe, mas é da responsabilidade do tradutor. Porque senão, aí melhor mandar essa profissão para o saco e utilizar um software que substitui ipses literes uma palavra por outra e pronto, tudo resolvido. E se for difícil de traduzir, tudo bem - para que servem as famosas "Nota do Tradudor", tão utilizadas pelos ciosos? Estou falando das expressões coloquiais, das gírias. Ou então simplesmente do nome de alguma coisa.
Lembro de um romance, lido na época da defesa, quando traçava tudo que dizia respeito ao Congo ou Ruanda... você acha que faz sentido simplesmente colocar "Pregos de Nove Polegadas - A droga perfeita"? Assim, largado? Se o cara traduziu é porque não sabe o que é. Se não sabe o que é, isso não deveria estimular uma mínima pesquisada? Não sentiu a mínima curiosidade ou vontade de saber que raios está traduzindo? Para o tradutor evidentemente não fez sentido. Passar a ignorância gratuitamente é irresponsabilidade e preguiça. O melhor que poderia fazer, se ainda estivesse com preguiça, era deixar no original. Pôxa, hoje existe google. É só você se dar ao trabalho de fazer uma busca, em cinco minutos, entre aspas.

domingo, maio 21, 2006

Meninos e meninas

Muito engraçada a edição de aniversário do Saia Justa.
Chamaram uma série de convidados (XYs) para participar também e falar sobre a relação entre homens e mulheres. Um padre, um psiquiatra, um cirurgião plástico, um dj, dois atores, o Serginho Groisman, o Léo Jaime, um jornalista e o Júnior, coitadinho.
Eu que não manjo muito, mas pego um tanto por osmose aqui em casa, achei que faltou alguém para falar sobre gênero de verdade; pelo menos um Foucault - o que a filósofa deveria fazer.
Mas, enfim, é divertido ouvir os argumentos. Com exceção de um ou outro, era praticamente conversa de bar feita na televisão. Comparar com os programas de futebol, então, é mais legal ainda.

sexta-feira, maio 19, 2006

Curiosidades demoníacas

Bem a propósito da regravação de A Profecia, marcada para estrear no dia 6, do mês 6, de 2006, deixo aqui uma pequena listinha...

Brian Jones, o rolling stone, morreu afogado em uma piscina em julho de 1969, sob circunstâncias misteriosas. Há quem diga que foi assassinado. Havia sido expulso do grupo um mês antes. No ano anterior havia filmado Sympathy for the devil, do Godard.
Em setembro de 1970, Hendrix morreu de od, também afogado - em seu vômito.
Menos de um mês depois, Janis Joplin morria - igualmente de od.
Em julho do ano seguinte, morreu em Paris Jim Morrison. De od.
Kurt Cobain supostamente se matou em abril de 1994.
Robert Johnson, o genial bluesman que teria vendido sua alma ao diabo para ser o melhor guitarrista de todos, morreu em agosto de 1938, provavelmente envenenado. Testemunhas dizem que ele, de quatro, babava e uivava para a lua antes de finalmente sucumbir.

Todos os seis tiveram sucessos meteóricos. Todos tinham 27 anos.

E apenar para não ficar só entre os músicos e no macabro número seis, Sharon Tate, a linda e famosa esposa de Polanski, foi assassinada por Charles Manson em agosto de 1969. Estava grávida de oito meses. As menções sobre rituais satânicos são inúmeras. Também tinha 27 anos.

quarta-feira, maio 17, 2006

Depois da tempestade...

Soluções para o problema dos celulares nos presídios:

- Transformar o IFCH em uma penitenciária (os principais chefes de quadrilha podem ficar no prédio da pós, onde nem com reza brava existe sinal).

- Promover um monopólio da telefonia celular: só podem ser comercializados aparelhos Tim-ganei. Para não dar muito na cara, é igualmente permitida a venda dos lotes paraguaios da marca motorola com tendências explosivas.